Organograma 3 – Seções da ICFEx
2.5 Controles na administração pública federal
2.5.3 O Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal
O SisCIEx está inserido dentro do Sistema de Controle Interno do Poder
Executivo Federal, o que torna necessário compreender seu funcionamento.
Com o foco de esclarecer qualquer dúvida sobre o que é o sistema de controle
interno, são apresentadas algumas definições e entendimentos a seguir.
Primeiramente, Cleiton Vieira define um sistema como um "conjunto de
partes coordenadas (articuladas entre si) com vistas à consecução de objetivos
bem determinados". Por conseguinte, o mesmo autor conceitua o sistema de
controle interno como "o conjunto de unidades técnicas, articuladas a partir de
um órgão central de coordenação, orientada para o desempenho das atribuições
de controle interno indicados na Constituição e normatizados em cada nível de
governo" (VIEIRA, 2006, apud, CASTRO, 2007, p. 140).
Assim sendo, o Decreto n. 3591/2000, com as alterações do Decreto n.
4304/2002, estabelece que integram o Sistema de Controle Interno do Poder
Executivo Federal:
“Art. 8o Integram o Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal:
I - a Controladoria-Geral da União, como Órgão Central, incumbido da orientação normativa e da supervisão técnica dos órgãos que compõem o Sistema; II - as Secretarias de Controle Interno (CISET) da Casa Civil, da Advocacia-Geral da União, do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Defesa, como órgãos setoriais; III - as unidades de controle interno dos comandos militares, como unidades setoriais da Secretaria de Controle Interno do Ministério da Defesa” (BRASIL, 2000)
Estando de acordo com as ideias e compreensões apresentadas acima,
o sistema de controle interno do Poder Executivo Federal possui as seguintes
finalidades constitucionais (BRASIL, 2016), previstas no art 74 da Constituição
Federal:
“I – avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União; II – comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos
e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado;
III – exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da União;
IV – apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional” (BRASIL, 1988)
O art 74 da Constituição Federal, também assegura que os sistemas de
controle interno dos Poderes Constitucionais devem atuar de forma integrada (DI
PIETRO, 2019). No parágrafo 1º, do mesmo artigo, esclarece que os
responsáveis pelos controles internos têm a obrigação de auxiliar o Tribunal de
Contas da União na sua função de controle externo (LENZA, 2019).
De acordo com os entendimentos dos autores, e conforme o previsto no
texto constitucional e nos decretos apresentados acima, pode-se afirmar que o
Sistema de Controle Interno do Exército Brasileiro (SisCIEx) integra do Sistema
de Controle Interno do Poder Executivo Federal, o que torna fundamental este
entendimento para o presente trabalho.
2.5.3.1 A Controladoria-Geral da União
O entendimento da missão da Controladoria-Geral da União (CGU) é
importante para este trabalho, porque é o órgão central do Sistema de Controle
Interno do Poder Executivo Federal, conforme demonstrado na figura 1, e que
SisCIEx integra. A unidade de controle interno do Comando do Exército e suas
interações com o Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal serão
apresentadas em na subseção 3.1 do presente trabalho.
A CGU auxilia o Chefe do Poder Executivo Federal (Presidente da
República) no “cumprimento de sua missão constitucional de controle interno do
patrimônio da União e fiscalização dos recursos públicos federais” (LENZA,
2019, p. 1139). Nesse sentido, a Lei Nº 13.844 de 18 de junho de 2019,
estabelece a organização básica dos órgãos da Presidência da República e dos
Ministérios, e especifica as áreas de competência da Controladoria-Geral da
União:
Art. 51. Constitui área de competência da Controladoria-Geral da União:
I - providências necessárias à defesa do patrimônio público, ao controle interno, à auditoria pública, à correição, à prevenção e ao combate à corrupção, às atividades de ouvidoria e ao incremento datransparência da gestão no âmbito da administração pública federal (BRASIL, 2019)
Para Cruz, Silva e Spinelli, com a criação da Controladoria-Geral da União
(CGU), “a União inovou, ao associar atividades mais amplas de prevenção e
combate à corrupção ao controle interno tradicional, avançando na promoção da
transparência e do controle social” (2016, p.722), mas para que isso ocorra a
“gestão Pública deve aperfeiçoar os instrumentos de gestão do Estado,
valorizando a ética no serviço público e a qualidade dos serviços prestados ao
cidadão” (CGU, 2015, p.13).
Em suma, pode-se afirmar que os propósitos dos controles internos na
administração pública federal são: a prevenção das ações incorretas ou ilícitas;
prestar assistência, orientação e apoio técnico aos agentes da administração;
verificar o desempenho da gestão; zelar pelo cuidado na observância dos
princípios e das normas da administração pública presentes na Constituição
Federal, tornando-os “inerente ao funcionamento da unidade” (RIBEIRO FILHO
et al, 2008, p. 50), e acrescenta que o “controle interno fragilizado, a entidade
fica sujeita aos descaminhos, aos desvios de recursos, a gestão fraudulenta”
(2008, p. 50). Na administração pública, os controles externo e social
13possuem
um papel de estímulo a adoção de um controle interno efetivo nos órgãos
governamentais (RIBEIRO FILHO et al, 2008).
Figura 1 – Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal
13
O controle social é a participação do cidadão na gestão pública, sendo um importante mecanismo de prevenção da corrupção e do fortalecimento da cidadania. O controle social pode ser exercido por qualquer cidadão, por organizações da sociedade civil e por conselheiros de programas governamentais (TCU, 2016, p. 19)
Fonte: CGU
Para tornar possível tudo o que foi estudado nos subitens 2.5.1, 2.5.2 e
2.5.3, demonstrado de forma resumida na figura 2, precisou que os órgãos de
controle da administração pública fossem fortalecidos (RIBEIRO FILHO et al,
2008; DE ALENCAR; DA FONSECA, 2016), e que assumissem as seguintes
funções: a) o Controle Externo exercido pelo Congresso Nacional, e auxiliado
pelo Tribunal de Contas da União, e atua sobre o controle interno orgânico da
gestão para permitir “um ambiente de gestão pública ético, eficiente, eficaz e
efetivo” (RIBEIRO FILHO, 2008, p. 50);b) o Controle Interno, que é orgânico da
gestão, deve avaliar os seus resultados quanto à eficácia, eficiência, e
comprovar a legalidade dos seus atos.
Assim sendo, para que os órgãos de Controle Interno do Poder Executivo
Federal, onde está inserido o controle interno do Exército, consigam cumprir o
seu papel de fiscalizar, corrigir, controlar e orientar para garantir a melhoria da
gestão nas instituições federais, emergem os seguintes desafios: 1) garantir o
aperfeiçoamento dos instrumentos de gestão do Estado por meio de
recomendações com a finalidade de realizar ajustes necessários à eficiência,
efetividade e equidade da gestão orçamentária, financeira, patrimonial,
operacional, contábil e finalística do órgão estatal em busca da melhoria da
governança (BRESSER-PEREIRA, 2002; CGU, 2015; BLIACHERIENE et al.,
2016); e 2) promover uma gestão pública ética, transparente, participativa,
descentralizada, com controle social e orientada para o cidadão, estimulando o
desenvolvimento da transparência na gestão pública (BRESSER-PEREIRA,
2002; BRASIL, 2019), conforme demonstrado na figura 3.
Figura 2 –A evolução das Teorias da Administração no Mundo e no BrasilFonte: Próprio autor
Figura 3 – Ambiente de Controle
Fonte: CGU