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Objectivos Iniciais e Principais Conclusões

Capítulo 3: A Motivação dos Investigadores do IGC

4.1. Objectivos Iniciais e Principais Conclusões

O trabalho que agora termina procurou contribuir para o maior conhecimento de uma realidade particular, no caso os factores motivacionais dos cientistas/investigadores que trabalham no IGC. Foram vários os objectivos que nortearam a presente investigação. Em primeiro lugar, procurou-se apurar o tipo de factores de motivação que estão na base do comportamento dos Group Leaders, Trainees e Technicians, Students e

Postdocs (grupos do IGC participantes no estudo empírico) e, em segundo lugar, tentou-

se compreender quais os princípios normativos que guiam a sua actividade. Por último, estudou-se se a variável “sexo” influencia forma como os cientistas/investigadores se sentem motivados e as normas éticas que partilham.

Considerando as ideias, os conceitos e as problemáticas, expostos no enquadramento teórico deste trabalho, um dos objectivos-chave foi testar hipóteses que foram outrora objecto de análise não só neste contexto científico, como noutros contextos profissionais. Através das teorias desenvolvidas ao longo dos anos por autores como Maslow, Herzberg, McClelland, entre outros, e tendo em conta que por diversas vezes foram demonstradas as carências do poder explicativo das suas teorias, foi também objectivo deste estudo analisar essas realidades no contexto particular do IGC.

As principais hipóteses definidas prenderam-se com os objectivos definidos à

priori, nomeadamente com a) comparação dos investigadores Group Leaders com os Trainees/Technicians e Students admitindo a presença de diferentes factores de

motivação consoante o grupo a que pertencem no IGC; b) análise das expectativas dos cientistas/investigadores face ao contexto organizacional do IGC; c) percepção de sentimentos de (in)equidade por parte dos inquiridos face aos seus colegas; d) comparação dos investigadores mais experientes com os menos experientes admitindo a presença de diferentes concepções da ciência (CUDOS versus PLACE), o grupo a que pertencem no IGC; e por fim e) comparação entre investigadores de sexo masculino com investigadores do sexo feminino admitindo a presença de diferentes factores de motivação e concepções da ciência (CUDOS versus PLACE), consoante o sexo.

Os resultados obtidos através de inquérito indiciam importantes eixos conclusivos. Em relação à motivação no trabalho e à operacionalização das teorias de conteúdo, em particular da teoria de Herzberg, as conclusões passíveis de análise

prendem-se, em primeiro lugar com a superior expressividade dos resultados referentes à importância atribuída pelos Group Leaders (cientistas mais experientes e com idades iguais ou superiores a 36 anos) aos factores de auto-estima e auto-realização (“factores motivacionais”) face aos investigadores mais jovens e menos experientes (Trainees,

Technicians e Students). Em segundo lugar, destaca-se a dificuldade na análise da

importância atribuída aos factores higiénicos (presentes nas necessidades fisiológicas, de segurança e sociais) na confrontação entre os Group Leaders e os Trainees e

Technicians. Apesar da classificação “muito importante” ser relativamente inferior no

segundo grupo a verdade é que muitos destes consideram “importante” a presença destes factores na sua vida profissional. Já os Students evidenciam uma clara e firmada posição na medida em que 81% destes inquiridos os consideram “muito importantes”. A falta de homogeneidade nas conclusões encontradas fragiliza a teoria de Herzberg na medida em que não só é demonstrada a subjectividade da divisão entre os dois tipos de factores como se observa que os factores, indicados pelo autor como higiénicos, podem ser considerados como tal para alguns indivíduos e ainda uma fonte de motivação para outros (e não apenas uma causa de “ausência de motivação”). Analisando o impacto destes resultados na teoria de Maslow, conclui-se adicionalmente que a hierarquia proposta pelo autor também não é respeitada. De facto, os factores mais importantes para o processo motivacional dos inquiridos estão relacionados com necessidades sociais e fisiológicas (1º e 3º patamares da pirâmide) contudo as necessidades de segurança aparecem em último lugar no ranking proposto por Maslow. Esta ordem viola claramente a hierarquia que o autor considerou como exacta para obtenção plena de motivação no contexto laboral.

Os testes às teorias da expectativa e da equidade não se revelaram conclusivos essencialmente devido ao elevado número de não-respostas. Contudo, apesar desta limitação, é importante fazer referência a algumas conclusões alcançadas. Na teoria da expectativa, a conclusão mais crítica prende-se com os factores de segurança na medida em que são factores a que os cientistas/investigadores dão muita importância e apresentam, segundo estes, fraca existência no IGC. Como vimos, esta situação pode ser originadora de desmotivação junto dos investigadores. Todavia, observou-se que, para a maior parte das variáveis, a importância atribuída pela generalidade dos inquiridos aos diversos factores é geralmente compensada pela sua existência no IGC. Considerando a análise à teoria da equidade, a conclusão mais pertinente está relacionada com a fraca importância que os cientistas/investigadores atribuem ao facto

de receberem mais ou menos recompensas comparativamente com os colegas quando todos tiveram o mesmo nível de desempenho. Com isto, é possível supor que, para os investigadores, existe justiça no contexto organizacional do IGC.

Quanto ao enquadramento normativo que guia a sua actividade, os cientistas do IGC mostram disposições mais próximas do CUDOS. Discriminando os resultados, essa disposição é mais notória no agregado dos Group Leaders, enquanto que os

Trainees e Technicians bem como os Postdoc indiciam uma orientação mais pautada

pelos valores do PLACE. Esta conclusão vem reforçar a expectativa inicial, baseada na ordem cronológica de aparecimento dos dois contextos, que apontava para uma maior influência de cada um dos enquadramentos normativos em relação aos respectivos grupos, face à formação e ambiente social em que estes se formaram.

Por fim, confrontando as posições dos investigadores consoante o sexo, denota- se igualmente variações. Se relativamente aos factores higiénicos não foi possível tirar conclusões sólidas, o comportamento da amostra parece evidenciar pelas respostas obtidas que as mulheres tendem a atribuir mais importância aos factores motivacionais do que os seus colegas do sexo masculino. Adicionalmente, é possível afirmar que os investigadores tendem a dar mais importância às normas presentes no conceito de CUDOS que as investigadoras.