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O que é mesmo integralidade?

No documento PEDRO PAULO FREIRE PIANI (páginas 143-145)

5. O SUS a três horas da capital

5.5. O que é mesmo integralidade?

A integralidade apareceu nas falas dos membros da Secretaria Municipal de Saúde por meio de noções variadas. Se, num primeiro momento da entrevista, os entrevistados demonstraram um desconhecimento da integralidade como diretriz do SUS, ao serem informados sobre os parâmetros genéricos da diretriz como atenção integral, afirmaram já esta r exercendo esse princípio na Secretaria em diversos trabalhos. Ações são realizadas, na escassez dos recursos financeiros e de equipamentos, através da rede que o pessoal da Secretaria de Saúde, aciona entre outras Secretarias, principalmente nos momentos de epidemias e campanhas.

A pergunta desencadeadora da temática foi sobre como viam a integralidade em Mangueira. Foi necessário sempre um esclarecimento sobre esse princípio ou diretriz apresentando-a como atenção integral em todos os níveis e ações em saúde. A integralidade, como ação institucional, é configurada no trabalho do PSF que atende diretamente no domicílio e , desta forma, o atendimento é melhor, sendo apenas prejudicado pelo excesso de comunidades sob a responsabilidade das equipes. A integralidade está relacionada à participação consciente da população e de todos os setores que devem trabalhar conjuntamente numa gestão que priorize a prevenção. O que se pode verificar nas falas dos membros entrevistados, principais gestores da Secretaria, é que a integralidade perpassa a gestão e o cuidado com a população e os usuários individualmente.

A integralidade como perspectiva proporciona uma multiplicidade de sentidos que permite a revisão de rotinas na saúde, reintroduz a escuta como procedimento básico para a formulação de diagnósticos e tratamentos que veem no usuário alguém que demanda, não a partir de rotinas, mas a partir de suas expectativas de saúde. A pergunta sobre quem fala na demanda deveria ser central nas rotinas de gestão de serviços e ações.

Quadro 4 – Integralidade, o que pensa sobre isso em Salvaterra.

Pergunta Secretá ria Municipal de Saúde Assessor principal da Secretaria Integralidade,

o que pensa sobre isso aqui em Salvaterra

SM29: É o que eu penso é que os serviços, não sei se vou responder correto né, integralidade assim sobre o Sistema SUS?

P30: Exato, pensar a atenção aos usuários de formaintegrada, conjunta, planejar as ações, isso envolve desde o trabalho do agente comunitário de saúde na comunidade até o trabalho do médico no hospital [

SM40: Sim porque [

P41: Pra atender integralmente aquele paciente que necessita, que faz a demanda.

SM42: É porque nós sabemos que devido a distância né lá da comunidade das Mangueira, eu me preocupo muito com aquela situação lá de dizer que eles são tão isolados pra lá e que precisam de um atendimento assim melhor porque aqui no município nós temos as equipes, Programa de Saúde da Família, só que cada equipe do PSF ela atende determinado número de comunidades, localidades né, e são muitos. O Programa de Saúde da Família que ta implantado lá na Passagem Grande é o maior número de localidades que atende. São várias localidades que atendem esse PSF. E nós sabemos que a comunidade das Mangueira é a de mais difícil acesso. É onde tem mais difícil acesso pra trazer essas pessoas de lá. O que nós pensamos é assim né. Envolver como nós fazemos, é quando não dá pro médico Dr. Saraiva ir, aí eu chamo outro médico lá do outro PSF que é a Dra. Fátima. Nós constantemente levamos a Dra. Fátima que ela já é do PSF lá do Jubin né, nós já temos levado ela pra fazer atendimento lá. Já temos trazido a enfermeira lá da Condeixa que é outro PSF.

A53: É a minha opinião particular né, enquanto cidadão e servidor público. A minha opinião e que é uma coisa que deve, deve acontecer. Tem que acontecer. É uma coisa muito boa. E enquanto assessor, funcionário da saúde, fazendo parte da equipe, eu acredito que nós estamos caminhando rumo a isso aqui na nossa Secretaria, não só na nossa Secretaria, mas na administração porque a gente já teve provas bem concretas. Como eu já falei anteriormente pra vocês somente quando a gente faz essas questões de fazer as avaliações né, pra fazer nossos planejamentos pra elaborar as próximas ações, saber onde a gente acertou, onde agente errou pra saber onde aonde melhorar, então a gente viu que esses princípio do SUS que estão surgindo agora né, tão surgindo não , que tão sendo intensificados tem colaborado, tem colaborado muito. O que falta, eu acho que é a questão de conscientização da própria população. A gente vai trabalhar a equipe de saúde como um todo, o sistema de saúde, o setor, mas prepará -los pra trabalhar com a comunidade, pra conscientizar a comunidade, porque como eu já falei anteriormente também a prevenção, ela é fundamental. Nós temos dados assim agente começou a bater maciçamente mesmo na prevenção, a gente conseguiu reduzir, tanto é aquele caso de malária que eu falei pra você que foi uma vitória nossa. Nós fomos para as localidades mais endêmicas, fazemos palestras nas escolas que é uma coisa assim que funciona mesmo você trabalhar com o escolar, principalmente com as crianças, a gente tem pais que vem com a gente falar: olha meu filho chegou em casa, falou isso, me explicou, então, surge, tem efeito. Então, essa questão aí é de suma importância.

Se para a Secretária Municipal de Saúde, a integralidade nas ações recorre a todas as possibilidades na busca do atendimento da população, para o assessor da saúde, ela parte da integração dos setores da saúde, trazendo para a ordem do dia na Secretaria, a intersetorialidade, que busca também o melhor atendimento à população que é agente de sua saúde na medida em que participa ativamente de sua prevenção e, assim, faz parte do Sistema. Das ações de planejamento mais gerais até as expectativas de quem demanda os serviços, a integralidade requer sempre planejamento e escuta. A demanda não é uniforme, nem as comprensões que se fazem dela, o que coloca o imperativo do trabalho multidisciplinar para uma maior aproximação do que aflige o usuário. Nem se pode esperar por uma homogeneização da demanda sob o risco do fortalecimento de dispositivos de controle em nome de uma gestão total.

O princípio da integralidade na saúde pode não passar de uma intenção programática, de um grande clichê que os movimentos de saúde tentam implementar na atenção à saúde. Ou pode se tornar uma diretriz norteadora das ações e experiências de gestão de saúde, sabendo que para tal modelo faz-se imprescindível a formação dos profissionais de saúde por meio de um processo reflexivo de atuação, diferente das atuais condições de efetivação da saúde hoje no Brasil, com baixos investimentos e formação fragmentada e predominantemente tecnocientífica.

No documento PEDRO PAULO FREIRE PIANI (páginas 143-145)