CAPÍTULO 4. ANÁLISE DOS DADOS
4.3. O questionário final: finalizando a pesquisa
O questionário final foi o momento de fechamento do curso de extensão, quando os participantes se posicionaram quanto à aceitação de um curso de natureza histórica e filosófica e opinaram sobre as práticas desenvolvidas nos encontros.
Ainda nessa atividade, pretendia-se verificar a aprendizagem sobre alguns aspectos da HFC, além de verificar a utilidade das discussões desenvolvidas no curso de extensão.
Por ter tido no curso discussões sobre temáticas além das discutidas nesse estudo, pode ser obtido resultados que vão a desencontro com os objetivos propostos por esse trabalho. Isso não deixa de ser um sinal positivo acerca das discussões feitas durante o curso de extensão.
Abaixo, serão discutidos alguns resultados dessa última atividade, da qual participaram 17 docentes em formação de Ciências.
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A primeira questão indagava aos participantes se as discussões ao longo do curso sobre HFC foram satisfatórias, caso a resposta fosse afirmativa, o participante teria que descrever quais novos conhecimentos foram adquirido.
Todos os participantes afirmaram que as discussões fora satisfatórias, e os novos conhecimentos adquiridos podem ser observados na tabela abaixo (Ver tabela 2).
Tabela 2: Conhecimentos adquiridos com o curso de extensão. Novos conhecimentos adquiridos acerca da HFC Total* 1. Uma visão mais crítica em relação aos conteúdos de História da
Ciência encontrados nos livros-texto de Ciências.
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2. Compreensão dos vícios historiográficos 8
3. As fontes de pesquisa em HFC 6
4. Aspectos relacionados à Natureza da Ciência 5
*Essa coluna representa o número total de citações de cada uma das categorias (um mesmo participante pode haver citado mais de uma categoria).
Fonte: Nascimento (2014).
Merece o destaque, essa “nova visão” dos participantes em relação aos conteúdos presentes no livro-texto de Ciências, pois é comum encontramos erros desde ordem conceitual a aspectos relacionados à HFC, por isso é necessário que o professor de Ciência tenha atenção em relação ao produto oferecido no livros-texto de Ciências.
A segunda questão buscou analisar a contribuição das metodologias como, por exemplo, o texto didático, utilizados no curso de extensão.
Para os participantes as principais contribuições das metodologias utilizadas convergiram, nas quais, podem proporcionar uma facilidade no entendimento de determinados conceitos, alcançar a motivação que por vezes é necessária para o ensino, facilitar o planejamento das atividades do professor.
Vejamos as escritas dos participantes como forma de exemplificar as contribuições das metodologias utilizadas.
Q3-P1: “Sim, podem contribuir muito, principalmente os textos históricos que possibilitarão o entendimento do aluno através de uma linguagem mais adequada ao nível escolar”.
Q3-P9: “Sim, os alunos estão cada dia mais desmotivados e só o uso do livro didático acaba agravando ainda mais essa desmotivação „preguiça‟, e o uso de outras metodologias pode melhorar o rendimento desses alunos”.
Q3-P14: “Sim, podem contribuir para que eu possa planejar uma aula não só levando aquilo que está pronto nos livros, podendo incluir outros conhecimentos anteriores para que se chegue onde eu realmente pretendo”.
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A terceira questão buscou diagnosticar dos participantes quais pontos a HFC poderia favorecer em suas futuras aulas de Ciências.
De uma maneira geral, os participantes sinalizaram que a HFC pode favorecer numa maior aquisição de conhecimentos e aumento do senso crítico por parte do aluno, uma melhor interação entre professor e aluno e favorecer o hábito da leitura, nesse caso, refere-se à utilização dos textos didáticos.
Observamos na tabela abaixo a quantidade de citações referentes a cada categoria coletada (Ver tabela 3).
Tabela 3: Pontos a favor da HFC nas futuras aulas dos professores em formação. O favorecimento da HFC nas aulas futuras de Ciências Total* 1. Aumento do conhecimento e censo crítico dos alunos 10
2. Maior interação entre professor e aluno 8
3. Favorecer o hábito da leitura 5
*Essa coluna representa o número total de citações de cada uma das categorias (um mesmo participante pode
haver citado mais de uma categoria). Fonte: Nascimento (2014).
Ainda na terceira questão, o participante da pesquisa, deveria opinar quais fatores poderiam interferir na inserção da HFC na sua futura aula de Ciências.
Os principais pontos citados foram, a visão do aluno em relação ao livro didático, pois o aluno também tem em mente que o que está sendo abordado no livro é uma verdade incontestável, e não poderia aceitar o conhecimento que o professor está tentando desmistificar em relação ao que contém no livro.
Outro fator seria o tempo, o pouco tempo das aulas de Ciências poderia resultar numa má abordagem da HFC, mas podemos apontar como uma solução que também é possível se ensinar um determinado conceito científico utilizando a HFC como metodologia de ensino. Cabe ao professor saber adequar sua abordagem com o tempo.
A má formação docente pode ser um entrave na inserção da HFC nas futuras aulas de Ciências. Realmente, esse é um ponto que também concordamos, mas é dever de qualquer profissional a todo o momento estar se capacitando e buscando se especializar, e não somente em HFC, mas também em outras metodologias, como por exemplo, as atividades experimentais, jogos e atividades lúdicas, o uso de novas tecnologias e entre outras.
Por fim, a quarta questão, buscou discutir quais seriam esses novos possíveis conhecimentos adquiridos pelos alunos através da inserção da HFC nas aulas de Ciências.
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Dos 17 participantes, cerca de 58,8% (10 participantes), sinalizaram que inserir elementos da HFC nas aulas de Ciências proporciona aos alunos uma melhor ideia das atividades dos cientistas e estudiosos, desmistificando assim a concepção de grandes gênios.
Vejamos alguns exemplos:
Q3-P1: “As discussões sobre a História e Filosofia da Ciência em sala de aula, faria com que os alunos questionassem os caminhos e dificuldades que os cientistas passam para chegar a um determinado conhecimento”.
Q3-P9: “Que os cientistas não são pessoas de outros planetas, com inteligência fora do comum, que eles na verdade são pessoas comuns e não gênios iluminados”.
Q3-P14: “Seria adquirido conhecimentos sobre todo o processo que estaria envolvido, por exemplo, numa teoria. Os alunos teriam mais pensamentos críticos e teria uma ideia de que não existem grandes gênios nas ciências”. Os outros 41,2% (7 participantes), sinalizaram no sentido que, os alunos passariam a ter um melhor senso crítico, deixando de ser meros receptadores de conhecimentos, mas sim, formuladores e questionadores dos seus próprios conhecimentos. Não aceitariam mais fatos ou relatos que abordam um determinado conceito como uma verdade absoluta.
Observamos na página seguinte, algumas imagens dos participantes do curso de extensão participando das discussões finais.
Figura 9-A e 9-B: Discussões finais do curso de extensão.
Fonte: Carvalho (2014).
No próximo capítulo, serão feitas as considerações finais, nas quais será desenvolvida uma reflexão sobre todo o estudo.
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