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4.3 LEGISLAÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA

4.3.2 O Rumo para a Previdência dos Estados e Municípios

A previdência dos servidores públicos da União, Estados e Municípios, tem a necessidade urgente de solucionar a questão do déficit previdenciário, que é um dos mais graves problemas do país e tem forte preponderância no desequilíbrio das contas públicas, constituindo-se em 2001, importante foco de desestabilização da economia brasileira. A Tabela 5, a seguir demonstra os recursos financeiros com despesas de pessoal e assistência previdenciária da Região Metropolitana de Curitiba de 1998, dados fornecidos pela Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba e adaptado para este trabalho.

Tabela 5: Recursos financeiros: receita total, despesas com pessoal e assistência previdenciária de 1998

RECEITAS TOTAIS DESPESAS COM PESSOAL ASSISTÊNCIA PREVIDENCIA SALDO ORÇAMENTÁRIO MUNICÍPIOS 1998 1998 1998 1998 Adrianópolis 2.946.774,00 1.204.651,00 34.814,41 1.742.123,00 Agudos do sul 2.108.609,00 788.185,00 53.754,22 1.320.424,00 Alm.tamandaré 14.355.915,00 6.905.905,00 447.502,64 7.450.010,00 Araucária 57.302.198,00 25.099.117,00 926.157,42 32.203.081,00 Balsa nova 4.370.415,00 2.101.061,00 155.478,51 2.269.354,00 Bacaiúvadosul 2.810.314,00 1.195.886,00 31.571,39 1.614.428,00 Campina grde sul 11.183.473,00 2.866.682,00 178.020,95 8.316.791,00 Campo largo 21.758.779,00 10.675.765,00 543.396,44 11.083.014,00 Campo magro 4.840.462,00 1.999.735,00 108.185,66 2.840.727,00 Cerro azul 4.142.724,00 1.633.907,00 75.976,68 2.508.817,00 Colombo 34.652.377,00 15.987.961,00 765.823,33 18.664.416,00 Contenda 3.376.258,00 1.540.961,00 92.149,47 1.835.297,00 Curitiba 675.663.151,00 203.559.346,00 19.460.273,48 472.103.805,00 Dr. Ulisses 1.737.991,00 656.171,00 14.435,76 1.081.820,00 Fazendariogrande 9.469.012,00 4.307.118,00 N.I. 5.161.894,00 Itaperuçu 4.459.099,00 1.680.064,00 105.676,03 2.779.035,00 Mandirituba 5.417.666,00 2.184.369,00 154.216,45 3.233.297,00 Pinhais 27.783.343,00 12.335.387,00 449.008,09 15.447.956,00 Piraquara 12.925.813,00 6.536.064,00 186.277,82 6.389.749,00 Quatro barras 7.181.305,00 2.272.548,00 101.810,15 4.908.757,00 Quitandinha 3.846.183,00 1.029.464,00 31.089,81 2.816.719,00 Riobrancosul 9.846.273,00 4.672.456,00 121.483,86 5.173.817,00 Sãojosepinhais 56.566.348,00 23.037.088,00 2.181.612,23 33.529.260,00 Tijucasdosul 3.349.874,00 1.159.035,00 74.641,85 2.190.839,00 Tunasdoparaná 1.509.773,00 632.323,00 22.953,32 877.450,00 TOTAL 983.604.129,00 336.061.249,00 26.316.309,99 647.542.880,00

FONTE: COMEC 2000 (adaptado pelo autor).

As prefeituras, os Prefeitos e funcionários têm consciência da importância desse tema, até mesmo porque os encargos das folhas de pagamento de servidores públicos ativos e inativos atingiram níveis de despesas mensais incompatíveis com a geração de receitas. Preparando-se para a solução, o Governo Federal desde que resolveu solucionar o problema, particularmente, quanto ao crescimento do quadro de inativos e pensionistas, incorporou-o como tema nas discussões da reforma da

Previdência Social. Os noticiários em jornais e revistas especializadas demonstram que a atual situação vem se agravando há muitos anos. Dentre os principais fatores para se atingir o quadro de déficit atual, destacam-se:

A Constituição de 1988, que permitiu a adoção por parte dos órgãos públicos de regime único para seus servidores, relativamente às questões previdenciárias. Em decorrência houve a opção praticamente unânime pelo regime estatutário. Esta opção, a princípio acatada como benéfica aos cofres públicos, por liberar os depósitos do FGTS e do pagamento da contribuição do INSS como empregador, trouxe, logo a seguir, o compromisso com o pagamento de "aposentadorias integrais" aos servidores que contribuíram para o regime geral da previdência social durante grande parte de seus períodos laborativos.

A longa discussão da Reforma da Previdência, concluída em sua 1ª fase com a Emenda Constitucional n.º 20, de 15/12/98, alertou a população que passou a antecipar a solicitação dos benefícios com o intuito de garantir de imediato seus direitos previdenciários.

Adiciona-se a esses pontos o fato de que no âmbito do Setor Público vem ocorrendo retração dos quadros de servidores, decorrente principalmente do aumento das concessões de aposentadorias e redução de novas contratações. Em síntese, o quadro previdenciário apresenta crescimento de despesas e redução de receitas. Portanto, a situação agravada com a adoção de múltiplos regimes previdenciários no âmbito do setor público e pela utilização de um sistema de caixa, sem constituição de reservas e fundos, acaba por onerar, por meio de impostos e taxas, toda a sociedade, beneficiando apenas uma restrita parcela da população.

O Governo Federal partiu efetivamente para enfrentar a questão. Desde meados de 1998 vem agindo com determinação. Primeiro, com a criação do Departamento de Regimes de Previdência dos Estados e Municípios, órgão vinculado ao Ministério da Previdência e Assistência Social e que objetiva dar assessoramento aos entes públicos por meio do PARSEP - Programa de Apoio a Reforma dos Sistemas Estaduais de Previdência financiados pelo Banco Mundial.

Com a publicação da Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 1998 que modifica o sistema de previdência social e estabelece normas de transmissão e disciplinada pela Lei n.º 9.717 de 27/11/98, só pode ser devidamente apreendida no contexto de uma profunda crise fiscal que se apoderou do país, e que a partir de 1998

acelerou o processo de ajuste das contas públicas, na referida Lei está contido as regras gerais para a organização e o funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal, que estabelece prazos de enquadramento.

Com a Portaria n.º 4.992 de 05/02/99, o Ministério da Previdência e Assistência Social disciplina as normas técnicas necessárias ao equilíbrio financeiro e atuarial e exige o cumprimento mensal de apresentação pelos Estados e Municípios de quadro com detalhamento orçamentário das administrações direta e indireta relativo às despesas de pessoal ativos e beneficiários e às receitas com a discriminação das suas fontes. O enquadramento nos patamares exigidos pela Lei Complementar n° 101, de 4 de maio de 2000, destina-se a regulamentar a Constituição Federal, na parte da Tributação e do Orçamento, o total das despesas ativo e inativo da administração direta e indireta, não pode ultrapassar o percentual de sessenta por cento da receita corrente líquida no casos dos municípios corresponde à receita corrente total, limites máximos para os dispêndios dos Estados e Municípios com seus quadros de pessoal e a União não pode ultrapassar cinqüenta por cento receita corrente líquida.

Alguns Estados vêm se antecipando ao longo desses últimos anos na tentativa de solucionar esse assunto, merecendo destaque às iniciativas do Paraná, de São Paulo, da Bahia entre outros, cada um adotando formas diversas para tratar a questão. Porém, o tema da Previdência dos Estados e Municípios tem forte conotação política, e esse aspecto acaba prevalecendo sobre as questões técnicas que exigem tratamento correto para que o rumo a ser trilhado seja consistente, duradouro e que não propicie novos sobressaltos ao país. Apesar do direcionamento ser esse tomado pelo Governo Federal, ou seja, legislar, auxiliar e fiscalizar a ação dos Estados e Municípios nessa matéria, alguns pontos carecem de melhor solução:

a) necessidade de identificar fontes de recursos que viabilizem o equacionamento atuarial das necessidades financeiras para garantia dos compromissos previdenciários, estudadas para cada situação.

De forma geral, esses recursos devem provir das privatizações, das vendas de ativos imobiliários, da cobrança de dívidas judiciais e de outros financiamentos a serem identificados em cada caso, além das próprias fontes de custeio dos compromissos previdenciários, por parte dos servidores e dos órgãos públicos

empregadores.

b) Autonomia financeira e técnica das instituições constituídas pelos Estados e Municípios para gerirem os fundos previdenciários dos servidores.

É muito importante que se defina essa questão, que, por ora, não especifica a referida Lei e Portaria, ainda perdurando o fantasma do Caixa Único, inclusive para esses recursos. Caso esse tema não seja bem disciplinado, a rigor tudo isto já começará de forma errada.

3º Equacionamento dos planos de benefícios com identificação clara dos limites para legislar sobre matéria previdenciária pelos Estados e Municípios. Um primeiro passo positivo já foi dado pela Portaria n.º 4.992, de 05 de fevereiro de 1999, limitando o elenco dos benefícios aos fixados para o Regime Geral da Previdência Social. Porém, urge que se faça maior cerco, particularmente separando os direitos já adquiridos e as expectativas de direito. Quanto aos novos servidores a serem admitidos, transparece a tendência do cálculo do benefício correlacionado aos níveis de contribuição.

Conforme determinado pela legislação, somente os Estados e Municípios que satisfaçam as condições de pelo menos mil segurados e receitas próprias superiores às transferências da União é que poderão ter autonomia para constituição ou continuidade de regimes previdenciários próprios. Os demais retornarão com os seus segurados para o regime do INSS, mas terão que arcar com a responsabilidade do pagamento dos benefícios, enquanto esses perdurarem, isto é, para os que adquiriram o direito anterior a essa transferência. Essa é outra questão relevante, pois os encargos permanecerão por longo tempo e necessitará de tratamento específico, particularmente no contexto da compensação das contas entre os diversos regimes previdenciários, problema carente de solução.

Diante de toda essa exposição, está óbvio que o tema da Previdência dos Estados e Municípios é de urgência, porém não deve ser tratado assomadamente, requerendo disciplinamento técnico, acompanhamento e controle pelo Governo Federal, para que o esforço e sacrifício da sociedade atual para solucioná-lo não esbarre, logo a seguir, no retorno do problema com reflexos ainda mais graves nas finanças públicas. Todo o processo exige avaliação atuarial inicial e anual da situação previdenciária dos Estados e Municípios que se enquadrarem na possibilidade de possuir sob suas responsabilidades regime previdenciário próprio. Os demais municípios deverão retornar com seus servidores ao regime do INSS,

permanecendo, porém, sob seus encargos o pagamento dos benefícios concedidos por esses antes de se proceder à transferência, sendo, nesse caso, ainda mais relevante à questão das compensações financeiras com a previdência social.