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sobre as políticas públicas realizadas e de propostas para as atuais demandas. Só que é um trabalho voluntário que prestamos.”114

Uma breve apresentação

Uma notícia de jornal de bairro sobre buracos nas ruas de Santos e os recorrentes casos de queda dos mais velhos era concluída com a convocação dos leitores para a reunião do CMI-Santos para tratar do tema com a participação de um responsável pelo setor de obras da prefeitura, em julho de 2010115. Com o chamado público, elegi esse o momento como ideal para iniciar o campo da pesquisa.

O endereço era um sobrado num bairro residencial. Na fachada, tinha uma placa grande com as inscrições “Casa de Participação Comunitária”116. Nela, além do CMI-Santos, funcionavam os outros conselhos da cidade117. Posteriormente a prefeitura

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Esse título é inspirado em comentários frequentes no grupo de orientação quando tentava expor sobre o meu trabalho de campo com descrições de casos, da estrutura de funcionamento ou das regras previstas em cada regimento interno. Neste capítulo, pretendo expor de modo ilustrativo os espaços percorridos, minha inserção no campo e os elementos que constituem esse universo chamado conselhos de idosos.

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Esse trecho é parte da explicação de um conselheiro, repetida algumas vezes, sobre o que são os conselhos de idosos em meio a esclarecimentos às minhas dúvidas.

115 Notícia de jornal escaneada no anexo I. 116

Como pode ser visto na foto 1 do Álbum. 117

Eram eles: Acompanhamento e Controle Social Fundo de Manutenção, Desenvolvimento da Educação Básica (CMACS-FUNDEB), Alimentação Escolar (CMAE), Assistência Social (CMAS), Cultura (CONCULT), Defesa do Meio Ambiente (COMDEMA), Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (CONDEPASA), Desenvolvimento Econômico de Santos (CDES), Desenvolvimento Urbano (CMDU), Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Direitos da Mulher (COMMULHER), Direitos das Pessoas com Deficiência (CONDEFI), Educação (CME), Emprego, Trabalho e Renda (COM-Emprego), Entidades de Bairros (COMEB), Esportes (COMESP), Habitação (CMH), Idoso (CMI), Juventude (CMJ), Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (CMPDCN), Políticas Públicas sobre Tabaco, Álcool e outras Drogas (COMAD), Saúde (CMS), Segurança Alimentar e Nutricional (COMSEA), Segurança Municipal (CONSEM), Turismo (COMTUR), Tutelar Zona Central (CTZC), Tutelar Zona Leste (CTZL), Tutelar Zona Noroeste (CTZN), Vida Animal (COMVIDA). Informação disponível em: http://www.portal.santos.sp.gov.br/conselhos/page.php?42. Apresento-os aqui para que o leitor possa dar conta da diversidade de conselhos presentes em uma cidade, ainda que eles não sejam os mesmos em todos os casos.

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alugou a casa ao lado para ampliar o espaço e acomodá-los melhor. Ou seja, em Santos, todos os conselhos estavam localizados no mesmo espaço físico.

Os seus funcionários administrativos eram servidores públicos emprestados da prefeitura e, no caso do CMI-Santos118, eles já trabalharam em políticas públicas voltadas à população idosa. Ou seja, o funcionamento dos conselhos trazia em si um tom de conhecimento prévio e de presença da administração pública; o que não ocorria no GCMI-São Paulo119, em que, apesar do conhecimento burocrático pleno – seus funcionários também eram emprestados do serviço público –, os conselheiros da sociedade civil120 não dominavam o funcionamento da administração municipal, o que emperrava a dinâmica das assembleias121. Isso também criava inúmeros constrangimentos aos conselheiros empenhados em fazer propostas de ação e estabelecia um fosso entre os conselheiros representantes da sociedade civil e os de governo municipal; por outro lado, criava-se uma aliança estreita desses com a Câmara dos Vereadores. De outra forma, no CEI-SP, a falta de conhecimento dos meandros do trabalho do conselho pelos funcionários122 era uma questão que paralisava o trabalho das secretárias da instituição. Era comum que os conselheiros se zangassem quando suas secretarias, com pouca propriedade institucional, davam orientações ou, então, quando elas atendiam denúncia, trabalho não autorizado no estadual, sendo restrito aos municipais, como eles explicavam123. Ao contrário, o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso124 era formado por conselheiros vindos de altos postos de associações e instituições de grande porte e ministérios federais, ou seja, entrosados com as dinâmicas estatais; além disso, seus funcionários ocupavam o posto há muitos anos.

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O conselho municipal de Santos mantinha o vínculo institucional com a Secretaria Municipal da Assistência Social.

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A Secretaria Municipal de Participação e Parceria se tratava do órgão de vínculo institucional do GCMI com o poder público.

120 Os conselhos representantes do poder municipal de São Paulo raramente frequentavam as assembleias abertas do GCMI-São Paulo. Havia uma reunião fechada aos conselheiros que contavam com sua participação, mas a esse espaço não obtive autorização para frequentar, apesar dos pedidos.

121 Quando situações nesse tom aconteciam, funcionários presentes do GCMI-São Paulo, emprestados da administração pública, ajudavam a solucionar a questão em destaque ou, então, faziam anotações para descobrir seus encaminhamentos.

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Esses também eram cedidos pelo órgão de vinculação administrativa governamental. 123

Assunto a ser retomado nas próximas páginas.

124 O Conselho Nacional é ligado à Secretaria dos Direitos Humanos (SDH), que por sua vez, é ligada à Presidência da República.

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Em Santos, a relação com o poder público era forte e evidenciada frequentemente. Em todos os casos125, mas nesse, pelo menos na pasta do idoso, isso parecia se sobressair, já que seus funcionários administrativos já terem atuado como agentes de políticas do município para essa população126. Essa relação se revelava significativamente ainda mais forte pela centralização de figuras do poder público muito atuantes com informações sobre os serviços da prefeitura sobre a temática e, ainda, da presença no conselho de funcionários de alto escalão, como o secretário da pasta de ação social da cidade – que também se tratava do vice-prefeito127 – em eventos solenes128, como a posse dos conselheiros da nova gestão.

Os conselhos estudados eram dinamizados pelas assembleias mensais129. Em Santos, o que antes era a sala de visitas da casa em que funcionam os conselhos se transformou no espaço em que acontecia a assembleia mensal. Cadeiras de plástico eram colocadas em fileiras de frente para uma mesa comprida retangular onde sentavam os membros da diretoria executiva: presidente, vice-presidente, 1° secretária e 2°

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Os regimentos internos previnham que o aparato estatal deve cuidar das demandas materiais do conselho. Apesar do caráter autônomo e independente do governo, o conselho tem uma vinculação institucional para que esse providencie e arque com seus custos e infraestrutura em geral.

126 Nos outros três conselhos, as funcionárias serviam como secretárias, as quais não tinham realizado outros trabalhos com essa população antes. O GCMI-São Paulo contava também com estagiários da área de Gerontologia. No CNDI, a funcionária foi alocada de outra área, mas não havia nenhuma relação com serviços oferecidos à pessoa idosa.

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Nas assembleias do GCMI-São Paulo, o responsável pelo Coordenaria do Idoso do município estava presente com freqüência nas assembleias e nos eventos. Mas sua autoridade política ali era pouco referendada e valorizada, diferente do que era visto no CMI-Santos. Além disso, os vereadores eram as autoridades políticas de prestígio e respeito presentes. Quando eles chegavam, a reunião era paralisada. A palavra era dada a ele, que dava o seu recado – que geralmente consistia em informar a autorização de um repasse de verba ao tema do idoso ou alguma realização voltada a esse público que tenha sido finalizada, mas, sobretudo, tratava-se de demonstrar o seu apoio à causa da luta pelos direitos dos idosos e a importância dos investimentos nas condições da população mais velha. Os dirigentes da assembleia agradeciam a visita do vereador e, com sua saída, a dinâmica da assembleia era retomada.

128 O governador esteve presente em cerimônias da política estadual do idoso e na abertura dos Jogos Regionais do Idoso. Nesses casos, o CEI-SP foi evidenciado, mas se tratava de assuntos do governo do estado.

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Essa era a forma chamada em Santos. No GCMI-São Paulo, tratavam por reuniões mensais. O CEI-SP denomina o encontro em reunião ordinária. Em todos os casos eram realizadas uma vez por mês, geralmente às terças feira, em uma semana específica do mês. A primeira era no GCMI- São Paulo. A segunda, CMI-Santos e a terceira ou quarta, CEI-SP. Ao longo da semana, eu tentava voltar com outras justificativas para entender melhor a dinâmica do grupo e espaço em questão No CNDI, as reuniões aconteciam a cada dois meses. A forma de nomear tais encontros serem diferentes não quer dizer pouco. Ao contrário, sinaliza para dinâmicas, organização e compreensão distintos do que se refere aquele espaço.

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secretário130. Encostados na parede, perpendicular à mesa, estavam as funcionárias do conselho.

A organização espacial e a dinâmica da assembleia espelham a estrutura hierárquica entre os membros e suas funções na assembleia. A mesa diretora anunciava a pauta, informes e organizava as falas e os encaminhamentos. As funcionárias registravam as decisões e buscavam algum material necessário ao longo da reunião. Aqueles sentados nas cadeiras de plástico eram conselheiros representantes dos diferentes setores e, também, visitantes131.

Em Santos, os conselheiros idosos132 geralmente apresentavam demandas, cobravam encaminhamentos anteriores, comunicavam informes133. Os conselheiros da sociedade civil eram representantes das instituições que ofereciam serviços à população idosa e estavam atentos à legislação municipal, às exigências e resolutivas do conselho e ajudavam com as tarefas compartilhadas. Além disso, apresentavam demandas e falavam da instituição a que pertenciam para “serem conhecidos”, o que significava ressaltar o trabalho da entidade com detalhes, o público atendido e sua eficácia para a vida daquelas pessoas134. Os conselheiros do poder público eram os mais ausentes nessas reuniões, ainda que sua presença fosse relativamente intensa, se comparada com a participação dos representantes do poder público nas assembleias que presenciei dos outros conselhos estudados. A dificuldade em conciliar o trabalho formal com a rotina do conselho era a justificativa das ausências em todos os casos. Desses conselheiros, esperava-se que se fizesse a ponte entre a secretaria a que pertenciam e o conselho. Eles deveriam tirar dúvidas dos conselheiros e eram encarregados de levar as discussões do conselho à secretaria e responder por ela naquele espaço135. Esse papel era visto em

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Em cada contexto pesquisado há termos específicos diferentes: se no CMI-Santos fala-se em diretoria executiva, a direção do GCMI-São Paulo e do CNDI é denominada secretaria executiva; no CEI-SP, chama-se diretoria executiva ou mesa diretora.

131 Apesar das particularidades espaciais, em todos os casos a diretoria sentava a frente dos outros conselheiros, conduzia a reunião e organizava a ordem das falas.

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Como já explicitado no capítulo II, o CMI-Santos é o único, dos que estudei, é formado por três segmentos: poder público, sociedade civil e idoso.

133 As reuniões observadas do GCMI-São Paulo foram predominantemente de conselheiros de sociedade civil que, nesse caso, como já apresentado no capítulo II, correspondiam a moradores da cidade de São Paulo de mais de sessenta anos; ou seja, idosos. E a dinâmica era muito parecida com a descrita até aqui.

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A postura dos conselheiros da sociedade civil do CEI-SP, também representantes da sociedade civil, era muito próxima ao modelo exposto acima.

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alguns casos mas a participação dos conselheiros do poder público era frequentemente alvo de críticas de outros conselheiros.

O café ficava no canto atrás da porta do salão onde acontecia a assembleia. Ele era preparado pelas funcionárias responsáveis pela limpeza da casa, as quais também eram concedidas pela prefeitura. No meio da reunião, os poucos deslocamentos eram de pessoas em direção à bandeja de café ou ao banheiro.

Ao redor da garrafa térmica aconteciam conversas paralelas em tom bem baixo para não atrapalhar o andamento da assembleia. Nessas falas, eram trocados comentários, informações ou mesmo alguma posição política era combinada discretamente136. Esses momentos, de modo geral significavam travar alianças diferentes daquelas posições expostas na reunião, geralmente, pelos membros da diretoria. Tratava- se de momentos de escapar, no sentido de organizar formas de atuação diferentes do que vinham sendo apresentadas, já que cenas de enfrentamento nas assembleias eram poucas e, quando aconteciam, o apoio entre os conselheiros – ou um grupo deles – já estava combinado.

Em Santos, a oposição era rara, e esse papel acabava sendo deixado para duas pessoas: um conselheiro mais velho e uma senhora que se definia como colaboradora137. Exatamente pela posição de quebrar a ordem e a harmonia da reunião, esses sujeitos eram conhecidos por serem ‘os chatos’.

Quando ‘os chatos’ começavam a falar, o grupo demonstrava impaciência. O que quero dizer com essas considerações é que a assembleia ordinária138 era mais pautada em resoluções e encaminhamentos e, quando havia brigas ou algum tom mais alterado, eles eram ensejados por esses dois sujeitos. Não era raro o grupo reagir

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A conversa no café também era comum no GCMI-São Paulo e CEI-SP. Mas nesses dois grupos, a mesa do café ficava na parte externa ao salão onde acontecia a reunião. Por isso, era possível que as conversas fossem mais desenvolvidas. E elas também tinham esse caráter de alinhar posições, preparar estratégias de atuação para a continuação da reunião ou de comentar o encontro do dia, sobretudo, no CEI-SP, em que a saída para o café podia acontecer no meio da reunião quando essa se estendia por mais tempo. No GCMI-São Paulo, era mais comum que ela acontecesse antes ou depois das assembleias e sua duração era mais contida. Esses momentos tinham importância na dinâmica e nas decisões tomadas em assembleias.

137 Ela participava de vários conselhos como colaboradora, o que significa que não era conselheira eleita. Pelo deslocamento constante entre os conselhos da cidade, ela fazia a ponte entre eles divulgando informações e iniciativas. Sua atuação era intensa no que concerne às falas nas assembleias e incentivo a ações concretas do CMI-Santos.

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Além das assembleias ordinárias, havia as “extraordinárias”. Essas eram aquelas marcadas por demandas específicas, como acordar um assunto ou aprovar um documento que se alongaria mais do que um item da reunião ordinária.

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contrariamente a eles, sobre suas falas e comportamento mais agressivo durante as assembleias. Nos casos em que estavam sendo muito criticados, eles ameaçavam desistir do trabalho. O grupo respondia no sentido de acolhimento, valorizando o conhecimento e a atuação que o conselheiro e a colaboradora traziam ao grupo em prol “dos direitos dos idosos”, como eles definiam a sua causa. Quando esses dois sujeitos alteravam o tom das assembleias no CMI-Santos, produziam reações de tensão e de apoio, buscando equilíbrio, apesar dos movimentos serem constantes e, às vezes, bruscos.

Quando era preciso fazer esclarecimentos técnicos sobre alguma questão, sobretudo no que dizia respeito aos trâmites burocráticos, eram chamados especialistas que tratavam do assunto proposto e esclareciam as dúvidas139. Nesse momento da reunião, o convidado ministrava uma palestra e os conselheiros, no final, tiravam suas dúvidas, sobretudo, a respeito da demanda advinda do CMI-Santos.

O conselho funcionava como uma entidade híbrida, na medida em que não a tratava do Estado e nem da sociedade civil, mas era formado pelos dois e operava como uma instituição à parte dessas duas categorias. Atuava, ao mesmo tempo, como uma ponte entre essas duas dimensões: Estado e sociedade civil. A relação entre participação popular e a gestão pública era uma marca que legitimava os conselhos. É claro que, em sua dinâmica, alguns representantes se sobressaíam mais do que outros conforme situações e contextos. Quando a pauta era esclarecimentos, eram os do poder público os evidenciados e ganhavam contornos importantes. Dito de outro modo, em Santos, a prefeitura era entendida como referência naquele contexto, o que era pouco notado nos outros espaços estudados.

As duas gestões do conselho santista foram presididas por uma representante da secretaria de manutenção do vínculo institucional; no GCMI-São Paulo, toda a diretoria executiva devia ser formada, em todas as gestões, por representantes da sociedade civil; no CEI-SP e no CNDI, em que a presidência mudou de segmento representado com a mudança de gestão, ficou claro como o presidente do poder público trazia centralidade da discussão da administração governamental para a pauta. Ou, então, facilitava com conhecimentos prévios alguns trâmites que eram mais demorados com presidentes da sociedade civil, por não dominarem o funcionamento da burocracia ou, ainda, não

139 Essa prática também era comum no GCMI-São Paulo e no CEI-SP, principalmente, durante 2012. Antes disso, a presença de especialista acontecia com menos regularidade.

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conhecerem aqueles que ocupavam o corpo técnico da administração pública. Ou, ainda, esses acionavam outros canais e agentes que conheciam de outros contextos.

No momento da assembleia de demandas e reivindicações ou, então, para cobrar efetividade das mudanças, era a sociedade civil que travava o embate, na maioria das vezes, com os representantes do setor público.

No CMI-Santos, diferentemente de outros conselhos, além do poder público e sociedade civil, havia também a participação de idosos, como já foi explicitado. A ideia era que não só os especialistas deviam falar por essa população, mas que ela pudesse também ser autorrepresentada. É importante lembrar que uma das características atribuídas e ressaltadas para esse grupo era ser atuante; como no modelo gerontológico de velhice bem-sucedida, em que valores como independência e atividade são primadas140. O conselho era formado por um número igual de membros de cada segmento141 e, em todos os casos, ao seu modo, havia representação do público a ser representado: o idoso.

Na Casa da Participação, no segundo andar, havia salas para acomodar os registros de reunião, denúncias e outros materiais. Poucos eram os frequentadores que passavam da sala das assembleias142.

Com a expansão do espaço, a edícula da casa foi reservada ao atendimento da população que procurava o CMI-Santos, já que a escada era um fator de dificuldade para receber aqueles mais debilitados fisicamente. A intenção de garantir e preservar condições para que seu público frequentasse os espaços era uma das preocupações do conselho; no entanto, na gestão de 2012, a mesa executiva era formada por um

140 Aqui a categoria de democracia – materializada nos conselhos de direitos (para mais informações, ver capítulo V) combina com a noção gerontológica de velhice ativa. É a ideia de participação que cria a intersecção e possibilita tal encontro. Se a participação popular na tomada de decisões em políticas públicas é uma marca da democracia brasileira, a participação e atividade do idoso é um dos traços mais valorizados do modelo de velhice da gerontologia desde a década de 80. É, nesse sentido, que o conselho do idoso torna-se um espaço modelo para se pensar democracia ou velhice nos modelos normativos e é considerado tão bem sucedido.

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Como já explorado no capítulo anterior, no GCMI-São Paulo a categoria “sociedade civil” era formada por moradores idosos da cidade. Ou seja, sociedade civil e público alvo da discussão coincidiam. No CEI-SP, sociedade civil remetia a entidades que ofereciam serviços à população envelhecida, como no CMI-Santos. Nesse caso, a maioria numérica das duas categorias devia ter mais de 60 anos. No CNDI, não havia número preciso em sua formação destinado aos mais velhos.

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Em todas as sedes pesquisadas, havia um espaço para armazenar os documentos do conselho em sua sede. No CEI-SP, o material era reduzido porque uma presidente anterior levou os documentos quando sua gestão foi finalizada, bem como alguns arquivos no CNDI.

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cadeirante que, para entrar no salão das reuniões, dependia da ajuda de outros conselheiros para subir, pela existência de degraus para o acesso à porta principal143.

Os atendimentos eram recebidos pelas funcionárias. De acordo com uma delas, tratava-se, em sua maioria, de denúncias de maus-tratos por vizinhos ou familiares144. Outra demanda que chegava ao CMI-Santos era por orientações por serviços na cidade. Os munícipes procuravam o conselho pessoalmente ou via telefone. No GCMI-São Paulo o mesmo serviço era realizado pelos funcionários145. O estadual, explicavam os conselheiros, auxiliava os municípios e tratava da política estadual; e, ainda, repassava as informações de conselhos nacionais aos municipais; ou seja, não realizava atendimento. No entanto, as suas duas secretárias, que trabalhavam na sala de entrada do conselho, recebiam as pessoas que lhes procuravam e ministravam sugestões, as quais eram pouco oficiais. Os conselheiros do CEI-SP zangavam-se pelo

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