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O sistema de produção da pecuária de corte é explorado de forma extensiva na região, geralmente, com técnicas produtivas tradicionais e baixa agregação de valor por Superfície de Área Explorada (SAE). Os subsistemas analisados apresentaram diferenças no valor agregado e na renda agrícola entre os agricultores da categoria dos Agricultores Familiar Pecuaristas de Origem Estancieira (AFPOE) e, principalmente, entre os agricultores dessa categoria (AFPOE) com os da categoria Agricultores Familiares Pecuaristas de Origem Assalariada (AFPOA).

Na maioria dos estabelecimentos o Capital Produtivo (Kp) das unidades de produção da categoria dos AFPOE é bem mais elevado em relação ao da categoria dos AFPOA. A diferença está relacionada aos meios de produção disponíveis, principalmente a terra. Geralmente é maior o tamanho da área ocupada pelas unidades de produção da categoria AFPOE. Em ambas as categorias as condições precárias do estado de conservação das estruturas produtivas (galpões, cercas, mangueiras, troncos, banheiros, etc.) são semelhantes. As máquinas e equipamentos utilizados nas operações agrícolas são, na maioria dos casos, ferramentas manuais ou rudimentares.

6.1.1 O subsistema pecuária de corte/monoatividade (Unidades de

Pecuária: UP)

A renda agrícola das unidades de produção da categoria AFP T1 (UP1 com 179 ha; e UP2 com 77 ha) e da categoria AFPOA (UP3 com 23,6 ha) com o subsistema pecuária de corte bovina/monoatividade foram respectivamente de 0,98, 0,48 e 0,22 Salários Mínimos por Unidade Trabalho Homem (SM/UTH), apresentando assim uma variação de renda entre as unidade de produção da mesma categoria (AFPOE) de aproximadamente 100%. Já a variação entre as unidades das diferentes categorias chegou a 300% (no caso da UP3 e da UP1).

No desempenho da pecuária de corte com o sistema extensivo, o tamanho da superfície de área explorada (SAE) foi um dos fatores que diferenciou a UP1 em relação das demais unidades. Embora com a taxa de lotação bovina mais elevada, houve melhor desfrute anual bovino com a cria e recria dos animais. A eficiência

produtiva pode ser atribuída principalmente às pastagens anuais de inverno e verão, associadas à área maior de campo nativo. Também colaborou no melhor desempenho o uso mais intensivo de capital. Nesse caso, mesmo com o consumo intermediário (com insumos para os animais e para o cultivo das pastagens) mais elevado, a agregação de valor por superfície de área foi menor na primeira unidade (UP1).

Na segunda unidade (UP2) os indicadores produtivos são inferiores. Em parte o desempenho menor está relacionado à criação de ovinos para consumo, mantido junto com os bovinos nas pastagens nativas, concorrendo pela oferta de forragem e reduzindo o desempenho da produtividade bovina. Contribuíram também para esse despenho as variáveis ambientais, a primeira unidade (UP1) está localizada na zona agroecológica do Basalto (zona 2). Nessa zona o solo apresenta limites físicos, mas tem boa fertilidade natural, melhor qualidade das pastagens naturais e maior aptidão para pecuária. A segunda unidade (UP2) está localizada na zona agroecológica do Arenito (zona 1), que tem baixa fertilidade natural no solo.

Na UP2 é cultivada uma pequena área com pastagem anual de inverno (aveia), porém, com a oferta do volumoso limitada pela baixa qualidade e quantidade. O cultivo é realizado com pouca adubação na forma química para reposição da fertilidade e sem nenhuma reposição na forma biológica. Nessa unidade o campo nativo basicamente é a principal fonte da alimentação do rebanho. No inverno os animais mais magros (fracos) são alimentados no cocho com aveia cortada e com o milho cultivado no verão de maneira convencional em 2 ha. O cultivo utiliza pouca adubação química e sem o uso de corretivos como calcário.

O sistema de criação é com cria e recria dos animais sem manejo separado para as categorias animais e das áreas disponibilizadas ao pastejo. No verão são cultivados 6 ha de milheto (capim italiano) sem melhorar as condições da fertilidade do solo como nos demais cultivos, principalmente pela falta de conhecimentos técnicos e de capital para investimento, resultando em uma pastagem rala em quantidade de forragem. Com essas estratégias produtivas essa unidade tem dificuldades técnicas para desenvolver a produção agrícola no agroecossistema da zona do Arenito.

Entre os principais limites para melhorar a produção foram apontados a pouca disponibilidade de capital de giro e investimento e a falta de informações técnicas para promover tecnologias adaptadas. Nessa situação, mesmo com um

expressivo capital produtivo referente à propriedade da área ocupada para produção, o agricultor não consegue alterar o desempenho animal e nem melhorar a agregação de valo por superfície de área explorada (SAE).

Embora com pouco capital produtivo, a terceira unidade (UP3), localizada na zona do Basalto, tem índice de lotação animal e desfrute anual mais elevado que as outras. Isso se deve principalmente pela área bem menor e a estratégia produtiva realizada pelo agricultor. Nessa unidade o agricultor somente exerce a barganha na compra e venda anual de animais. Não há um ciclo reprodutivo do rebanho, nem produção de pastagens anuais. Apenas uma pequena área é cultivada com milho que serve para produzir grãos com a finalidade de alimentar os animais mais magros no inverno ou em momentos de escassez da pastagem nativa (estiagens), e assim, evitar a morte pela debilidade nutricional.

Nessa unidade o pagamento de arrendamento para terceiros de uma parte da área explorada reduz a renda monetária. A área arrendada varia durante o ano conforme as condições econômicas da produção (o agricultor aumenta a área explorada arrendando áreas dos vizinhos e paga por cabeça animal). Dessa maneira a renda melhor varia com a oportunidade nos negócios realizados durante o ano.

A principal estratégia econômica da UP3 consiste em comprar um pequeno lote dos vizinhos que necessitam vender por preços mais baixos e tentar realizar um negócio mais lucrativo com terceiros, especulando principalmente os preços obtidos. O desfrute anual é em média de 3 a 4 UA/ano e os animais são abatidos e comercializados geralmente sem fiscalização sanitária ou arrematados por criadores maiores. Nessa unidade, além do agricultor receber o salário da aposentadoria rural, a renda agrícola é complementada com a venda de trabalho para os vizinhos em atividades agrícolas.

A UP1 alcança uma renda próxima a Um (1,0) salário mínimo por PO (UTH) na produção agrícola. Com esse formato produtivo para obter um SM/mês/UTH necessita de 98,5 ha por UTH, equivalente a 197 ha de área mínima para realizar a reprodução econômica da unidade de produção. A UP2 gera uma renda inferior a um salário por UTH. A área mínima necessária para viabilizar a reprodução dessa unidade é de 166,8 ha, correspondendo a 55,6 ha por UTH. A UP3 além de obter a renda insuficiente, necessita de outras rendas externas para manter a família, como as aposentadorias, vender trabalho assalariado ou prestar serviços para terceiros. Para viabilizar a economicamente a UP3, a dimensão da área física é de 35, 8 ha

por UTH, ou seja, necessita estabelecer a área mínima 71,7 ha de SAE com as mesmas atividades agrícolas para realizar a reprodução dessa unidade de produção agropecuária.

6.1.2 - O subsistema da pecuária de corte bovino/ovino (Unidades