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Clariane do Nascimento de Freitas

O QUE O PROFESSOR PRECISA SABER?

Alguns professores ao se depararem com alunos que apresentam dificuldades em compreender e aprender conceitos matemáticos se questionam sobre quais seriam os fatores desencadeadores dessas dificuldades?

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Os casos excluídos da Política Nacional da Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva

Muitos são os fatores que podem interferir nesse processo sejam eles de ordem externa como os fatores sociais, a estrutura da escola, a formação dos professores ou ainda fatores inerentes a cada criança como, por exemplo, déficit intelectual, dificuldade de compreensão, enfim, não existe somente uma causa para isso. Sabe- se da importância do professor estar ciente que existem muitas possibilidades que podem estar desencadeando as dificuldades de seus alunos. No entanto, tais aspectos não serão discutidos aqui, pois fogem do objetivo deste trabalho que é tentar auxiliar o professor mostrando algumas alternativas de intervenções e atividades.

Entretanto, entende-se ser necessário apresentar alguns aspectos fundamentais para que o professor conheça quais são as habilidades que a criança precisa desenvolver para aprender determinado conteúdo e tenha clareza do seu papel enquanto mediador do conhecimento. Em primeiro lugar, destaca-se que o professor deve ter o olhar atento e sensível às dificuldades de seus alunos, pois cada um tem suas especificidades.

Em segundo lugar, o professor deve compreender que o contato com o conhecimento matemático se dá antes mesmo do ingresso na escola. A esse conhecimento dá-se o nome de “conhecimento informal” (Ginsburg, 1997 apud CORSO, 2008). A criança interage com o ambiente físico e social que estão repletos de experiências matemáticas. Ver o pai contar moedas poder ser um exemplo disso; ou a própria criança manipular e contar pequenos objetos, além das experiências com a linguagem cotidiana como as relações de “mais, menos, outro,...” Quando a criança chega à escola, traz consigo conhecimentos prévios que servirão de base para a aprendizagem formal. Cabe ao professor, auxiliar seu aluno a desenvolver seus conhecimentos avançando em sua aprendizagem e elaborando esses conceitos formais partindo das experiências da criança.

Como terceiro aspecto, é importante que o professor saiba quais são as habilidades cognitivas que estão prejudicadas nas crianças que apresentam algum tipo de dificuldade. Segundo Corso (2008) podemos destacar: as dificuldades na organização da memória de trabalho, certa lentidão na consolidação dos princípios de contagem, dificuldades em realizar os procedimentos de cálculo e nos processos executivos para a ativação de estratégias de

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recuperação e ainda dificuldades referentes à recuperação de fatos da memória de longo prazo.

De acordo com Bastos, existem alguns sintomas que podem ser mais frequentemente detectados:

1) erro na formação de números, que frequentemente ficam invertidos; 2) dislexia; 3) inabilidade para efetuar contas simples; 4) inabilidade para reconhecer sinais operacionais para usar separações lineares; 5) dificuldade para ler corretamente o valor de números com multidígitos; 6) memória pobre para fatos numéricos básicos; 7) dificuldade de transportar números para local adequado na realização de cálculos; 8) ordenação e espaçamento inapropriado dos números em multiplicações e divisões (BASTOS, 2006, p.202). Um aspecto muito importante que o autor supracitado comenta é que a partir dessas informações, o professor e também a família podem perceber que as dificuldades apresentadas pela criança não são meramente falta de vontade ou preguiça em aprender, mas envolve fatores muito mais complexos. No entanto, é fundamental que o professor tenha persistência e busque desenvolver seu trabalho da melhor forma possível a fim de auxiliar esse aluno a traçar estratégias para superar suas dificuldades.

Entende-se que as informações apresentadas estão longe de ser um estudo consistente sobre o que sejam as dificuldades de aprendizagem na área da matemática, mas para o objetivo a que se propõe tal trabalho, são suficientes. Cabe ao professor buscar por mais conhecimento em prol de aprimorar sua formação e qualificar seu trabalho.

No entanto, conhecer as dificuldades de aprendizagem e saber identificá-las não basta para o professor em sala de aula, pois é preciso se pensar em estratégias a serem desenvolvidas. Nesse sentido,

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sucedida quando as noções de números elementares de 0 a 9 (habilidade léxica), a produção de novos números (habilidade sintática), as noções de quantidade, ordem, tamanho, espaço, distância, hierarquia, os cálculos com as quatro operações e o raciocínio matemático forem trabalhados, primeiramente como experiências não-verbais significativas. A criança só irá trabalhar com fatos aritméticos mentalmente quando superar as etapas citadas (BASTOS, 2006, p. 204). Ou seja, é preciso proporcionar à criança experiências no âmbito do concreto, através da manipulação de materiais e da experiência com o próprio corpo (consciência do corpo no espaço). Bastos ainda afirma que

[...] é preciso trabalhar com a percepção de figuras e formas, observar detalhes, semelhanças, diferenças e relacionar com as experiências do dia- a-dia, tais como fotos, imagens, tamanho, largura e espessura, e então trabalhar com números, letras e figuras geométricas (BASTOS, 2006, p. 204). Torna-se evidente que o professor deve ter clareza de que sua atuação, antes de chegar ao ensino de conceitos matemáticos específicos como os procedimentos de operações aritméticas, por exemplo, deve estar pautada na exploração de objetos, na observação do ambiente, na proposição de atividades lúdicas.

Dito isto, serão apresentados a seguir, os conceitos de princípios de contagem e senso numérico por se entender que estes são conhecimentos fundamentais para que o professor possa ter os subsídios iniciais para dar conta das necessidades e especificidades de seus alunos nos anos iniciais do ensino fundamental.

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