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7. DE UM BILHETINHO AO BUSINESS INTELLIGENCE

7.5 O trabalho continuou as dificuldades permaneceram

Durante alguns meses, o grupo do NCE trabalhou incessantemente no aprimoramento do desenvolvimento das consultas ad hoc, bem como em algumas mudanças propostas nas funcionalidades do SGO.

As reuniões entre os grupos passaram a ser realizadas com alguma frequência. No entanto, eram sempre muito tensas, principalmente em razão dos conflitos de interesse entre os membros da PR-3 e as falhas e/ou ruídos de comunicação, que ainda continuavam presentes. As deliberações feitas nas reuniões eram todas registradas em atas, sendo muitas das vezes, ratificadas em outros momentos.

A despeito dos registros em atas, não muito incomum, havia a necessidade de se confrontar as deliberações feitas nas reuniões – como, por exemplo, inclusões e alterações de funcionalidades, ações a serem realizadas e prazos a serem cumpridos – com os registros contidos em ata. Segundo relatos do grupo do NCE, argumentações do tipo: “não foi isso que pedimos” ou “não foi isso o combinado” eram comumente apresentadas pelo grupo da PR-3. Em função das recorrentes argumentações deste tipo, as atas das reuniões, por decisão do Assessor1, passaram a serem disponibilizadas também na ferramenta FEMAC.

Buscando outras possibilidades para contornar as “falhas de comunicação”, principalmente aquelas expressas em situações onde eram utilizados argumentos como “não foi isso que pedimos”, o grupo do NCE, mais uma vez direcionou esforços para construir uma nova ferramenta tecnológica, denominada de Manual. O objetivo da ferramenta Manual era possibilitar que os usuários, à medida que fossem testando o sistema, incluíssem no Manual, via web, suas observações, dúvidas, críticas, inconsistências, sugestões, ou quaisquer outros comentários.

Tal como ocorreu com a ferramenta FEMAC, o Manual também se apresentava com o uma ferramenta ineficaz para contornar ou solucionar os problemas, aparentemente, de comunicação. No entanto, esta constatação não paralisou o grupo do NCE, que continuou o seu trabalho de implementação das consultas ad hoc. À medida que avançavam nesta direção, novas dificuldades foram surgindo, como também, “velhas” dificuldades ressurgiram.

À medida que os resultados das consultas foram sendo apresentados ao pessoal da PR- 3, este passou a solicitar mais e mais consultas, sendo estas cada vez mais sofisticadas e que envolviam um número cada vez maior de parâmetros. Por conseguinte, a implementação das mesmas tornara-se mais complexa. Por outro lado, em decorrência das complexidades destas consultas, suas implementações e execuções passavam a exigir, respectivamente, um maior esforço humano e um maior esforço de máquina.

Quanto ao esforço humano, segundo o Analista 2 , “este, aumentava em virtude da dificuldade para se representar as complexas consultas na forma de queries em SQL”49 (ANALISTA 2, 2013) Um esforço que, a cada dia, passava a ser dividido por um número menor de pessoas. Alguns estagiários que trabalhavam na criação e atualização das queries em SQL ficaram sem pagamento ou com pagamento atrasado de suas bolsas por vários meses. Aos poucos, foram se desligando do projeto de desenvolvimento do sistema SGO e das implementações das consultas ad hoc.

Por outro lado, o “esforço” de processamento demandado das máquinas também aumentou e a performance da execução das consultas caiu significativamente. Ou seja, o tempo de processamento das queries SQL tornara-se extremamente alto, ou de outra forma, a execução das mesmas tornara-se extremamente lenta. No sentido de problematizar, interessar e mobilizar aliados em torno de investimentos em recursos tecnológicos, não somente de software e hardware, como também de suporte de rede, equipamentos, suporte de software etc., o Analista 1 associou a falta de investimentos ao risco de inviabilização do desenvolvimento da ferramenta de consulta, ao comprometimento da confiabilidade dos resultados e ao desperdício de tempo e dinheiro até então investidos no projeto, entre outros.

Assim, durante praticamente todo o ano de 2007, o grupo do NCE, conviveu com as indefinições e incertezas com relação a inúmeros problemas, para os quais continuavam totalmente dependentes de ações e iniciativas da alta gestão, seja da PR-3 ou do NCE. A solução para os problemas relativos ao pagamento dos bolsistas e do prestador de serviço parecia estar longe. Diante desta situação, o Analista 1 enviou um memorando – uma mistura de protesto e desabafo – para os dirigentes da PR-3. Alguns excertos deste memorando seguem abaixo:

Profissionalmente falando, tenho consciência de que, para um sistema do porte, complexidade e importância para a UFRJ como o SGO, trabalhar sem mão-de-obra experiente e adequada é quase um esforço sobre-humano. Porém abraçamos essa missão, como forma de darmos nossa contribuição à administração da UFRJ. Mesmo passando por todo tipo de adversidades e incompreensões, continuamos em frente, fazendo o melhor a nosso alcance. (MEMORANDO, 2007)

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49 Structured Query Language ou é a linguagem padrão para manipular bancos de dados relacionais através dos Sistemas de Gerenciamento de Banco de Dados Relacionais que oferecem uma interface para acessar o banco de dados utilizando a linguagem SQL, embora com algumas variações.

No entanto, não posso compactuar com o corte do pagamento de bolsas de integrantes do grupo sem nenhum comunicado prévio. E após algumas tentativas de negociação em várias instâncias da hierarquia, de forma direta ou indireta, o máximo que conseguimos foi a promessa do pagamento de cerca da metade do valor da bolsa. Isso quebra um compromisso com pessoas que fizeram a sua parte trabalhando o combinado e que agora irão receber, em atraso, um valor menor que o combinado. (MEMORANDO, 2007)

Assim, cartas, memorandos, relatórios, planilhas de custo de mão-de-obra, relatórios gerados por aplicativos de gerenciamento de projetos, e-mails, enfim, diversas inscrições circularam, ora pelas mãos de aliados e contendores, ora por impulsos elétricos. No entanto, essas inscrições não chegaram a produzir os efeitos esperados pelo grupo do NCE, quais sejam: “evitar que pela falta de motivação e de mão-de-obra, o projeto parasse” (RELATÓRIO SGO, 2008, p.12, grifo nosso).

Segundo o Analista 1, “tentamos entender, de fora, os motivos da rejeição. Partimos para pensar no paradigma do BI [...] deixamos de lado o SGO. Apostamos tudo ou nada” (ANALISTA 1, 2013) nesta mudança de direção.