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2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 OBESIDADE INFANTO-JUVENIL

2.1.1 Prevalência de sobrepeso e obesidade em adolescentes

A obesidade é um problema de saúde pública e a sua prevalência tem aumentado em crianças e adolescentes (LIVINGSTONE, 2000), sendo considerada uma epidemia global (OLIVEIRA e FISBERG, 2003). Dados recentes estimam que aproximadamente 500 milhões de pessoas adultas (>20 anos) sejam obesas no mundo, das quais 205 milhões são homens (9,8%) e 297 milhões são mulheres (13,8%) (FINUCARE et al., 2011).

Em crianças e adolescentes, a prevalência de excesso de peso (sobrepeso e obesidade) aumentou de 16,9% para 23,8% em meninos e de 16,2% para 22,6% em meninas, em países desenvolvidos (NG et al., 2014). Em países em desenvolvimento, a prevalência aumentou de 8,1% para 12,9 (12,3-13,5%) em meninos e de 8,4% (8,1-8,8%) para 13,4% (13,0-13,9%) em meninas (NG et al., 2014). O aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade entre jovens nos últimos 30 anos foi de aproximadamente 40% nos países desenvolvidos e de 60% nos países em desenvolvimento (NG et al., 2014).

Em Curitiba, conforme pesquisa realizada, entre o período de 2004 e 2005, a prevalência de sobrepeso/obesidade em crianças e adolescentes da rede publica de ensino foi 13,9% (LEITE; MILANO; LOPES et al., 2008). Os dados reforçam os elevados percentuais de excesso de peso na população jovem e a necessidade de ações voltadas à prevenção e tratamento do sobrepeso e da obesidade.

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2.1.2 Causas e consequências do sobrepeso e obesidade em adolescentes

A etiologia da obesidade é multifatorial, sendo a genética e as condições ambientais os principais fatores associados ao seu desenvolvimento. Os fatores ambientais mais importantes para o desenvolvimento da obesidade são a diminuição do nível de atividade física habitual e os hábitos alimentares inadequados (FISBERG, 2004).

Nas últimas décadas, ocorreram modificações no padrão alimentar da população, principalmente quanto à qualidade dos alimentos consumidos, com aumento da ingestão de gorduras, saturadas e trans, e de carboidratos com alto nível glicêmico (DANIELS et al., 2005). Além disso, o tamanho das porções dos alimentos não saudáveis comercializadas em restaurantes, lanchonetes e máquinas aumentou significativamente, contribuindo sobremaneira para aumento da ingestão energética entre crianças e adolescentes (McCONAHY et al., 2004).

Crianças e adolescentes (8-18 anos) despendem, em média, 7,5 horas por dia usando as mídias para entretenimento, como televisão (TV), computador, videogame, celular e cinema. Durante esse período, 4,5 horas são dedicadas a assistir TV, o que faz com que esse seja um importante fator de risco para obesidade juvenil uma vez que além de reduzir o tempo despendido com atividades físicas de maior demanda energética, aumenta a ingestão alimentar (aperitivos e pequenas refeições) em frente à TV, bem como influencia as crianças a fazer escolhas de alimentos não saudáveis que são veiculados em anúncios comerciais (ZIMMERMAN e BELL, 2010).

Além dos hábitos alimentares inadequados e dos baixos níveis de atividade física diária, a genética também pode influenciar o controle da massa corporal e o desenvolvimento da obesidade (MARQUES-LOPES et al., 2004). Até o momento foram identificados diversos genes

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relacionados ao aparecimento da obesidade, como o gene da leptina (LEP) e seu receptor (LEPR), as proteínas desacoplantes (UCP2 e 3), moléculas implicadas na diferenciação de adipócitos e transporte de lipídios (PPAR, Ap2) e outras relacionados com o metabolismo, como é o caso da adenosina desaminase (ADA), fosfatase ácida (ACP1), do TFN-α, e ainda, determinados neuropéptidos hipotalâmicos e seus receptores (MCR3,4 e 5, POMC, NPY) e dos receptores adrenérgicos (ADRB2 e 3). Todavia, há dificuldades na investigação genética, por existirem várias desordens poligênicas associadas à obesidade, que podem provocar mutações e que interferem nos processos neuroendócrinos do controle ponderal (MARQUES-LOPES et al., 2004).

A obesidade, também, está associada à problemas psicológicos como depressão, angústia, ansiedade e baixa autoestima, bem como problemas ortopédicos e posturais, hipertensão arterial precoce, hipercolesterolemia e hiperinsulinemia (KISS et al., 2001; CALDERON et al., 2004). Além disso, complicações respiratórias, tais como apnéia do sono, asma e intolerância aos exercícios são frequentes em crianças e adolescentes obesos e podem limitar a prática de atividade física e dificultar a perda de peso (LOPES et al., 2009; FERREIRA et al., 2014).

A obesidade é considerada como uma condição patológica acompanhada pelo acúmulo excessivo de gordura quando previsto para dada estatura, gênero e idade. Dessa forma, a gordura corporal, e não a massa corporal parece ser o principal responsável pelas alterações metabólicas presentes na obesidade.

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2.1.3 Avaliação do sobrepeso e obesidade em adolescentes

O sobrepeso e a obesidade são frequentemente utilizados como se fossem sinônimos, pois ambos denotam excesso de peso. Entretanto, a obesidade é um estado mais avançado do que o sobrepeso e está associado, fundamentalmente, ao excesso de gordura corporal, ao passo que o excesso de peso, pode estar relacionado à massa muscular e não necessariamente a gordura corporal. Porém, as definições de sobrepeso e obesidade dependem dos métodos utilizados para a sua avaliação.

O índice de massa corporal (IMC) é calculado pela divisão do peso (kg) pela estatura (m) ao quadrado (m²). Em adultos, os valores do IMC para a classificação do sobrepeso e da obesidade, independentemente do sexo e idade, é de 25 a 29,9 para o sobrepeso e ≥30 kg.m-2

para a obesidade (World Health Organization, 1998).

A classificação do sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes é diferente daquela proposta para adultos, tendo em vista o processo de crescimento, desenvolvimento e maturação. Por isso, os valores do IMC para o sobrepeso e obesidade de crianças e adolescentes variam de acordo a idade e sexo. Nesse sentido, existem várias autores que propõem pontos de corte do IMC para a classificação do sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes (MUST et al., 1994; COLE et al., 2000; KUCZMARSKI et al., 2002; CONDE E MONTEIRO, 2006; ONIS et

al., 2007).

Os pontos de corte propostos pela Organização Mundial da Saúde (ONIS et al., 2007) têm sido adotados e bastante utilizados no Brasil, tanto no âmbito das pesquisas populacionais como no atendimento a saúde pediátrica. Os pontos de corte utilizado para a classificação do sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes são: obesidade ≥ percentil 97°, sobrepeso ≥ percentil 85°

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e < 97°. Adicionalmente, os valores do score z podem ser utilizados para a classificação do estado nutricional, considerando obesidade ≥ escore-z +2 e sobrepeso ≥ escore-z +1 e < escore-z +2.

2.2 OBESIDADE E INFLAMAÇÃO CRÔNICA SUBCLÍNICA

Nas últimas duas décadas, o tecido adiposo deixou de ser considerado apenas um órgão com papel regulador da homeostase dos ácidos graxos do organismo. O tecido adiposo além de armazenar e distribuir gordura tem capacidade também de se comunicar com o sistema nervoso central e o trato gastrintestinal, desempenhando importante papel na resposta inflamatória em condições autócrinas, parácrinas ou endócrinas (GALIC et al., 2010; KERSHAW & FLIER, 2010; CAO, 2014; NAKAMURA & WALSH, 2014).

O tecido adiposo está localizado em diversos sítios anatômicos, que coletivamente são chamados de órgão adiposo, sendo composto por dois compartimentos principais, subcutâneo e por diversos depósitos viscerais, além de depósitos especializados como linfonodos, mamários e células-mãe da medula óssea. As células adiposas presentes nesse órgão adiposo apresentam grande heterogeneidade em suas funções fisiológicas, sendo compostas por dois citotipos funcionalmente distintos, o tecido adiposo marrom (TAM) e o tecido adiposo branco (TAB) (HAHN, 1975; VERNOCHET et al., 2009).

O TAB apresenta funções abrangentes, por constituir depósitos localizados em diversas regiões do organismo, como em órgãos e outras estruturas internas, tendo como principais funções a proteção mecânica contra choques e traumatismos externos, o auxilio a um adequado deslizamento entre vísceras e feixes musculares, sem comprometer a integridade e funcionalidade

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