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3. ESTRUTURAÇÃO DO MODELO E DEFINIÇÃO DAS DIRETRIZES CURRICULARES

3.1 O Contexto da Educação Profissional

3.1.4 O Trabalho e as Competências Profissionais

Verifica-se nos últimos anos, em particular na década de noventa no Brasil, transformações profundas no trabalho, relacionadas com:

v' A flexibilização dos processos produtivos; v' A redução do ciclo de vida dos produtos;

v' A drástica diminuição dos níveis hierárquicos nas empresas; s A redução do número de cargos gerenciais;

■/ O incremento das relações horizontais e laterais de interdependência; s A procura por trabalhadores aptos para atuarem em múltiplas funções; -/ Maior delegação de funções de decisão na estrutura de produção exigindo

dos profissionais maior responsabilidade e maior conhecimento;

s Internacionalização do trabalho, acompanhando a mundialização das organizações abrindo, como conseqüência, maiores oportunidades mundiais de atuação profissional.

O trabalho, como emprego, como função a ser desempenhada na ou para a produção (incluindo-se, aí, as funções indiretas, de concepção e da gestão do trabalho, assim como as funções de organização, de administração, de governo e de reprodução da vida social num sentido mais abrangente), tornou-se importante referencial para o desenvolvimento emocional, ético e cognitivo do indivíduo ao

longo do seu processo de socialização e, igualmente, para o seu reconhecimento social, para a atribuição de prestígio social intra e extragrupal.

Do ponto de vista do trabalho na sociedade contemporânea, os processos de reestruturação produtiva tem criado uma série de demandas que provocam transformações nas formas de organização do trabalho. Uma primeira demanda coloca a necessidade de um novo “modelo” de trabalhador, com capacidade de lidar com tecnologias e processos mais flexibilizados, e exige dele, também uma maior flexibilização (Castro, 1991).

Esses aspectos redefinem o caráter da qualificação para o trabalho, aliando a experiência dos trabalhadores aos conhecimentos técnicos. Tal fato sustenta-se na idéia do trabalhador polivalente e participativo.

No limiar do século 21, os avanços de tecnologia microeletrônica e da racionalização das técnicas organizacionais do processo de trabalho, orientados por conceitos como produção flexível, produção enxuta e especialização flexível, em um contexto de competição capitalista global, colocam em cheque a centralidade do trabalho. Decorridos três séculos de predomínio da sociedade industrial, o trabalho passa a assumir um conteúdo crescentemente intelectual, em contraposição ao conceito de trabalho físico, manual. Aumenta a importância da informação, do trabalho imaterial, em contraposição ao conceito convencional de trabalho, centrado na idéia de transformação da natureza. Para alguns estudiosos, teria chegado o momento, na história da humanidade, de separarem-se, novamente, os conceitos de trabalho, emprego e identidade social e individual. Outras formas de socialização, de construção das identidades sociais e individuais, deverão voltar-se para atividades de cunho comunitário, como escolas, clínicas, clubes de bairro, manutenção de

infra-estrutura nas cidades, envolvendo várias formas de trabalho voluntário (Kumar, 1985; Cacciamali, 1996).

3.1 5 A Educação no Limiar do Século XXI

O movimento que reivindica uma revisão da sociedade de classes, neste final de século, parece requerer, entre outros mecanismos de luta, um projeto educacional que forme o "ser humano novo". À educação escolar caberia uma função relevante e revolucionária para o processo de construção de um "novo tempo", onde todos tivessem condições objetivas de existência para viverem com dignidade, num sentido mais abrangente daquele exercitado pelo Welfare State.

Busca-se alternativas para tornar possível uma convivência de múltiplas identidades, aliando democracia social, cultural, política e sobretudo econômica. Trata-se da superação de um modelo organizacional da sociedade em que há diferenciações geradoras de injustiças sociais na forma de se apropriar dos meios de produção, dos bens de consumo materiais e culturais, bem como de participar no plano das decisões políticas.

A prática educativa no âmbito da relação professor-estudante-ambiente escolar tem sido beneficiado pelos ares de mudança do qual a sociedade está passando e, a partir dos novos paradigmas, também exigido da Escola na promoção de alterações no seu cotidiano. Neste aspecto verifica-se na Escola uma transformação a partir de:

s ampliação do conceito de “lugar” da Educação, abrindo espaço para a oferta de ensino à distância, ou aonde ela for necessária, e não apenas “disponível” àqueles que tiverem condições de acessá-la fisicamente;

■/ entendimento do novo paradigma para “sala de aula”, não mais como espaço de transmissão de conhecimento, ou simples repasse do conteúdo limitado e acabado, mas agora num sentido ampliado de um local de construção coletivo do conhecimento e de efetiva participação na aprendizagem;

s percepção e aceitação de que a Escola não é mais a única fonte do conhecimento, e as inúmeras possibilidades que se abrem para a diversidade de visões para a construção de um novo conhecimento;

s gradual, porém consistente, movimento das gestões organizacionais no sentido da transformação da Escola numa “Instituição de Aprendizagem” no lugar da tradicional “Instituição de Ensino”;

s transformação do foco educacional da formação profissional para a inclusão em um mercado de trabalho para uma educação para a autonomia e para possibilitar ao profissional a construção do seu mercado de trabalho;

s possibilidade de incremento do intercâmbio e integração de programas e estudantes em cursos afins e em escolas congêneres;

v' percepção de que para acompanhar as mudanças tecnológicas, influentes em todos os aspectos sociais da vida das pessoas, é preciso que a educação seja também ao longo da vida, ou seja continuada.