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CAPÍTULO 1: APRESENTAÇÃO DOS ATORES

1.5 O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco

Ao Tribunal de Contas, como órgão de controle externo, cabe a fiscalização dos recursos públicos. Em princípio houve algumas discussões acerca da legitimidade quanto à atuação junto às associações, visto que são entidades privadas. Porém como se trata de recurso público, esta etapa foi vencida de acordo com os preceitos constitucionais37.

Art. 29 - § 2º - É obrigatória a prestação de contas por qualquer pessoa física ou jurídica que utilize, arrecade, guarde, gerencie, ou que, por qualquer forma, administre dinheiros, bens e valores públicos, pelos quais o Estado responda, ou, em nome deste, assuma obrigações de natureza pecuniária. Art. 30 - O controle externo, a cargo da Assembléia Legislativa, será exercido com o auxilio do Tribunal de Contas do Estado [...] (CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE PERNAMBUCO).

Durante o transcorrer do PCPR I, TCE/PE realizou auditorias no Prorural com o caráter fiscalizatório, de resultado, pois se concentravam na comparação de custos

versus objetos realizados. Percebeu-se então que esses procedimentos não eram

suficientes, e o foco não deveria ser apenas o beneficiário dos recursos, a associação, ou órgão executor, mas, principalmente o órgão promotor – o Prorural, de modo a se verificar o caminho percorrido pela verba, isto é, todo o processo de investimento.

Passou-se então a proceder, através de uma auditoria mais abrangente com foco na gestão dos recursos e do Programa, com levantamentos dos problemas na origem, nos projetos, na análise, no controle interno, na informação, na operacionalização, na execução e na prestação de contas, com o intuito de avaliar se o principal objetivo do Programa está sendo atingido quanto a sua eficácia, no que se refere à redução da pobreza rural.

37

Constituição Federal - Art. 71 e Constituição do Estado de Pernambuco – Arts. 29 a 31. O aporte de recursos de financiamento pelo BID e BIRD, ora para o Governo Federal, ora diretamente para os Governos Estaduais é sujeito à fiscalização do TCU e TCE’s, conforme competências.

A Carta Magna38 estabelece que a gestão pública deva estar pautada nos princípios impostos pelo ordenamento jurídico, no qual:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência [...].

Em síntese, cabe ao administrador público seguir os princípios de:

Legalidade: legal é aquilo que está conforme a lei civil de um estado nacional. Impessoalidade: impõe a prática do ato para o seu fim legal e não pessoal. Moralidade: O fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade na conduta do servidor público, é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo.

Publicidade: divulgação dos atos e conduta dos agentes, ou seja, a transparência nos atos do agente público.

Eficiência: pressupõe-se do agente público a utilização dos melhores meios para satisfazer as necessidades coletivas.

Com base nisso, os instrumentos de controle são regulamentados e passam a servir como norma. Os organismos de controle devem ser criados de dentro para fora da organização, ou seja, inicialmente devem-se ter mecanismos internos que possam garantir a idoneidade do gestor, bem como a prática dos princípios básicos da administração pública, os quais o Tribunal de Contas da União – TCU39, em consonância com a INTOSAI40 (Organização Internacional de Entidades de Fiscalização Superiores), ratifica:

38

BRASIL, Presidência da República Federativa do Brasil. Constituições. 1988. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm> Acesso em: 14 Abr 2008.

39

Técnicas de Auditoria: Indicadores de Desempenho e Mapa de Produtos - Brasília : TCU, 2000. 40

INTOSAI – Internacional Organization of Supreme Audit Institutions. Guia para normas de Controle Interno. Trad. Heloísa Garcia Vidal Pinto. Revista do Tribunal de Contas do Distrito Federal, Brasília, v.19, 1993

Eficácia: É o grau de alcance das metas programadas em um

determinado período de tempo, independente dos custos implicados.

Economicidade: É a busca da minimização dos custos dos

recursos utilizados na consecução de uma atividade, sem comprometimento dos padrões de qualidade.

Eficiência: É a relação entre os produtos (bens e serviços)

gerados por uma atividade e os custos dos insumos empregados em um determinado período de tempo.

Efetividade: É a relação entre os resultados alcançados e os

objetivos que motivaram a atuação institucional. Em outras palavras, é a relação entre os impactos reais observados na população e os impactos que seriam esperados decorrentes da ação institucional. (TCU, 2000).

Conforme fora dito na introdução deste trabalho, quando se logra a prática de todos esses princípios nos atos públicos, dizemos que há o atingimento dos objetivos propostos em cada ato.

O Prorural tem o dever legal de acompanhar os 100% dos convênios celebrados, ou seja, deve ter o controle de todos os recursos por ele repassados, porém, de acordo com o que foi verificado nesta pesquisa, a equipe é insuficiente para atender a toda a demanda do Programa.

Com relação à fiscalização pelo TCE/PE junto ao Prorural, devido ao grande número de convênios celebrados, é feita uma seleção do universo dos convênios celebrados e a amostra é feita com no mínimo de 30% do total de recursos despendidos, através de critérios específicos daquela entidade.

Para que se possa melhor compreender a tramitação e o fluxo processual no Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, apresenta-se na figura a seguir um esquema simplificado que foi elaborado pelo autor com a colaboração do Auditor Conselheiro Ruy Ricardo Harten Júnior.

Figura 11:

Esquema simplificado do fluxo processual no TCE/PE

Fonte: Elaboração do autor com a colaboração do Auditor Conselheiro Ruy

Ricardo Harten Júnior

CAPÍTULO 2

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