3.5 ORGANIZAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
3.5.1 O software Qualitative Solutions Research NVivo (QSR)
Quando há um número grande de dados para minerar e junto a isso há também a necessidade de cruzar dados dos atributos pesquisados, o uso de softwares para tratamento de dados qualitativos é indicado. O NVivo surgiu em 1981 e é um desses softwares de apoio à análise de dados em pesquisas qualitativas. O uso de ferramentas como o NVivo facilita o trabalho do pesquisador, principalmente quando há pesquisas feitas com um número grande de participantes e quando as entrevistas são longas.
A primeira versão do software foi desenvolvida por dois pesquisadores, Lyn e Tom Richards, que precisavam de um programa para ajudar na pesquisa qualitativa que estavam realizando. Vale ressaltar que os pesquisadores eram oriundos das áreas da Antropologia e Filosofia. Esta primeira versão foi a NUD*IST
(Non-Numerical Unstructured Data Indexing Searching and Theorizing que logo
começou a ser utilizada por outros pesquisadores. Em 1994, devido ao sucesso da utilização do software, que já estava na versão 4, foi criada a QSR International, empresa que passou então a comercializar a ferramenta. Em 1997 o software passou a chamar-se N4 e logo após a empresa lançou o NVivo como um novo produto. Em 2006 o N4 e o NVivo foram unificados e foi lançada então a versão 7 do
NVivo, com uma interface padrão Windows e outros benefícios. (LAGE, 2011). A
evolução do software acontece periodicamente e em março de 2018 a QSR lançou a versão 12 do NVivo, versão utilizada como apoio nessa pesquisa.15
A utilização dessas ferramentas tem sido motivo de debates frequentes entre os pesquisadores, pois possuem benefícios, mas também existem riscos no uso desses softwares de apoio. Os maiores benefícios são a facilidade para codificação dos dados, os mecanismos de busca, o controle das fontes de informação e a facilidade para a categorização durante o processo de codificação. A possibilidade de confundir a ferramenta com a metodologia, adequando a metodologia à ferramenta e não o contrário, além da possibilidade de não fazer o correto gerenciamento do processo de codificação, são alguns dos pontos que levam os pesquisados a discutirem sobre o uso dos softwares de apoio em suas pesquisas. Entre os softwares utilizados nas grandes universidades brasileiras, como: Unicamp, USP e UFRGS, o NVivo é o mais utilizado. (LAGE, 2011).
3.5.1.2 A utilização do Software NVivo na pesquisa
Como o software NVivo é um produto comercializado pela empresa QSR optei por instalar a versão gratuita para teste16 para aprender a utilizar o mesmo, a qual dá direito de uso durante 14 dias em cada computador. Expirado esse prazo é necessária a instalação em um outro equipamento. Iniciei meu trabalho com o NVivo de forma autodidata, mas precisei buscar ajuda para sua utilização, a qual deu-se através da realização de um curso específico sobre a utilização do software.
15 A história da evolução do software está disponível no endereço http://www.qsrinternational.com/about-
us/our-history.
16 A versão gratuita pode ser baixada através da página da empresa QSR International no endereço
O primeiro passo dentro da plataforma do NVivo foi realizar a transferência dos arquivos das transcrições para o software. Neste momento já foi informado para o sistema que iria trabalhar com casos para análise, onde cada caso seria um dos grupos focais pesquisados.
Após realizar diversas leituras flutuantes das transcrições feitas, foram criadas as categorias e subcategorias da pesquisa, denominadas no NVivo como nós. O segundo passo foi informar essas categorias para o software.
Na sequência foram realizadas as codificações das falas dos sujeitos de cada grupo focal relacionando as mesmas com as categorias (nós) definidas no
NVivo, conforme apresentado na Figura 03 - Processo de codificação das falas dos
sujeitos dos Grupos Focais com apoio do Software NVivo.
Um aspecto a ser ressaltado é que nas transferências das falas, as mesmas podem ser destinadas para mais de uma categoria, conforme o conteúdo expresso nas mesmas, esse é um dos aspectos do trabalho facilitado pelo software.
Conforme as codificações foram sendo realizadas, o software vai contabilizando os extratos codificados em cada categoria e subcategoria, conforme demonstrado na Figura 04 – Resumo das codificações por categoria no NVivo.
Figura 03 - Processo de codificação das falas dos sujeitos dos Grupos Focais com apoio do Software NVivo
Figura 04 – Resumo das codificações por categoria no NVivo
Fonte: Elaborado pela autora (2018).
O passo seguinte foi a análise das falas concentradas dentro de cada categoria para fazer as adequações das mesmas. Neste momento puderam ser avaliadas a criação de novas categorias e subcategorias, além da junção de categorias já existentes.
A partir desse momento começou-se a trabalhar com os outros recursos que o software disponibiliza. Após diversos testes e emissão dos relatórios com as diferentes possibilidades de apoio para a análise (como relatórios, árvores e nuvens de palavras, gráficos e clusters), definiu-se por trabalhar somente com os relatórios e com diagramas de correlação entre as fontes, denominados no NVivo como clusters, para apoio no processo de análise das categorias de cada caso. A Figura 05 – Exemplo de criação de relatório no NVivo apresenta um exemplo de criação de relatório no software. A definição por utilizar somente estes benefícios do software deu-se pelo fato da segurança necessária para as informações que seriam apresentadas. Talvez, contando-se com um tempo maior para testes e análises das
outras ferramentas disponibilizadas pelo software, as mesmas poderiam ter sido utilizadas.
Figura 05 – Exemplo de criação de relatório no NVivo
Fonte: Elaborado pela autora (2018).