2. Apresentação e análise de resultados
2.1. O território e a universalidade dos seus produtos
Os dados recolhidos vêm confirmar a ideia prévia da escolha da Symington.
O entrevistado confirma uma visão estratégica que passa por um maior investimento na qualidade, condição sempre assumida pela Symington.
A região do Douro evoluiu muito ao longo do século XX em todas as suas vertentes, especialmente nas vias de comunicação. Com a entrada na União Europeia foram construídas diversas vias de comunicação de modo a torná-la mais acessível, possibilitando, mais rapidamente, o escoamento dos vinhos para os mercados, reduzindo, assim, os custos de transporte.
Segundo o entrevistado, o Douro é um território muito especial e não se deve agora construir sem mais nem menos auto-estradas que desfigurem a paisagem; deve prevalecer uma
vertente rural-natural, caminhos tradicionais que fazem parte da imagem histórica do Douro e que não devem ser inquinados com uma pós-modernidade bastarda. Uma região como a do Douro não deve perder o seu ser natural, sob pena de perder identidade.
O entrevistado referiu, inclusive, que em termos de comunicações muitas zonas da Região do Douro ainda não possuem rede de telemóvel, o que se compreende em virtude do relevo acentuado, sendo que a densidade populacional é pouca e não se justifica por parte das empresas investimentos avultados.
Existem diversos problemas do ponto de vista ordenamento do território, com especial destaque para um urbanismo desenfreado que parece ver o solo apenas como elemento para a construção. Certas localidades, segundo o entrevistado, não possuem qualquer tipo de planeamento urbanístico, e deveriam ser corrigidos. A Régua e o Pinhão são um atropelo à beleza intrínseca de uma região como o Douro e por isso não foram consideradas como Património Paisagístico e Arquitectónico pela UNESCO.
Importa pois às autoridades competentes (Municípios e Estado português) uma série preocupação com este tipo de situações, tentando sublimar e corrigir as cicatrizes urbanísticas do passado.
No que se refere à internacionalização do Douro, a classificação da UNESCO veio estimular uma indústria muito em voga, como é o turismo, mais do que o sector do vinho. O Douro é uma região de grande impacto paisagístico, mas o vinho do Porto passa fronteiras para além-mar. Há de facto cada vez mais turistas a visitarem o Douro. Impõe-se, portanto, conjugar harmoniosamente os dois factores: o vinho e o turismo.
Recentemente, a
National Geographic
colocou em sétimo lugar o Douro como um dos destinos a visitar a nível mundial, dando ainda mais visibilidade à região. O vinho do Porto ultrapassa o que é o Douro, é o seu símbolo, as pessoas sabem o que é o vinho do Porto, a sua qualidade, em especial osVintages.
O Porto já é uma marca universal, pelo que o turismo deve ter regras, evitando-se um turismo de massas, que exige infra-estruturas hoteleiras e outras que podem desfigurar o valor paisagístico e ambiental do Douro.De acordo com o entrevistado, não há em Portugal grandes marcas de vinho de mesa (há algumas de médio porte:
Mateus Rosé
eEsteva
) com projecção internacional, mas o Porto é um verdadeiro embaixador de Portugal no mundo.Muitas casas do vinho do Porto estão a desenvolver o conceito de enoturismo, associado a vinicultura. A Symington não fica atrás e está a desenvolver planos para no curto prazo optar por esta área de negócio em grande expansão.
Em termos de competitividade, todas as regiões demarcadas na Europa (Bordéus, Borgonha) têm um sistema de classificação próprio e isso é fundamental quando se pretende afirmar a qualidade. No Douro, a Symington tem classificação máxima (A) nas suas vinhas/vinhedos. Os grandes vinhos têm de ser feitos com vinha classe A. Este facto não é muito notado pelos consumidores, passando até despercebido. A classificação e tipologia de uvas não tem implicação e impacto directo nas vendas, mas para vender bem, com qualidade, tem de se usar uvas de classe A. A classificação A é deveras importante, até porque um produtor recebe mais ajudas por esse facto.
Para o Douro, é fundamental a máxima qualidade das castas e uvas, refere o entrevistado:
“Para quem está por dentro do assunto vê-se a qualidade dum produtor também por este
parâmetro”.
Em termos geográficos, a localização para os responsáveis da Symington é inócua, na medida em que a região do Douro hoje em dia está servida de boas vias de comunicação, criadas a partir de 1986, beneficiando da sua proximidade ao Porto (1h30), com o aeroporto Sá Carneiro a dispor de imensas rotas internacionais directas, pelo que as distâncias já não constituem um obstáculo.
Por outro lado, a projecção mundial da Região do Douro e dos seus vinhos do Porto absorve essa aparente dificuldade que é o factor periferia. A localização não é, portanto, obstáculo para a competitividade territorial, porque qualquer mercado sabe o que é e onde esta o Douro.
“Direi mesmo que o Douro não poderia ser noutro sítio, senão este. Há uns anos atrás
seria difícil, antes da entrada para a União Europeia, porque o atraso era muito,”
conforme reconhece o entrevistado.A Symington, inserida no “distrito do Douro”, sabe que desfruta de um grande prestígio, alicerçado em mérito próprio, exportando para cerca de cento e vinte países. A Holanda, o Reino Unido e os Estados Unidos da América são os mercados mais importantes de exportação.
Os mercados mais recentes e em crescimento são os da Europa de Leste, Asiáticos, e o Brasil, onde existe uma proximidade histórica, linguística e cultural.
O Douro é de uma beleza rara, que ajuda a associar a qualidade do produto com uma paisagem assombrosa, porque épica. A épica do cavador, em primeiro lugar.
O consumidor é influenciado, e bem, pela imagem e geografia ímpar do Douro.
O