THE TEACHING, RESEARCH AND EXTENSION THROUGH THE GRANT AGREEMENT: an experience at state university
2 O TERMO DE OUTORGA
Por outorga, é possível conceituar como a concessão de lei ou ordenamento dada por alguém que detém poder e que, para legitimá-lo, limita-se até onde for conveniente; dar como favor; dar poderes a; facultar, conceder, conferir (Dicionário Houaiss, 2019).
Entretanto, em atenção ao questionamento em pauta e levando-se em consideração os modelos praticados nas agências de fomentos e financiadoras de estudos e pesquisas (a exemplo da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia - FAPESB), é razoável inferir que, nas instituições evidenciadas, o Termo de Outorga é definido como o ato de permitir, dar ou atribuir a outra pessoa a praticar ações em nome do agente financiador de acordo com a parceria celebrada.
Sendo assim, conclui-se que a relação mencionada no parágrafo anterior aborda parcerias realizadas pelos entes públicos, que financiam ações executadas por pesquisadores (pessoas físicas). Os valores são depositados diretamente nas respectivas contas correntes dos pesquisadores, denotando que, neste momento, os outorgados estão na condição de ente privado, surgindo, neste caso, a ideia da parceria público privada.
Desse modo, considerando que na parceria celebrada os atores se misturam, vale lembrar que se faz necessária a distinção bem clara das obrigações de cada parte, ou seja, da pessoa física (professor ou técnico administrativo - caracterizado partícipe privado denominado outorgado) e da pessoa jurídica (a agência de fomento, partícipe público denominado outorgante). Registra-se que, para o partícipe privado, o recurso público passa a ter vinculação a ele próprio, sendo confundido, vez por outra, com seu patrimônio pessoal e, com isso, fazer parte de litígios, inventários e ações semelhantes.
Ressalta-se ainda que as orientações que disciplinam a execução orçamentária e financeira por meio do Termo de Outorga estão sempre evidenciadas nos editais ou normas expedidas pelas Instituições e devem distinguir, de forma específica, o recurso público do pessoal para que conflitos dessa natureza sejam evitados.
Cabe distinguir também as personalidades existentes para estabelecer um paralelo na relação mencionada, isto é: pessoa física é qualquer ser humano, sujeito de direitos pelo fato de pertencer à espécie humana, ou seja, pessoa individual, pessoa natural; pessoa jurídica é instituição, organização, corporação, associação ou sociedade com existência e responsabilidade legalmente reconhecida e devidamente autorizada a funcionar; a pessoa de direito público corresponde à denominação que se atribui às pessoas jurídicas que personalizam as instituições ou entidades criadas pela ordem jurídica como elementos básicos da organização política de um povo (ex.: o Estado brasileiro, municípios, autarquias etc.); e a pessoa de direito privado, que diz respeito à denominação que se atribui às pessoas jurídicas, organizadas ou criadas pelas pessoas naturais, respaldadas por legislação, para a realização de fins de interesse privado (HOUAISS, 2019).
Distinguindo-se as personalidades, percebe-se que essa modalidade de execução financeira é muito comum nas agências de fomentos e financiadoras de estudos e pesquisas, como as citadas anteriormente. Nesse caso, a instituição proponente celebra acordo oficial de caráter investidor, financiando estudos e pesquisas apresentadas pelos professores e pesquisadores cadastrados, no intuito de promoverem ações com um financiamento direto, mais condizente com uma concessão de bolsas, chegando a ser denominada, em alguns casos, como Termo de Outorga de Bolsas (TOB), a exemplos de editais publicados pela FAPESB (2016) e CAPES (2018).
Cabe enfatizar que, no caso de financiamento de bolsa, não se aplica o disposto na legislação para a execução orçamentária e financeira imposta às referidas agências, pois o objetivo principal seria o da obtenção dos resultados da pesquisa, ou proposta apoiada. Não se trata de parceria para aquisição de equipamentos ou reagentes, por exemplo, e sim de financiamento ao próprio pesquisador para que ele disponibilize carga horária com a pesquisa.
Na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), autarquia vinculada à Secretaria de Educação do Estado (SEC), criada sob a Lei Delegada Estadual nº. 66/1983 (BAHIA, 1983), por sua personalidade jurídica autarquia em regime especial, bem como a autonomia acadêmica, administrativa, financeira e de patrimônio próprio, previstas na Constituição Federal e Constituição Estadual, implantou modalidade semelhante à utilizada pelas agências de fomentos e financiadoras de estudos e pesquisas, porém com o intuito de estabelecer parcerias com finalidades pré-estabelecidas.
Por iniciativa da gestão, foi encaminhada ao Conselho Universitário (CONSU), órgão máximo de função normativa e deliberativa da universidade, a proposta de criação de programas institucionais a serem implementados por meio da celebração de parcerias público- privada, via a
celebração de Termo de Outorga, envolvendo a própria universidade, seus docentes e técnicos administrativos e respeitando a condição de que sejam servidores integrantes de seu quadro permanente de pessoal.
Dessa maneira, surge um novo conceito para o Termo de Outorga, uma vez que, nesta instituição, ele assume características próprias e específicas, considerando a necessidade de fomentar projetos e atividades originárias das áreas de ensino de graduação, ensino de pós-graduação stricto sensu, pesquisa e extensão.
A celebração de Termo de Outorga pela instituição universitária além de respeitar e se subordinar ao regramento imposto aos procedimentos da execução da despesa pública, tendo por base a normatização legal impostas as autarquias estaduais, também se propõe a viabilizar o alcance das metas físicas, estabelecidas no Plano Plurianual (PPA) e, consequentemente, na Lei Orçamentária Anual (LOA), referente às ações de ensino, pesquisa e extensão. Conforme detalhamento apresentado a seguir neste estudo, observa-se que o citado CONSU criou programas institucionais com o objetivo de efetivar as atividades finalísticas por meio da publicação de editais, cujo financiamento tem origem no orçamento da própria universidade e em celebração de parcerias no mencionado Termo de Outorga.
Sendo assim, o Termo de Outorga na UNEB é o mecanismo que tem proporcionado a efetivação dos Programas criados pelo CONSU sob a forma de “auxílio financeiro a pesquisadores”, posto que consiste na concessão monetária a uma pessoa física (professor, ou técnico administrativo do quadro permanente da instituição) para executar um projeto, selecionado democraticamente por meio de edital, concedendo-lhe o direito de realizá-lo em nome da própria instituição e, inclusive, subordinando-se aos regramentos impostos pela legislação vigente, conforme determina a Constituição Federal de 1988 e a Estadual de 1989:
Art. 70 - A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.
Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou entidade pública que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária (BRASIL, 1988).
Art. 89 - A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do Estado e dos Municípios, incluída a das entidades da administração indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções, renúncia de receitas e isenções fiscais, será exercida pela Assembleia Legislativa, quanto ao Estado, e pelas Câmaras Municipais, quanto aos Municípios, mediante controle externo e sistema de controle interno de cada Poder.
Parágrafo único. Prestarão contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais o Estado e os Municípios respondam, ou que, em nome destes, assumam obrigações de natureza pecuniária. (BAHIA, 1989).
Há uma constante busca por formas de viabilizar ações que garantam o desenvolvimento do ensino e da pesquisa de maneira a permitir uma efetiva aplicação de recursos com eficiência e eficácia. Essa tem sido uma frequente batalha para financiar a sobrevivência do ensino superior no Estado.
Assim, compreender a dinâmica do referido Termo de Outorga é tarefa obrigatória para todos os atores envolvidos (gestores, docentes e técnicos administrativos), considerando que essa nova modalidade poderá auxiliá-los no desenvolvimento de suas ações, respeitando suas especificidades, atendendo ao regramento imposto as Instituições públicas e auxiliando a própria comunidade acadêmica a fazer acontecer à educação superior pública estadual.