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2. O ENSINO DE MATEMÁTICA E O TRABALHO COLABORATIVO

2.5. O Trabalho com Projetos no Processo de Ensino e Aprendizagem

A aprendizagem no trabalho com projetos baseia-se, conforme Hernández e Ventura (2017, p. 59-61), em sua “significatividade”, ou seja, tem como ponto de partida os conhecimentos prévios e/ou hipóteses dos alunos diante de um determinado tema que se deseja abordar, favorecendo, dessa forma, as descobertas espontâneas por parte de cada um dos envolvidos. Através desse processo, o aluno passa a relacionar os conhecimentos escolares às informações previamente selecionadas sobre o tema discutido e forma o seu próprio conhecimento a partir da realidade em que se encontra.

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Nesse sentido, os autores evidenciam dois aspectos essenciais que constituem os projetos, o primeiro a significatividade e o segundo a globalização, que orientará o aluno “a aprender, a encontrar o nexo, a estrutura, o problema que vincula a informação e que permite aprender” (Hernández e Ventura 2017, p. 62). Ambos os aspectos contribuirão para que o aluno seja consciente e responsável de seu processo de aprendizagem, além de exigirem do professor uma disposição mais aberta e flexível dos conteúdos escolares, já que a escolha do tema está em função do que o aluno já sabe sobre um determinado assunto.

Diante da tais perspectivas, destaca-se, inicialmente, a responsabilidade primária dos docentes para a evolução do trabalho com projetos em benefício da aprendizagem fundamentada na significatividade, planejar a sua própria intervenção e a organização do desenvolvimento do projeto em sala de aula. Assim, do ponto de vista de Hernández e Ventura (2017, p. 63-81), serão apontados os pontos mais relevantes para essa organização, os quais estão associados às atitudes do professor, bem como dos alunos.

O ponto de partida para se definir um projeto de trabalho é a escolha do tema, que conta com a participação conjunta do professor e seus alunos. Na escolha do tema, o professor considera as reivindicações dos alunos, seus conhecimentos e seus interesses, a partir de argumentações coerentes e critérios de relevância condizentes com a matriz curricular da escola. Nessa etapa, o aluno é conduzido a descobrir as inúmeras possibilidades que o projeto poderá nortear sobre o tema escolhido, gerando consequentemente múltiplas perspectivas de aprendizagem.

Após a escolha do tema que definiu o projeto de trabalho, o professor precisa especificar o “fio condutor” que proporcionará o projeto ir além de meras informações, relacionando os conhecimentos construídos à matriz curricular institucional e enfatizando o que se pretende ensinar. Logo em seguida, o professor seleciona as fontes de informação que facilitarão o seu estudo sobre o tema, além de auxiliá-lo na previsão dos conteúdos e atividades a serem abordadas durante o projeto. Dessa forma, ele também estará colaborando para que os alunos construam novos conhecimentos e amplie os que já possuem.

Com um melhor embasamento sobre o tema do projeto, o professor faz uma estimativa dos recursos que facilitarão transmitir aos alunos informações mais atuais e a aplicabilidade do projeto, o que proporcionará maior envolvimento dos alunos, despertando assim o seu interesse em relação ao que está sendo abordado em sala de aula.

Durante todo o processo de desenvolvimento do projeto, o professor também precisa se atentar em planejar e desenvolver uma atitude de avaliação, com o intuito de analisar

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inicialmente o que os alunos sabem sobre o assunto em questão e no decorrer das atividades observar o que eles estão aprendendo e quais as suas dúvidas, para que nesse processo possa identificar o que os alunos aprenderam ou não em relação às propostas iniciais.

Percebe-se, portanto, que a avaliação está continuamente conectada a cada etapa realizada no decorrer do projeto, servindo, portanto, como uma valiosa ferramenta para o acompanhamento e reflexão deste, além de contribuir com uma posterior recapitulação do processo executado para a programação de novos projetos ainda mais aprimorados.

Contudo, os autores ressaltam que essas avaliações/intervenções realizadas durante a realização de um projeto não são estanques e homogêneas entre os professores, elas são variáveis e estão relacionadas diretamente às suas concepções de ensino e à sua formação, além de também estarem associadas aos alunos envolvidos, suas necessidades, atitudes, interesse no tema, etc.

Nesse sentido, concomitante às ações e decisões do professor, os alunos precisam desempenhar novas atividades, que serão definidas após a escolha do tema do projeto de trabalho. Destarte, feita a escolha do tema, cada aluno elabora um índice definindo quais os pontos que integrarão o projeto, o que facilitará o planejamento de suas atividades e, consequentemente, de seu tempo, visto que ele terá uma visão geral do projeto em andamento, além de prever o que e como serão abordados os pontos selecionados.

Com o índice inicial do projeto pronto, o próximo passo é a construção do roteiro inicial da turma, etapa que viabilizará o planejamento do tema e a aproximação à informação de cada aluno e dos grupos distintos. A estruturação desse roteiro se concretiza mediante discussões sobre o tema, momento em que os alunos suscitam ponderações em comum sobre os diferentes aspectos de cada índice elaborado.

Paralelo a essa etapa, o aluno realiza a busca de informações sobre o tema escolhido em fontes variadas, criando assim condições propícias para a ampliação da proposta inicial do projeto. Ao longo da pesquisa, o professor desempenha o papel de orientador do tratamento da informação junto aos alunos, viabilizando, dessa forma, o desenvolvendo de uma aprendizagem dialogada, autônoma e responsável por meio de novos questionamentos, conectando seus conhecimentos e experiências aos conteúdos escolares e promovendo maior engajamento de cada um ao projeto.

Observa-se, portanto, que o tratamento da informação assume uma função essencial no projeto, uma vez que subsidiará o aluno na construção de sua própria aprendizagem. Para esse fim, Hernández e Ventura (2017) enfatizam alguns aspectos que precisam ser considerados,

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tais como: a) a informação possibilita diferentes interpretações da realidade, dependendo da linguagem utilizada e do enfoque dado pelo leitor; b) a informação pode ser diferente conforme está organizada e apresentada, portanto, ao ordená-la, precisa se atentar à sua finalidade; c) a aprendizagem de procedimentos como classificação, síntese, etc., permite estabelecer prioridades, definições e hierarquias relacionadas aos conteúdos da informação; d) durante o tratamento da informação surgem novas relações e perguntas para as diferentes questões provenientes desse processo.

Mediante essa fase, o aluno ou o grupo de alunos será capaz de organizar, analisar e desenvolver os tópicos apontados no índice, facilitando dessa forma, a síntese dos mesmos e, com isso, a produção de um “dossiê” sobre o tema do projeto em questão. Esse processo de compilação das informações contribui para que o aluno reescreva o que se aprendeu, visto que, para produzir essa síntese, será necessário que ele reelabore o índice inicial, ordene as fontes de informação usadas, o seu trabalho de análise e observação, para que posteriormente, possa planejar o que irá compor a síntese final.

Com a construção do seu dossiê, o aluno terá fundamento para a próxima atividade, a avaliação de todas as etapas seguidas no projeto. A avaliação é realizada em duas situações, a primeira em que o aluno examina o que foi feito e o que foi aprendido e a outra em que ele aplicará, em situações simuladas, os conteúdos estudados em circunstâncias diferentes. Ambos os procedimentos estimularão o aluno a tomar decisões, estabelecer novas relações e apresentar novos problemas, criando assim novas perspectivas para o tema abordado e expectativas para a continuidade do projeto. A avaliação permite que se recupere o sentido do processo de ensino e aprendizagem.

Diante de todos os fundamentos apresentados para a integração do trabalho com projetos no processo de ensino e aprendizagem, Hernández e Ventura (2017, p. 87) ressaltam que a ideia fundamental dos projeto “é que os alunos se iniciem na aprendizagem de procedimentos que lhes permitam organizar a informação, descobrindo as relações que podem ser estabelecidas a partir de um tema ou de um problema”.

É notório, portanto, que o trabalho com projetos é concebido como uma forma de organizar os conhecimentos escolares, mediante o tratamento da informação e que os procedimentos adotados para a concretização dos mesmos auxiliam o aluno na conscientização da efetivação de sua aprendizagem, uma vez que estabelece relações e significados entre os conteúdos estudados durante o processo de construção de seu próprio conhecimento.

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Com o intuito de facilitar a compreensão e visualização das etapas e atividades estabelecidas para o professor e o aluno durante a realização de um trabalho com projetos, segue, na Figura 4 um panorama sintetizado da sequência de todo o processo.

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Figura 4- Sequência da Síntese de Atuação do Professor e dos Alunos no Projeto

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2.6. As Contribuições do Trabalho Colaborativo para a Aprendizagem dos Conteúdos

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