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O que diz a Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB

1.4. Alfabetização no Brasil

1.4.1. O que diz a Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB

A qualidade na educação básica no Brasil é algo almejado, mas ainda distante. Em relação ao desempenho dos alunos brasileiros que estão na quarta série, mais de 60% não corresponde ao nível mínimo de leitura adequada, segundo o SAEB. Mesmo que tenha havido aumento no número de alunos que ingressam no ensino médio, menos de 60% não concluem este nível de ensino. Segundo Roitman e Ramos (2011, p. 7) “melhorar a qualidade da educação brasileira é um desafio urgente e prioritário”.

Na busca de realizar a democratização da educação e garantir a qualidade, a LDB (Lei Federal nº 9.394), aprovada em 20 de dezembro de 1996, conforme o artigo 3, incisos Vl e IX, respectivamente, assegura que o ensino deve ser ministrado com base nos princípios de “gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais e garantia de padrão de qualidade”. O artigo fortalece a ideia de que a educação deve ser gratuita para todos e ter compromisso com a qualidade. Fica claro, na mesma lei que é dever do Estado garantir o acesso à educação infantil, fundamental, ensino médio e superior de forma gratuita e obrigatória em colaboração entre os municípios, estados e a união.

Cabe ao estado garantir através de planejamento e ações, uma educação pública gratuita e de qualidade, promovendo ajustes que vão ao encontro do objetivo principal da educação que é garantir o pleno desenvolvimento do educando, o acesso e a permanência na escola e defender a concepção de que a educação deve ser para todos.

Um passo positivo nesta direção foi a ampliação do ensino fundamental que era de oito anos para nove anos e a matrícula obrigatória da criança aos seis anos de idade no ensino fundamental, instituído pela Lei Federal nº 11.274 (BRASIL, 2006). Esse passo veio contribuir para o aumento no atendimento de crianças, principalmente aquelas que fazem parte de camadas populares, que antes não tinham garantia de vagas no sistema público para crianças de 6 anos. É um ajuste quantitativo significativo e é também um desafio qualitativo, conforme documentos do MEC (2007, p. 6)

é melhor que a inclusão seja aos seis anos de idade pois esta melhora se verifica através do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica - SAEB. Tal sistema demonstra que crianças com histórico de experiência na pré-escola obtiveram melhores médias de proficiência em leitura: vinte pontos a mais no resultados dos testes de leitura.

Através do Programa Mais Educação, instituído pela Portaria Interministerial n° 17 (BRASIL, 2007), o Governo Federal busca ampliar a jornada escolar e organizar o currículo para um atendimento integral da criança e do adolescente. O Programa Mais Educação é de responsabilidade da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), em parceria com a Secretaria de Educação Básica (SEB), por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O atendimento é oferecido, primeiramente, a escolas com baixo IDEB e em regiões em que as crianças e adolescentes estejam expostos a situações de risco social.

Os critérios observados pelas escolas, para definição dos alunos escolhidos para participar do Programa mais Educação, entre outros estão à situação de risco e vulnerabilidade social, estudantes com defasagem em idade série e com alto índice de evasão e/ou repetência (BRASIL, 2009).

Cada escola, conforme seu projeto político-pedagógico, pode definir quantos e quais alunos participarão das atividades promovidas pelo Programa Mais Educação.

O programa prevê Acompanhamento Pedagógico, Meio Ambiente, Esporte e Lazer, Direitos Humanos em Educação, Cultura e Artes, Cultura Digital, Promoção da Saúde, Educomunicação, Investigação no Campo das Ciências da Natureza, Educação Econômica. As atividades oferecidas devem ser em turno oposto ao de aula e devem complementar as atividades regulares.

Conta com o apoio de atletas, educadores, artistas, equipes de saúde e de área ambiental, gestores e todas as pessoas comprometidas com a educação para garantir o acesso à educação e ao direito de aprender com qualidade (BRASIL, 2009).

A educação integral exige acompanhamento e planejamento pedagógico, formação das pessoas envolvidas e infraestrutura para possibilitar a permanência do aluno na escola com aprendizagens complementares. Busca

com esse ajuste mais uma alternativa para melhorar o rendimento dos alunos, justamente por aumentar as horas de atendimento específico aos alunos que necessitam e dar ênfase a outras disciplinas. É considerada de turno integral a jornada escolar com sete horas diárias ou mais (BRASIL, 2009).

Cabe destacar que embora seja um programa financiado pelo Governo Federal e que vem ao encontro das necessidades enfrentadas pelas crianças e adolescentes em relação ao cumprimento dos objetivos estabelecidos pela escola, revela um aspecto pertinente e persistente em nossas escolas, a falta de estrutura física para atender esta nova demanda, inviabilizando oficinas em espaços adequados e que possam garantir o atendimento específico de cada área de conhecimento. Mesmo que exista alternativa como a utilização de sede da igreja, museu, pátio coberto, biblioteca e o comprometimento da comunidade em espaços fora da escola, há o risco de desvincular a atividade do objetivo pedagógico e assim, não garantindo o quesito principal do turno integral,que é o direito de aprender com dignidade, respeito buscando o desenvolvimento pleno da criança e do adolescente. Outro aspecto que devemos considerar também é que o governo federal precisa estender o Programa Mais Educação a “todas as escolas” e a “todos os alunos” garantindo assim a universalização da educação.

Outro ajuste importante para garantir a melhora na qualidade da educação é o Ciclo de Alfabetização - período de três anos dedicado à alfabetização, trazendo uma mudança na organização do tempo para alfabetizar. Esse tempo previsto sem interrupção é uma forma de garantir as aprendizagens básicas da leitura, escrita, saberes complexos e que a criança deve estar alfabetizada ao final do Ciclo de Alfabetização. Cada escola fica livre a escolha em optar, pelo regime seriado ou a mudança para ciclos ou bloco sequencial, o que é importante respeitar é a sistematização de conhecimentos e a progressão nos três anos sem interrupção conforme consta nos cadernos do Pacto:

o ciclo de alfabetização nos anos iniciais do ensino fundamental é um tempo sequencial de três anos (600 dias letivos), sem interrupção, dedicados à inserção da criança na cultura escolar, à aprendizagem da leitura e da escrita, à ampliação das capacidades de produção e compreensão de textos orais em situações familiares e não familiares e à ampliação do universo de referências culturais (BRASIL, 2012, p.17).

A necessidade do período de três anos para a alfabetização tem suporte nas Diretrizes Curriculares Nacionais (2012)

cabe ressaltar que nestes três anos, conforme a Resolução n° 7, de 14 de dezembro de 2010, que fixa as Diretrizes Curriculares Nacionais do ensino fundamental de 9 anos, estabelece, no art. 30 que os 3 anos iniciais do ensino fundamental devem assegurar a alfabetização e o letramento, mas também o desenvolvimento das diversas formas de expressão, incluindo o aprendizado da língua portuguesa, a literatura, a música e demais artes, a educação física, assim como o aprendizado da matemática, da ciência, da história e da geografia (BRASIL, 2012, p.18).”

As alterações na LDB, como ampliação do ensino fundamental em 9 anos, obrigatoriedade da matrícula a partir de 6 anos do ensino fundamental, o Ciclo de Alfabetização sem reprovação do aluno nos três primeiros anos, o oferecimento de um atendimento integral para a criança e o adolescente, através do Programa mais Educação, são algumas providências que acompanham as ações do Pacto.

Na próxima seção apresentaremos o Pacto, seus princípios centrais, suas ações e serão apontados alguns objetivos que estão relacionados diretamente ao ensino da leitura e da escrita, enfatizando o conceito de alfabetização e letramento que devem ser utilizados no trabalho pedagógico assim como o papel da consciência fonológica para a obtenção de resultados mais eficientes.

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