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Sessão V: A seleção das narrativas

4. O FENÔMENO DO EMPREENDEDORISMO

4.1 O surgimento do empreendedorismo no Brasil

De acordo com Dornelas (2001), foi em 1990 que o movimento do empreendedorismo se efetivou no Brasil, a partir da criação do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Softex (Sociedade Brasileira para Exportação de Software). Destaca os programas GENESIS (Geração de Novas Empresas de Software, Informação e Serviço) criado pela Softex, cujo objetivo era apoiar atividades em software, incentivando o ensino da disciplina nas universidades e a geração de novas empresas; o EMPRETEC - programa de capacitação adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 34 países e desenvolvido no Brasil em parceria com o Sebrae, e, os programas Brasil Empreendedor e Jovem Empreendedor, ambos criados pelo Governo Federal.

Desde então, os programas desenvolvidos por estas instituições, têm sido voltados ao estímulo e desenvolvimento de pequenas empresas, através da valorização das características individuais do empreendedor. No Brasil, tem se desenvolvido uma variedade de programas de estímulo ao empreendedorismo, visando, principalmente, a capacitação, cuja metodologia se fundamenta no estudo do comportamento, realizado por McClelland, na década de 1950, nos quais o objetivo não é só desenvolver habilidades empresariais específicas, mas também, criar um comportamento empreendedor, focado na realização, planejamento e poder.

No programa EMPRETEC41, por exemplo, introduzido no Brasil em 1990, os participantes podem conhecer e se identificar com as características do comportamento empreendedor, tais como: “capacidade de se antecipar aos fatos e criar novas oportunidades

41 A metodologia de EMPRETEC, desenvolvida na década de 80 pela Organização das Nações Unidas, começou

a ser absorvida no Brasil a partir da assinatura do Projeto BRA/89/014 (Empresas Tecnológicas – Empretec), fruto da parceria entre o SEBRAE, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Governo Brasileiro, por meio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE). Destinada primordialmente a estimular o desenvolvimento de empresários, mediante o reforço de características comportamentais.

de negócios. Persistência e disposição para correr riscos calculados. Busca constante, do mais alto padrão de qualidade, comprometimento com o produto final, procura de informações sobre o cenário e estabelecimento de objetivos de metas”.42

De acordo com o SEBRAE, entre os programas de maior destaque estão: Brasil Empreendedor, lançado em 1999 pelo Governo Federal e desenvolvido em parceria com o SEBRAE, dirigido à capacitação e liberação de recursos financeiros aos empreendedores. Seu objetivo principal é fortalecer o desenvolvimento das micros, pequenas e médias empresas e incentivar a abertura de novos empreendimentos; Programa Jovem Empreendedor, lançado em 2004, pelo Ministério do Trabalho Emprego e Renda (MTER), destinado a estudantes do ensino fundamental e médio, de baixa renda per capta, com objetivo de capacitar os jovens e facilitar o financiamento para a abertura de pequenos negócios.

Além dos programas criados pelo Governo Federal, outros programas ajudam a difundir o empreendedorismo no Brasil, principalmente os criados pelas universidades e por organismos não governamentais, voltados à educação de crianças e jovens que, somados à explosão do movimento de incubadoras de empresas e a recente regulamentação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas43, vêm acelerando o crescimento do movimento do empreendedorismo no Brasil, fazendo surgir a cada ano, novas e pequenas empresas.

Como resultado de tantos incentivos, em 2005, o Brasil foi considerado o 5º país onde mais se empreende, tanto por necessidade como por oportunidade. Dados recolhidos da

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Estes dados foram compilados de um conjunto de informações oferecidas pelo Sebrae e encontram-se disponíveis no site: www.sebrae.com.br.

43 A Lei 123/2004 intitulada Lei Geral da Micro e Pequena Empresa no Brasil, mais conhecida como Super

Simples unifica nove impostos e contribuições federais, estaduais e municipais para as micro e pequenas empresas em todo o País. Isso deverá estimular a abertura de novos empreendimentos de pequeno porte no país. Maiores detalhes podem ser encontrados em www.camara.gov.br.

pesquisa GEM (Global Entrepreuneurship Monitor)44, apontam uma taxa de 10,1%, em relação aos empreendedores estabelecidos45 e, 11,3%, de empreendedores iniciais.

Entretanto, a mesma pesquisa demonstra que a quantidade de empreendedores por necessidade (5,3%), é bastante alta, se comparada a maioria dos países participantes, ficando o Brasil (renda per capta de 4.124 dólares), com a 4ª posição, seguido da Jamaica (renda per capta de 3,388 dólares) em 3º , China (renda per capta de 1,411 dólares), em 2º, e Venezuela, (renda per capta de 4,627 dólares), em 1º lugar no ranking.

No ano de 2006, os dados da pesquisa GEM, revelam que entre 2005 e 2006, o número de empreendedores iniciais se manteve estável, variando em 0,3%. Este fato se deve ao alto custo dos impostos e burocratização no processo de abertura de empresa. A taxa de descontinuidade ou abandono de um negócio ficou em 4,6%, revelando que os indivíduos que empreendem, o fazem em vários momentos de sua trajetória e o fato de não ter sido bem sucedido, não os impede de tentar abrir outro negócio. Em relação aos motivos que levam ao abandono do negócio, a maioria dos empreendedores revela a obtenção de um emprego, como causa principal do encerramento. Verifica-se com isso, que o empreendedorismo tem se caracterizado como uma alternativa real ao desemprego.

Segundo a mesma pesquisa, embora o Brasil esteja entre os países onde mais se empreende, os negócios são pouco inovadores, não exigem muita qualificação. Em geral

44 Disponível em www.sebrae.com.br. A pesquisa GEM (Global Entrepreuneurship Monitor) foi iniciada em

1999 e mede o empreendedorismo em 37 países, classificando os empreendedores em: Empreendedores iniciais - são aqueles cujos empreendimentos têm até 42 meses de vida e Empreendedores estabelecidos - , aqueles à frente de empreendimentos com mais de 42 meses; Empreendedores por oportunidade: são motivados pela percepção de um nicho de mercado em potencial; Empreendedores por necessidade: são motivados pela falta de alternativa satisfatória de ocupação e renda. Os países participantes do GEM em 2005 foram: : África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, China, Cingapura, Croácia, Dinamarca, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Jamaica, Japão, Jordânia, Letônia, México, Nova Zelândia, Noruega, Porto Rico, Reino Unido, Suécia, Suíça, Tailândia, Venezuela.

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Conforme a pesquisa GEM-2005 os 4 primeiros países que possui maior número de empreendedores estabelecidos são: 1º Tailândia, 2º China, 3º Nova Zelândia, 4º Grécia.

giram em torno da prestação de serviço direto ao consumidor ou atuam em ramos de muita competitividade.

O Governo Lula vem dando segmento as políticas de incentivo ao empreendedorismo. Além de manter alguns programas do Governo anterior, vem criando outros, cada vez mais abrangentes, que fazem parte de um pacote de políticas de geração de emprego e renda, destinados a classe popular. Em geral, são linhas de créditos para a abertura de microempresas. Estes programas contribuem para difusão e legitimação do discurso neoliberal, sugerindo que o trabalhador resolva seu desemprego por meio do empreendedorismo.

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