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O setor industrial brasileiro como um todo recebeu, na década de 50, incentivos no âmbito do Plano de Metas, que priorizava projetos ligados ao setor de bens intermediários, expandindo a indústria em nível nacional no período 1956/1961. Essa expansão do investimento industrial afetou diretamente a indústria capixaba.

No Estado do Espírito Santo, a COFAVI, constituída em 1946, produzindo 12 mil t/ano de ferro-gusa, elaborou seu plano de expansão que consistiu na instalação de uma unidade de laminação para perfis leves e médio, com capacidade de 130 mil t/ano. Através da Usiminas, passou a operar lingotes de aço, em 1963, quando foi inaugurada essa unidade (ROCHA e MORANDI, 1991).

Através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), os recursos financeiros foram garantidos, os quais foram fundamentais para a instalação da nova COFAVI. O BNDE detinha 95% das ações da COFAVI, participando, também, a empresa alemã Ferrostaal A.G., que era o maior acionista privado, responsável pelo fornecimento de equipamentos importados e seu financiamento (ROCHA e MORANDI, 1991).

A COFAVI repercutiu na industrialização capixaba, expandindo a metalurgia, que em 1970 passou a 10,0%, enquanto em 1959 representava apenas 3,1% do valor da produção industrial. O crescimento da metalurgia foi maior que o crescimento industrial em conjunto (ROCHA e MORANDI, 1991).

No Espírito Santo, um aspecto relevante a ser observado é a vantagem locacional em termos de investimentos industriais. No milagre econômico, o capital privado (nacional e estrangeiro) e estatal aproveitou-se dessa condição. No entanto, foi a partir de 1975 que a expansão do setor industrial no Estado foi-se solidificando e essa expansão foi comandada por capitais externos, destacando-se a metalurgia, com elevados investimentos.

No início da década de 70, a demanda por produtos siderúrgicos encontrava-se elevada, o Governo Federal tinha interesse em expandir a capacidade produtiva da siderurgia em nível nacional e os investidores estrangeiros tinham interesse quanto a esse segmento, o que contribuiu para a instalação da CST no Espírito Santo, envolvendo interesses externos e internos (nacionais e locais).

A CST exporta quase a totalidade de sua produção, estando interligada ao mercado internacional de aço. Os sócios que a constituíram, principalmente os estrangeiros, destacavam-se no mercado internacional de aço e tinham capacidade tecnológica com experiência nessa indústria, apesar de ser uma empresa recente no setor siderúrgico.

Vale enfatizar que o contexto histórico no qual a pesquisa está baseada é o ano de 1999, no qual a CST destaca-se como uma empresa componente das mais importantes no ramo de Metalurgia Básica, tendo realizado planos e estratégias de investimentos numa primeira fase, de 1993 a 1995, e, na segunda fase, entre os anos de 1996 e 1999, o que caracteriza o ano de 1999 como de expansão para a CST, assim como os anos seguintes que representam a terceira fase, de 1999 a 2003.

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Nesse contexto de investimentos da CST, as estratégias voltadas para o crescimento entre 1993 e 1995 foram: reforma do alto-forno I, lingotamento contínuo I, refino secundário, injeção de finos de carvão e melhorias operacionais e de controle ambiental. No que se refere aos anos de 1996 a 1999 os investimentos foram: reforma do alto-forno, lingotamento contínuo II, alto forno II, desgaseificador a vácuo, fábrica de oxigênio II, casa de força III (geração de energia) e melhorias operacionais e de controle ambiental. Nos anos de 1999 e 2003, a CST também investiu em estratégias de diversificação, dentre elas no Laminador de Tiras a Quente (LTQ), reforma do alto-forno I, otimização da produção e melhorias em termos operacionais e de controle (CST, 2002).

Segundo MORANDI (1997), a CST operou como fornecedora exclusiva de placas, tendo seu interesse maior nos contratos de longo prazo para evitar capacidade ociosa elevada e estoques de matérias-primas, repercutindo nos custos de produção. As exportações mundiais de produtos semi-acabados apresentaram um crescimento maior do que os demais segmentos dessa indústria. O crescimento das exportações totais de aço bruto foi de 36%, entre os anos de 1984 e 1994; já com os produtos semi-acabados, o índice elevou-se a 166%, de 11,8 Mt para 31,4 Mt, respectivamente (Tabela 11).

Tabela 11 - Exportação Mundial de Aço Bruto e Participação da CST – 1984-1993 (em milhões de toneladas)

Ano Exportação Total (A) Exp. Semi-Acabados (B) B/A (%) Exportação da CST (C) C/B (%)

1984 206.4 11,8 5,7 1,0 8,5 1985 211,5 14,8 6,7 2,0 13,5 1986 209,4 13,5 6,4 2,3 17,0 1987 208,9 14,8 7,1 2,6 17,6 1988 218,7 27,6 12,6 2,7 9,8 1989 220,2 20,7 9,4 2,6 12,6 1990 220,0 19,4 8,8 1,7 8,8 1991 229,3 19,1 8,3 2,6 13,6 1992 256,2 16,7 6,5 2,5 15,0 1993 280,5 31,4 11,2 3,1 9,9

No período 1986/87, a CST exportou 17% de produtos semi-acabados, obtendo parcela significativa como líder mundial na oferta de placas. O volume comercializado para essas exportações nos anos seguintes foi relevante, pois o volume comercializado foi quase dobrado; no entanto, mesmo operando a plena capacidade, a participação da CST foi reduzida nesse período.

É relevante observar que os dados referem-se à exportação de todos os produtos semi-acabados; o volume de placas corresponde a 50% desse segmento, sendo portanto menor. O volume exportado de placas foi de 14,6 Mt no ano de 1993, e a CST atingiu 21,2% desse mercado de placas, exportando 3,1 Mt (MORANDI, 1997).

A partir de 1987, a CST buscou expandir sua capacidade, introduzindo a laminação de tiras a quente como forma de expandir o seu mercado, devido à instabilidade do mercado de placas em relação ao comportamento da demanda.

Quanto à privatização da CST, em julho de 1992, a Siderbrás saiu da sociedade, na qual detinha 74% do capital, dando lugar aos bancos Bozzano Simonsen e Unibanco e à CVRD, que passaram a traçar novos rumos para a empresa, juntamente com os grupos estrangeiros Kawasaki Steel e Finsider (FARIA e CAMPELO, 1996).

Com a CST privatizada, sem grandes problemas de liquidez ou endividamento, partiu-se para um programa de redução de custos e forte investimento em capital físico e humano. Após apresentar um prejuízo de R$ 233,2 milhões em 1993 (a preços de julho de 1996), a empresa alcançou um lucro líquido de R$ 48,2 milhões, sendo de R$ 249 milhões e R$ 197,2 milhões nos exercícios de 1994 e 1995, respectivamente. A taxa de câmbio valorizada no ano de 1995 poderia ter gerado perda de competitividade internacional. No entanto, o aumento do preço do aço no mercado internacional e os ganhos de produtividade fizeram mais que compensar esse efeito (FARIA e CAMPELO, 1996).

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