• Nenhum resultado encontrado

3 A ECLESIOLOGIA DO VATICANO II NO MOVIMENTO REGNUM

3.1 A IGREJA COMO COMUNHÃO NO MOVIMENTO REGNUM CHRISTI

3.1.2 O Regnum Christi em comunhão com a Igreja

Outro elemento da Igreja como mistério de comunhão diz respeito à Igreja Universal considerada como o Corpo as Igrejas “pelo que é possível aplicar de modo analógico o conceito de comunhão também à união entre as Igrejas particulares e entender a Igreja universal como uma Comunhão de Igrejas”. 380 A aplicação do termo comunhão no conjunto das Igrejas particulares é necessária, são “partes da única Igreja de Cristo”, em cada Igreja particular “está verdadeiramente presente e atua a Igreja de Cristo, Una, Santa, Católica e Apostólica”.381

Esta unidade ou comunhão tem sua raiz na mesma fé e no mesmo Batismo, mas sobretudo na Eucaristia, pois “a unidade e a indivisibilidade do Corpo eucarístico do Senhor implicam a unicidade do seu Corpo místico, que é a Igreja una e indivisível” e na unidade do Episcopado com Pedro e sob Pedro.382

Como já mencionado, nas previsões estatutárias consta que o Regnum Christi busca estar “a serviço da Igreja Universal e local”; “em plena comunhão com seus pastores” e “só tem razão de ser na Igreja para a Igreja e a partir da missão sobrenatural e humana da Igreja” (ERC 2,§ 3; 38). Como membro vivo da Igreja, é chamado a viver o espírito de corpo e de comunhão eclesial.383 A busca pela comunhão deve acontecer não só entre os diversos membros, como uma só família eclesial, mas também com a Igreja particular.

Segundo Velasio de Paolis, Delegado Pontifício de 2010 a 2013, pode-se dizer que toda a Igreja está presente no Regnum Christi e que esta Igreja esta unida no carisma do

Regnum Christi onde cada um vive segundo sua própria identidade como fiéis leigos, de fiéis

que encontram sua vocação na profissão dos conselhos evangélicos e inclusive de sacerdotes e religiosos. Cada um percorre seu caminho, pois a variedade não prejudica a unidade e a

380 RATIZGER, Joseph; BOVONE, Alberto. Congregação para a doutrina da fé: Carta aos Bispos da Igreja

Católica sobre alguns aspectos da Igreja entendida como comunhão. 28 maio 1992. Disponível em:

<http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_28051992_commu nionis-notio_po.html>. Acesso em: 15 jan. 2017.

381 Ibid., p. 9. 382 Ibid., p. 11. 383 Ibid., p. 82.

unidade é muito mais bonita quando fruto de uma variedade de dons harmonizados por uma meta e vocação comuns.384

Outra afirmação importante é que, o membro leigo é chamado a iniciar um caminho de formação para conhecer melhor sua própria fé católica e vivê-la com um amor crescente. O trilhar por este caminho faz com que nasça uma maior consciência do valor de ser e fazer Igreja através da paróquia ou da Diocese para que viva plenamente a dimensão eclesial de sua vocação (cf. MMMRC 62).

Os movimentos caracterizam-se por seu caráter relacional e comunional. Isso favorece mais oportunidades para conectar-se com os demais, criar novas relações, compartilhar dons e receber o apoio que necessitam para viver a fé cristã, em meio aos isolamentos produzidos pelo mundo e sentirem-se comunidade de fé, de vida e de ideais. 385

Assim, observam-se aspectos da Eclesiologia de comunhão a partir da vivência da dimensão comunitária da Igreja, onde é destacado o aspecto comunional, com destaque para as comunidades eclesiais, movimentos e assim como também para a Igreja Particular.386

Sobre o Regnum Christi, chamado a ser uma verdadeira escola de comunhão, buscando ser um caminho pedagógico que ajude a amar a Igreja e viver na Igreja esclarece Jorge López, responsável geral dos leigos consagrados do Regnum Christi,

Se continuarmos observando a história das pessoas que formam o Regnum Christi, nas obras que estas pessoas levam a cabo e nas quais se expressa o carisma, podemos afirmar outro aspecto: a consciência de que somos uma só família eclesial e por isso chamado a ser uma escola de comunhão. No Regnum Christi se dá todas as vocações da Igreja (sacerdotes, leigos consagrados, leigos casados, sacerdotes diocesanos...) e se aprende a valorizar cada uma delas como parte da própria família: unidade na diversidade. Sim, nosso Movimento é um caminho pedagógico que nos ajuda a amar a Igreja e viver na Igreja, família de Deus Trinidade, Corpo de Cristo. Temos de aprender que o Regnum Christi, por analogia a própria Igreja, é um dom que “vem do Alto”, que não é nosso mas seu. E viver a realidade do Regnum Christi como um mistério desde a eclesiologia de comunhão na qual se reconhecem os carismas e se reconduzem a comunhão. Nas palavras de Maria Fiaes, o Regnum

Christi está chamado a ser, com seus diversos estados de vida e vocações

particulares, um ícone da Santíssima Trinidade e um sinal de comunhão. Os carismas não são fins em si mesmo mas meios para realizar a comunhão.387

384 Cf. PAOLIS, Velasio de. El carisma apostólico y la espiritualidade del Regnum Christi. Ecclesia: Revista de

Cultura Catolica, Roma, v. 28, n. 1-4, jan./dez. 2013. p. 143.

385 Cf. FERNÁNDEZ, José Antonio Alonso. Um estilo de apostol: Si San Pablo viviera hoy. Jerusalém: [s.n.],

2014. p. 98.

386 Cf. HACKMANN, Geraldo Luiz Borges. Igreja o que dizes de ti mesma? E as Eclesiologias. In: SANTOS,

Manuel Augusto (Org). Concílio Vaticano II: 40 anos da Lumen Gentium. Porto Alegre, EDIPUCRS, 2005. p. 105.

387 “Si seguimos fijándonos en la historia de las personas que formamos el Regnum Christi, en las obras que

Neste aspecto da comunhão eclesial, que diz respeito à comunhão da Igreja universal e as Igrejas particulares com as comunidades eclesiais, movimentos e outras formas de associações, percebe-se que o Regnum Christi, como um movimento chamado a estar pronto a dar resposta às necessidades da Igreja como apóstolos do Reino de Cristo, trabalhando na busca pelo ideal da comunhão eclesial.388

Outra afirmação importante é que, no Borrador del Estatuto General del Regnum

Christi, foram confirmados dentre os cinco amores que alimentam a espiritualidade do Regnum Christi: o amor à Igreja, ao Papa e, na Igreja, o amor ao Regnum Christi como parte

da Igreja (cf. BEGRG 16, 1º-4º).

Neste artigo pertencente ao rascunho do Borrador del Estatuto General del Regnum

Christi, está previsto que o Movimento encontra razão de ser na Igreja e na sua missão, por

isso seus membros:

a) consagrados pelo batismo, conscientes de ser “pedras vivas” da Igreja, amam e buscam edificá-la;

b) aderem com amor e obediência ao Romano Pontífice;

c) vivem sua vida cristã inseridos na respectiva Igreja particular e atuam em comunhão com o Bispo, com os demais fiéis e comunidades eclesiais;

d) sendo membros da família espiritual do Regnum Christi, cultivam apreço e gratidão por sua vocação ao Movimento.

Assim, pode-se dizer que a busca pela unidade com a Igreja faz parte do projeto do Movimento Regnum Christi.

consciência de que somos uma sola família eclesial y por lo mismo llamados a ser uma escuela de comunión. En el Regnum Christi se dan todas las vocaciones de la Iglesia (sacerdotes, laicos consagrados, laicos casados, sacerdotes, diocesanos...) y se aprende a valorar cada uma de ellas como parte de la própria família: unidad en la diversidade. Sí, nuestro movimento es um caminho padagágico que nos ayuda a amar a la Iglesia y vivir em la Iglesia, família de Dios Trindad, cuerpo de Cristo. Hemos de aprender que el Regnum Christi, analogamente a la Iglesia misma, es un don que “viene del Alto”, que no es nuestro sino sujo. Y vivir la realidade del Regnum Christi como um mistério desde uma eclesiologia de comunión en la que se reconocen los carismas y se reconducen a la comunión. El palavras de Maria Fiaes, el Regnum Christi esta llamado a ser, con sus diversos estados de vida e vocaciones particulares, um icono de la Santisima Trinidad y um signo de comunión. Los carismas no son fines sino sólo médios para la comunión”. (LOPEZ, Jorge. El carisma espiritual del Regnum Christi. Ecclesia: Revista de Cultura Católica, Roma, v. 28, n.1-4, p. 153-156, jan./dez. 2013. p. 155.

388 Nesse sentido consta na oração do processo de renovação: “[...] Te pedimos que envies tu Espiritu: que sea

luz para compreender con la mente y corazón nuestro carisma y para que estemos siempre prontos a dar uma respuesta a las necessidades de la Iglesia y del mundo como apóstoles de tu Reino”. (cf. REGNUM

CHRISTI. Borrador del Estatuto General del Regnum Christi. Roma, 2017. Disponível em:

<http://www.regnumchristi.org/rcstatutes/wp-content/uploads/2017/05/borrador_egrc052017.pdf>. Acesso em: 23 jun. 2017. p. 6).