CAPÍTULO 3 | O ESTUDO DE CASO: RTP
3.9 O (re)branding da RTP em 2015
No ano de 2015 a RTP chegou à conclusão que a imagem visual utilizada já apresentava bastantes desvirtuações, quer nos seus grafismos que caracterizavam a sua identidade, quer nos próprios símbolos e logótipos dos seus canais. Indo assim ao encontro da perceção dos inquiridos no Departamento de Grafismo, os quais afirmaram que existiam imagens gráficas em alguns canais da RTP que já não respondiam por completo ao conceito corporativo inicialmente estabelecido pela agência de comunicação responsável (Brandia Central), pelo seu rebranding em 2004.
Onze anos após o maior rebranding já alguma vez realizado na história da marca RTP, existiu novamente a oportunidade de atualizar a sua identidade visual corporativa que decorreu entre janeiro e março de 2015 na sua sede em Lisboa, com a participação direta dos seus principais colaboradores do Departamento de Grafismo, Centro de Inovação e Autopromoções. Não recorrendo desta vez a qualquer tipo de empresa externa que por norma são contratadas aquando da realização de projetos de identidade visual mais complexos.
Assim, com base nas teorias de referência dos autores já estudados que definiram que para a concretização de um processo completo de rebranding, quer seja ou não realizado em meios audiovisuais, é necessário passar por quatro principais etapas fundamentais: o repositioning, o renanimg, o redesign e o relaunching. E tendo em conta que no caso específico do rebranding da identidade visual corporativa levada a cabo pela RTP, a mesma optou inicialmente por seguir cada uma das etapas defendidas pelos mesmos autores.
Numa etapa inicial foi elaborado e desenvolvido um estudo sobre as marcas audiovisuais existentes no meio, tanto a nível nacional como internacional o que determinou e projetou o repositioning da marca no mercado, em conformidade com a escolha dos valores da RTP, ditando assim o conceito adotado.
No naming, a RTP optou inicialmente por substituir nos seus canais generalistas, o numerário do canal pelo número escrito por extenso, inspirado na reconhecida cadeia de televisão britânica BBC, a qual possui essa estratégia de comunicação visual como recurso para a distinção entre os seus diversos canais audiovisuais. Nesta proposta a RTP abdicou ainda do seu símbolo atual em todos os seus canais, recorrendo apenas ao
Já a nível do redesign inspirado nos elementos gráficos do símbolo, decidiu-se construir uma tipografia exclusiva que iria acompanhar de forma única a sigla da RTP, diferenciada pela cor como na sua identidade atual, só que neste caso atribuída ao lettring do nome de cada canal, optando-se por ocultar o símbolo da marca.
Face ao relaunching, que compreende a promoção e divulgação de uma nova imagem, era previsto decorrer de forma transversal em todos os canais e suportes de comunicação da RTP a 7 de Março de 2015, (data comemorativa do seu 58º aniversário), (disponível no Anexo F). No entanto, devido a circunstâncias de política interna, apenas foi aprovado um refresh para o canal RTP2. Esta decisão foi justificada pelo facto da RTP2, em relação aos outros canais, ser aquele que necessitava de uma mudança mais urgente, manifestada já há muito tempo pela direção do canal, dado que o mesmo não sofria qualquer alteração visual desde o ano de 2006.
Em relação à proposta apresentada pela RTP2, apenas esta sofreu algumas alterações até à divulgação da sua proposta final, tendo sido adotada a opção de manter a mesma marca gráfica e o mesmo slogan utilizado atualmente pelo canal, ultrapassando dessa forma a etapa de renaming.
No seu refresh aprovado posteriormente pela administração da RTP e tendo em linha de conta as principais áreas temáticas de destaque abordadas pelo canal (RTP2) como: a sociedade, cultura, desporto, e as séries infantojuvenis, direcionadas para um público- alvo de várias faixas etárias, foi proposta uma alteração do conceito do mesmo canal que abarcasse a nível visual todas as áreas temáticas. Com objetivos de aproximação ao telespectador, retratando na sua identidade vários cenários do quotidiano, onde seriam recriadas narrativas e situações emocionais de modo a humanizar mais o canal.
Tendo esta proposta de identidade visual chegado a ser nomeada como uma abordagem de “pessoas reais em situações reais” (RTP,2015) que serviu de mote para a mais recente identidade visual do segundo canal da estação pública.
A nível de imagem foram ainda apresentados alguns exemplos que se queriam ver evidenciados nos separadores de canal e de publicidade, como a presença de pessoas de várias raças, etnias e idades no seu quotidiano, envolvidas por uma ambiência (ex: meios de transporte, praia, campo, etc.) que caracterizavam o seu principal plano de ação,
No tratamento e composição da imagem, pretendia-se também uma aproximação às tendências muito comuns hoje em dia, influenciadas pela edição instantânea de imagens, através dos filtros disponíveis das várias aplicações móveis, pretendendo-se desse modo levar a mesma técnica editorial para a televisão.
Quanto ao aspeto gráfico proposto foi baseado no estilo flat design11
, recorrendo a transições bastante geométricas e retilíneas, podendo apresentar referências tridimensionais no packshot12
e em alguma sinalética de referência (ex: pub.). A nível tipográfico, a escolha recaiu principalmente sobre caracteres que representassem algum destaque na composição da imagem, auxiliados também por uma animação definida essencialmente por transições simples e por vezes bidimensionais.
Já em relação à paleta cromática foi desenvolvida uma evolução de cores, criando no seu conjunto uma maior versatilidade mais próxima das tonalidades utilizadas pela identidade dos próprios programas que compõe a grelha da RTP2. E como referência adicional, foi ainda proposto a utilização de hashtags13
associativos nos vários separadores de identidade do canal, permitindo ligar a televisão ao universo digital.
No entanto e após a aprovação desta proposta de refresh pela administração e direção do canal (RTP2), foram feitos ainda alguns ajustes gráficos que foram aplicados diretamente aquando da edição dos elementos televisivos, os quais tiveram como resultado final a imagem seguinte (Fig.72).
Encontrando-se esta proposta final de refresh da RTP2, lançada a 7 de março de 2015, disponível para consulta e de forma detalhada no Anexo G.
11 Estilo gráfico minimalista que utiliza elementos simples, com tipografias, sombras e cores
planas como forma de representação da profundidade.
12 Resume de forma estática ou animada a marca gráfica final de um produto (neste caso a
animação do logo da RTP2 e respetivo slogan).
13 É uma palavra-chave antecedida pelo símbolo cardinal (#) de forma a categorizar temáticas
Fig.72 – Exemplos de elementos da identidade televisiva depois do rebranding do canal, RTP2 (Março,2015).
Em termos práticos e no decorrer do estágio curricular, além de acompanhar parte da realização do projeto, pude ainda intervir diretamente em toda a fase de finalização e implementação do refresh da RTP2. Para o qual colaborei participando em tarefas de seleção de imagens a constar nos vários separadores de canal e de publicidade. Tendo apoiado também alguns colegas na codificação da nomenclatura correta a apresentar nos ficheiros finais que foram posteriormente partilhados com a régie de continuidade, para que se procedesse à montagem dos conteúdos gráficos desenvolvidos na grelha de programação do canal. Assim ficou compreendido numa visita à régie como se procede a implementação do material gráfico na etapa final.
Durante o período de estágio curricular, foi ainda possível acompanhar e colaborar noutros projetos gráficos na Direção de Produção - Departamento de Grafismo. Esses projetos permitiram-me compreender mais aprofundadamente como é desenvolvido todo o processo de rebranding nos meios audiovisuais e dos quais destaco o projeto de mudança da identidade visual do programa da RTP2 “Visita Guiada”, o qual acompanhei e pude intervir em todo o processo de rebranding desde o início da ideia do projeto até à sua fase final de implementação.
de estágio no respetivo departamento, que me possibilitaram ainda obter uma perceção mais global, quer das metodologias, quer dos fluxos de trabalho no âmbito das temáticas estudadas, assim como também detetar pormenores relativos a alguns processos por vezes menos percetíveis até aos próprios colaboradores.