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O CONTEXTO E OS ANTECEDENTES DA PESQUISA

2. O AMPARO CONCEITUAL

2.2. O QUE SE ESPERA DO PROFESSOR DE CIÊNCIAS?

Inicialmente, é imprescindível que possa ser definido que papel atribui-se ao professor de Ciências em nossa sociedade, assim como pensar minimamente sobre fatores que corroboram com o fazer docente, como a reflexão sobre a prática, a formação continuada e outros pontos importantes para o entendimento do papel deste profissional. Também é importante destacar que o professor deve ser visto como um profissional da educação, não há mais espaços para uma visão romantizada sobre este ofício, este deve ser valorizado, ter condições mínimas para o desenvolvimento de seu trabalho, leia-se trabalhar em um ambiente seguro, com o mínimo de infraestrutura e de materiais necessários para a suas práticas.

No contexto social atual, é preciso demarcar a posição na qual o professor tem grande responsabilidade para a boa formação do estudante, contudo, este não é o único responsável, o próprio aluno deve ser o sujeito de sua aprendizagem, assim como o Estado, que por meio de suas políticas públicas deve cumprir seu dever de dar condições de trabalho ao docente, garantir a estrutura da escola e a segurança dos que lá convivem.

Saint-Onge (1999) afirma que as mudanças pelas quais vem passando nossa sociedade tem tornado a atividade de ensino uma das mais essenciais para a vida social. Contudo, ocorre que muitos alunos passaram a frequentar a escola sem nenhum interesse, o resultado desse fato, e de outros não aqui enumerados, é o

aumento progressivo dos problemas encontrados pelos professores em sala de aula. São cada vez mais recorrentes os casos de violência escolar e demais problemas associados à indisciplina no contexto das escolas. Segundo Focault (2002), este movimento tem origem a partir da crise do modelo disciplinar de sociedade, pois a escola, anteriormente, visava a formação de cidadãos para a vivência em uma sociedade baseada na disciplinarização, modelo que era gerenciado por uma série de instituições, como hospitais, quarteis e até mesmo as escolas. Ao passo que esse modelo de sociedade sofreu com uma crise, a partir da década de 70, surgiu a necessidade de uma adaptação por parte destas instituições e, consequentemente, da escola, cujo empenho para mudar tal situação não foi suficiente.

Resultado disto, é que a sociedade apresenta enorme distanciamento entre a minoria que domina o saber científico e a maioria da população com baixo nível de cultura científica. Entre as explicações para este quadro a literatura aponta o grande número de reformas no ensino sem que sejam feitas reflexões profundas, problemas relacionados ao currículo e à falta de recursos e a formação, muitas vezes deficitária, dos professores. (GIORDAN e VECCHI, 1996, p.49).

Diante deste quadro, o professor deve assumir sua função frente à escola e, dentro de sua prática, buscar a adaptação nesse novo paradigma de escola. Para a realização desta tarefa o docente pode contar com anos de produção acadêmica da área de Educação, Ensino de Ciências, produções que, em certa medida, os professores de escolas já têm acesso. Citando caso análogo tem-se o trabalho de LOPES, SOUZA e DEL PINO (2004) que atesta que os discursos pedagógicos dos últimos tempos permeiam as falas dos professores participantes da pesquisa, no entanto, quando questionados sobre questões mais amplas como a Epistemologia da Ciência, por exemplo, os docentes julgam que tais tópicos são irrelevantes para o seu trabalho, o que pode ser interpretado como um indício de que os discursos que reproduzem os chavões da educação atual sejam o meio utilizado por estes professores para dar a ideia de pertencimento e de aceitação perante o grupo de profissionais, mesmo que estes discursos muitas vezes não tenham reflexos sobre suas práticas.

A inclusão das Ciências da Natureza como componente do currículo escolar na Educação Básica (EB) visa, em geral, permitir o desenvolvimento da cultura científica nos alunos, buscando o conhecimento voltado aos fenômenos naturais, como também a compreensão dos desenvolvimentos científicos e tecnológicos,

contribuindo para que o cidadão em formação escolar tenha elementos para reconhecer as consequências sociais dos avanços tecnológicos. (POZO e CRESPO, 1998, p.67). Objetivos estes que maximizam a importância do professor de ciências em uma sociedade que passa cotidianamente por uma série de renovações.

Sanmartí (2002) enumera fatores que condicionam o Ensino de Ciências e têm tornado ainda mais complexa a atividade de ensinar, entre estes agentes temos as transformações sociais; as alterações na epistemologia das Ciências; a ampliação de tecnologias da informação e da comunicação; desenvolvimento das ciências da educação e da Psicologia. Cada um destes fatores, à sua maneira, interfere na ação de ensinar Ciências, pois as mudanças sociais são refletidas nas políticas educacionais. Já as rupturas na Epistemologia das Ciências fazem com que seja necessário modificar a forma de ensinar em uma sociedade que produz grande diversidade de conhecimentos em uma velocidade imensuravelmente maior do que em outros períodos históricos. Além disso, as tecnologias da informação, atualmente, fazem com que a escola deixe de ser a única fonte de informação científica. Por fim, na área de Educação o desenvolvimento faz com que não se acredite mais em um único modelo de ensino e aprendizagem, mas sim em uma série de pressupostos que explicam diferentes situações na escola.

Pozo e Crespo (2009) destacam alguns pressupostos sobre a atividade de ensinar Ciências. Para os autores a aprendizagem científica é produto de um longo processo de instrução, que longe de ser automática trata-se de uma construção social, sendo assim, o professor de Ciências deve ter conhecimento sobre as estratégias e enfoques de ensino, conhecimento da disciplina, saber planejar suas atividades de ensino, refletir sobre a utilização de recursos didáticos e desenvolver avaliações sobre as aprendizagens e sobre o ensino.

Discutir a práxis do professor de ciências também exige a compreensão do papel do aluno em uma situação de aprendizagem, pois este é o verdadeiro sujeito deste processo. Sendo assim, o professor deve questionar suas ações, problematizar a utilização do LD, refletir sobre a relevância dos conteúdos abordados em sala de aula tendo como foco o aluno e não buscando a realização de suas vontades e costumes enquanto professor. (DELIZOICOV; ANGOTTI; PERNAMBUCO, 2009).