Capítulo 3- O trabalho dos assistentes sociais no SUAS e o perfil desses
3.3 O trabalho e o perfil dos assistentes sociais no SUAS
As transformações ocorridas no capitalismo mundial e os direcionamentos neoliberais adotados pelos governos brasileiros a partir da década de 1990 afetaram a forma e os sujeitos no mundo do trabalho. A estrutura estatal não ficou fora disso, e foi palco de grandes redefinições, tendo como exemplo modificações na organização e oferta das políticas sociais e nos espaços ‘sócio-ocupacionais’ de todas as profissões e também para o Serviço Social.
Segundo Iamamoto (2014) e Raichelis (2011), no Brasil, o Estado ainda continua sendo o maior empregador dos assistentes sociais, e com a implantação do Sistema Único de Assistência Social em 2004 ampliou significativamente o mercado de trabalho para a nossa categoria e demais profissionais. Todavia, segundo Raichelis (2011), com a expansão de ofertas de trabalho no SUAS para os assistentes sociais, aprofundou-se a precarização das condições em que esse trabalho vem sendo realizado.
Conforme aponta Raichelis (2011) o assistente social no SUAS vem enfrentando formas de trabalho desregulamentado, voluntário e terceirizado, estando muitas vezes desprotegido de direitos trabalhistas. A autora aponta que a diversidade de vínculos de trabalho dos profissionais que compõem as equipes técnicas dos CRAS e CREAS do país produz uma intervenção cheia de descontinuidades, que vem sendo agravada pela alta rotatividade dos profissionais
nesses espaços e isso acaba influenciando na oferta dos serviços oferecidos à população usuária, visto que a política de assistência social é baseada nos conhecimentos teóricos e práticos dos profissionais das equipes técnicas.
É claro que a assistência social, assim como outras políticas setoriais, precisou de ordenamentos legais que lhe proporcionassem legitimidade e formas de gestão, agindo como a espinha dorsal do processo. Porém, os profissionais participantes, assim como os usuários, devem ser vistos como “sangue e órgãos” dessa estrutura, são eles que possibilitam a superação das formas tradicionais de conduzir as políticas públicas, tornando-as instrumentos dos cidadãos mais envolvidos na luta pelos seus direitos e rompimento com a ordem vigente.
Por ser uma área de prestação de serviços cuja mediação principal é o próprio profissional, o trabalho da assistência social está estrategicamente apoiado no conhecimento e na formação teórica, técnica e política do seu quadro de pessoal, e nas condições institucionais de que dispõe para efetivar sua intervenção. (RAICHELIS, 2011, p. 761 apud SPOSATI, 2006)
A LOAS (Lei nº 8.742/1993) e NOB/SUAS de 2012 reconheceram em seu texto a necessidade de que para a boa qualidade dos serviços ofertados pela política é necessário investir e organizar o quadro de pessoal e consideraram a organização da gestão do trabalho como estratégico para alcançar os objetivos previstos na PNAS (2004). Foi nesse intuito, que a NOB-RH/SUAS foi criada e instituída pela Resolução CNAS nº 269 em 2006, como já apontamos no capítulo anterior.
A NOB-RH definiu os profissionais que compõem as equipes técnicas da proteção social básica e de alta complexidade e regulou outras providências sobre os princípios éticos que os trabalhadores da assistência social devem se basear no atendimento aos usuários; a organização de planos de cargos e salários; capacitação permanente dos profissionais; valorização dos trabalhadores atuantes do SUAS; preenchimento de cargos para suprir a necessidade das demandas através da nomeação de aprovados em concurso público; compromisso com a desprecarização do trabalho dos membros do SUAS, entre outros.
E com relação a NOB-RH, Raichelis (2011) aponta que ela é uma conquista política muito significativa entre os gestores federativos e para os trabalhadores do SUAS por melhores estruturas físicas, materiais, técnicas e éticas de trabalho.
Mesmo distante das requisições exigidas em termos de recursos humanos e de condições materiais para o funcionamento adequado do Suas, a NOB-RH/Suas foi resultado da correlação de forças
políticas presentes nos processos de negociação e pactuação que levaram à sua aprovação. Apesar disso, permanece ainda o grande desafio de sua efetivação na maioria dos estados e municípios brasileiros, que apresenta por parte dos gestores, prefeitos e secretários de governo bastante resistência, além de desconhecimento da NOB/SUAS/RH e das exigências para a sua implementação. (RAICHELIS, 2011, p. 762)
Com isso, no sentido de conhecermos um pouco mais da PNAS (2004) e verificando que ela é um dos grandes ramos empregadores da força de trabalho dos assistentes sociais brasileiros e considerando as transformações ocorridas na esfera estatal nas condições de trabalho dos trabalhadores desse meio, foi analisado a seguir alguns dados quantitativos referentes aos CRAS e CREAS de todo o país do ano de 2015.
Os dados38 foram disponibilizados no Portal do Ministério do Desenvolvimento
Social e Agrário em conjunto com a Secretaria Nacional de Assistência Social por meio do Departamento de Gestão do SUAS, que realiza desde 2007 o Censo do Sistema Único de Assistência Social (CENSO SUAS) nos CRAS, CREAS, Centros Especializados para pessoas em Situação de Rua (Centro POP), unidades de acolhimento, órgãos gestores municipais e estaduais, conselhos municipais e estaduais e em unidades da rede socioassistencial privada. Esses dados são divulgados todos os anos, conforme estipula a NOB/SUAS de 2012:
Art.6º, XIV: Disseminação do conhecimento produzido no âmbito do SUAS, por meio da publicização e divulgação das informações colhidas nos estudos e pesquisas aos usuários e trabalhadores, no sentido de que estes possam usá-las na defesa da assistência social, de seus direitos e na melhoria da qualidade dos serviços, programas, projetos e benefícios.
O público alvo dessas pesquisas são os profissionais das unidades públicas e privadas, gestores e conselheiros atuantes na PNAS (2004). Destes dados, foram utilizados os referentes aos Recursos Humanos dos CRAS e CREAS do Brasil do ano de 2015 sobre os assistentes sociais.
38O levantamento contém dados sobre a estrutura e os serviços prestados nos equipamentos de assistência
social de todo o país, o que contribui para a qualificação do planejamento, acompanhamento e avaliação do SUAS. Os questionários são disponibilizados juntamente com os manuais no site do MDS onde o gestor cadastrado pode imprimir o questionário e inserir as informações no sistema. Os gestores também são orientados a manterem atualizados o Cadastro Nacional do Suas (CadSuas), pois todos os dados referentes aos trabalhadores do SUAS são importados automaticamente no momento de preenchimento dos respectivos questionários.
As variáveis analisadas: sexo; faixa etária; vínculos de trabalho que estão submetidos os assistentes sociais; carga horária semanal de trabalho; titulação; e os cargos ocupados pelos assistentes sociais.
No Brasil, segundo divulgação do Censo Suas, existem um total de 8.155 (oito mil cento e cinquenta e cinco) CRAS e que possuem 87.728 (oitenta e sete mil setecentos e vinte e oito trabalhadores atuantes nas equipes técnicas. Na pesquisa todos os CRAS participaram e responderam os questionários.
Nessas unidades os assistentes sociais representam 19,9% dos trabalhadores, sendo a terceira maior categoria presente, ficando atrás dos trabalhadores sem formação profissional que representam 27,6% e dos profissionais de nível médio que representam 26,6%, como podemos conferir abaixo no Quadro 1:
Quadro 1 Quantidade de trabalhadores por categoria profissional nos CRAS do Brasil em 2015
Profissionais Milhares % Sem formação profissional 24.234 27,6% Profissional de nível médio 23.376 26,6% Assistente social 17.542 19,9%
Psicólogo 9.447 10,7%
Outra formação de nível superior 6.228 7%
Pedagogo 5.332 6% Administrador 646 0,70% Advogado 302 0,34% Fisioterapeuta 124 0,14% Terapeuta ocupacional 120 0,13% Nutricionista 104 0,11% Sociólogo 77 0,087% Enfermeiro 75 0,080% Analista de sistema 52 0,059% Economista 46 0,052% Antropólogo 11 0,012% Programador 6 0,006% Médico 3 0,003%
Cientista político 3 0,003%
Total 87.728
Fonte: MDS, Dados do Censo Suas/março 2016
Do Quadro 1 podemos verificar que dentre as categorias com formação superior os assistentes sociais e os psicólogos apresentam o maior quantitativo. Podemos relacionar este fator com os critérios de formação das equipes de referência dessa unidade, visto que tanto nos CRAS de Pequeno Porte I39; Pequeno
Porte II40; e Médio, Grande, Metrópole e DF41 postulam a necessidade de no mínimo
1 assistente social e 1 psicólogo para o atendimento aos usuários.
Com relação aos CREAS temos no total 2.435 (dois mil quatrocentos e trinta e cinco) centros e 22.288 (vinte e dois mil duzentos e oitenta e oito) trabalhadores atuantes nas equipes de referência.
Diferentemente do CRAS nos CREAS os assistentes sociais representam a maior categoria profissional com 26%, seguida pelos psicólogos que correspondem a 19,2% e pela categoria dos sem formação profissional, cerca de 18,2%.
Quadro 2 - Quantidade de trabalhadores por categoria profissional nos CREAS do Brasil em 2015
Profissionais Milhares %
Assistente Social 5.795 26%
Psicólogo 4.284 19,2%
Sem formação profissional 4.076 18,2% Profissional de nível médio 3.674 16,4%
Advogado 1.569 7%
Pedagogo 1.330 5,9%
Outra formação de nível superior 1.184 5,3%
Administrador 216 0,96% Sociólogo 50 0,22% Terapeuta Ocupacional 44 0,19% Enfermeiro 25 0,11% Economista 13 0,05% Analista de Sistema 7 0,03%
39 Tem a capacidade de atender até 2.500 famílias referenciadas. 40 Tem a capacidade de atender até 3.500 famílias referenciadas. 41 A cada 5.000 famílias referenciadas.
Fisioterapeuta 7 0,03% Nutricionista 5 0,02% Programador 5 0,02% Cientista Político 3 0,01% Antropólogo 1 0,004% Total Geral 22.288
Fonte: MDS, Dados do Censo Suas/março 2016
Na proteção de média complexidade que é representada pelos CREAS, temos na formação das equipes de referência: nos CREAS de gestão municipal42
tem como obrigatoriedade de comporem as equipes 1 assistente social, 1 psicólogo, 1 advogado, 2 técnicos de nível superior ou médio. E nos CREAS estaduais temos como equipe a necessidade de 2 assistentes sociais, 2 psicólogos, 1 advogado e 4 técnicos de nível superior ou médio. Esses critérios também influenciam no alto número de profissionais com formação em Serviço Social e Psicologia. Pelo Quadro 2 podemos afirmar que nem todos os CREAS do Brasil possuem advogados.
Após essa breve apresentação da composição das equipes técnicas dos CRAS e CREAS do país, iniciamos nossa análise sobre o perfil da categoria profissional dos assistentes sociais na política de assistência social.
No Gráfico 1 apresentamos a divisão por sexo dos assistentes sociais nos CRAS:
Fonte: MDS, Dados do Censo Suas/março 2016
Esses dados confirmam a tendência histórica dentro da profissão do prevalecimento feminino, apenas 5% são homens. Isso também ocorre nos CREAS, conforme aponta o Gráfico 2:
42 CREAS municipais em gestão inicial e básica tem a capacidade de atender 50 pessoas/indivíduos. 95%
5%
Gráfico 1 - Divisão por sexo dos assistentes sociais no CRAS no ano de 2015
Feminino Masculino
Fonte: MDS, Dados do Censo Suas/março 2016
De fato, Iamamoto e Carvalho (2010) ao refletirem sobre o perfil dos assistentes sociais observam que a categoria profissional hoje apresenta um nítido recorte de gênero. Uma categoria profissional predominantemente feminina, uma profissão de mulheres. Este aspecto é uma das marcas da profissão, ainda que consideremos o contingente masculino, que é minoria na área.
Com relação a idade na categoria profissional, os dados mostram que no CRAS cerca de 41,67% possuem idades entre 30 e 39 anos, seguidos de um grupo mais jovem de até 29 anos de idade, que correspondem a 21,98% e após, assistentes sociais que possuem entre 40 e 49 anos de idade, representando cerca de 22,47% e ainda temos 13,62% com 50 anos ou mais. Com isso, temos cerca de 86,12% de assistentes sociais com até 49 anos de idade trabalhando nos CRAS.
Fonte: MDS, Dados do Censo Suas/março 2016
Nos CREAS temos como maior concentração também os assistentes sociais com idades entre 30 e 39 anos, correspondendo a 41,17% dos profissionais, mas que estão seguidos pelo grupo que possui entre 40 e 49 anos, que são 23,71%, e a posteriori temos o grupo mais jovem que representam cerca de 19,97% daqueles
95% 5%
Gráfico 2 - Divisão por sexo dos assistentes sociais dos CREAS em todo o Brasil no ano de 2015
Feminino Masculino 13,62% 21,98% 41,67% 22,47% 0,26%
Gráfico 3- Faixa etária dos assistentes sociais nos CRAS de todo o Brasil no ano de 2015 50 anos ou mais Até 29 anos De 30 a 39 anos De 40 a 49 anos Idades inconsistentes que foram descartadas
que tem até 29 anos de idade, seguidos pelos que possuem 50 anos ou mais, cerca de 15,06%.
Fonte: MDS, Dados do Censo Suas/março 2016
Nos CREAS temos um percentual de 84,85% com até 49 anos de idade. Nesse sentido podemos considerar que tanto nos CRAS como nos CREAS há um corpo jovem de assistentes sociais.
É interessante destacarmos o expressivo quantitativo de assistentes sociais de até 29 anos de idade presentes nos dois centros de proteção social, pois essa faixa etária corresponde na maioria das vezes, a fase de recém-formados, logo, uma significativa parcela está se inserindo de forma rápida no mercado de trabalho.
Sobre a titulação desses assistentes sociais temos a seguir no Gráfico 5 nos CRAS cerca de 86,16% dos assistentes sociais que possuem o título de graduados, em valores reais esse percentual corresponde a 15.115(quinze mil cento e quinze) profissionais. Cerca de 13,31% dos profissionais possuem especialização e apenas 0,49% possuem mestrado e 0,02% doutorado.
Fonte: MDS, Dados do Censo Suas/março 2016 15,06%
19,97% 41,17%
23,71% 0,09%
Gráfico 4 - Faixa etária dos assistentes sociais dos CREAS do Brasil no ano de 2015 50 anos ou mais Até 29 anos De 30 a 39 anos De 40 a 49 anos Idades inconsistentes que foram descartadas
86,16% 13,31% 0,49% 0,02% Graduação Especialização Mestrado Doutorado Percentual Ti tul açã o
Gráfico 5 - Titulação dos assistentes sociais dos CRAS em todo o Brasil no ano de 2015
Conforme observamos no Gráfico 6, nos CREAS a mesma situação se repete, a maioria dos assistentes sociais, cerca de 79,59%, possui apenas o título de graduados. Temos ainda 15,37% dos profissionais com especialização, 0,74% com mestrado e 0,05 com o título de doutor.
Fonte: MDS, Dados do Censo Suas/março 2016
Observamos com isso que a grande maioria dos assistentes sociais dos CRAS e CREAS ainda não teve acesso a cursos de especialização, visto que o maior número de profissionais possui apenas o título de graduado em Serviço Social.
Porém, na análise dos dados também podemos perceber que no CREAS há uma situação singular e irregular. Além das titulações de graduação, especialização, mestrado e doutorado, temos as seguintes variáveis: médio completo, médio incompleto, fundamental incompleto e superior incompleto do grau de formação declarado por alguns assistentes sociais. As variáveis citadas estão intrinsecamente ligadas aos cargos que ocupam esses assistentes sociais e para entendermos melhor esse quadro precisamos observar o Gráfico 7 que apontou os cargos ocupados por esses profissionais no âmbito do CREAS:
79,59% 15,37% 1,51% 0,74% 0,15% 0,05% 0,05% 0,02% 0,02% Superior Completo Especialização Superior Incompleto Mestrado Médio Completo Doutorado Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Incompleto Percentual Ti tul açã o
Gráfico 6 - Titulação dos assistentes sociais nos CREAS de todo o Brasil no ano de 2015
Fonte: MDS, Dados do Censo Suas/março 2016
O Gráfico 7 apontou uma irregularidade, pois o Censo Suas considerou ter como assistentes sociais um total de 5.975 profissionais, quando na verdade possui apenas 5.335(cinco mil duzentos e trinta e cinco). Este quantitativo se refere a soma entre o número de técnicos de nível superior na especialidade Serviço Social que representam 4.558(quatro mil quinhentos e cinquenta e oito) e o número de graduados em serviço social que ocupam a função de Coordenador, que correspondem a 777(setecentos e setenta e sete) assistentes sociais, conforme mostra o Gráfico 8:
Fonte: MDS, Dados do Censo Suas/março 2016
Temos cerca de 428 (quatrocentos e vinte e oito) trabalhadores que possuem cargos e titulação inferiores a um profissional de Serviço Social e que conforme o Gráfico 7 desempenham outras funções estranhas a profissão supracitada, mas que se declaram e foram considerados pelo MDS na Divulgação Geral como assistentes sociais. 78,65% 16,75% 1,96% 0,96% 0,63% 0,56% 0,39% 0,05%
Técnico(a) de nível superior Coordenador(a) Educador(a) Social Outros Apoio Administrativo Estagiário(a) Técnico(a) de nível médio Serviços Gerais
Percentual
C
ar
gos
Gráfico 7 - Cargos ocupados pelos assistentes sociais nos CREAS em todo o Brasil no ano de 2015
5.335 428
32
Assistentes sociais Não possuem graduação em Serviço Social e ocupam outros
cargos
Estágiários de Serviço Social
Milhares
Funções
Gráfico 8- Quantitativo real de assistentes sociais nos CREAS em todo o Brasil no ano de 2015
Isso fere a Lei de Regulamentação da Profissão, Lei nº 8.662/1993, que dispõe sobre a profissão de Assistente Social, que em seu art.2 estabelece quem pode exercer a profissão e ser reconhecido como assistente social:
Art.2-Somente poderão exercer a profissão de Assistente Social: I- Os possuidores de diploma em curso de graduação em Serviço Social, oficialmente reconhecido, expedido por estabelecimento de ensino superior existente no País, devidamente registrado no órgão competente;
II- Os possuidores de diploma de curso Superior em Serviço Social, em nível de graduação ou equivalente, expedido por estabelecimento de ensino sediado em países estrangeiros, conveniado ou não com o governo brasileiro, desde que devidamente revalidado e registrado em órgão competente no Brasil;
III- Os agentes sociais, qualquer que seja sua denominação com funções nos vários órgãos públicos, segundo o disposto no art.14 e seu parágrafo único da Lei nº 1.889, de 13 de junho de 1953.
Ressaltamos que não podemos afirmar aqui se os 428 (quatrocentos e vinte e oito) trabalhadores que não possuem formação superior em Serviço Social, desempenham atribuições privativas pertinentes aos assistentes sociais, pois baseados nos dados do Censo Suas só é possível identificarmos as 3 principais atividades de forma geral que cada profissional está inserido. Acrescentamos ainda, a impossibilidade de informarmos porque foi considerado nos dados divulgados um trabalhador se declarar como tendo nível fundamental incompleto ou completo, nível médio completo e incompleto ser um assistente social.
Isso é errôneo. É prejudicial para a oferta de serviços prestados à população, fere o Código de Ética Profissional da categoria e interfere na realização de concursos públicos para a categoria. Porém, nos gráficos seguintes foi mantida na análise o total de 5.975(cinco mil novecentos e setenta e cinco) assistentes sociais atuantes nos CREAS do país.
Conforme o Gráfico 9, nos CRAS temos 17.542 assistentes sociais que possuem o nível superior, mas que ocupam diversos cargos e alguns que não necessitam de formação em serviço social:
Fonte: MDS, Dados do Censo Suas/março 2016
No gráfico acima, podemos analisar que no cargo destinado ao serviço social, temos cerca de 96,21% de trabalhadores, que em números absolutos correspondem a 16.878 (dezesseis mil oitocentos e setenta e oito), somados os cargos de técnico de nível superior com o de coordenador.
Os gráficos relativos aos cargos ocupados nos CRAS e CREAS chamam atenção para a nomenclatura do cargo de Técnico de Nível Superior, que tem como uma das especialidades a formação em Serviço Social. Chamamos atenção para esse fato, tendo em vista a observação realizada por Prédes (2004) acerca da tendência a mudança na nomenclatura dos cargos e funções exercidos pelos profissionais, em que na maioria das vezes as funções e competências dos cargos são mais importantes do que a formação acadêmica exigida, podendo muitas vezes desrespeitar as leis das diversas profissões relativas às atribuições, competências e carga horária de trabalho.
Dando prosseguimento a nossa análise dos dados, temos os vínculos de trabalho que os assistentes sociais estão submetidos nos CRAS e CREAS do país. Conforme o Gráfico 10 observamos que nos CRAS há uma variedade de relações trabalhistas a que o assistente social está submetido, temos que 43,45% são estatutários e que 8,06% são empregados públicos regidos pela CLT, que somados representam 51,51%. Por outro lado, temos um grande percentual de trabalhadores com vínculos não permanentes de trabalho que estão distribuídos entre os demais.
0,72% 0,16% 19,48% 1,39% 0,07% 0,86% 0,05% 0,51% 76,73% Apoio Administrativo Cadastrador(a) Coordenador(a) Educador(a) Social Estagiário(a) Outros Serviços Gerais Técnico(a) de Nível Médio Técnico(a) de Nível Superior
Percentual
C
ar
go
s
Gráfico 9 - Cargos ocupados pelos assistentes sociais nos CRAS em todo o Brasil no ano de 2015
Fonte: MDS, Dados do Censo Suas/março 2016
Ao realizarmos a soma dos trabalhadores que possuem uma relação temporária e precária de trabalho temos o percentual de 48,45% do total de assistentes sociais, que corresponde em números reais a 8.505 (oito mil quinhentos e cinco), parcela extremamente significativa, quase a metade dos assistentes sociais atuantes dos CRAS.
Nos CREAS temos também uma multiplicidade de vínculos e o mais representativo ainda são os assistentes sociais estatutários que correspondem a 45,29% e temos também os empregados públicos (CLT) que são 8,62%, em números reais esses dois vínculos representam 3.125 (três mil cento e vinte e cinco) profissionais. 43,45% 27,92% 9,06% 8,06% 7,87% 1,56% 1,33% 0,69% 0,02% Servidor Estatutário Servidor Temporário Comissionado Empregado Público (CLT) Outro vínculo não permanente Terceirizado Trabalhador de E.C.E Sem Vínculo Voluntário Percentual Ti pos de v íncul os
Gráfico 10 - Relações de trabalho dos assistentes sociais nos CRAS em todo o Brasil no ano de 2015
Fonte: MDS, Dados do Censo Suas/março 2016
Os trabalhadores com vínculos não permanentes somam 38,67%, que correspondem em valores absolutos a 2.670(dois mil seiscentos e setenta) assistentes sociais. Consideramos que esse também é um número significativo, pois quase a metade dos assistentes sociais possuem vínculos não permanentes de trabalho.
Como observam Mota (1998) e Amaral (1998) o processo de reestruturação produtiva afetou o processo do trabalho por meio do controle da força de trabalho, com isso, os trabalhadores sofreram as consequências da subtração de direitos sociais e trabalhistas e a defesa da informalidade do trabalho como alternativa ao desemprego.
Nesse sentido, as autoras apontam que o primeiro desafio para os profissionais do serviço social é romper com a ideia de que a reestruturação produtiva afetou exclusivamente àqueles profissionais que trabalham nas empresas privadas. Tendo em vista o exposto nos Gráficos 10 e 11 chamamos atenção da nossa categoria profissional quando apontamos que os assistentes sociais devem ter a concepção que as estruturas estatais também sofreram transformações