4 PRODUTO EDUCACIONAL
4.1 O VÍDEO COMO RECURSO AUDIOVISUAL
O desenvolvimento tecnológico trouxe diferentes tipos de recursos áudio visuais, como, a TV, o DVD, projetores multimídia, retroprojetores, computadores, vídeo cassete, Blu-ray, celulares, entre outros. Alguns desses aparelhos tecnológicos são capazes de projetar a imagem e o som ao mesmo tempo, oferecendo várias possibilidades para o uso doméstico
ou profissional. Entre as produções áudio visuais temos o vídeo, que pode ser produzido em diferentes formatos, podendo ser um filme de ficção, uma reportagem, um documentário, um curta metragem, entre outros.
Atualmente, mesmo que uma pessoa não tenha muito conhecimento da arte cinematográfica é capaz de produzir um vídeo amador, feito a partir de câmeras simples de celulares, e rapidamente esses vídeos podem ser divulgados e compartilhados na internet pelo site You Tube54, por exemplo. De acordo com Morán (1995), esta possibilidade de produção audiovisual também chegou para a educação, pois o vídeo pode ser usado em sala de aula como instrumento de uma leitura crítica, ajudando na formação de alunos mais conscientes. O vídeo é capaz de sintetizar diversas informações de um conteúdo, além disso, ele pode mostrar ao mesmo tempo a imagem e o som, facilitando a compreensão das informações. De acordo com Morán (1995, p. 28):
O vídeo é sensorial, visual, linguagem falada, linguagem musical e escrita. Linguagens que interagem superpostas, interligadas, somadas, não- separadas. Daí a sua força. Somos atingidos por todos os sentidos e de todas as maneiras. O vídeo nos seduz, informa, entretém, projeta em outras realidades ‘no imaginário’, em outros tempos e espaços. (MORÁN, 1995, p.28).
Então, considerando o vídeo dentro de uma perspectiva de sedução, informação e projeção de realidades, ele corresponde aos nossos objetivos, pois queremos sensibilizar, informar e motivar os professores ou futuros professores de Matemática quanto à possibilidade de fazer uma Pós-Graduação em Educação Matemática na UFRN.
Nossa escolha pela produção de um vídeo vai ao encontro das ideias de Morán (1995), que classifica este recurso como um instrumento capaz de comunicar-se com crianças ou adultos de forma lógica, de modo que as narrativas trazem uma linguagem concreta, de cenas curtas, com pouca informação e ritmo acelerado por efeitos de som, imagem e cenários. Os temas são leves e passam informações em pequenas doses, exigindo pouco esforço e envolvimento do receptor (MORÁN, 1995, p. 29).
Além de ser um instrumento facilitador na comunicação de informações em geral, o vídeo também pode e deve ser utilizado didaticamente na sistematização de aulas. De acordo com Ferrés (1996), o vídeo corresponde a seis modalidades taxionômica de uso, são elas: a vídeo lição, o vídeo apoio, o vídeo processo, o programa motivador, o programa mono
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Site de compartilhamento de vídeos enviados pelos usuários por meio da internet. Disponível em:< http://www.significados.com.br/youtube/. Acesso em: 01 maio 2016.
conceitual e o vídeo interativo. Dentre as modalidades citadas destacamos àquela que foi nosso referencial na construção do Produto Educacional: o vídeo como instrumento motivacional. Para Ferrés (1996), vídeos desse tipo estão classificados no que ele chama de programa motivador. Ele se refere a vídeos que utilizam imagens, música, texto falado em um ritmo, com duração previamente estabelecida. Esses elementos juntos criam um cenário atrativo de provocação e de estímulo à participação dos expectadores, a fim de desenvolver uma discussão ou até mesmo gerar futuras pesquisas ou trabalhos, para aprofundamento do tema, isto é chamado pelo autor de pedagogia do depois. (FERRÉS, 1996).
O vídeo como função motivadora no ensino está atrelado também a vídeo animação, que de acordo Ferrés (1996), essa função motivadora acontece:
quando o interesse do ato comunicativo se centra no destinatário, procurando atingir de alguma maneira sua vontade para aumentar as possibilidades de um determinado tipo de resposta. [...] o vídeo pode desempenhar um importante papel, levando em conta a capacidade dos meios audiovisuais para provocar emoções e sensações. A animação consiste, concretamente, em atuar sobre um grupo determinado, com a finalidade de sensibilizá-lo em relação a um certo tema. (FERRÉS, 1996, p. 46).
Portanto, elaborar um vídeo com funções motivadoras consiste em animar o expectador, provocando emoções e atitudes diante do que foi visto, para então, obtermos opinião, sensibilização ou reflexão sobre um tema a ser discutido posteriormente. E nossa intenção vai ainda, mais além, do atrativo da emoção causada ao assistir o vídeo, pois buscamos pela reflexão de se fazer compreender sobre a Educação Matemática, a pesquisa e a Pós-Graduação. Queremos que nossos expectadores tenham a liberdade de pensar de forma crítica, trazendo para si, as possibilidades que podem surgir com este vídeo, nas quais, dentre outros fatores, mostra que existe uma história humana por trás de um campo científico.
O campo científico ao qual nos referimos é explicado por Bourdieu (1983), quando ele nos diz que neste há sempre julgamentos sobre a capacidade científica, seja a de professor, de pesquisador ou de aluno, de modo que, no decorrer de nossa carreira profissional, somos levados a ocupar hierarquicamente posições pelo nosso conhecimento, devido a títulos de Mestres ou Doutores. A nosso ver, isso é inerente a todas as práticas que buscam autoridade científica, podendo gerar desde uma grande atração por reconhecimento, como pode também afastar as pessoas desse mundo, por isso a intenção do vídeo é mostrar para o seu público alvo que não devemos nos afastar, mas nos aproximar, sabendo que podemos participar ativamente da pesquisa, conhecendo a EM existente em nosso estado e fora dele.
O vídeo que elaboramos procura atingir professores e futuros professores de Matemática, contando um pouco da história da EM, e faz referência a professores que participaram ativamente no processo de evolução da Educação Matemática no RN. Este Produto Educacional é uma forma de registrar na história alguns dos acontecimentos que ficaram no passado e que, a nosso ver, precisam ser divulgados para aqueles que um dia poderão escrever sua própria história na Educação Matemática.