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O setor florestal brasileiro, estrutura e panorama

CAPÍTULO 1: Revisão de Literatura

1.1. O setor florestal brasileiro, estrutura e panorama

O setor florestal é de suma importância para o Brasil. Segundo Hummel e Minette (1990), quase 50% das florestas tropicais úmidas naturais existentes estão na América tropical e, desse total, mais de 80% (50% no Brasil + 30% em outros países da América do Sul) se encontram na região amazônica. Da área pertencente ao território brasileiro, o Estado do Amazônas é o que detém o maior porcentual.

As áreas florestais no Brasil somam 544 milhões de hectares. Nessas florestas, encontram-se a maior biodiversidade de espécies e ecossistemas do planeta e uma das mais diversas e amplas concentrações de povos e culturas indígenas (SBS, 2003).

As principais regiões fitogeográficas do Brasil (Figura 1) são: Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Complexo do Pantanal, outras

formações (Campos do Sul (Pampas), Mata das Araucárias (Região dos Pinheirais), Ecossistemas Costeiros e Insulares) (BRASIL, 2003).

CERRADO CAATINGA

MATA ATLÂNTICA POTENCIAL FLORESTA AMAZÔNICA OUTRAS FORMAÇÕES

COMPLEXO DO PANTANAL

Fonte: Machado (2004)

Figura 1 – Principais regiões fitogeográficas do Brasil.

Segundo a ABIMCI (2003), a maior concentração de áreas reflorestadas no Brasil estava situada nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Bahia e Santa Catarina. No que se refere à concentração de plantações de pinus, os estados que mais se destacavam eram: Paraná, Santa Catarina, Bahia e São Paulo que, juntos, somam cerca de 73% do total plantado. Quanto ao plantio de eucalipto, verificou-se maior concentração na Região Sudeste do país. Essa distribuição justifica a existência de indústrias de papel e celulose e de siderurgia nessa região.

Ainda segundo a associação, a partir de dados gerais da utilização do solo, observa-se que o país é formado por cerca de 66% de florestas nativas, 0,5% de áreas reflorestadas e 33,5% de áreas destinados a agricultura, pecuária,

áreas urbanas e infra-estrutura, dentre outras. A área florestal brasileira é a segunda maior do mundo, atrás apenas da Rússia.

A cobertura florestal do território brasileiro, associada às excelentes condições edafoclimáticas para a silvicultura, confere ao país grandes vantagens para a atividade florestal. Existe consenso entre especialistas como Ladeira (2002), Assis (2003) e Valverde et al. (2003), entre outros, quanto à relevância social, econômica e ambiental do setor florestal e à sua importância para o desenvolvimento do Brasil.

Alguns macroindicadores dessa importância baseiam-se na formação do Produto Interno Bruto (PIB), na geração de divisas e na contribuição para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.

De fato, o setor florestal brasileiro contribui com cerca de 5% na forma- ção do PIB nacional e com 8% das exportações; gera 1,6 milhão de empregos diretos, 5,6 milhões de empregos indiretos e uma receita anual de R$ 20 bilhões; recolhe anualmente R$ 3 bilhões em impostos e conserva uma enorme diversidade biológica (IPEF, 2003).

No que diz respeito aos aspectos sociais, o setor florestal é capaz de absorver mão-de-obra numerosa colaborando, assim, para uma melhor distri- buição de renda para a população. Vale ressaltar que a exploração racional das florestas com base no manejo sustentável também propicia a melhoria das condições de transporte, acesso e comunicação de determinada localidade.

Segundo Ladeira (2002), quanto ao meio ambiente, as influências flores- tais podem ser divididas em três grupos: as influências diretas (efeito mecânico), influências indiretas (efeito físico-químico) e as influências psicofisiológicas (as que atuam diretamente sobre o homem).

O setor florestal é caracterizado pelos produtos madeireiros e também pelos produtos florestais não-madeireiros (PFNMs), os quais, segundo a FAO (1998), são representados por produtos para o consumo humano (alimentos, bebidas, plantas medicinais e extratos, por exemplo frutas, bagas, nozes, mel e fungos, entre outros), farelos e forragem (campos para pastagem) e outros

(cortiça, resinas, taninos, extratos industriais, plantas ornamentais, musgos, samambaias e óleos essenciais etc.).

Ao considerar a biodiversidade das florestas tropicais, observa-se a ampla potencialidade e amplitude dos PFNMs. Tais produtos mantêm altos níveis de importância, pois existem comunidades que possuem alta dependência desses recursos como fonte de alimentos, medicamentos, materiais de construção e habitação e usos culturais.

Para Brito (2003), apesar de sua importância histórica, só recentemente houve uma retomada de interesse da ciência e dos governos contemporâneos, na direção dos PFNMs. Ainda segundo esse autor, é fundamental o desen- volvimento de novas pesquisas sobre processamentos das matérias-primas e aplicações dos produtos, bem como o estabelecimento de redes de informações e esforços conjugados, em níveis regional e nacional, tendo em vista a obtenção das matérias-primas, processamento e qualidade dos produtos finais.

O segmento madeireiro do setor florestal, segundo Selmany (1993), citado por Polzl et al. (2003), organiza-se em duas direções, uma longitudinal e outra transversal. Do ponto de vista transversal, distinguem-se os processos sucessivos de transformação que levam a madeira de um estado bruto a um estado considerado como final. Essa sucessão compreende as seguintes atividades: silvicultura, colheita florestal, primeira transformação, segunda transformação, terceira transformação e consumidor final.

Ainda segundo esses autores, em função do plano longitudinal, pode-se segmentar a cadeia produtiva da madeira em três grandes cadeias, em razão das distinções na utilização da madeira bruta. São elas: energia, processamento mecânico e madeira industrial, conforme demonstrado na Figura 2.

As atividades florestais apresentam peculiaridades, que as diferenciam. Segundo Rezende et al. (1996), entre essas características se destacam: o longo prazo, o alto custo econômico para a sua implantação, o problema da escolha da taxa de juros a ser utilizada, a necessidade e, ao mesmo tempo, a dificuldade de obtenção de informações corretas, as várias opções de uso da madeira, a presença de externalidades e de bens públicos, dentre os muitos benefícios produzidos.

F L O R E S T A ENERGIA MADEIRA INDUSTRIAL PROCESSAMENTO MECÂNICO

CELULOSE CONSUMO INDUSTRIAL

PAINÉIS PARTÍCULAS LAMINADOS SERRADOS COMPENSADO BENEFICIAMENTO C O N S U M I D O R F I N A L I N D Ú S T R I A L C O N S U M O

LENHA CONSUMO INDUSTRIAL

CONSUMO DOMÉSTICO CARVÃO

Fonte: Adaptado de Polzl et al. (2003)

Figura 2 – Fluxograma geral da cadeia produtiva da madeira.

1.2. O complexo industrial florestal brasileiro: características e peculia-