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2. ESTUDO DE EDITAIS PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DO TRIBUNAL

2.3. O segundo grupo de editais (do XLIII ao XLVII exame)

Daí que agora passa-se a análise do segundo grupo de editais, o daqueles que previam a reserva de vagas – compreendidos entre o XLIII ao XLVII (atual) – e que na tabela elaborada encontram-se marcados com a cor azul.

O XLIII concurso para ingresso da magistratura no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro se deu tão somente em 2011, isto é, após 4 (quatro) anos da realização do último processo seletivo – durante o qual sobreveio o processo administrativo supramencionado.

Tendo em vista a determinação emitida pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o regulamento deste concurso trouxe, expressamente, a reserva de vagas para pessoas com deficiência, assim como qual seria o parâmetro utilizado para a classificação das deficiências:

Artigo 3º - As pessoas com deficiência, que declararem tal condição no momento da inscrição preliminar, terão reservados 5% do total das vagas.

Parágrafo único – Para efeitos de reserva de vaga, consideram-se pessoas com deficiência aquelas que se amoldam nas categorias discriminadas no art. 4º do Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999. [sem grifo no original].

Restou determinado, ainda, a publicação de lista especial dos aprovados dentro das vagas destinadas a portadores de deficiência:

Artigo 19 - A publicação do resultado final do concurso será feita em 2 (duas) listas, contendo, a primeira, a pontuação de todos os candidatos, inclusive a dos com deficiência, e, a segunda, somente a pontuação destes últimos, os quais serão chamados na ordem das vagas reservadas às pessoas com deficiência.

O edital tratou dos candidatos portadores de deficiência em um tópico específico (anexo B), no qual estabeleceu que o candidato, que quisesse concorrer as vagas destinadas a portadores de deficiência, deveria: (a) se inscrever, preliminarmente, nesta categoria, enviando um atestado médico que comprovasse a sua deficiência e o grau dela; (b) passar por uma avaliação junto a uma Comissão Multiprofissional – formada por médicos, organizadores do concurso e representante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que iriam avaliar se o candidato se encaixava nas condições estabelecidas pelo art. 4º, do Decreto 3.298/1999 e suas alterações. Assim, a depender do resultado da Comissão, o candidato teria ou não a sua inscrição como portador de deficiência confirmada.

Merece destaque o fato de que, quando da publicação deste edital, o §1º do art. 73, da Resolução 75/2009 já havia sido modificado pela Resolução nº 118/2010. A partir daí passou a se entender que: “a avaliação sobre a compatibilidade da deficiência com a função judicante

deve ser empreendida no estágio probatório a que se submete o candidato aprovado no certame”.

Logo, restou claro que não fazia nenhum sentido proibir, desde o início do certame, a participação do candidato portador de deficiência visual, tal como fez o edital para magistratura do Maranhão de 2008.

Entende-se, portanto, que a partir de 2010, os concursos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, assim como os de todos os outros estados, teriam, necessariamente, que permitir a inscrição de pessoas portadoras de quaisquer deficiências (nos termos do Decreto 3.298/99), uma vez que a compatibilidade da deficiência com a atividade seria verificada somente quando do estágio probatório40.

No processo seletivo em análise, 45 (quarenta e cinco) candidatos se inscreveram como portadores de deficiência, sendo, que após a perícia, 11 (onze) tiveram a inscrição na reserva de vagas indeferida. Os motivos foram: não comparecimento a perícia ou não enquadramento na classificação trazida pelo Decreto 3.298/1999.

Tiveram, então, as inscrições como portadores de deficiência confirmadas um total de 34 (trinta e quatro). Para estes, o edital previa, além da possibilidade de concessão das condições especiais, a possibilidade de prolongamento do tempo de realização da prova em até 60 (sessenta) minutos.

Um documento publicado no site do Tibunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro revela que dos candidatos inscritos como deficientes, 22 (vinte e dois) solicitaram prova ou condição especial, sendo que todos tiveram os seus pedidos deferidos (anexo C). Porém, este documento não especifica quais os tipos de prova e/ou condições solicitadas, pelo que não se pode dizer quais as condições foram permitidas para pessoas portadoras de deficiência visual, e, menos ainda, quais os critérios utilizados para decidir.

Contudo, a informação de que todos os pedidos foram deferidos leva a crer que a banca permitiu todos, ou pelo menos quase todos, os tipos de prova e adaptações para todos os tipos de deficiência.

Vale destacar, ainda, que neste processo seletivo – como sendo o primeiro no qual ocorreram adaptações para pessoas portadoras de deficiência de fato – não há a previsão da necessidade de mais de um pedido de atendimento especial. Logo, presume-se que o atendimento especial deferido no início do concurso, a pedido do candidato, poderia ser

40 O estágio probatório vem descrito no art. 20, da Lei 8.112/90. Consiste, basicamente, na avaliação do servidor nomeado para cargo efetivo por 24 (vinte quatro meses), desde a sua entrada em exercício. Nesse período serão avaliados: assiduidade, disciplina, capacidade de iniciativa, produtividade e responsabilidade.

utilizado por este em todas as fases do certame, que compreende desde provas objetivas até discursivas e orais.

Analisando os resultados do concurso, tem-se que 8 (oito) candidatos portadores de deficiência passaram da segunda etapa do certame, que consiste na elaboração de respostas discursivas, sendo que 3 (três) deles requereram condições especiais de realização de prova.

Entretanto, conforme já falado, como não ocorreu a divulgação dos atendimentos especiais permitidos, não há como saber quais os meios de realização de prova disponibilizados para pessoas com deficiência visual e, menos ainda, se elas permaneceram a esta altura do concurso. A questão que fica é: um candidato que, supostamente, teria realizado a prova objetiva com o auxílio de um ledor/transcritor poderia se valer desta mesma condição na prova discursiva?

No exame seguinte, o XLIV, as disposições presentes no edital e no regulamento, em relação a reserva de vagas e a inscrição de pessoas com deficiência eram as mesmas do exame anterior.

Este processo seletivo contou com a inscrição preliminar de 51 (cinquenta e um) candidatos na condição de portador de deficiência. Destes, 24 (vinte e quatro tiveram que realizar perícia) foram dispensados da perícia, por já a terem realizado no certame anterior.

Após o resultado da perícia, restaram 40 (quarenta) candidatos inscritos definitivamente como portadores de deficiência. Os 11 (onze) pedidos indeferidos foram motivados nos tópicos 6.1.1 ou 5.1.2 do edital.

6.1.1. Serão consideradas pessoas com deficiência, os candidatos que se enquadram nas categorias discriminadas no artigo 4º, do Decreto 3.298, de 20 de dezembro de 1999.

5.1.2. Para inscrever-se o candidato deverá: I. Acessar o site: www.vunesp.com.br, durante o período de inscrição; II. Localizar no site o “link” correlato ao concurso público; III. Ler total e atentamente este edital; IV. Preencher o formulário de inscrição e a declaração de que possui os requisitos constantes deste edital; V. Gerar o boleto bancário para efetuar o pagamento da taxa até a data limite para o encerramento das inscrições, no valor de R$ 200,00 (duzentos reais);

Destes 40 (quarenta) candidatos concorrentes a vagas destinadas a pessoas com deficiência, somente 22 (vinte e dois) solicitaram prova e/ou condição especial, sendo que 21 (vinte e um) deles tiveram os seus pedidos deferidos (anexo D).

Neste momento, dentre os meios de adaptação permitidos que poderiam ser utilizados por pessoas portadoras de deficiência de visual, tem-se: o aumento do tempo de duração da prova em 60 (sessenta minutos), o auxílio de ledor/transcritor e o recurso da prova ampliada (com fontes 18, 14 e 24).

Não se pode afirmar que este concurso contou com a participação de pessoas portadoras de cegueira completa. Como exposto no primeiro capítulo, a prova com auxílio de ledor/transcritor pode ser solicitada por pessoas portadoras de cegueira completa, de baixa visão, bem como de outros tipos de deficiência.

Entretanto, o fato de ter essa permissão indica a possibilidade de pessoas cegas terem se inscrito no concurso ou, ainda, que se estas estivessem se inscrito poderiam valer-se destas condições, uma vez que outros candidatos a utilizaram.

Há de se destacar, ainda, que na parte superior do documento, nas quais foram divulgados os pedidos deferidos (anexo D), tem-se a seguinte descrição: “ PRIMEIRA ETAPA (PROVA OBJETIVA) – SOLICITAÇÃO DE PROVA E/OU CONDIÇÕES ESPECIAIS ”. Isto talvez responda à pergunta colocada anteriormente, uma vez que, claramente, as condições deferidas se referem apenas a primeira fase do concurso.

Contudo, levando em conta os pedidos formulados, os candidatos que talvez fossem deficientes visuais, e que na tabela (anexo D) estão marcados em amarelo, não passaram para a segunda etapa do certame, pelo que não se pode afirmar, por exemplo, que a candidata Sonia Maria de Oliveira (inscrição 1041495) poderia se valer novamente do auxílio de um ledor/transcritor na fase discursiva. Provavelmente, em um segundo momento, ela teria que realizar outro pedido junto a banca, que, por sua vez, poderia vir a deferir ou não.

No edital seguinte, referente ao XLV concurso para ingresso na carreira da magistratura no Tribunal do Rio de Janeiro, as disposições editalícias referentes ao objeto de estudo se mantiveram.

Novamente, 51 (cinquenta e um) pessoas se inscreveram como portadoras de deficiência, e, após a perícia, restaram apenas 41 (quarenta e uma), pois 10 (dez) delas tiveram os seus pedidos indeferidos, seja por não comparecimento a perícia, seja por não se encaixarem nos termos do art. 4º, do Decreto 3.298/99.

Deste total de inscritos, 19 (dezenove) tiveram os pedidos de atendimento especial atendidos. Desta vez, para portadores de deficiência visual, além do auxílio de ledor, transcritor e prova ampliada, fora permitido também: o uso de lupa (anexo E).

Neste exame as condições especiais deferidas também eram voltadas tão somente para a prova objetiva. E, como nenhum candidato portador de deficiência visual passou para a fase discursiva do certame, não há como dizer como a banca se posicionaria em caso de pedido de ledor/transcritor nesse momento.

Seguindo também as mesmas disposições dos exames anteriores, o XLVI concurso para ingresso na magistratura de carreira do Estado do Rio de Janeiro contou com 49 (quarenta e

nove) pessoas inscritas como portadoras de deficiência, sendo que depois da perícia, somente 37 (trinta e sete) tiveram a inscrição deferida. E dos inscritos definitivamente nesta condição, 14 (quatorze) tiveram a solicitação de prova e/ou condição de prova especial acolhida (anexo F). Neste momento, foi permitido, para deficientes visuais, o auxílio de transcritor.

No XLVII exame teve-se a publicação de dois documentos para divulgação das condições especiais permitidas, um referente a primeira fase do concurso e outro referente a segunda fase.

Incialmente, se inscreveram definitivamente como portadores de deficiência 80 (oitenta) candidatos. Não consta documento comprovando quantos candidatos se inscreveram preliminarmente nesta condição, nem lista com as candidaturas indeferidas.

Do total de candidatos, em um primeiro momento, 24 (vinte e quatro) obtiveram deferimento do pedido de atendimento especial. Naquela oportunidade, fora permitido, para deficientes visuais: a prova ampliada, bem como a utilização de óculos escuros e de lupa, além do tempo adicional (anexo G).

Consta neste processo seletivo uma relação de provas/condições especiais deferidas para candidatos não inscritos como deficientes (anexo G). Há, inclusive, a permissão de disponibilização de ledor para uma candidata não inscrita como portadora de deficiência. Trata- se da candidata Claúdia do Socorro Moraes Costa, que teve a sua inscrição indeferida dentro da reserva de vagas para pessoas portadoras de deficiente, e, posteriormente, teve deferido o seu pedido de prova/adaptação especial.

Este fato revela que a banca tem sido mais solícita em relação aos pedidos dos candidatos, sendo eles inscritos como deficiente ou não.

Entretanto, como esta candidata não restou aprovada para segunda etapa, não há como saber se fora permitida a utilização de ledor na prova discursiva do concurso. Sabe-se, porém, que se permitiu a realização da prova ampliada, para o candidato Pedro Soares Blumer, que através da interposição de recurso, conseguiu além da prova ampliada, o prolongamento da prova em 60 (sessenta minutos) (anexo H).

TABELA 2 – CONDIÇÕES ESPECIAIS CONCURSO Inscritos como deficiente Condições especiais solicitadas na primeira fase Condições especiais deferidas na primeira fase Condições especiais solicitadas na segunda fase Condições especiais deferidas na segunda fase XLIII 34 22 22 - - XLIV 40 22 21 - - XLV 41 - 19 - - XLVI 37 - 14 - - XLVII 80 - 24 4 4

Fonte: dados da pesquisa.

Da análise das condições especiais deferidas é possível concluir que:

TABELA 3 – CONDIÇÕES DE ADPTAÇÃO DEFERIDAS

CONCURSO Deferimento de ledor/transcritor Deferimento de prova em Braille Deferimento de prova ampliada XLIII - - - XLIV 8 - 3 XLV 3 - 2 XLVI 3 - - XLVII 1 - 6

Fonte: dados da pesquisa.