Portugal foi o primeiro país europeu a instalar enclaves duradouros na Índia e no Sudeste Asiático, no séc. XVI, emitindo moeda para Malaca ainda sob D. Manuel I. Mas foram as Províncias Unidas que estabeleceram uma ocupação mais duradoura nas “Índias Orientais Holandesas” (hoje Indonésia), onde cunharam peças de cobre a partir de meados do séc. XVII (13, 14). No séc. XVIII, foram feitas emissões específicas para Java (15), e cada província dos Países Baixos holandeses manteve o direito de cunhar peças com as suas próprias armas, notadamente Utrecht (16). Durante o período das Guerras Napoleônicas houve emissões em Sumatra sob domínio inglês (18), e emissões gerais sob a “República Batava” (19). Provavelmente, na 1a metade do séc. XIX, foram produzidas pelos sultanatos de Bornéu curiosas peças de ferro, redondas, com inscrições em árabe, e de origem incerta (17). Com o surgimento do Reino dos Países Baixos, houve emissões com o retrato do monarca holandês (20), e, posteriormente à metade do séc. XIX, a cunhagem para as Índias Orientais Holandesas não sofreu maiores alterações, mantendo-se principalmente a emissão de 2 ½ cents (21) e de cents (22), além de peças de prata de frações de gulden, até a invasão japonesa, na 2a Guerra Mundial. Com a independência, a República da Indonésia, cunhou desde o início, peças de alumínio (23) e de cupro-níquel, existindo emissões, mais recentes, também em cupro-níquel (24) e bronze-alumínio (25).
Na Indochina, o reino do Camboja, que fizera emissões independentes sob Norodom I (1, 2), tornou-se protetorado francês em 1863. Entre 1857 e 1884, os franceses conquistaram a Cochinchina, o Reino de Anam e o Tonquin que, juntamente com o Camboja e o Laos de hoje, passaram a formar a Indochina Francesa. Criou-se, então, um sistema monetário baseado na piastra de prata (3) dividida em 100 centimes (4, 5), que duraria até a década de 1940. Ao longo da 2a Guerra Mundial foram cunhadas, em Hanói, peças de 1 Tael de prata sem data (6), até recentemente atribuídas à província
chinesa de Yun-nan ou ao Laos. Depois do fim da 2a Guerra Mundial, ainda foram feitas emissões coloniais entre 1945 e 1947 (7), mas seguiu-se uma guerra de independência que resultou na formação do Reino do Laos (8) – (hoje República Democrática), do Reino do Camboja (9), do Vietnam do Norte (10) e do Vietnam do Sul (11, 12), os dois últimos hoje parte de uma República do Vietnam unificada.
Na atual Malaísia, ao longo do séc. XVIII, houve algumas emissões regionais autônomas dos sultões de Kedah e de Trenganu, estas em estanho (26). A partir do final do século, a Grã-Bretanha estabeleceu enclaves na região, com moedas próprias, como Penang (27), Malaca (28) e Perak (29). Seguiram-se emissões de circulação geral nos “Estabelecimentos dos Estreitos” (Straits Settlements, hoje Malaísia e Cingapura), já como colônia inglesa (30, 35), incluindo um dólar de prata (33). Houve também cunhagens específicas para o Bornéu do Norte Britânico (31) e cunhagens autônomas de Sarawak, também na ilha de Bornéu, pela família dos Brooke (32), rajahs britânicos que governaram a região entre 1841 e 1946. Foram também cunhados para as colônias britânicas do oriente em geral, mas principalmente para o comércio com a China, “trade dollars” (dólares de comércio) com a figura da Britânia, de pé (34).
Após a 2a Guerra Mundial, a península Malaia, Bornéu e Cingapura tiveram uma moeda unificada cunhada para a “Malaia Britânica” (36), sucedida por cunhagens em nome da “Malaia e Bornéu Britânicos”(37). Com a independência da região, constituíram-se as repúblicas da Malaísia, que adotou como unidade monetária o ringitt, dividido em 100 sen (38) e a república de Cingapura, cujo sistema monetário é o do dólar (39), dividido em 100 sen. Na ilha de Bornéu, o sultanato de Brunei tornou-se plenamente independente, com emissões próprias dos sultões (40).
As Filipinas foram, desde o séc. XVI, uma possessão espanhola. No séc. XIX, moedas de outros países foram contramarcadas para circulação na região (41), mas houve emissões específicas para as ilhas em ouro (42) e prata (43), com o retrato do monarca espanhol. Após a guerra Hispano-Americana e uma revolta local mal-sucedida, as Filipinas tornaram-se uma possessão dos Estados Unidos, que emitiram pesos de prata (44, 45) e subdivisões (46) para a região. Depois da 2a Guerra Mundial, foi proclamada a República das Filipinas, em 1946, que cunhou inicialmente um peso, mas que a partir de 1967, efetuou uma reforma monetária, adotando como unidade o piso (47, 48), dividido em 100 sentimos, cunhado em cupro-níquel-zinco com inscrições na língua filipina predominante.
Na Oceania, a França reivindicou, a partir de 1768, as Ilhas da Sociedade (com Taiti) e, em 1903, agrupou as Ilhas Marquesas, o arquipélago de Tuamotu, as Ilhas Gambier e as Ilhas Austrais para formar a Oceania Francesa. No entanto, só houve emissões próprias para a região, em alumínio, no período 1949-1952 (52), e esta, mais recentemente, passou a denominar-se Polinésia Francesa, fazendo parte da Comunidade Francesa, mas com suas próprias moedas (53). A França manteve uma administração separada para Nova Caledônia, com uma cunhagem própria (49), inclusive depois da votação da população pela permanência na Comunidade Francesa (50). Já as Novas Hébridas, para as quais houve uma cunhagem específica, inclusive de prata (51), entre 1966 e 1982, tornaram-se a república independente de Vanuatu.
Outros grupos de ilhas da Oceania alcançaram a independência nas décadas finais do séc. XX. Nas ilhas Fiji, houve cunhagens coloniais britânicas a partir de 1934 (54), e a
região tornou-se uma república em 1987. O Reino de Tonga, protetorado britânico desde 1900, tornou-se um estado plenamente independente em 1970, com emissões com o retrato do soberano (55). Este é também o caso do Estado de Samoa Ocidental, independente desde 1962, que adotou, em 1967, um sistema monetário decimal baseado no Tala, dividido em 100 Sene, com o retrato do monarca (56). As antigas Ilhas Gilbert transformaram-se na república de Kiribati (58), e as antigas Ilhas Ellice no estado independente de Tuvalu (57), tendo ambos adotado como unidade monetária um dólar dividido em 100 cents.
A ocupação européia da Austrália iniciou-se no séc. XVIII com a fundação de uma colônia penal em Nova Gales do Sul em 1788. Ao longo do séc. XIX, foram criadas seis colônias, que vieram a formar a Comunidade Australiana em 1901. Somente em 1942 foi formalizada a autonomia interna e externa do país. Mesmo antes da formação da comunidade, foram cunhadas, em Sydney, libras de ouro com o nome da Austrália (61). Estabelecido o “Commonwealth”, iniciou-se em 1911, uma emissão baseada no sistema monetário inglês, incluindo, desde o começo, o florim de 2 shillings (62), e, em 1938, um crown, ou coroa, equivalente a 5 shillings (63). Mesmo como nação independente, a Austrália continuou a cunhar moedas com o monarca inglês como chefe de Estado (64). Em 1966, o país adotou o sistema decimal, e o dólar como unidade, e as moedas têm tido, no reverso, exemplares da fauna australiana, ou as armas nacionais (65), e, numa moeda de 2 dólares recente, a representação de um aborígene (66), em homenagem aos habitantes originais do país.
A Nova Zelândia foi anexada pela Grã-Bretanha em 1840, e até 1933, circularam na ex- colônia, que alcançara o status de “Domínio” em 1907, principalmente moedas inglesas. A cunhagem própria iniciou-se com base no sistema monetário inglês (67), incluindo emissões de crowns (coroas) de prata em 1935 e 1949 (68). O país alcançou autonomia plena em 1947, tendo o monarca inglês como Chefe de Estado (69). A partir de 1967, foi introduzido o sistema decimal, baseado no dólar dividido em 100 cents, com tipos variados registrando a fauna (70) ou tradições culturais locais.
A Papua Nova Guiné, que ocupa a parte oriental da ilha da Nova Guiné, foi colônia alemã entre 1884 e 1914, com emissões coloniais próprias. Transformada em mandato da Liga das Nações, teve novas moedas baseadas no sistema inglês entre 1939 e 1945 (59). Em 1975, tornou-se um estado independente, adotando como unidade monetária um kina, dividido em 100 toea (60).
V-11 A África Subsaariana e as Possessões Portuguesas no Mundo, Sécs. XI-XX EVENTOS HISTÓRICOS