2.3 A Política de Segurança Pública: planos e programas (Senasp, PNSP, o Susp e o
2.3.2 O Projeto Nacional de Segurança Pública para o Brasil (2003)
Em 2002, no governo Lula, por meio do Instituto da Cidadania (que o próprio Lula presidia), foi desenvolvido o “Projeto Segurança Pública para o Brasil”, cumprindo uma promessa de governo de instituir e criar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que tem como objetivo principal promover a atuação conjunta de forma integrada dos órgãos que compõem o Gabinete de Gestão Integrada, visando à prevenção e ao controle da criminalidade nos Estados membros e desconstitucionalização das polícias.
Um fato importante no programa é a retratação das circunstâncias que antecedem sua criação. Este fato traz à tona questões que devem ser tratadas, não desprezando as relações sociais como fomentadoras da violência nas suas mais variadas manifestações, tanto do crime organizado como da participação de ‘colarinhos brancos’ e policiais em pequenos delitos do dia a dia.
Com o intuito de atender a todos os municípios do país o programa alterou a legislação de criação do Fundo Municipal de Segurança Pública, criado no governo de FHC, que passou a contemplar com recursos financeiros todos os municípios do país e não apenas aqueles que contavam com guardas municipais, como antes instituído.
Este plano programa inclui de forma definitiva a segurança pública na agenda governamental como tema de discussão, por apresentar que a insegurança atingiu níveis generalizantes do que poderíamos denominar “clamor público”, não só para a população de baixa renda, aquela que ocupa os “bolsões de miséria” – tendo como pressuposto a discriminação, muitos ainda acreditam que vêm de lá os indivíduos que praticam tais delitos –, mas também dos bairros de classes média e alta, provocando uma sensação de insegurança, causado em parte pela mídia, que apresenta esses fatos reais de maneira sensacionalista (WAISELFISZ, 2011).
O projeto de 2003 prevê, em seu rol de ações, estratégias pioneiras para o controle e combate à criminalidade no país como:
A criação dos Centros de Referência de Proteção das Minorias – espaços de troca de experiências e diálogo entre comunidade e polícia para discutir ações de segurança para a garantia de direitos das minorias;
Proibição de agentes da segurança pública como sócios ou proprietários de empresas de segurança privada;
Reforma das polícias – o intuito desta estratégia é formar profissionais voltados para ações que valorizem a cultura da paz e os Direitos Humanos;
Formação profissional – o processo de formação e qualificação dos profissionais de segurança pública é considerado um instrumento fundamental para a transformação das instituições policiais;
Dentro deste processo de nova estruturação do projeto, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), criada em 1998 com o compromisso de implementar as políticas públicas de segurança, passou a ter como missão a implementação do Susp.
Para atuar em tal esfera a Secretaria traçou linhas de ação para implementação, como: gestão de conhecimento; reorganização institucional; formação e valorização profissional; prevenção; estruturação da perícia; controle externo e participação social; e programas de redução da violência.
Ponto estratégico de ação para maior eficácia e para integrar as forças policiais, reduzindo o conflito de competência, foi a subordinação tanto da Polícia Civil quanto da Militar ao secretário de Segurança Pública, que seria responsável por fazer a ligação com órgãos de outras instâncias como a Polícia Federal e guardas municipais.
Foram determinadas metas específicas para o Susp, através da implantação dos gabinetes integrados, com os seguintes objetivos específicos:
• Implementar as políticas vinculadas ao plano nacional de segurança pública e aos planos estaduais e municipais, observadas as peculiaridades locais;
• Estabelecer uma rede estadual/nacional de intercâmbio de informações, experiências e práticas de gestão, que alimente um sistema de planejamento em nível nacional, com agendas de fóruns regionais e nacionais;
• Elaborar um planejamento estratégico das ações integradas a serem implementadas;
• Criar indicadores que possam medir a eficiência do sistema de segurança pública;
• Identificar demandas e eleger prioridades, com base em diagnósticos;
• Garantir um sistema onde a inteligência e as estatísticas trabalhem de forma integrada;
• Difundir a filosofia de gestão integrada em segurança pública3. O Sistema Único de Segurança Pública, em sua estrutura, propõe a criação das Áreas de Integração de Segurança Pública (Aisp)4, unidades descentralizadas para avaliar e monitorar atividades de segurança pública, assim como, planejar, controlar, supervisionar as ações.
O planejamento de ações engloba, na criação das Aisp, a aproximação da polícia com as comunidades, com o diagnóstico local para favorecimento dos serviços a serem prestados para a população local, integrando os serviços locais e de outras esferas do governo.
Novas ações de segurança devem ser pensadas e planejadas para a segurança pública no Brasil, hoje, ao contrário do que pensavam as classes dominantes, não são mais suficientes as muralhas das residências, os carros blindados e a segurança privada, reforçados pelo policiamento público ostensivo distribuído nos bairros nobres (SOARES, 2006). A população que não têm condições de manter esse aparato também pede segurança e, muitas vezes, não é atendida por conta de um estado elitista que considera áreas mais pobres como espaço de bandidos – são sim, espaços onde criminosos, por saber da ausência do Estado, de segurança, estabelecem suas atividades que envolvem, em episódios comuns, uma rede os criminosos de colarinho branco, policiais e políticos corruptos.
3
Informações disponíveis no site do Ministério da Justiça, http://portal.mj.gov.br. 4
Este propósito de concretizou e o município de Macaé, espaço desta pesquisa, está situado na Aisp32. O Estado do Rio de Janeiro conta hoje com41 Aisp.
2.3.4 Projeto Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) - 2007