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O Trabalho da Pastoral do Menor como Precursor do Centro de Referência

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CAPÍTULO 2 CENTRO DE REFERÊNCIA À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE –

2.1 O Trabalho da Pastoral do Menor como Precursor do Centro de Referência

Para realizar a missão que é o trabalho com o atendimento de crianças e adolescentes em risco social, os religiosos não começaram com o CRCA-AC, mas sim com outro trabalho que já havia no município de Goiânia e tinha uma identidade própria, este era a Pastoral do Menor. Para compreendermos melhor o que é o trabalho dessa pastoral, iremos discuti-lo.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB - conta com o Setor de Pastoral Social. Esse Setor encontrou sua fundamentação teológica em duas noções: a de ser “presença e serviço na sociedade”. A Pastoral Social é um serviço da Igreja Católica voltado para as diferentes situações como saúde, terra, trabalho, moradia, crianças e adolescentes, entre outras, o que justifica a existência de um setor com a finalidade de congregar todos esses serviços. Por sua vez, a complexidade da sociedade encontra respostas na complexidade das

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pastorais sociais. A Pastoral do Menor é uma das pastorais sociais que, sob a coordenação da CNBB, integram o setor.

A Pastoral do Menor teve seu início na cidade de São Paulo, no ano de 1977, tendo como missão promover e defender a vida da criança e do adolescente empobrecido e em situação de risco, desrespeitados em seus direitos fundamentais. A partir de 1982, com a realização das semanas ecumênicas em São Paulo, iniciativa da Pastoral do Menor, a organização foi ganhando força e se enraizando em outras cidades e estados brasileiros. Em 1987, com a campanha da fraternidade da CNBB, que trazia como tema “A Fraternidade e o Menor” e como lema “Quem acolhe o menor a mim acolhe”, essa pastoral ganhou um novo impulso. Hoje está presente em 21 Estados da Federação.

Ele tem como objetivo estimular um processo que visa à sensibilização, à conscientização crítica, à organização e à mobilização da sociedade como um todo, na busca de uma resposta transformadora, global, unitária e integrada à situação da criança e do adolescente empobrecidos e em situação de risco, promovendo, nos projetos de atendimento direto, a participação das crianças e adolescentes como protagonistas do mesmo processo. (CNBB)

Assim seus objetivos são: sensibilizar os vários segmentos da sociedade, e esta como um todo, para posturas e ações efetivas em favor da defesa dos direitos das crianças e adolescentes em situação de risco; estimular o trabalho de base, dentro da linha comunitária, em vista de uma democracia participativa; incentivar um novo tipo de relação entre as crianças e adolescentes, educadores e comunidade em geral; desenvolver ações capazes de apontar caminhos a serem assumidos pela sociedade e pelo poder público; denunciar toda forma de negligência e violência contra a criança e o adolescente; sensibilizar e mobilizar os diversos segmentos da Igreja e da sociedade acerca da criança e do adolescente como sujeitos de direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Como atuação, busca ter uma marca presente na sociedade por meio de duas linhas básicas. A primeira, nas políticas públicas, com uma ação voltada para contribuir para o fortalecimento dos Fóruns na implantação e valorização dos Conselhos de Direitos Tutelares e dos demais conselhos setoriais, dinamizando a mobilização da sociedade para garantir o exercício de Políticas Públicas em favor do princípio da prioridade absoluta; e a segunda por meio do atendimento direto, com programas de defesa e promoção dos direitos fundamentais das crianças e adolescentes empobrecidos e em situação de risco, de acordo com as normativas legais da prioridade absoluta – Constituição Federal de 1988 e Estatuto da Criança e do Adolescente de 2005.

Para essa atuação, a Pastoral do Menor se pauta também em uma agenda nacional. Procurando articular-se em rede com os demais organismos, preocupa-se em manter viva sua dimensão evangelizadora e facilitar a contínua formação, capacitação e qualificação de seus agentes.

Com as crianças e adolescentes empobrecidos e em situação de risco, tem como objetivo desenvolver e apoiar estratégias de inclusão social deles; com adolescente autor(a) de ato infracional, o objetivo passa a ser o de contribuir para a qualidade do atendimento ao adolescente autor(a) de ato infracional, através da implementação das medidas socioeducativas em meio aberto, previstas pelo ECA, art. 112, em consonância com as diretrizes do CONANDA.

A partir dessa discussão, que mostra os fundamentos do Pastoral do Menor, podemos observar que o trabalho da pastoral é de cunho paliativo, ou seja, as crianças e os adolescentes já estão em situação de risco social. Diante disso, os noviços da Congregação, Marcos Divino, Marcos Rogério e Francisco, começam a indagar sobre esse tipo de ação e percebem a necessidade de mudar o cunho do trabalho, de paliativo para preventivo.

Nós trabalhamos com a Pastoral do Menor do ano de 1992 até, mais ou menos, 2000. O trabalho de 1992 a 1995 era só na pastoral, depois de 1995 até 2000 foi concomitante com o trabalho desenvolvido no Centro. Percebemos que algumas crianças que estavam em situação de rua eram da região leste, ou seja, do Guanabara, por isso viemos para o bairro, a necessidade de prevenir que nossas crianças fossem para a rua (AMARAL, 2012).

Quando se decide pela criação do Lar Esperança Padre Carlos36, retoma-se a história do trabalho do pe. Fissiaux e escolhe fazer esse trabalho por ser “[...] uma coisa nossa, no qual poderia resgatar os meninos e prevenir que fossem para a rua [...]” (AMARAL, 2012). Para escolher o local onde seria concretizado o trabalho do CRCA-AC, houve uma preocupação histórica, pois,

[...] por conta da história, a gente resgata a história da congregação. Se ele tinha a preferência em fazer com que o menino tivesse um contato maior com a natureza, com a terra, com a agricultura, com o fazer, a mesma coisa a nossa preocupação, nós vivíamos e vivemos em um ambiente urbano, nada melhor que levar a criança para uma chácara. Na chácara tinha água, tinha mato, lugar para fazer horta, em uma escala menor nós queríamos resgatar e fazer, e repetir o mesmo trabalho que o fundador fez, de fazer com que as crianças entrem em contato com esse ambiente (AMARAL, 2012).

36 Quando surge, recebe o nome de Lar Esperança Padre Carlos e fica com esse nome até o ano de 2000, quando

é registrado com o nome de Centro de Referência à Criança e ao Adolescente e com o nome fantasia Associação Crescer.

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A figura abaixo nos apresenta a estrutura física da instituição. Podemos observar que existe uma preocupação em inserir a criança na relação com a natureza, considerada como um critério importante para o desenvolvimento integral das crianças e dos adolescentes.

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