4. CAPÍTULO IV – ENQUADRAMENTO LEGAL DA FORMAÇÃO CONTÍNUA DE
4.2 Decreto-Lei nº 249/92 de 9 de novembro Regime Jurídico da Formação Contínua
4.2.1 Objetivos, áreas de formação e modalidades
O Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores (RJFCP) prevê como objetivos fundamentais da formação contínua:
a) a melhoria da qualidade do ensino e das aprendizagens, através da permanente atualização e aprofundamento de conhecimentos, nas vertentes teórica e prática;
b) o aperfeiçoamento das competências profissionais dos docentes nos vários domínios da atividade educativa quer a nível do estabelecimento de educação ou de ensino, quer a nível da sala de aula;
c) o incentivo à autoformação, à prática da investigação e à inovação educacional; d) a aquisição de capacidades, competências e saberes que favoreçam a construção da autonomia das escolas e dos respetivos projetos educativos;
e) o estímulo aos processos de mudança ao nível das escolas e dos territórios educativos em que estas se integrem suscetíveis de gerar dinâmicas formativas; e
f) o apoio a programas de reconversão profissional, de mobilidade profissional e de complemento de habilitações.
Os efeitos previstos para as ações de formação contínua são relativos à apreciação curricular e para progressão na carreira docente (artº 5º).
Constituem áreas de formação contínua (A) as ciências de especialidade que constituam matéria curricular nos vários níveis de educação e ensino a que se reporta o presente diploma; (B) Ciências da Educação; (C) Prática e investigação pedagógica e didática nos diferentes domínios da docência e; (D) Formação pessoal, deontológica e sociocultural.
Tendo em conta os objetivos para formação contínua, as ações de formação contínua revestem as seguintes modalidades:
Cursos/Módulos de Formação 1
Ao curso de formação é concedida uma função global de aquisição de conhecimentos, capacidades e competências por parte dos professores com o intuito de desenvolver a autoformação e a inovação educacional. Tem como objetivos principais: a atualização e aprofundamento de conhecimentos, nas vertentes teórica e prática; a
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Regulamento para acreditação e creditação de ações de formação na modalidade Curso/Módulo de Formação (1999)
IV – ENQUADRAMENTO LEGAL DA FORMAÇÃO CONTÍNUA DE PROFESSORES aquisição e desenvolvimento de capacidades e de instrumentos de análise e problematização das experiências dos professores em formação; e a o aperfeiçoamento das competências profissionais.
Os cursos de formação comtemplam predominantemente conteúdos dirigidos ao “saber” e ao “saber-fazer”. Neste sentido é fundamental a adequação das proporções entre sessões teóricas e sessões práticas.
O processo de avaliação dos formandos poderá consistir na elaboração de um produto a construir ao longo do curso ou a ser elaborado na sua parte final.
Não se definem limites de duração mínima ou máxima pois deve ser considerado como critério de duração a sua correspondência adequada aos objetivos propostos.
Frequência de disciplinas singulares em instituições de ensino superior2
Para a acreditação de disciplinas singulares em instituições de ensino superior é necessário o cumprimento das seguintes condições:
- prosseguirem objetivos de entre referidos no artigo 3º RJFCP (acima referidos); - incidirem em, pelo menos, uma das áreas referidas no artigo 6º do RJFCP (acima referidas);
- integrarem o currículo de um curso cuja condição de acesso seja a titularidade de um bacharelato ou de uma licenciatura, à exceção dos cursos de licenciatura em Ciências da Educação;
- serem realizadas em regime de frequência obrigatória a, pelo menos, dois terços das aulas correspondentes;
- serem ministradas por instituições de ensino com vocação adequada ao domínio a que respeitam.
O número de créditos a atribuir decorre da aplicação do nº1 do artigo 14º do RJFCP, tomando como horas de formação:
a) Doutoramento: correspondente a 600 horas de formação; b) Mestrado completo: correspondente a 400 horas de formação;
c) Parte curricular de Mestrado, Licenciatura ou Curso de Estudos Superiores Especializados, completo: correspondente a 300 horas de formação.
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46 Seminários3
O Seminário destina-se a exercitar os formandos no estudo autónomo e nos métodos e processos do trabalho científico, bem como na elaboração de relatórios e de outras produções escritas decorrentes do estudo e do trabalho científico.
Como modo de realização são desenvolvidos relatos, em grupo, de estudos e de investigação desenvolvidos pelos formandos, e o seu comentário e debate promovido pelos pares e pelos formadores. Cada formando deve apresentar um ensaio escrito sobre os estudos realizados ou um relatório da investigação produzido durante o Seminário.
Esta modalidade de ação de formação não deve ultrapassar 3 horas semanais distribuídas ao longo de 12 a 20 semanas.
Oficinas de Formação4
Esta modalidade é realizada segundo componentes do saber-fazer prático ou processual, orientada para os seguintes objetivos:
- delinear ou consolidar procedimentos de ação ou produzir materiais de intervenção definidos pelo conjunto de participantes como a resposta mais adequada ao aperfeiçoamento das suas intervenções educativas;
- assegurar a funcionalidade dos produtos obtidos na oficina, para a transformação das práticas;
- refletir sobre as práticas desenvolvidas;
- construir novos meios processuais ou técnicos.
Para a realização da Oficina, a identificação prévia e objetiva das necessidades de formação desempenha um papel relevante. Deverão ser criadas situações de socialização onde os formandos possam relatar as suas práticas efetivas, partilhando e refletindo de modo a equacionar novos meios processuais e técnicos.
A regulação e avaliação das atividades e dos materiais de intervenção, bem como dos resultados com eles atingidos devem corresponder às necessidades previamente sentidas.
O período de realização de um Oficina de formação não deverá ultrapassar um ano letivo.
3 Regulamento para acreditação e creditação de ações de formação na modalidade Seminário (1999) 4
Regulamento para acreditação e creditação de ações de formação na modalidade Oficina de Formação (1999)
IV – ENQUADRAMENTO LEGAL DA FORMAÇÃO CONTÍNUA DE PROFESSORES Estágios5
O Estágio é uma modalidade realizada segundo componentes de saber-fazer prático ou processual, orientada para os seguintes objetivos:
- reflexão sobre as práticas desenvolvidas;
- tratamento de aspetos específicos da atividade profissional; - aquisição de novas competências;
- construção de novos saberes, designadamente práticos ou processuais.
A realização do Estágio suporta-se, fundamentalmente, na atividade individual do formando com o acompanhamento e orientação do formador na procura de uma reflexão conjunta nas e sobre as práticas. Deverão ser proporcionadas “sessões presenciais conjuntas” nas quais os participantes do estágio se encontrem, em coletivo, para a realização de trabalho conjunto.
O período de realização de um Estágio não deve ultrapassar um ano letivo e terá de incluir sessões presenciais conjuntas” cuja duração oscile entre 15 e 30 horas de formação.
Projeto6
O Projeto como metodologia de formação está orientado para os seguintes objetivos:
- desenvolver metodologias de investigação-formação centradas na realidade experimental da vida escolar e /ou comunitária, no território educativo;
- incrementar o trabalho cooperativo em equipa e o diálogo pluri e interdisciplinar; - favorecer a capacidade para resolver problemas e desenvolver planos de ação; - aprofundar a capacidade para relacionar o saber e o fazer, a aprendizagem e a produção;
- potenciar a integração afetiva, a socialização e a realização de interesses pessoais e grupais.
“Pela sua natureza dialética, pela sua contribuição para «instaurar entre o actor e o seu meio uma relação que se transforma em acção (Barbier; 1993)», a metodologia do projecto, seja na sua forma de resolução de problemas socioprofissionais, sociocomunitários, sócio escolares, ou relativos ao universo dos alunos, seja na sua forma de construção de saberes e de saberes-fazer no âmbito do currículo, revela-se
5 Regulamento para acreditação e creditação de ações de formação na modalidade Estágio (1999) 6
48 como uma estratégia de grande alcance na prossecução dos objectivos de formação contínua estabelecidos no artigo 3º do decreto-lei 207/96, de 2 de novembro (RJFCP) ”
Na realização do Projeto devem ser planeadas “sessões presenciais conjuntas” onde os formandos produzam relatos sobre o seu trabalho, discutam metodologias e acertem mecanismos de desenvolvimento futuro.
O período de realização de um Projeto não deverá ultrapassar o horizonte de um ano letivo.
Círculo de Estudos7
O objetivos do Circulo de Estudos como metodologia de formação direcionam-se para:
- implicar a formação no questionamento e na mudança das práticas profissionais; - incrementar a cultura democrática e a colegialidade;
- fortalecer a autoconfiança dos participantes;
- consolidar o espírito de grupo, a capacidade para interagir socialmente e para praticar a interdisciplinaridade.
São vários os métodos que servem as ações de formação desta modalidade: os estudos de caso, o método dos problemas, o método da discussão, o guia de estudo, o método da representação e/ou o estudo de situações.
O Círculo de Estudos deverá decorrer num horizonte temporal mínimo de 10 semanas.
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Regulamento para acreditação e creditação de ações de formação na modalidade Círculo de Estudos (1999)
F IV – Figura 3 - mo – ENQUADR dalidades da RAMENTO LE formação co EGAL DA FO ontínua de pr ORMAÇÃO C ofessores
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