e V EIGA , de Castanheiro do Sul)
O RIGEM DOS B EÇA
Segundo os poucos nobiliários que tratam da genealogia desta linhagem em Portugal, a sua origem está num Juan Alfonso de Baeza (ou João Afonso de Beça), cavaleiro que passou de Castela a Portugal no reinado de D. Fernando, uns dizem que foi no ano de 1369 outros em 1373, a quem o dito rei fez senhor de Alter do Chão, Vimieiro e Vila Formosa. Fernão Lopes na sua crónica de D. Fernando fala deste período conturbado da história e de alguns exilados políticos castelhanos; “Que do dia d’esta paz fi rmada ataa
trinta dias seguintes el-rrei dom Fernando lançasse fora do seu rreino, das pessoas que sse pera
elle veherom de Castella, estas aqui nomeadas: dom Fernando de Castro, Suer’Eanes de Parada, Fernand’Afonso de Çamora, os fi lhos d’Alvaro Rrodriguez Daça, Fernam Rrodriguez e Alvaro Rrodriguez e Lopo Rrodriguez, Fernam Goterrez Tello, Diego Affonso do Carvalhal, Diego
Sanchez de Torres, Pedr’Afonso Girom, Joham Affonsso de Beeça, Gonçallo Martiiz, e
Alvoro Meendez de Caceres, Garcia Perez do Campo, Garcia Mallfeito, Gregorio e Fillipote ingreses, Paay de Meira dayam de Cordova, Martim Garcia d’Aljazira, Martim Lopes de Cidade, Nuno Garcia seu irmaão, Gomez de Foyos, Joham do Campo, Bernalld’Eanes seu irmaão, Joham Fernandez d’Andeiro, Joham Focim, Fernam Perez e Afonso Gomez Churrichaãos”. LOPES, F., Crónica de D. Fernando... op.cit. capítulo LXXXII. Também a 13/4/1370, pouco depois
do rei de Aragão em Orihuela acordar as pazes com o rei de Granada, o rei de Castela Enrique II dava conta de certas cartas intercetadas que referem o nome de João Afonso de Beça;“Otrosy a lo al que nos enbiastes dezir de las cartas que fueron tomadas que
enbiaua miçer Gaspar al rey de Granada e a Ferrant Perez Caluiello e a Johan Alfonso de
Baeça, sabed que Alfonso Yañez Fajardo nos enbio los traslados dellas e en verdat por las sus nueuas astrosas e mintrosas nos damos muy poco, ca fi amos por la merçed de Dios e por el buen derecho que tenemos que todos aquellos que non quisieren ser nuestros amigos e andudieren en mentira e en falsedat que nos auremos grant venganza dellos”. (Pascual Martinez, L., Documentos de
CADERNOS BARÃO DE ARÊDE
Em 1422, segundo um documento da chancelaria de D. João I faziam parte do conselho do rei “os nobres e onrrados dom Lourenço arcebispo de bragaa e Rui pireira e Joham afomso de beeça cavalleiros E Joham afonso das regas e Martim Lourenço doutores”
(fol.12vº). A 2/2/1422 o dito rei faz “doaçam pera todo sempre a Joham afonso de beeça e a todos seus herdeiros e sucessores de todollos bens movees e de raiz que Joham afomso de beia filho d afomso dominguez avia e há em lixboa e em outros quaaesquer lugares, o qual os perdeo por seer em deservjlo destes regnos e senhor etc” (Felgueiras Gaio, no seu tit. de “Beças” faz
uma leitura errada deste documento). Pela mesma Chancelaria sabemos que morou em Almada, pois aparece referido como “joham beça d almadaa” e tinha umas casas de foro em Lisboa na Rua Nova.
As genealogias castelhanas referem que Juan Alfonso de Baeza, senhor de Ampudia, era filho de Juan Rodriguez de Baeza, senhor de Campos e Bailen e de sua mulher e prima Teresa de Haro, neto paterno Lopo Rodriguez de Haro (este filho de Rui Lopez de Haro e de Sancha Perez Tenório) e de Guiomar Ponce de Cabrera, neto materno de Afonso Lopez de Haro e de Leonor de Saldanha. João Afonso de Beça, foi casado duas vezes, a primeira com Juana de Castilla e a segunda vez com Maria Carillo. Foi pai de um Telo de Haro (casado com Maria Daza, filha Gutierre Gonzalez Pantoja e de Mencia Daza) e segundo Felgueiras Gaio (tit. de Beças) de um Afonso de Beça (filho bastardo?). Julgamos que deste último descende um João de Beça, escudeiro, tabelião (1499) e escrivão dos órfãos (23/2/1502) de Aguiar de Sousa, já falecido a 3/11/1514 e ainda um Álvaro de Beça, que a 23/4/1504 era tabelião na honra de Távora.
BEÇA, de Numão
1 – JOÃO DE BEÇA, juiz dos Órfãos de Numão (AN/TT, Chancelarias Régias, D. João
III, livro 62, fls. 6.), documentado como o mais antigo Beça de Numão e colocado por nós como genearca desta família nesta vila. Seria talvez filho de Álvaro de Beça, que foi tabelião da vila de Távora e descendente do referido João Afonso de Beça, que foi o tronco desta linhagem em Portugal. Provável filha:
?2 – MARIA DE BEÇA, que segue.
?2 – MARIA DE BEÇA. Casou com FILIPE RODRIGUES (DO AMARAL?). Filhos: ?3 – MANUEL DE BEÇA, que segue.
3 – Filipa de Beça, casada a 26/7/1578 com Francisco Pires, de Vila Nova de Foz Côa. Tiveram:
4 – Francisco, baptizado a 25/7/1579, padrinhos Ambrósio Vieira e Joana de Braga.
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CADERNOS BARÃO DE ARÊDE
4 – Maria, baptizada a 20/8/1569, padrinhos Álvaro Pires e Isabel Martins mulher de João Martins de S. Mamede.
?3 – MANUEL DE BEÇA, teve o cargo de contador e distribuidor da vila de Numão. Casado com ANA TEIXEIRA, que por morte de seu marido ficou com graves
dificuldades financeiras. A 1/4/1599 a dita Ana Teixeira, recebe esses ofícios para quem casar com sua filha Domingas do Amaral. Tiveram 4 filhos:
4 – DOMINGAS DO AMARAL, que segue.
4 – Maria, baptizada a 14/3/1590, padrinhos Luís Moutinho e Joana de Braga mulher do Alcaide-mor.
4 – Manuel, baptizado a 3/8/1593 padrinhos Diogo de Matos de Freixo de Numão e Guiomar Martins
4 – N...?
4 – DOMINGAS DO AMARAL, baptizada a 4/7/1582, padrinhos Álvaro Martins e
Domingas Mendes. Levou em dote os cargos de seu pai e casou cerca de 1600 com
FRANCISCO TAVARES (DE VASCONCELOS), que foi partidor dos Órfãos de Numão
(AN/TT, Chancelarias Régias, D. Filipe III, livro 22, fls. 76 v.º) e depois contador, distribuidor de Numão. Francisco Tavares, a 22/2/1600 requereu o ofício por já ter casado com Domingas do Amaral, diz ser morador em Numão. Recebeu os ditos ofícios por respeito a Ana Teixeira que tinha requerido por ficar muito pobre e com 4 filhos por falecimento do marido Manuel de Beça que tinha sido contador, distribuidor da vila de Numão. Filhos:
5 – DOMINGOS TAVARES BEÇA, ou Domingos Tavares de Vasconcelos, como
também se documenta. Foi distribuidor, inquiridor, contador, partidor e avaliador dos Órfãos de Numão, por alvará de 28/9/1639. Casou em Freixo de Numão, a 8/2/1644, perante António Pacheco, Domingos Dias e António do
Amaral, com sua prima ISABEL TAVARES DE VASCONCELOS, moradora no
sítio da Silveira, falecida em Freixo de Numão a 14/9/1663, sendo enterrada nessa igreja; disse que lhe digam uma missa e enterro cantada e não declarou com quantos
clérigos, mais quatro missas de defuntos rezadas duas por machos duas por fêmeas, mais por sua alma vinte missas rezadas tudo isto por uma só ve, e [ilegível] o terço de sua fazenda a suas filhas Isabel e Maria e [ilegível] uma missa cantada pelas almas do purgatorio e que a [ilegível] todos os Domingos e dias Santos de um ano [ilegível] seu marido testamenteiro e obradeiro. Filha de Baltazar Rodrigues (irmão do Padre Belchior Rodrigues do
Amaral, acusado em 1620 do crime de pacto com o demónio) e de sua mulher Isabel Tavares (de Vasconcelos), moradores no sítio da Silveira em Freixo de Numão, neta paterna de Domingos Rodrigues “do Cardal” e de Isabel Lourenço do Amaral, de Freixo de Numão (vide o artigo do autor “A heráldica da Casa Grande de Freixo de Numão e a sua ligação a Tavira”, in Cadernos
CADERNOS BARÃO DE ARÊDE
Barão de Arêde, Nº2, pág. 194). Com geração nos Tavares de Vasconcelos de Freixo de Numão e noutras famílias.
5 – Francisco de Beça, casou em Freixo de Numão a 11/1/1665 com Maria Fernandes, filha de Manuel Rodrigues e de Maria Rodrigues. Com geração em Freixo de Numão.