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Em seguida, o contexto sócio-político da sociedade medieval, por volta de 1250, sofreu uma transformação, pois retornou novamente á centralização de poderes nas mãos do rei. Isto é, o monarca retoma poderes em suas mãos, deixando de estar isolado em castelo sob divisão de seu governo suseranos e membros dos Estados Gerais pelos motivos, a saber: a) a necessidade de criação e manutenção de um exército único sob o comando do monarca, em virtude do alto custo dos exércitos particulares de cada suserano; b) o poder de tributar foi resposta ao rei; c) a última palavra cabia ao monarca diante das lides dos seus súditos, sendo o único aplicador de justiça; d) cabia a escolha dos membros dos Estados Gerais (França, Países Baixos), Parlamento (Inglaterra) ou Cortes (Espanha) e também a livre discricionariedade do monarca; e) o alto poder culminado pela burguesia na sociedade foi aos poucos decaindo; f) a investidura das funções ao monarca por vontade divina solidificou-se ao entendimento das pessoas; g) novamente coube a exclusividade aos soberanos para o exercício da legislação.

Por tudo isso, fez com o rei readquirisse os poderes. Estes ilimitados em suas atividades laborais nos campos legislativos, executivos e judiciários. Várias nações passaram a existir, tornando-se independentes com a floração do patriotismo e a conceituação de direito nacional para cada povo a partir do século XV. Assim, as obrigações de fidelidade inverteram-se, isto é, os homens passaram a devê-las ao monarca, uma vez que este representava a nação como um todo e não mais a cidade ou ao suserano.

Destarte, estabeleceu-se o Absolutismo haja vista que pairou uma concentração de poderes absolutos às mãos dos reis por toda a Europa, até os fins do século XVIII.

8.2.1 Fontes do Direito no Absolutismo

O costume foi a única fonte do direito feudal até o século XIII, e mediante a existência de diferentes costumes em regiões distintas, havia concomitante inúmeros direitos que, por vez, o suserano aplicava em sua região. Até que chegou o momento da lei suplantar o costume, diante do poder dos monarcas com o seu fortalecimento como também em consequência disso o aparecimento do absolutismo; com isso, a predominância passou a ser a lei promulgada por meio do monarca, tendo-o como representante maior da nação e não mais a do senhor das terras (suserano).

Eis com o passar do tempo, tem-se uma precípua necessidade de aprofundar cada país o seu direito como também uma reunificação das normas jurídicas existentes – escritas e não escritas – pois eram inúmeros os preceitos e as normas. O estudo do direito Romano, diante dessa nova contextualização, adquiriu impulso novo, sobretudo o Digesto, propiciando reunião de correntes distintas ou escolas doutrinárias pelas quais puderam contribuir, na Europa Ocidental, um segundo “renascimento” do Direito Romano.

8.2.2 Escola Humanista

Ela era conhecida como “Escola Culta ou elegante” cuja formação de cultas pessoas, sapiência do grego e latim, com surgimento na Alemanha no início do século XVI. O entendimento delas coagunava com uma maior profundidade originária do Direito Romano no modelo de aplicação nos tempos da Roma antiga, sem que nenhuma comparação fosse feita com o direito moderno. E, assim, os seguidores dessa escola, por meio de seus estados e pesquisas, puderam realizar uma reconstituição do Direito Romano, de modo especial o digesto.

Professor italiano, sob pré-nome Alciato (1492-1550), primeiro a passar os ensinamentos do Direito Romano conforme o método novo e que realizou o início da escola em análise, cujo representante principal foi Jacques Cujas (1522-1590). Cujácio, como era apelidado, conseguir influenciar os juristas de suas época e que aliava à profunda erudição em filosofia e história o mais agudo senso jurídico. Seu trabalho de pesquisa e interpretação dos jurisprudentes romanos foi completado por seu rival Doneau ou Donellus (1527-1591), que, preocupando-se mais com a ciência jurídica do que com o seu objeto, o fenômeno jurídico (leis, costumes, etc.) legou-nos uma exposição generalizada e sistematizada do direito romano

desenhando-lhe uma fisionomia que Roma e seus juristas não lhe tinham dado” (PEREIRA apud ROLIM, 2008, p. 130).

8.2.3 Escola das Práticas (Séculos XVI e XVII)

Aos séculos XVI e XVII, a escola em evidência repercutiu com grande importância e a pretensão dos respectivos integrantes era realizar a adaptação de Digesto ou Pandectas à prática forense da época.

8.2.4 Escola de Direito Natural (Escola Naturalista ou Jusnaturalista)

A escola em curso desenvolveu-se na Europa, por volta dos séculos XVII e XVIII, tendo como seguidores, a saber: Hugo Grocio (Hugo de Groot, 1583-1645), Thomas Hobbes (1588-1679), Heinécio, Tomásio e Leibniz, dentre outros. Recebiam influência do Iluminismo, defendiam o estudo do direito em dois aspectos: na natureza e na razão e, com isso, exacerbavam que poderia haver o regresso dos direitos natural sendo o positivo em posição de equilíbrio; haja vista que, em seus entendimentos, uma vez que o direito era um produto da razão humana tendo que existir uma igualdade mundial para todos os povos em qualquer lugar e tempo.

No que tange a uma concepção do direito acerca de racionalidade, houve um favorecimento à codificação das normas jurídicas, isto é, veio com base na natural razão das coisas o aparecimento de um direito sem mutabilidade e sobretudo, com a codificação. Para isso, fazia-se necessário a não subtração desse referido direito pelos reis, sob fundamentação nas leis naturais, fundamentais, universais, permanentes, imutáveis pelos quais eram oriundos da natureza humana. E, dessa forma, o real absolutismo poderia entrar em combatência com base no divino direito.

8.2.5 Escola Histórica (princípios do século XIX)

Através do entendimento da escola em discussão, a qual imergiu no início do século XIX, o direito apresentava-se como produto histórico, fenômeno social cujo resultado viria não somente do arbitre do legislador e sim de uma consciência popular.

Tal escola possuía como seus componentes, a saber: Frederico Carlos de Savigny (1779 – 1861), Gustavo Hugo (1764 – 1844), Puchta, Gans, Keller, entre outros.

8.2.6 Escola de Pandectas ou Romanistas (século XIX)

A tese deles baseava-se no discernimento de que as concepções modernas jurídicas deveriam ser adaptadas ao Direito Romano, tendo como defensores primários Windscheid, Ihering e Waechter no século XIX.

9 A RECEPÇÃO DO DIREITO ROMANO PELOS DIREITOS NACIONAIS

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