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O SUPERVISOR EDUCACIONAL E OS PARCEIROS DE TRABALHO

O supervisor educacional deve ter seu papel definido no âmbito escolar, embora muitas vezes ele seja um profissional que assume diversas obrigações que não são suas. Portanto, uma boa relação com os outros funcionários da escola é um bom caminho para que o trabalho seja menos penoso e que os objetivos sejam alcançados trazendo grandes resultados para toda a comunidade.

Relacionar-se é dar e receber ao mesmo tempo, é abrir-se para o novo. E na profissão de educadores e educadoras existem características próprias que devem ser levadas em conta, uma vez que lidam com a formação de seres humanos e trabalham com os aspectos cognitivos e afetivos, o que exige uma diversificação de atitudes para atender às diferentes demandas escolares e sociais. A interação em qualquer ambiente que seja nasce da aceitação, desprendimento e acolhimento.

A cada momento nos deparamos com uma multiplicidade de percepções diferenciadas e condizentes com indivíduos que são verdadeiros universos únicos em termos bio-psico-sociais. Lidar com esta diversidade é essencial ao desenvolvimento das relações interpessoais, portanto quanto mais elaboradas, conscientes e respeitosas estas relações sejam, maior será a extensão das conquistas em estruturas de pensamento individual. Indivíduos que dispõem de conhecimentos específicos e não se permitem submetê-los a trocas, a equivalências e a prova mediante interações pessoais e grupais deixam de receber contribuições que, muitas vezes, não integram seu particular campo perceptual e de conhecimentos. As trocas interpessoais são incessantes e permeiam todo e qualquer procedimento de aprendizagem.

O ambiente escolar, em todo o seu conjunto, é um verdadeiro fenômeno social. Tudo que ocorre no contexto social maior ali estará representado. Lidar com as conexões que emergem e estão subjacentes nesse espaço exigem perspicácia e atitudes de observação e pesquisa continuada por parte do professor e de todos que ali trabalham e para lidar com as contradições que naturalmente surgem na

convivência em um grupo, em especial tão complexo como o escolar, é preciso ter entendimento da importância da auto-aceitação e do auto-respeito. Maturama (1999), cita que "sem aceitação e respeito por si mesmo não se pode aceitar e respeitar o outro, e sem aceitar o outro como legítimo outro na convivência, não há fenômeno social" (p. 31).

No ambiente escolar, como em qualquer outro setor profissional, a valorização do ser deve vir antes de qualquer coisa, pois antes de ser aluno, professor, servente, vigilante, diretor, o indivíduo é uma pessoa, dotada de raciocínio, de sentimentos, de desejos e expectativas de ver no outro a confirmação do bem e do carinho natural que deve existir entre os seres.

Existe hoje, graças às pesquisas científicas realizadas nas últimas décadas, a compreensão de que o emocional exerce grande influência na produção do trabalho humano e esse é o grande interesse do momento.

Miranda e Miranda (1983) citam que estudos terapêuticos realizados por Rogers e Carkhuff identificaram seis dimensões básicas de atitudes construtivas que são válidas para o processo de ajuda como um todo. Essas atitudes estão relacionadas às habilidades interpessoais de pessoas capazes de influenciar as outras:

1. Empatia: Capacidade de se colocar no lugar do outro, de modo a sentir o que se sentiria caso se estivesse no seu lugar;

2. Aceitação incondicional ou respeito: capacidade de acolher o outro integralmente, sem que lhe sejam colocadas quaisquer condição e sem julgá-lo pelo que ele é, sente, pensa, fala ou faz;

3. Congruência: Capacidade de ser real, de se mostrar ao outro de maneira autêntica e genuína, expressando através de suas palavras ou atos seus verdadeiros sentimentos;

4. Confrontação:  Capacidade de perceber e comunicar ao outro certas discrepâncias ou incoerências em seu comportamento - distância entre o que ele fala e o que ele faz, entre o que ele fala e o que ele é na realidade, entre o que ele fala e o que mostra;

5. Imediaticidade: Capacidade de trabalhar a própria relação terapeuta- cliente, abordando os sentimentos imediatos que um experimenta pelo outro durante o processo.

6. Concreticidade:  Capacidade de decodificar a experiência do outro em elementos específicos, objetivos e concretos para que ele possa compreender sua experiência, às vezes confusa.

A necessidade de ser trabalhado com e para os professores a questão da afetividade, é por entender o quanto o ser humano precisa estar bem para poder lidar com os problemas das pessoas que fazem parte do seu ambiente. Partindo desse pressuposto, um professor emocionalmente equilibrado consegue intervir de forma adequada nas relações conflituosas de sua sala de aula, ou seja, sua participação na vida de seus alunos tenderá a basear-se no respeito e na justiça. O ambiente influencia muito nos diversos fatores do desenvolvimento humano, e o grau de satisfação do indivíduo na escola determina também o quanto a aprendizagem será alcançada, e isto precisa ser levado muito a sério por todos que lidam com a educação escolar.

A relação saudável com quem está na direção da escola é muito importante para o supervisor educacional. O administrador escolar precisa muito do supervisor educacional como seu “braço direito”, seu apoio, na tomada de decisões quer administrativas ou pedagógicas, além de contar com a participação do mesmo na elaboração de importantes documentos da escola. O supervisor escolar pode ajudar e muito o administrador escolar na sua relação com a comunidade, pois o supervisor é um elo importantíssimo entre professores e direção, pais e direção, alunos e direção.

O trabalho conjunto com o Orientador Educacional é importantíssimo. É importante definir o foco do trabalho de cada um: o supervisor trabalha diretamente com o professor e o orientador com o aluno, porém ambos têm todas as suas intervenções voltadas para o processo de ensino e aprendizagem de qualidade que realmente eduque a criança, que proporcione o seu pleno desenvolvimento.

Se o aluno não aprende, o orientador intervem procurando as causas e estas podem estar na metodologia utilizada pelo professor e na dificuldade de

relacionamento com o mesmo, então o orientador pode estar atuando diretamente com este professor ou pedir ajuda ao supervisor. Também o supervisor atuando com o professor pode verificar que os métodos e a postura do professor não têm produzido a aprendizagem em muitos de seus alunos, então ela pode atuar com os alunos para fazer uma verificação, fazendo isso diretamente ou pedindo ajuda ao orientador educacional. Todas as ações de ambos especialistas deverão estar voltadas para a melhoria da qualidade da educação e o pleno atendimento ao aluno que é a razão da existência da escola.

Para o supervisor é fundamental uma boa interação com todos os funcionários da secretaria, pois é justamente com eles que ela vai atuar na verificação de documentos de professores e alunos (diários, pastas individuais, boletins, etc). O trabalho de um sempre depende da atuação do outro.

A família também é uma grande parceira do supervisor, pois é através dela que o supervisor poderá levantar os dados de que precisa com relação ao aluno ou ao trabalho do professor. Notificações, entrevistas, reuniões, atendimento individual, visitas são meios que o supervisor deverá utilizar para estar sempre em contato com família. O repasse das informações sobre todo o desenvolvimento do aluno, com relação à notas e disciplina, à sua família é de responsabilidade do supervisor quando a escola não conta com o serviço de orientação educacional.

Os alunos são verdadeiros companheiros do supervisor, pois este é o espelho que reflete todas as providências que o supervisor deve tomar, todas as ações que o supervisor deve executar. O aluno é como um termômetro que mede como vai indo o trabalho do professor, então do aluno que devem recair a maioria das observações do supervisor educacional.

Não é fácil nenhuma convivência humana, para a reflexão sobre a importância da mesma vale a pena ler a lenda a seguir:

UMA LENDA CHINESA

Autor desconhecido

Era uma vez uma jovem chamada Lin, que se casou e foi viver com o marido na casa da sogra. Depois de algum tempo, começou a ver que não se adaptava à sogra. Os temperamentos eram muito diferentes e Lin se irritava com os hábitos e costumes da sogra, que criticava cada vez mais com insistência.

Com o passar dos meses, as coisas foram piorando, a ponto de a vida se tornar insuportável. No entanto, segundo as tradições antigas da China, a nora tem que estar sempre a serviço da sogra e obedecer-lhe em tudo.

Mas Lin, não suportando por mais tempo a ideia de viver com a sogra, tomou a decisão de ir consultar um Mestre, velho amigo do seu pai. Depois de ouvir a  jovem, o Mestre Huang pegou num ramalhete de ervas medicinais e disse-lhe: - Para te livrares da tua sogra, não as deves usar de uma só vez, pois isso poderia causar suspeitas. Vais misturá-las com a comida, pouco a pouco, dia após dia, e assim ela vai-se envenenando lentamente.

Mas, para teres a certeza de que, quando ela morrer, ninguém suspeitará de ti, deverás ter muito cuidado em tratá-la sempre com muita amizade. Não discutas e ajuda-a a resolver os seus problemas.

Lin respondeu:

- Obrigado, Mestre Huang, farei tudo o que me recomenda.

Lin ficou muito contente e voltou entusiasmada com o projeto de assassinar a sogra.

Durante várias semanas Lin serviu, dia sim, dia não, uma refeição preparada especialmente para a sogra.E tinha sempre presente a recomendação de Mestre Huang para evitar suspeitas: controlava o temperamento, obedecia à sogra em tudo e tratava-a como se fosse a sua própria mãe.

Passados seis meses, toda a família estava mudada. Lin controlava bem o seu temperamento e quase nunca se aborrecia. Durantes estes meses, não teve

uma única discussão com a sogra, que também se mostrava muito mais amável e mais fácil de tratar com ela. As atitudes da sogra também mudaram e ambas passaram a tratar-se como mãe e filha.

Certo dia, Lin foi procurar o Mestre Huang, para lhe pedir ajuda e disse-lhe: - Mestre, por favor, ajude-me a evitar que o veneno venha a matar a minha sogra. É que ela transformou-se numa mulher agradável e gosto dela como se fosse a minha mãe. Não quero que ela morra por causa do veneno que lhe dou.

Mestre Huang sorriu e abanou a cabeça:

- Lin, não te preocupes. A tua sogra não mudou. Quem mudou foste tu. As ervas que te dei são vitaminas para melhorar a saúde. O veneno estava nas tuas atitudes, mas foi sendo substituído pelo amor e carinho que lhe começaste a dedicar.

Na China, há um provérbio que diz: “A pessoa que ama os outros também será amada”.

E os árabes têm outro provérbio: “O nosso inimigo não é aquele que nos odeia, mas aquele que nós odiamos”.

As pessoas que mais nos dão dor de cabeça hoje poderão vir a ser as que mais nos darão alegrias no futuro.

Invista nelas... cative-as, ouça-as, cruze seu mundo com o mundo delas. Plante sementes. Não espere o resultado imediato... colha com paciência.

Esse é o único investimento que jamais se perde. Se as pessoas não ganharem, você, pelo menos, ganhará: Paz interior, experiência e consciência de que fez o melhor.

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