Anexo 21 Tomada de preços para cópia em série dos programas culturais do Projeto
3. O PROJETO MINERVA VIA RÁDIO
3.5 O TREINAMENTO PROFISSIONAL
Parte da logística do PMR era o treinamento profissional dos envolvidos. O MEC arremetia em treinamento, recursos financeiros e materiais, em todos os Estados Brasileiros. Lima (2014), afirma que os coordenadores e Monitores recebiam um treinamento, inclusive fora do Estado, promovido pelo Ministério da Educação.
Os treinamentos realizados também eram publicados nos jornais, como a da manchete que dizia “Projeto Minerva Prepara Monitores”
Procurando atingir a 5mil adultos, neste ano, o Projeto Minerva acaba de Preparar em Aracaju mais 70 Monitores enquanto dezenas de outros foram treinados nas cidades de Estância, Propriá e Itabaiana, em cursos que tiveram a duração de uma semana e que visaram o desenvolvimento de atividades dentro do novo programa de educação.
Em nossa capital a preparação dos 70 Monitores foi encerrada na última sexta feira, no centro de Treinamento da Secretaria de Educação. (JGS, 20/08/1973 p. 01)
Os Monitores eram treinados para assumirem os radiopostos, tanto na capital, quanto nas cidades do interior. Os periódicos publicaram diversas matérias vinculando abertura de radioposto a Treinamento de Monitores. Contudo, os Coordenadores também recebiam treinamentos, em sua grande maioria fora do Estado.
RADIO MEC
MEC
SRE
COORDENADORES S EQUIPE DE APOIO MONITORES EQUIPE TÉCNICAO fluxo de treinamento funcionava a partir do MEC, preparado pelas equipes do SRE e da rádio MEC. Esse treinamento era passado para os coordenadores nos Estados, que por sua vez ficavam responsáveis por treinar os Monitores, equipe técnica e equipe de apoio. Podemos constatar que a estrutura de treinamento, que o MEC preparava, destinava-se apenas aos coordenadores nos Estados. Estes eram os responsáveis por ministrar o treinamento nos seus Estados.
Assim, os Coordenadores eram orientados para treinar suas equipes. Essa preparação refletia com mais intensidade nos Monitores, que eram treinados e acompanhados de perto, pois eram peças chave no processo. Lima (19/04/2014), afirma que seu treinamento ia além, pois desenvolvia pesquisa para melhorar sua coordenação. Revela:
Fazíamos vários treinamentos de qualidade com a equipe do MEC que agregava vários outros coordenadores de outros Estados, geralmente em Salvador; ou através de treinamento em serviço com a supervisão do próprio MEC que vinha aqui em Aracaju, bem como pelo próprio estudo e trabalho de pesquisa que me dedicava para o desempenho da função. (LIMA, 19/04/2014)
Referente à preparação dos Monitores, Lima(19/04/2014), demonstra considerar adequação do trabalho, com a eficiência no desenvolvimento do projeto, dizendo que: “Essa era uma das prioridades enquanto Coordenadora, porque sempre entendi que uma equipe com preparação adequada e com eficaz, acompanhamento pedagógico ajuda na superação dos desafios e atingimento das metas”.
Gois (2004) afirma que:
Nós tínhamos um trabalho pedagógico intensivo, bimestralmente, era feito um treinamento do MEC, na coordenação do Rio de janeiro, com os coordenadores e supervisores, então nós tínhamos um encontro a nível de MEC e também tínhamos manuais preparatórios, tínhamos manual de supervisor e manual de Monitor. (GOIS, 20/10/2004)
O treinamento se realizava no Rio de Janeiro E era feito no SRE, nas dependências da radio MEC, onde os programas de rádio, além de outros materiais didáticos, eram produzidos.
Os manuais de treinamento para supervisores, coordenadores e Monitores eram elaborados pelo MEC, com o propósito de ajustar as atividades em todos os Estados, afim de que ficassem o mais homogêneo possível, considerando que os programas eram produzidos para veiculação nacional. Outra preocupação na produção do material era a reforma escolar, a partir da lei 5692/71.
Na avaliação de Gois (20/10/2004), o encontro, para treinamento no Rio de Janeiro, era considerado o principal processo de formação dos profissionais do PMR:
O encontro regional não era assim, tão forte quanto os encontros a nível nacional. Só que a equipe do PMR era uma equipe muito comprometida com a educação, então a gente se encontrava lá e reunia por regiões, montávamos os grupos, num encontro maior. Os grupos eram norte, nordeste, sudeste. Acabava sendo, então, um encontro nacional, mas a gente trabalhava em termos de grupo regional. (GOIS, 20/10/2004)
O que acontecia nos encontros de formação, nacional e regional, era uma troca de experiências vivenciadas nos Estados. Eram experiências que os coordenadores e Monitores passavam e que, naquele momento, podiam avaliar com seus pares como o projeto estava acontecendo em cada região.
Depois os supervisores e coordenadores voltavam para seus Estados para capacitar os Monitores, na mesma perspectiva do treinamento nacional. Sobre isso Góis (2004) afirma:
nós tínhamos um encontro entre os supervisores que era bimestral ou trimestral, então nos encontros, havia esse feedback, porque os supervisores trabalhavam com os Monitores e a gente com os supervisores, então haviam muitos encontros a nível de MEC onde levávamos as sugestões. (GÓIS 20/10/2004)
Também descreve o processo de treinamento: “havia um debate a partir das sugestões apresentadas pelos coordenadores, baseadas nos seus problemas e experiências vivenciadas em cada Estado. Essa troca de informações ajudava a compreender como encaminhar as soluções.” (GÓIS 20/10/2004)
Contudo, temos que compreender que estas pessoas tinham envolvimento pessoal, pois trabalhavam com o projeto e há representação nas suas memórias que tendem a uma lembrança favorável e romântica. Isto posto, considerando o que já vimos até aqui, é preciso relativizar essas aparências.
Não há dúvidas que a avaliação do PMR, no ano de 1972 é positiva a ponto de o governo federal tentar fazer uma junção com o Mobral, uma Manchete do JGS de 03 de agosto de 1972, destaca o uso do PMR para treinar Monitores para o Mobral. Dizia a manchete: “Mais Monitores são treinados para alfabetizar em Aracaju”. Em seguida vinha o anuncio de que 20 mulheres seriam futuras Monitoras do Mobral, após passarem por curso de treinamento pelo rádio através do Projeto Minerva. O treinamento pelo rádio seria “levado a efeito pelo Ministério da Educação” utilizando a estrutura do PMR. Notícia destaca que as novas Monitoras receberiam diariamente aulas através do rádio durante o curso, utilizando a
estrutura do Radioposto, em um horário diferente ao das aulas para os alunos inscritos no PMR.
Os jornais do Estado de Sergipe davam cobertura ao desenvolvimento do projeto, publicando notícias sobre o mesmo. Essa é a segunda nota que circula nos jornais, naquele ano, sobre o mesmo assunto. No dia 28 de julho de 1972, foi publicada uma nota com destaque que dizia: “MOBRAL E PROJETO MINERVA VÃO TREINAR MONITORES”
Transcrição:
Na primeira quinzena do próximo mês, será iniciado um grande treinamento pelo rádio, em convênio com o Projeto Minerva, para a formação de Monitores do movimento Brasileiro de Alfabetização. Radiopostos serão instalados e as pessoas que participarem do treinamento receberão todo o material necessário para a alfabetização. Em Aracaju, as pessoas interessadas deverão se dirigir à sede do Departamento de Educação, no Edifício São Carlos, a fim de se inscreverem para o treinamento junto à comissão Municipal do Movimento Brasileiro de Alfabetização. (JGS, 28/08/1972)
Figura 5- Notícia - Mobral e Projeto Minerva vão trinar Monitores Fonte: Jornal Gazeta de Sergipe 28/08/1972
Considerando que o MOBRAL passava por dificuldades, o governo Militar tenta fazer uma aproximação dos dois programas. Notoriamente não considerou o fato da estrutura que tinha no PMR, com pessoas já alfabetizadas, o suporte dos programas vias rádio e o papel do Monitor no radioposto. Ainda quando tenta colocar o redioposto para funcionar no MOBRAL, desconsidera uma cadeia de variáveis pedagógicas que devem envolver os dois programas. Estes ponto são negativos tanto para o PMR quanto para o MOBRAL.
O Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL foi instituído em 1967, durante o governo militar, através da Lei nº 5379/67, para atender as necessidades de alfabetização de jovens e adultos.
De acordo com Paiva (2003), no dia 8 de setembro de 1967, dia internacional da alfabetização, “haviam sido assinados vários decretos prevendo a constituição de um grupo internacional para estudo e levantamento de recursos destinados à alfabetização” (PAIVA, 2003 p. 320). Conforme a autora, o grupo internacional considerou a exclusão de jovens na faixa etária de 10 a 14 anos e determinou que o MOBRAL deveria atender aos analfabetos com idade de 15 a 30 anos. “O plano a ser executado pretendia atingir a 11.400.00 analfabetos, entre 1968 e 1971, para que se pudesse pensar na extinção do analfabetismo até 1975.” (PAIVA, 2003 p. 321). Obviamente o intento do Mobral não foi alcançado, conforme o plano e o projeto perdurou até 1985.35
Considerando que PMR, apresentava melhores resultados do que o MOBRAL. A função dessas novas Monitoras era alfabetizar os alunos do Mobral, ficando ainda responsável pela instalação de radiopontos de alfabetização em Aracaju. O projeto de treinamento não era restrito a Sergipe, acontecia para todo o Brasil. À programação era transmitida a partir da Radio MEC, irradiada para todo o território nacional diariamente, às 17 horas e sua duração foi de 21 de julho a 15 de agosto de 1972.
Após a capacitação, as Monitoras já tinham destino certo, iriam Monitorar vinte, dos quarenta postos de alfabetização, espelhados na capital Aracaju. O título na manchete do jornal, sugere que não foi esta a primeira experiência de treinamento para o Mobral, através do PMR.
A manchete iniciada com a palavra “mais” porquanto indicia que houve, pelo menos, mais um treinamento antes desse, destarte, o fato de já haverem 42 postos de alfabetização, um treinamento via rádio contemplado apenas vinte Monitoras, indica que dos quarenta e dois postos de alfabetização, apenas a metade necessitava das profissionais naquele
momento. Considerando que o PMR havia formado neste mesmo ano quase 600 alunos, seria um desperdício de recurso colocar treinamento, apenas para vinte candidatos à Monitoria se a demanda fosse maior.
Não obstante encontrarmos na mesma notícia a promessa de ampliação das salas de alfabetização, num prazo de seis meses, o que demandaria mais treinamento, compreendemos o curso formou, em Aracaju, apenas a demanda para a capital.
A utilização do PMR para treinar as Monitoras do Mobral, não é uma iniciativa dos Estados, mas determinação do Ministério da Educação que pretendia ampliar as atividades do Mobral e, tendo acompanhado o resultado, considerado em sua preparação, favorável, do PMR em preparar os alunos para o exame supletivo, determinou que o Mobral pudesse ser beneficiado com essa tecnologia. Assim, o recrutamento e treinamento das Monitoras teria um baixo custo com alta eficácia no processo. De acordo com o jornal, o governo tinha o objetivo de erradicar o analfabetismo no Brasil, por isso reuniu todos os setores responsáveis, para realização da tarefa.
Contudo, não era bastante apenas a ideia e a determinação por meio de portaria. Havia a necessidade de difundir o projeto por todos os Estados e Municípios dos Brasil, portanto, do engajamento de cada Estado dependia a disseminação da ideia.
3.6 A DISSEMINAÇÃO DO PROJETO MINERVA VIA RÁDIO EM SERGIPE