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2 OS RECURSOS DOCUMENTAIS

2.2 O território tombado

Os bens da igreja de Santa Margarida, que o tombo regista, estavam distribuídos por seis freguesias que ainda hoje integram o concelho de Lousada, configurando um território concomitante e sem fraccionamento, como se pode observar no Mapa 7.

A freguesia de Santa Margarida, como já vimos, tinha por orago O Salvador, designando- se por São Salvador de Lousada É assim que aparece referida nas Inquirições de 1220 e nas de 1258. Em 1532, ano da realização deste tombo, ainda mantém a mesma invocação. A substituição do orago terá ocorrido durante a segunda metade do século XVI. Santa Margarida era popular na Idade Média pelas virtudes de parteira que lhe eram atribuídas. As parturientes invocavam o seu auxílio quando se aproximava o momento do parto27. É possível que o número

de nados mortos e de mulheres vítimas do trabalho de parto nesta freguesia fosse de tal modo preocupante que conduzisse a comunidade e a autoridade religiosa a mudar a invocação da igreja.

Pelas Inquirições de 1258, a igreja era da posse de cavaleiros que exerciam o direito de apresentação do pároco, ficando esta sujeita à confirmação do arcebispo de Braga28. Carvalho da

Costa afirma que quem apresenta o pároco é o conde de Vila Nova de Cerveira29, informação

confirmada pelo padre João de Beça Ferreira em resposta ao inquérito paroquial de 175830. Na

27 RÉAU, Louis – Iconografía del arte cristiano. Iconografía de los santos. Barcelona: Ediciones del Serbal, 2001. Tomo 2, Vol. 4, pp. 329-334. 28 LOPES, Eduardo Teixeira – Lousada e as suas freguesias…. p. 236.

29 COSTA, António Carvalho da (Pe.) – Corografia Portugueza…. p. 400.

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configuração antiga do concelho de Lousada localizava-se no extremo norte, confinando com as freguesias de Silvares, de Alvarenga, de São Miguel de Lousada e de Idães.

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A freguesia de Santa Maria de Alvarenga fazia, igualmente, parte do julgado e concelho de Lousada. A igreja era dos filhos e netos de D. Elvira Viegas e o direito de apresentação pertencia ao arcebispo de Braga31. Na Corografia Portuguesa é indicada como reitoria da Mitra

da Sé de Braga e comenda da Ordem de Cristo32, informação confirmada nas Memórias

Paroquiais33. Confinava com Santa Margarida, São Miguel, Nogueira e Silvares.

Em 1258 a igreja de Santa Cristina de Nogueira era de herdadores e fazia parte do julgado de Lousada. O padre Carvalho da Costa refere que era da apresentação do mosteiro de Vila do Conde34, mas as Memórias Paroquiais dizem que era da Mitra de Braga35. Craesbeek

refere-a no termo do concelho de Unhão, hoje extinto, embora tivesse um ramo pertencente ao concelho de Lousada36. Confina com Silvares, Alvarenga, Macieira, São Miguel, Aveleda e Pias.

São Vicente de Boim tinha a apresentação dividida pelos filhos e netos de D. Guiomar Mendes de Sousa e pelo mosteiro de Santo Tirso, ficando a confirmação sujeita ao bispo do Porto37. Tanto a Corografia como as Memórias Paroquiais são unânimes a atribuir a

apresentação ao mosteiro beneditino38. Boim localizava-se já na parte meridional do antigo termo

do concelho de Lousada, partindo com as freguesias de Pias, Meinedo, Lodares, Nespereira, Cristelos e Silvares.

A freguesia de Pias, cuja igreja era da invocação de São Lourenço, vem referida nas Inquirições de 1258 como Sancti Laurencii de Ville Nove. Apresentavam o padre os filhos e netos de D. Nuno Sanches de Barbosa, sujeita à confirmação do bispo do Porto39. No século XVIII a

apresentação era do mosteiro de Santo Tirso40. Vila Nova, hoje um simples lugar, terá sido o

núcleo populacional primitivo desta freguesia, decorrendo daí a denominação referida no século XIII. No lugar da Oitava esteve instalada a casa do concelho desde o século XVI até meados da primeira metade do século XVIII. Carvalho da Costa refere que aqui está o foral do Concelho de

Louzada41. A freguesia de Pias confronta a norte com Nogueira e Silvares, a nascente com

Aveleda, a sul com Meinedo e Boim e a poente igualmente com Boim.

31 LOPES, Eduardo Teixeira – Lousada e as suas freguesias.... p. 156. 32 COSTA, António Carvalho da (Pe) – Corografia Portugueza.... p. 400.

33 CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique e BORRALHEIRO, Rogério – As freguesias.... p. 295. 34 COSTA, António Carvalho da (Pe) – Corografia Portugueza.... p. 146.

35CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique e BORRALHEIRO, Rogério – As freguesias.... p. 320. 36 CRAESBEEK, Francisco Xavier da Serra – Memórias Ressuscitadas…. p. 190.

37 LOPES, Eduardo Teixeira – Lousada e as suas freguesias.... p. 188.

38 COSTA, António Carvalho da (Pe) – Corografia Portugueza.... p. 401 e CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique e BORRALHEIRO, Rogério – As

freguesias....p. 301.

39 LOPES, Eduardo Teixeira – Lousada e as suas freguesias.... p. 325.

40 COSTA, António Carvalho da (Pe) – Corografia Portugueza.... p. 401 e CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique e BORRALHEIRO, Rogério – As

freguesias....p. 323.

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A igreja de São Miguel de Silvares pertencia a herdadores, mas devido a alguns excessos cometidos pelo mordomo do senhor da terra, o abade entregou-a a miana D. Teresa42. Segundo

Carvalho da Costa, era vigararia anexa a um canonicato de Braga, informação que as Memórias Paroquiais corroboram43. A partir de, pelo menos, 1758 esta freguesia passou a sede do

concelho, instalando-se aqui a Casa da Câmara. Esta mudança poderá ter tido origem na instituição nesta freguesia de uma feira quinzenal durante a primeira metade do século XVIII.

As propriedades que integram o Tombo de São Miguel de 1542 localizam-se todas dentro dos limites da própria freguesia. São Miguel era uma vigararia anexa do Salvador de Aveleda, cujo vigário era apresentado pelos abades da referida igreja44. Segundo as Inquirições

de 1220 havia sete casais pertencentes à igreja, enquanto em 1258 já apenas se referem seis casais e meio45. O tombo realizado em 1542 atribui à igreja de São Miguel o total de nove

prazos, contudo nem todos estes prazos se relacionam com casais. Os prazos que correspondem a casais são: Assento da Igreja, Falcão, Souto (de Lanfrezes), Souto de Cima, Portela de Cima, Portela (Campo da Vinha e Talho) e os dois casais da Vila. Ou seja, em 1542 a igreja de São Miguel mantém, globalmente, o mesmo património que já detinha no século XIII, tendo em consideração que entretanto alguns casais terão sido divididos e em determinada altura contemplados com prazos próprios, como terá ocorrido relativamente aos casais do Souto e da Portela.