IMPLEMENTAÇÃO DO PEC: PROFESSORES DE HISTÓRIA
1. A ESCOLA DA VILA E O PEC
1.1 O projeto executivo
O projeto executivo apresentado pela Escola da Vila tinha o custo total previsto em R$ 1.078.195,00. Ele visava a capacitação de professores do Ciclo Básico à 4a série, além da capacitação dos professores que lecionavam Português, Matemática, História, Geografia e Ciências da 5a à 8a séries, no pólo 5. As delegacias que compunham este pólo eram a 1a e 2a de Santo André, a 1a e 2a de São Bernardo do Campo, a de Diadema, a de São Caetano do Sul, a de Ribeirão Pires e a de Mauá, cidades do ABC paulista e da Região da Grande São Paulo. Ao todo, seriam capacitados 2.780 professores, divididos em 60 turmas. Os 880 professores do Ciclo Básico à 4a série seriam divididos em 22 turmas, enquanto os 1.900 professores de 5a à 8a séries seriam divididos em 38 turmas30. Dentre essas turmas foram formadas oito turmas de História para a capacitação de 397 professores. A carga horária prevista para a capacitação dos professores do Ciclo Básico à 4a série era de 180 horas, divididas em três módulos de 60 horas, e a dos professores de 5a à 8a séries era de 120 horas, divididas em três módulos de 40 horas. Em cada módulo, a capacitação do subprojeto de 5a à 8a previa a realização de três tipos de ações: as palestras, as oficinas e as produções reflexivas. Ao todo seriam seis palestras, quinze oficinas (encontros presenciais) e nove produções reflexivas (que logo mais serão explicitadas). Mas, no projeto executivo, constavam apenas os cronogramas de dois tipos de ações, palestras e oficinas, que seriam desenvolvidas nos dois primeiros módulos. O primeiro módulo ocorreu de maio a agosto e o segundo, de setembro a dezembro de 1997.
O breve descrever das ações (palestras, oficinas e produções reflexivas), feito a seguir, se faz necessário para fundamentar as análises apresentadas posteriormente.
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As 38 turmas do subprojeto de 5a a 8a série eram compostas por dez turmas de Português, oito
turmas de Matemática, oito turmas de História, sete turmas de Ciências e cinco turmas de
Geografia. Existiam mais turmas da disciplina de Português, uma vez que a 1a Delegacia de
Ensino de São Bernardo do Campo e a Delegacia de Ensino de Diadema contavam com duas turmas dessa disciplina. Por outro lado, o número de turmas de Ciências e Geografia era menor, uma vez que a Delegacia de Ensino de São Caetano do Sul não contava com turmas de Ciências e
As palestras eram ações previstas somente para o subprojeto de 5a à 8a séries e seriam duas por módulo. As palestras ministradas tratavam de temas mais amplos ligados ao processo de capacitação nos três módulos. Entre os temas abordados nas palestras estavam: avaliação; planejamento e execução de
atividades de ensino aprendizagem; os projetos multidisciplinares de ensino; a visão construtivista de aprendizagem, a concepção construtivista da educação, a ética e a cidadania, a importância social da escola e do professor, dentre outros.
Os temas deveriam abordar questões gerais e de interesse das cinco disciplinas envolvidas, uma vez que os professores capacitandos de Português, Matemática, História, Geografia e Ciências de 5a a 8a séries da delegacia de ensino eram reunidos em um único auditório. O palestrante contaria com a presença e a colaboração dos capacitadores de cada disciplina na organização dos debates. Ao término da exposição, os capacitadores reuniam suas turmas e retomavam as questões levantadas. Na primeira oficina subseqüente à palestra eram retomadas as reflexões e as relações entre o tema da palestra e a atuação dos professores capacitandos em suas respectivas salas de aula.
As prioridades estabelecidas para as palestras eram evidenciar a relação do tema da palestra com a prática cotidiana dos professores e a importância da necessidade de uma base teórica para a condução da prática cotidiana do educador. As palestras deveriam contribuir para a conscientização da ação educativa planejada desde os níveis mais amplos, até o trabalho cotidiano de sala de aula, reforçando o planejamento e a avaliação da ação educativa. Além disso, elas deveriam reiterar a necessidade e a importância do estudo constante e do aperfeiçoamento contínuo para a profissão de educador.
Os indicadores de qualidade das palestras seriam: a análise da participação dos professores capacitandos, feita por meio da observação e registro no relatório do palestrante, um questionário respondido por eles logo ao final da palestra e uma produção reflexiva individual sobre o tema apresentado, que seria entregue pelos professores capacitandos na primeira oficina posterior à palestra. A
de Geografia, enquanto as Delegacias de Ensino de Ribeirão Pires e de Mauá não contavam com turmas na disciplina de Geografia.
coordenação do subprojeto de 5a à 8a séries faria a leitura desses questionários e das produções reflexivas e, ao final de cada módulo, promoveria reuniões com representantes das delegacias de ensino e dos capacitadores de cada disciplina para incorporar ao planejamento possíveis temas ou questões apontadas nas avaliações ou para (re)orientar os planejamentos apresentados.
As oficinas eram ações previstas no subprojeto da 5a à 8a séries e seriam cinco por módulo. No subprojeto do Ciclo Básico à 4a série estas ações eram denominadas de encontros. Os dois subprojetos seguiam a mesma metodologia, tinham os mesmos indicadores de qualidade, as mesmas prioridades estabelecidas, compartilhavam dos mesmos modelos de acompanhamento, assim como alguns dos resultados esperados. Nas oficinas a principal preocupação era com a formação específica do professor de cada disciplina. Essa formação incluía tanto os aspectos conceituais e os conteúdos envolvidos no ensino da disciplina, quanto os aspectos didático-pedagógicos. As oficinas envolviam questões relacionadas a “como ensinar” e também a “como e quando avaliar”. A equipe de capacitadores da disciplina era responsável pelo planejamento e condução de cada oficina, levando-se em consideração os objetivos mais amplos do programa nos três módulos, bem como a programação de palestras.
Na metodologia empregada nas oficinas, determinada no subprojeto de 5a à 8a séries, o capacitador faria a exposição inicial, resgatando o trabalho da oficina anterior ou da palestra e, ao final do encontro, faria a síntese dos trabalhos desenvolvidos. Nas oficinas, as turmas deveriam ser divididas em grupos, de forma a facilitar discussões e reflexões sobre as questões propostas ou situações- problema. Ao final de um tempo determinado pelo capacitador, cada grupo apresentaria aos demais grupos da turma, por meio de um painel, as suas reflexões e posições para ampliar o debate. Os grupos também analisariam seus materiais pedagógicos (textos, desenhos, vídeos), os recursos didáticos que dispunham e discutiriam sobre a sua participação nas oficinas pedagógicas e, se fosse o caso, falariam sobre a palestra anterior.
Importante conhecer os indicadores de qualidade propostos no corpo do projeto executivo:
• “Participação dos professores nos Encontros Presenciais, observada, registrada e analisada pelos capacitadores nos relatórios parciais e finais de cada módulo:
1. Participação individual no grupo-classe sem solicitação (manifestações de interesse como, por exemplo, levantamento de questões, apartes, comentários, exemplos de sua prática, sugestões etc.).
2. Participação em subgrupos, contribuindo para o cumprimento da tarefa proposta, trazendo contribuições de seu conhecimento teórico e de sua experiência, favorecendo a concentração do grupo.
3. Participação em grupo-classe solicitada, colaborando em sínteses coletivas, representando o grupo em painéis, enunciando problemas e dúvidas surgidas no grupo.
• Produção escrita do(a) professor(a) nas tarefas complementares reflexivas aos Encontros Presenciais/produções reflexivas, reveladoras de: compreensão e assimilação de conceitos; resistência sem fundamento crítico; reações inadequadas a idéias, procedimentos e atitudes que os textos propõem.
• Relatos orais e escritos de resultados de propostas levadas aos alunos em sala de aula.
• Produção dos alunos, anexada às respostas dadas pelos professores às tarefas complementares/produções reflexivas”
(CEEV, Projeto Executivo da Escola da Vila, 1997).
Os indicadores foram pautados pela participação individual do professor capacitando nas diversas atividades propostas. Atividades como: apresentação de painéis, análise escrita ou oral de determinado tema, entrega das produções reflexivas e das demais tarefas propostas no decorrer dos encontros, relatos sobre as atividades desenvolvidas com os alunos do capacitando e resultados das atividades desenvolvidas na capacitação.
As prioridades estabelecidas eram vinculadas à revisão das práticas pedagógicas tradicionais e a sua análise, de modo a identificar sua influência na
questão da evasão e repetência escolar e na formação do aluno crítico. As análises deveriam contribuir para a revisão da prática pedagógica e também conseguir alternativas didáticas e de planejamento com bases nas reflexões e debates desenvolvidos.
Em cada módulo previa-se, no subprojeto de 5a à 8a séries, três produções
reflexivas. Estas eram textos produzidos pelos professores capacitandos a partir
de ações planejadas pela equipe de capacitadores e propostas nas oficinas. Envolviam a preparação de um inventário dos materiais a serem colocados em uma sala ambiente e suas possíveis utilizações em aula; o planejamento detalhado de uma atividade de ensino e aprendizagem; a reflexão teórico-prática feita a partir do estudo de um texto pedagógico, etc. As produções reflexivas eram orientadas por material escrito, roteiros e planos de trabalho que proporcionavam aos professores capacitandos uma reflexão sistemática sobre sua prática pedagógica. A equipe de capacitadores planejava as atividades das oficinas e produzia ou selecionava material escrito (textos, roteiros e planos de trabalho) para orientar a elaboração das produções reflexivas. Ao produzir ou selecionar o material de orientação, a equipe buscaria provocar a reflexão do professor capacitando sobre sua prática pedagógica. Ao devolver o material produzido nas produções reflexivas aos professores capacitandos, eram sugeridos ou indicados títulos para o aprofundamento do tema trabalhado.
As produções reflexivas eram atividades realizadas pelos professores capacitandos fora do horário das oficinas e com base em questões trabalhadas nas oficinas e em textos indicados pela equipe de professores capacitadores. Essas atividades incluíam a elaboração de uma síntese sobre o material lido ou mesmo a aplicação ou desenvolvimento de atividades com alunos dos professores capacitandos. Eram instrumentos importantes para o acompanhamento e avaliação do processo de capacitação. Os professores capacitandos eram acompanhados pelo professor capacitador nas oficinas e pela coordenação do subprojeto, em conjunto com os subcoordenadores das disciplinas e as delegacias de ensino através de relatórios elaborados pelas equipes capacitadoras. O capacitador acompanhava individualmente os professores capacitandos, por meio
da leitura e análise das três produções reflexivas elaboradas durante o módulo. A equipe de capacitadores, após a apresentação e discussão das produções reflexivas, apresentadas pelas suas turmas, as devolvia aos professores capacitandos e elaboravam um relatório. As coordenações dos subprojetos e a geral se reuniam com os representantes das delegacias de ensino, com os coordenadores de cada disciplina e com os grupos de capacitadores ao final de cada módulo, antes do início do módulo seguinte para analisar os relatórios. Feita a análise dos relatórios sobre as produções reflexivas desenvolvidas no decorrer do módulo, eram sugeridas alterações no encaminhamento das produções reflexivas do módulo seguinte. O modelo de acompanhamento adotado permitia à coordenação geral avaliar as atividades desenvolvidas de forma individualizada, capacitador por capacitador, assim como acompanhar o trabalho de capacitando por capacitando em cada turma.
De acordo com o Projeto executivo da Escola da Vila os resultados esperados eram vinculados a mudanças na concepção teórica e à prática da sala de aula que refletiria na evasão, na repetência e na formação do aluno crítico. O curso pretendia propiciar aos capacitandos condições de organizar o espaço e o tempo da sala de aula de forma a favorecer o caráter construtivo e interativo do processo ensino aprendizagem e o rompimento com as práticas de ensino e aprendizagem tradicionais.
Importante conhecer o processo de formação da equipe capacitadora, pois a implementação do projeto executivo foi feita pela equipe pedagógica da Escola da Vila e por capacitadores contratados pelo CEEV. O corpo técnico do projeto era formado por três coordenadorias, sendo uma a coordenação geral do projeto, que tinha sob sua responsabilidade outras duas coordenadorias, a coordenação do subprojeto do Ciclo Básico à 4a série e a coordenação do subprojeto de 5a à 8a séries. Os coordenadores dos subprojetos tinham sob sua responsabilidade direta os subcoordenadores de área (disciplinas) e estes, por sua vez, eram responsáveis pelas equipes de capacitadores. A coordenação geral contava, para a implementação do projeto, com a participação de professores especialistas e de assessores. Os professores especialistas eram professores convidados para
participar de algumas ações (palestras), que possibilitariam o aprofundamento de um tema ou debate levantado por uma disciplina específica. Os assessores tinham o objetivo de “garantir uma análise mais crítica e sistemática, externa ao grupo de capacitadores”, podendo, assim, oferecer “um olhar mais amplo sobre o percurso do trabalho” (CEEV, Projeto executivo da Escola da Vila, 1997). Os assessores foram convidados a participar do projeto em três momentos: no planejamento, durante o processo de execução e ao final do processo.