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3 NOVA TEORIA INSTITUCIONAL

1.2 OBJETIVO GERAL

O objetivo geral deste estudo é descrever as evidências de gerenciamento da legitimidade aplicada aos aspectos correcionais nos RG das UF no período 2014-2016.

1.2.1 Objetivos específicos

Com base no objetivo geral, foram delineados os seguintes objetivos específicos: 1. Identificar os itens de divulgação voluntária das informações de correição divulgadas pelas Universidades Federais nos RG;

2. Analisar a assimetria informacional entre a evidenciação dos RG e as informações disponibilizadas no sistema CGU-PAD;

3. Analisar os elementos de isomorfismo e de diferenciação e seu comportamento nas evidenciações correcionais nas universidades em estudo.

1.3 JUSTIFICATIVA

O presente estudo pretende contribuir para a ampliação do conhecimento quanto ao gerenciamento das informações de correição nas Universidades Federais Brasileiras sob a ótica da teoria da legitimidade. Ao realizar uma busca pela produção bibliográfica recente a respeito dessas temáticas, destaca-se que não foram encontrados estudos anteriores com essa abordagem.

No setor público, há grande preocupação em cumprir as obrigações legais dentro dos prazos e divulgar apenas o que é exigido em lei, sem conter um detalhamento ou informações complementares. Segundo Zorzal (2015), não obstante a legislação referente à elaboração dos RG, bem como da prestação de contas incentivarem a divulgação de informações adicionais, que os gestores públicos julguem esclarecedoras e fundamentais para a compreensão da gestão, a prática mostra que há uma reduzida divulgação voluntária.

Divulgar voluntariamente está atrelado ao cumprimento ético e moral das organizações, sendo que as entidades estão se dando conta da importância de disseminar informações ao público interno e externo (BOFF, 2007). Sobre essas questões, Murcia (2009,

p. 22) explica que “[...] o nível de assimetria informacional diminui à medida que se aumenta o nível de divulgação, ou seja, possuem uma relação inversa”.

Quanto aos aspectos teóricos, a teoria da legitimidade é uma das formas de explicar as práticas de evidenciação voluntária (GUTHRIE; PARKER, 1989; O’DONOVAN, 2002), fundamentando-se na ideia de que existe um contrato social entre organização e sociedade (DIAS FILHO, 2007).

Acompanhar a gestão dos recursos públicos contribui para a identificação de erros e fraudes, bem como para a verificação da eficiência, a fim de atender aos interesses coletivos da sociedade. Outrossim, o dever de prestar contas está atrelado à responsabilização dos gestores e deve abranger elementos satisfatórios que justifiquem as práticas do gestor público. Cabe ressaltar que a gestão de recursos não se refere apenas às aquisições realizadas pela administração pública, mas também aos resultados dos processos e práticas da organização frente aos ilícitos praticados.

No Poder Executivo Federal, o Ministério da Educação (MEC) é o segundo órgão superior com maior quantidade de vínculos de servidores em exercício (32,18%), perdendo somente pelo Ministério da Defesa (41,47%) (CGU, 2018). No caso do Ministério da Defesa, existem normatizações específicas para apuração de ilícitos administrativos, enquanto os servidores civis são submetidos à Lei 8.112/90 e demais normas. Considerando que o MEC é o órgão superior com maior número de servidores civis ativos, optou-se pela análise dos sistemas de correição das Universidades Federais.

Conforme o “Relatório de acompanhamento das punições expulsivas aplicadas a servidores estatutários do Poder Executivo Federal”, emitido pela CGU (2018), em 2014, o MEC foi a segunda pasta com maior representatividade do total de punições (demissão, cassação de aposentadoria e destituição) aplicadas, totalizando 18% (98 punições). Em 2015, o MEC apresentou a maior representatividade, alcançando 24% (130 punições) do total de punições aplicadas. Por fim, no exercício 2016, foram aplicadas 101 punições (18%). Cabe destacar que 65,5% das punições expulsivas aplicadas no período 2013-2017 referem-se a “ato relacionado à Corrupção1".

A escolha das Universidades Federais como objeto de investigação justifica-se frente aos dados evidenciados anteriormente. Segundo Donato (2017), a universidade possui um

1 São consideradas penalidades fundamentadas em atos relacionados à corrupção aquelas efetivadas com base

nos incisos LXI e IX, do artigo 43, da Lei n° 4878/65, nos incisos IX, XII e XVI do artigo 117, da Lei n° 8112/90, e incisos IV, X e XI, do artigo 132, da Lei n° 8112/90. São consideradas como proceder de forma desidiosa as penalidades fundamentadas no inciso XV do artigo 117, da Lei n° 8112/90, que não tenham sido cumulativamente enquadradas como condutas dolosas (CGU, 2018).

papel e um potencial de grande impacto econômico para a sociedade. As UF apresentam uma gestão limitada, apesar da sua importância social e do recebimento considerável de recursos públicos. A ampliação da transparência poderá estimular uma Administração Pública mais aberta com incentivo ao controle social (ZORZAL, 2015). A divulgação dos RG das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), presta contas do uso dos recursos públicos aos órgãos fiscalizadores e permite o exercício do controle tornando a gestão transparente. Ademais, contribui para o controle gerencial, pois os relatórios de gestão contemplam informações essenciais para a tomada de decisão e “[...] que devem permitir uma visão sistêmica e transparente do desempenho e da conformidade da gestão dos responsáveis” (ZORZAL, 2015, p. 23).

A partir dessas considerações, esta pesquisa analisou as informações correcionais das UF apresentadas no RG e as informações do relatório CGU-PAD no período 2014-2016, tendo em vista a uniformidade da apresentação das informações. Como o RG do exercício 2017 não estava disponível no momento da definição das variáveis, optou-se por não incluí-lo no estudo.

Com esta pesquisa, espera-se contribuir com a transparência pública no que tange à compreensibilidade e qualidade das informações, uma vez que a disponibilização dos dados nem sempre é eficaz e suficiente para uma correta interpretação das contas públicas. Do ponto de vista teórico, não foram encontrados estudos que analisassem as informações de correição na perspectiva da teoria da legitimidade. Espera-se que este trabalho contribua com a bibliografia sobre o tema em estudo.

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