3.2 E NQUADRAMENTO L EGAL
3.2.5 O R EGULAMENTO DO C ADASTRO P REDIAL
No seguimento do subcapítulo anterior, e no âmbito do Decreto-Lei nº 172/95, de 18 de julho, no preâmbulo deste diploma são feitas diversas constatações que suportam a necessidade de execução do cadastro predial, designadamente:
“(…) a individualização e caracterização dos prédios é própria de cada registo, pelo que, frequentemente, não há correspondência entre o conteúdo das respetivas descrições.”
“Da realidade referida decorre a necessidade de múltiplos trâmites, nem sempre eficazes e conclusivos, sempre que os interessados ou a própria Administração Pública pretendem obter a caracterização de um prédio ou conhecer as limitações que impendem sobre a sua utilização.”
“Diversas disposições legais, nomeadamente as que respeitam a servidões administrativas e a restrições de utilidade pública, incluindo a Reserva Agrícola Nacional e a Reserva Ecológica Nacional, bem como as zonas de proteção de imóveis classificados, impõem condicionantes sobre áreas do território independentemente dos prédios nelas implantados, tornando-se fundamental, nessas circunstâncias, poder dispor de descrições seguras e uniformes dos prédios abrangidos.”
“(…) o conhecimento rigoroso do cadastro predial é hoje, e cada vez mais, imprescindível, quer para a adequada infraestruturação, utilização e gestão dos solos, quer para o desempenho racional das mais diversas atividades económicas que dele necessitam. É assim que do primitivo entendimento do cadastro predial como processo de finalidade tributária se passou ao conceito atual do cadastro predial multifuncional, já que são várias as aplicações temáticas ou sectoriais que é possível desenvolver sob um registo único de todos os prédios, onde, através de critérios uniformes, cada qual esteja univocamente identificado e caracterizado de forma bastante.”
“Com este registo, que constitui um cadastro de base, articulam-se, de forma expedita e sem perder dependência da entidade que os tutela, registos temáticos ou sectoriais. O conjunto assim resultante constitui um sistema nacional de cadastro predial.”
Considerou-se que para efeitos de cadastro, a caracterização de um prédio seria dada através da sua localização administrativa e geográfica, configuração geométrica e área, e a localização geográfica seria determinada pelo posicionamento das suas estremas no sistema de coordenadas adotado.
Foi ainda introduzida a identificação de cada prédio através de um código numérico unívoco, designado por número de identificação do prédio (NIP), sendo emitido por cada prédio cadastrado um cartão de identificação contendo o respetivo NIP, cuja apresentação era obrigatória em todos os atos notariais e demais atos perante a administração relativamente a prédios localizados em área cadastrada.
Fig. 12 – Modelo do cartão de identificação (com referência ao NIP) segundo a Portaria nº 1192/95, de 2 de outubro
Como deveres e obrigações, imputava os proprietários, usufrutuários e os municípios de comunicar quaisquer alterações que pudessem afetar o determinado para prédios cadastrados, nomeadamente, as alterações das estremas, erros de caracterizações, a existência de prédios omissos em área cadastrada, e alterações de toponímia dos aglomerados urbanos e alterações nas delimitações das freguesias e municípios.
Para efeitos de alteração e atualização da base de dados das áreas cadastradas, as conservatórias do registo predial detinham a obrigação de informar o organismo competente de quaisquer atos de registo em área cadastrada, incluindo durante os períodos das operações de cadastro.
A operação de execução do cadastro predial envolvia a comunicação da realização da mesma, impondo a delimitação dos prédios aos proprietários, seguida de trabalhos de campo relacionados com a preparação das bases cartográficas, com a recolha de dados sobre os prédios ou quaisquer outros necessários, a operações de execução de cadastro, sendo realizados por pessoal do IPCC ou de outras entidades, públicas ou privadas, por ele especialmente credenciados para o efeito.
Com base nos trabalhos de campo e através da informação recolhida, procedia-se à caracterização provisória dos prédios e posterior exposição pública através de editais e notificação aos proprietários. Durante este período havia lugar a reclamações, considerando-se confirmada a caracterização dos prédios após o tratamento das mesmas, e entregue o cartão de identificação relativo a cada prédio, que deveria ser recolhido nas juntas de freguesia, pelo proprietário ou terceiro com autorização deste, havendo para isso, um prazo de três meses.
A conclusão da operação de execução do cadastro considerava-se concluída decorridos trinta dias após o prazo para recolha dos cartões de identificação.
Destaca-se, por fim, o disposto no artigo 7º, que sublinha a importância da harmonização do registo predial com a caracterização cadastral, considerando que “a caracterização cadastral é sempre provisória enquanto não for obtida a harmonização com o registo predial.”
Segundo os dados publicados pelo Instituto Geográfico Português (ainda disponíveis no site do Instituto apesar da sua integração na DGT), as zonas abrangidas por cadastro predial ao abrigo do «Regulamento do Cadastro Predial eram as seguintes:
Quadro 5 – Zonas de Portugal com Cadastro Predial (Fonte: IGEO)
O insucesso da execução cadastral em todo o país nestes termos deve-se a diversas razões, tais como a desarmonia do conceito de prédio, a indefinição dos dados complementares, complexidade na recolha de dados, pouca clareza nos procedimentos interdepartamentais e indefinição das formas de comunicação.18 O Decreto-Lei 224/2007 de 31 de maio, que cria o «Sistema Nacional de Exploração e
Gestão de Informação Cadastral», identifica no seu preâmbulo que apenas 1,5% do território nacional havia sido abrangido por este processo de execução cadastral.