1. E NQUADRAMENTO , DEFINIÇÃO DO PROBLEMA , OBJECTIVOS E ORGANIZAÇÃO DO
1.3 Objectivos gerais e específicos do estudo
a) definir modelos da relação entre a ocorrência de diferentes níveis de calor e o respectivo impacto em termos de mortalidade;
b) Construir esses modelos de modo a permitir prever, através deles, com a maior precisão possível, a natureza e dimensão potencial dos respectivos impactos na saúde das populações em causa;
c) definir métodos de medição do impacto de ondas de calor na saúde e exemplificá-las;
d) preconizar e/ou estabelecer, nessa base mecanismos de monitorização tanto das ondas de calor como dos respectivos impactos.
Com a finalidade de obtenção do conhecimento necessário para cumprir os objectivos gerais definiram-se seis estudos sequenciais:
1. Descrever a distribuição das temperaturas do ar do distrito de Lisboa e em Portugal Continental;
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2. Construir modelos de previsão de mortalidade para o distrito de Lisboa com base nas temperaturas do ar;
3. Construir modelos regionais de previsão da mortalidade associada ao calor;
4. Construir um índice-ÍCARO nacional e definição de um sistema nacional de vigilância de ondas de calor;
5. Construir um sistema de vigilância diária da mortalidade em Portugal; 6. Avaliar a vigilância nacional de ondas de calor.
Os respectivos objectivos específicos foram os seguintes (de acordo com cada um dos estudos):
1. Distribuições da temperatura do ar em Lisboa e em Portugal (secção 3.1, página 57)
Objectivo Principal
Obter as distribuições das temperaturas em Lisboa e Portugal de forma a estabelecer o conhecimento necessário para definir “ondas de calor” e para obter limiares de temperatura que permitam estabelecer modelos de previsão de mortalidade associada ao calor.
Objectivos Específicos
Caracterizar a distribuição das temperaturas do ar tri-horárias do distrito de Lisboa por semana no período de Maio a Setembro;
Caracterizar a distribuição da temperatura do ar média diária do distrito de Lisboa por semana no período de Maio a Setembro;
Caracterizar a distribuição da temperatura do ar máxima diária do distrito de Lisboa por semana no período de Maio a Setembro;
Definir os limites teóricos da variação das temperaturas do ar tri- horárias do distrito de Lisboa por semana no período de Maio a Setembro;
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Definir os limites teóricos da variação da temperatura do ar média diária do distrito de Lisboa por semana no período de Maio a Setembro;
Estabelecer os limites teóricos da variação da temperatura do ar máxima diária do distrito de Lisboa por semana no período de Maio a Setembro;
Caracterizar a distribuição geográfica (por distritos) das temperaturas tri-horárias elevadas (percentil 97,5%) durante o Verão em Portugal;
Caracterizar a distribuição geográfica (por distritos) da temperatura máxima diária elevada (percentil 97,5%) durante o Verão em Portugal;
Modelar a evolução diária das temperaturas máximas limiares por distrito de forma a estabelecer critérios de vigilância de ondas de calor diário a nível distrital;
Definir os limites limiares de temperaturas máximas de Verão por distrito;
Caracterizar os conjuntos de distritos de acordo com diferentes limiares superiores de temperaturas de Verão.
2. Previsão da mortalidade com base nas temperaturas do ar – Modelos para Lisboa (secção 3.2, página 69)
Objectivos Principais
Escolher o modelo de regressão linear múltipla para a mortalidade que permita a melhor vigilância das ondas de calor no distrito de Lisboa;
Desenvolver o conhecimento sobre o mecanismo subjacente à relação calor-mortalidade.
9 Objectivos específicos
Definir diferentes limiares fixos e dinâmicos de temperaturas do ar com base na literatura científica e nas distribuições observadas das temperaturas do ar;
Experimentar e testar de limiares fixos e dinâmicos para modelar a mortalidade (total - “todas as causas” e todas as idades) associada à ocorrência de períodos de calor e avaliar a respectiva capacidade de determinação de excesso de mortalidade;
Descrever o episódio da onda de calor de Junho de 1981 em termos de mortalidade (total) e limiares de temperatura;
Descrever o episódio da onda de calor de Julho de 1991 em termos de mortalidade (total) e limiares de temperatura;
Descrever o episódio da onda de calor de Julho/Agosto de 2003 em termos de mortalidade (total) e limiares de temperatura;
Descrever e demonstrar as propriedades dos modelos-ÍCARO anteriormente estabelecido (1999) – apresentação das ideias nucleares para a modelação da relação calor-mortalidade que se desenvolvem ao longo desta dissertação;
Propor uma nova variável para a modelação da relação calor- mortalidade, a Sobrecarga Térmica Acumulada Generalizada (STAG) e demonstração da sua diferença para a variável STA originária;
Ajustar quatro modelos (de acordo com os limiares de temperatura definidos) aos dados de mortalidade (todas as idades) do distrito de Lisboa e avaliação das respectivas qualidades;
Ajustar quatro modelos (de acordo com os limiares de temperatura definidos) aos dados de mortalidade relativa à população mais idosa (65 ou mais anos de idade) do distrito de Lisboa e avaliação das respectivas qualidades;
Ajusta quatro modelos (de acordo com os limiares de temperatura definidos) aos dados de mortalidade (total) do distrito de Lisboa restringidos aos meses de Maio e Setembro na procura de evidência de modelos distintos na ausência de episódios marcados de ondas de calor.
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3. Modelos regionais para a relação calor-mortalidade (secção 3.3, página 97)
Objectivo principal
Obter modelos regionais de previsão de mortalidade com base nas temperaturas do ar distritais.
Objectivos específicos
Definir regiões (grupos de distritos) homogéneas em termos
climatológicos (temperaturas) que permitam a
execução/experimentação de modelos de previsão de mortalidade;
Definir uma temperatura de referência por cada região (grupo de distritos);
Definir um conjunto de possíveis modelos que perscrutem diferentes características para a relação calor-mortalidade (seis modelos);
Ajustar seis modelos aos dados de mortalidade (todas as idades) de cada região (grupo de distritos) e avaliação das respectivas qualidades;
Ajustar seis modelos aos dados de mortalidade do grupo etário mais idoso (75 ou mais anos) de cada região (grupo de distritos) e avaliação das respectivas qualidades.
4. Construção de um Índice-ÍCARO nacional e definir um sistema nacional de vigilância de ondas de calor (secção 3.4, página 175) Objectivos principais
Definir um sistema de vigilância de ondas de calor de âmbito nacional;
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Definir um índice-ÍCARO nacional para o sistema nacional de vigilância de ondas de calor.
Objectivos específicos
Descrever a definição originária do Índice-ÍCARO (1999);
Descrever a definição do sistema de vigilância de ondas de calor (versão original de 1999);
Descrever a definição anteriormente estabelecida de níveis de alerta de calor;
Descrever os cinco primeiros anos de vigilância de ondas de calor (1999-2004);
Testar quatro propostas para um índice-ÍCARO nacional e averiguar as respectivas qualidades para sintetizar o risco global de ondas de calor;
Definir novos índices do tipo ÍCARO que permitam fácil interpretação em todos os enquadramentos (nacional, regional, por grupos etários ou outros que venham a ser definidos);
Estabelecer desde logo um conjunto propriedades de um Índice do tipo ÍCARO;
Definir objectivamente níveis de alerta de ondas de calor uniformes para todos os enquadramentos (nacional, regional, por grupos etários ou outros que venham a ser definidos).
5. Construção de um Sistema de Vigilância Diária da Mortalidade em Portugal (secção 3.5, página 222)
Objectivos principais
Construir um sistema de vigilância de mortalidade permita a confirmação rápida dos impactos de calor previstos pelo sistema de vigilância de ondas de calor;
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Avaliar a capacidade do sistema de vigilância de mortalidade confirmar e detectar impactos originados por períodos de calor. Objectivos específicos
Descrever o sistema de vigilância de mortalidade testado durante a onda de calor de 2003 (VDM ad-hoc);
Definir o sistema de vigilância diário de mortalidade (VDM Original 2004-2006) – vigilância do número diários de registos de óbito;
Demonstrar as limitações e desafios colocados pela vigilância do número diário de registos de óbito;
Definir um novo sistema de vigilância diário da mortalidade (novo
sistema VDM);
Descrever os resultados do novo sistema VDM (2006 a 2009);
Caracterizar o atraso da chegada da informação do óbito ao novo
sistema VDM;
Verificar a capacidade de confirmação de eventos com impacto na mortalidade usando o novo sistema VDM;
Verificar a capacidade de detecção de eventos com impacto na mortalidade usando o novo sistema VDM.
6. Avaliação da Vigilância Nacional de Ondas de Calor (secção 3.6, página 249)
Objectivo principal
Fazer a avaliação da vigilância nacional de ondas de calor no terreno nos Verões de 2006 a 2009, com base na informação do sistema de vigilância da mortalidade diária, estudando em particular o período de Abril a Setembro de 2009.
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Identificar os períodos de calor ocorridos no Verão de 20093;
Obter a estimativa global (todas as idades) de excesso de mortalidade nos períodos de calor do Verão de 2009;
Obter a estimativa de excesso de mortalidade por sexo nos períodos de calor do Verão de 2009;
Estimativas de excesso de mortalidade por grupo etário nos períodos de calor do Verão de 2009;
Obter as estimativas de excesso de mortalidade por Região (do registo do óbito) nos períodos de calor do Verão de 2009;
Comparar as estimativas de excesso de óbitos (globais e estratificadas) atribuíveis ao calor usando o método directo e regressão cíclica;
Estudar a relação entre estimativas globais de excesso de óbitos associado à ocorrência de calor (método directo, regressão cíclica usando dois critérios e mortalidade definida a priori pelo Índice- ÍCARO).