Parte III. A pesquisa
3. Etapas da pesquisa
3.3 O terceiro encontro, o cenário em movimento
Retornei ao campo em 2011 decidida a dar visibilidade à pesquisa assim,retomei o contato com o professor dr. Ricardo Franklin que me proporcionou o contato com o professor Mestre Amilton Camargo, ambos da Universidade Federal do Maranhão,do Departamento de Psicologia, reconhecendo a relevância social da pesquisa, dispuseram-se a colaborar com a pesquisa abrindo as portas da universidade para que eu pudesse apresentar meu projeto de pesquisa, bem como os dados coletados até o momento.
Finalizada a apresentação formou-se um grupo de estudantes interessados em acompanhar-me ao campo para finalizar a coleta de dados. O grupo de estudantes não se uniforme do início ao fim da coleta, fato que possibilitou que um maior número de estudantes do curso de Psicologia e também de História e uma única aluna da Comunicação pudessem conhecer essa realidade e, da mesma foram, animou os pescadores do Boqueirãona medida em que constatavam que mais pessoas estavam interessadas em ouvir seus depoimentos, bem como conhecer sua realidade.
Em campo encontrei o grupo em reunião com a empresa Transpetrocujo objetivo estava em identificar o grupo de pescadores beneficiários do Boqueirão, uma vez que na área há presença de gasodutos, deste modo, a empresa se dizia preocupada com a segurança do grupo. E então, os funcionários da empresa anunciavam a possibilidade de um trabalho a ser realizado num futuro próximo em parceria com a comunidade local.
Pude observar a presença de cerca de sessenta pescadores alguns dos quais, eu havia feito contato em 2008 e outros que ainda não havia conhecido. Quando os funcionários da empresa deram a palavra aos pescadores, esses se restringiam a verbalizar o efeito devastador que atribuíam as ações da Companhia Vale desde sua chegada ao Boqueirão e, do mesmo modo da ausência do diálogo com a empresa.
“A Vale está nos tirando daqui, disseram que iam facilitar nosso processo, mas esta tomando nossa terra, é como empurrar um preguiçoso deitado no sofá, você empurra devagarzinho, pois uma hora ele vai cair”. Paulo.
O pescador anuncia a expropriação do grupo numa linguagem em que todos os presentes compreendem e concordam. Entretanto, ao direcionar sua fala a empresa Transpetrotece reclamações a respeito das ações da Vale. Pareceu-me, num primeiro momento, que ele não distinguia as empresas, mas na verdade o tratamento dispensado por essas é semelhante, assim, o pescador não considera a identidade da empresa, mas suas ações.
Paulo se posicionou em diversos momentos solicitando a manifestação dos restantes. “O povo aqui engole saliva crua, mas não fala, o povo aqui ainda não aprendeu a reclamar, mas eu não vou mais deixar a Vale fazer o que quiser com eles, são todos velhinhos, vou ajudá-los”. Paulo, pescador.
O pescador demonstrava-se ao mesmo tempo incomodado e irritado com a ausência de falas da comunidade que “engoliam seco” mas, não apresentavam suas reivindicações.
No desenrolar da reunião nem todos os pescadores mantiveram-se próximos para ouvir o funcionário, foram realizar outras atividades e até mesmo conversar entre eles embaixo de algumas árvores, aparentemente despreocupados em ouvir a empresa.
Figura 21 Reunião com a Transpetro na Praia do Boqueirão.
No momento, entretanto, em que o funcionário decidiu anotar o nome dos presentes todos os pescadores aproximaram-se para dar seu nome. O funcionário disse que o objetivo do encontro era de desenvolver um trabalho, em parceria com o grupo a fim de garantir sua segurança uma vez que havia presença de gasodutos na área. Entretanto, os presentes não pareciam dar ouvidos a fala do funcionário o interesse estava apenas em garantir alguma quantia de dinheiro. Alguns, inclusive, chegaram a verbalizar a solicitação de indenização financeira e o funcionário alertou que se houvesse a necessidade da empresa recorrer a indenizações ela só faria aqueles tivessem escritura da propriedade17
, os pescadores argumentaram que nenhum deles possuía escritura.
Apenas nesse dia eu pude apreender a partir, dessa vivencia,o movimento que havia vivido em minha chegada em 2008onde alguns solicitavam a bolsa financeira, outros se calavam etc. Embora os pescadores já tivessem me relatado sobre a prática histórica das empresas, quando na necessidade de utilizar o espaço pelo grupo habitado recorrem a ofertas financeiras de valores irrisórios diante da perda sofrida pela comunidade.Para tanto, eram organizadas reuniões coletivas com os funcionários das respectivas empresas que por meio de listagem dos nomes dos “atingidos”,para posteriormente beneficiá-los. Embora essas práticas
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Revelando dessa forma que a conduta das empresas é inadequada a realidade dessas comunidades que em geral são herdeiras de terrenos habitados há diversas gerações e, em decorrência das características físicas do espaço por elas habitados não têm acesso a burocracia que organiza a sociedade vigente.
venham sendo combatidas, ainda se preservam em alguns episódios, e mantêm-se vivas no imaginário social dos grupos locais. Cientes dessa prática muitos moradores, desfavorecidos economicamente, tem nessa ocasião a oportunidade de se “beneficiarem” financeiramente, assim, qualquer quantia é válida, pois trata-se da sobrevivência de um grupo social que fundamenta sua existência no hoje e tem sido expulso de seu território ou impedido de realizar sua atividade de subsistência em decorrência de diversos e distintos fatores.
Além disso, considerando que na extensão da Baia de São Marcos, onde se localiza a Praia do Boqueirão há uma vasta diversidade de rotas que são eleitas de acordo com o saber- fazer do pescador, conforme exposto no texto, é arriscado dizer que todos os chamados “forasteiros” presentes em momentos de negociação com as empresas não sejam atingidos de alguma forma pela obra.
Conversei com o pescador Paulo que havia me questionado severamente em meu primeiro contato em 2008 a respeito de meu interesse nas atividades desenvolvidas no Boqueirão. Nesse novo encontro, em 2011, pude observar que o pescador repetia o mesmo comportamento agressivo, mas, agora direcionado aos funcionários da empresa Transpetro. O pescador disse que havida tido noticias sobre a minha presença no ano anterior e que havia ficado ao mesmo tempo animado com minha presença e desconfiado com a persistência de meu interesse na realidade deles. Apesar de sua desconfiança contou-me sobre as dificuldades que o grupo estava passando, em especial, a saída do território em virtude da já presente redução de peixes. Comentou sobre a armadilha do sr. Thiago que até então não havia obtido resposta sobre sua indenização, queixou-se sobre a ausência de diálogo e, por fim, de seu desejo de organizar o grupo.
“Eu já ouvi boatos de um novo píer, o píer V então eu quero organizar o grupo por que quando a Vale chegar ela não vai mais fazer o que quer mas, é difícil por que o povo daqui não pode ver dinheiro pensa que R$1.000,00 é muita coisa, eles não entendem que a Vale está tirando tudo que é nosso e que R$1.000, 00 acaba antes de fechar o olho”. Paulo, pescador.
Enquanto conversava comigo Paulo acompanhou-me pela praia e indicou-me os novos ranchos contando que desde a construção muitas pessoas na esperança de conseguirem algum tipo de indenização financeira haviam se mudado para aPraia do Boqueirão, fato que havia alterado as relações de convivência no grupo do Boqueirão.
O pescador disse-me que, em virtude, da divisão dos grupos os pescadores começavam a discutir entre eles e aqueles que recebiam mais dinheiro não queriam se unir com aqueles que recebiam menos.
“Já estamos na décima quarta parcela só faltam dezessete e não vai ficar assim não, agora eles estão querendo jogar a gente pra fazer uma cooperativa com o nosso dinheiro, querem que a gente financie um barco pra pescar em alto mar, isso daí é pra nós nos endividarmos... não vou deixar ninguém entrar nessa não, aqui ninguém tem mais idade para aprende a pescar em alto mar, a Vale quer tirar o que é nosso de direito, não vou deixar não”Paulo.
A fala de Paulo foi aprovada pelo pescador Juca que se aproximou de nós. Indaguei sobre as possibilidades que poderiam ser implantadas diante do impacto que estavam vivenciando e prontamente me responderam: indenização financeira mas, indenização de
verdade e não isso aí. Uma vez a concreta transição para o modelo vigente, os pescadores
cientes de sua não absorção pelo modelo exigem por meio do dinheiro uma proteção concreta expressa pela cifra que lhes garanta sobrevivência.
Perguntei como estavam usando o dinheiro da bolsa ofertada pela empresa e o sr. Paulo disse-me que não gostaria que fosse publicado o emprego que faziam desse recurso. Assegurando-me que esse poderia ser um argumento para empresa não prover mais recursos financeiros ao grupo, uma vez que alguns dos pescadores em contato com o banco para receber a bolsa ofertada pela empresa haviam feito empréstimos e agora estavam endividados, com prejuízos financeiros.
Desse modo, a oferta da bolsa implicando na abertura da conta corrente dos pescadores, havia incluído-os no sistema vigente de forma perversa, estavam em uma situação inferior a anterior, agora além de assumirem um futuro sem a pesca precisavam também assumir o pagamente da dívida financeira no banco. O processo da inclusão perversa estava, portanto, materializado.
Nos encontros seguintes relataram-me a insatisfação que sentiam em relação à representação política que a Colônia de Pescadores fazia deles, assim, intervi dizendo que eles poderiam se organizar por meio de uma Associação passando a existissem juridicamente. O pescador Paulo, disse que por já estar interessado em organizar o grupo tinha ido atrás de informações para fundar a Associação.
Compartilhei com o grupo sobre minha participação no I Encontro dos Atingidos pela Vale, enfatizando que eles não eram os únicos que viviam impactos da construção e que os grupos estavam se organizando para reivindicar seus direitos. Eles se mostraram animados.
Conheci novos pescadores e demais freqüentadores do Boqueirão nos demais encontros, um deles que me foi apresentado pelo pescador Paulo me dizia da importância de “injetar” nos pescadores a valorização da cultura local. Falou de algumas estratégias para reunir o grupo pensando em organizar festas para que mesmo sem perceber os pescadores ficassem reunidos para discutir a situação e apresentar propostas. Apoiei a idéia apresentada, ressaltando que a organização do grupo configurava-se como estratégia indispensável para conseguirem dialogar entre eles e quem sabe estabelecer diálogo com a empresa e reivindicar seus direitos recorrendo novamente a realização do encontro no Rio de Janeiro, como maneira de alertá-los que não estavam sozinhos.
Entretanto as novas idéias continuavam a ser combatidas e desacreditadas. Não vislumbravam a possibilidade de tecer novos caminhos. Fundamentavam-se na história vivida com a empresa, não acreditavam a possibilidade de dialogar com a mesma.
“Eles não querem saber da gente, faz mais de um ano que eu estou esperando uma resposta da Vale por causa da minha rede, na época eu não quis o dinheiro da empresa porque não é justo e a minha rede ficou no mar e draga estragou...agora eu to vendo que os meus amigos tinham falado a verdade, eu não vou receber nada” Sr. Thiago.
A fala do pescador Thiago parecia impregnada pela perda da esperança, abandono as marcas da transição para o novo modelo econômico eram evidentes.
Em dado momento no decorrer da pesquisa pude viver ao lado dos pescadores a experiência de um encontro com um dos funcionários da referida empresa. A ele foi direcionado o pedido para a construção de um espaço de diálogo com os funcionários da empresa enfatizando o descontentamento do grupo de, ao mesmo tempo enfatizando a necessidade de acompanhamento sobre a realidade da praia. O funcionário disse que os pescadores poderiam recorrer a portaria da empresa em qualquer momento para pedir uma reunião mas, o sr. Paulo e o sr. Thiago disseram que isso não era possível uma vez que era mal tratados pelos funcionários da portaria. Além disso, o pescador Paulo argumentou:
“O certo senhor é alguém de vocês marcar uma reunião com o meu tio aqui o sr. Thiago por que ele esta sendo prejudicado e isso não pode ficar assim, nos queremos resposta e, tem outra coisa meu tio aqui já
tem 70 anos e ele já sabe o que é bom pra ele, não adianta a empresa falar o que é bom para nós, a gente que vive aqui sabe o que é bom pra nós” Sr. Paulo pescador.
O funcionário que representava a área de segurança da empresa agradeceu e disse que passaria a informação obtida no encontro, entretanto, os pescadores não ofereceram credibilidade ao momento vivido.
“Esse cara aí não manda nada, não vai adiantar nada”Sr. Thiago
Nos contatos posteriores mantive a pergunta da pesquisa investigando o uso que faziam do dinheiro e como planejavam suas vidas após a interrupção da bolsa. Conheci novos pescadores e constatei que as bolsas estavam, em geral, sendo direcionadas para a compra de alimentos.
Quando encontrei com o sr. Dinho esse me contou que desde minha partida no ano anterior estava tentando economizar o dinheiro recebido pela empresa pois, imaginava que a praia seria interditada num prazo pequeno e precisava garantir seu sustento sem a bolsa e sem a pesca no Boqueirão. Deste modo, havia traçado um novo objetivo que consistia na compra de um carro para comercializar peixe, mas relatava que até o momento presente havia conseguido reunir uma quantidade ínfima de dinheiro pois, em virtude da diminuição de peixes na praia o dinheiro ofertado pela empresa estava sendo usado para a aquisição de alimentos.
“Vamos levando em banho-maria eu não vou por na justiça, a Vale tem dinheiro, têm muitos advogados, não gosto de brigar com coisa a toa, a Vale é mundial e eu sou um pescador sozinho...depois que chegou o dinheiro é cada um por si... aqui vai acabar tudo minha filha...é isso que eles querem que acabe tudo pra nós sairmos daqui, vai acabar tudo, já acabou tão mantendo isso aqui por capricho. Agora vem essa idéia de cooperativa, minha filha o ser humano precisa de chefe o que é de todo mundo não é de ninguém, o ser humano é difícil. Quero comprar um carro mas rapaz isso aí é dinheiro, você leva o carro cheio e sai cheio... não vai ter mais aquela quantia que a gente pegava, no tempo da fartura, por que a população aumentou todo mundo pega um pouquinho, o navio passa por cima e o peixe por baixo... então aqui vai ter peixe mas, não tem mais pra todo mundo vai sobrar um ou outro então a gente tem que se virar”...sr. Dinho,
Embora tenha nascido no Boqueirão e ainda hoje desenvolva sua atividade em parceria com os demais pescadores da praia, não se reconhece como um dos componentes do grupo, se vê sozinho na empreitada de reivindicar seus direitos junto a empresa. Desenvolvam uma vida
coletiva mas, as decisões são realizadas de forma individual mais, uma vez a ideologia –o abstrato - se sobrepõe a atividade concreta que é a pesca que sustenta um modo de vida coletiva. Analisa as medidas implantadas pela empresa como “faxada”, uma vez que a empresa fez a distribuição de kits de pesca num período em que ocorre a diminuição do pescado:
“Se antes eu passava uma hora na Praia pegava 10kh de camarão agora passo 10 horas e não pego 1 kg.” Sr. Dinho
Na esperança de valorizar seu conhecimento e do mesmo modo, oferecer uma nova alternativa de pensar sua vida após a interrupção da pesca no Boqueirão, compartilhei com ele a formação do Projeto Estaleiro Escola, de São Luís no MA. Contei em poucas palavras que a partir do saber empírico dos mestres da carpintaria muitos jovens estavam aprendendo uma profissão assim, fiz um paralelo sobre o saber dos pescadores do Boqueirão, se ele não considerava interessante compartilhá-lo, mas sr. Dinho negou a idéia dizendo que a pesca não poderia garantir futuro amais ninguém. Além disso, falou que as transformações que haviam ocorrido no Boqueirão não eram apenas físicas a presença de mais um píer representava o fim dos laços sociais estabelecidos na praia, antes iam para realizar a atividade e acabavam por se reunir, sem a pesca acabariam os encontros, muita gente esquisita agora vem ao Boqueirão. Preocupa-se com seu futuro falando da ausência de possibilidades que a vida lhe apresenta, pois, por conta de sua idade já não se sente seguro e disposto a trabalhar em outros ramos.
Ciente da transição para um modelo que o exclui ele se esforça em garantir o mínimo para sua sobrevivência.
Paulo num encontro posterior disse-me que havia pesquisado sobre os custos de montar uma Associação chegando ao valor de R$150,00, sendo assim, estava reunindo os pescadores a fim de que todos pudessem contribuir com os custos, mas queixava-se do comportamento do grupo relatando que os pescadores comportavam-se como “bichos do
mato” que precisavam aprender a se defender.
Eu reforcei positivamente seu comportamento de lembrando-o de que as pessoas tinham um tempo diferente dos outros que nem todos os pescadores enxergavam os impactos da vale como ele, e que seu papel como líder do grupo também estava em acolher o grupo para juntos transformar a realidade. Ele concordou com as minhas palavras, mas no desenrolar do contato se mostrava intolerante com o grupo e eliminava alguns dos pescadores que havia listado para compor a Associação.
Em outros momentos ele se revelava mais tolerante, disse-me certo dia que construiria uma casa destinada as reuniões do grupo defendia a idéia que se o grupo visse um espaço concreto para suas reuniões as coisas podiam ser alteradas.
O pescador, portanto, partia da alteração física para alcançar a subjetividade do grupo, fato que encontra embasamento em nossa teoria. Pois é a partir da atividade externa que o homem desenvolve recursos para a atividade interna.
A transformação física do espaço era concreta a quantidade de resíduos sólidos era abundante a presença de diversos personagens alheios a pesca era nítida. Os pescadores relataram que havia muitos novos moradores fazendo uso de drogas lícitas e ilícitas, os pescadores não mantinham mais uma relação harmoniosa com o espaço físico. As condições concretas da Praia haviam se tornado adversas a moradia. Nesse sentido, as transformações do cenário da pesca simbolizavam a transformação cultural, a transformação da organização objetiva daquela territorialidade.
Quando encontrei com o sr. Thiago ele disse que depois que a Praia do Boqueirão havia aparecido no jornal muita gente esquisita apareceu para morar lá fazendo uso de drogas ilícitas e lícitas. Falou também sobre o aumento do tráfego de navios e, por conseguinte, a elevação do risco que os pescadores artesanais viviam na realização de suas atividades, pois no tráfego desses aumentava-se a chance dos pescadores munidos de sua canoa serem atropelados. Deste modo, o pescador continuou dizendo que mesmo que a quantidade de peixes não tivesse diminuído em decorrência da obra a dificuldade de realizar a atividade pesqueira nos moldes por ele desenvolvido, já se fazia presente. Enquanto conversávamos busquei resgatar sua esperança em transformar a situação vivida e, então ele pediu se eu poderia fazer um vídeo de um depoimento dele e colocar na internet. Questionei o motivo e, ele disse que gostaria de fazer um apelo já que sozinho sem conseguir reunir o grupo no Boqueirão não acreditava mais na possibilidade de transformar e a internet uma vez que tem circulação internacional poderia eventualmente promover alguma transformação.
Seu apelo anunciava ao mundo a transição para um modelo marcado pela proteção em decorrência do isolamento físico para um modelo de exclusão. Atendi seu pedido, abaixo transcrevo sua fala.
Eu nasci aqui, sou pescador daqui desde a idade de 11 anos construi dez filhos com o produto dessa praia agora, não dá pro sujeito sustentar nem uma formiga se fosse caso dela precisar... a Vale acabou com tudo, a
vale tirou a gente daqui como se tirasse cachorro e agora ta fazendo tudo de novo...Eu queria fazer um apelo, parece que a Vale é metade do governo, então se fosse o caso do presidente fazer algo por nós”. sr. Thiago, pescador.
O sr. Thiago havia se transformado no processo da pesquisa, ele havia conseguido vislumbrar uma alternativa para sua existência pedindo ajuda virtual e internacional, ele clamava o apoio de pessoas que pudessem lhe orientá-lo já que sozinho não conseguia. Seguida de nossa filmagem marcamos um encontro na Colônia de pesca partilhamos com o presidente a filmagem e o pescador pode se ver pelo computador, aquele momento era