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EDUCAÇÃO SUPERIOR

6. CONCLUSÕES 392 REFERÊNCIAS

1.4. OBJETIVOS DA PESQUISA

Diante da crônica escassez de recursos destinados à educação, que termina por produzir os resultados supracitados na PNAD Contínua da educação em 2018 (IBGE, 2019), investiguei os gastos federais na educação superior, guiado por questões que nortearam o trabalho:

a. Qual concepção de financiamento baliza o Fies?

b. Quais modificações ocorreram no Fies desde a sua implementação? c. Quem faz a gestão dos recursos do Fies?

d. Quanto (em recursos orçamentários) é destinado ao Fies? E à educação superior?

e. Como os recursos destinados ao Fies modificaram o formato de contratação entre os atores envolvidos (União, Instituições e estudantes)?

f. Existe algum mecanismo de controle ou auditoria do Programa? Como isso é operado? g. Que resultados o Fies promoveu ao longo desses 21 anos?

A partir dessas questões, apresentei teorias e metodologias do campo de análise de políticas, que deram suporte à investigação pretendida. Utilizei livros, pesquisas na área, fontes de regulação, de gestão e outros estudos de políticas públicas em continuidade, na intenção de propor um novo contexto de análise de políticas públicas de educação superior, procurando, para isso, discutir a seguinte questão de pesquisa:

Como as reformulações realizadas no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) influenciaram ou modificaram o curso das políticas educacionais do ensino superior

Frente a esta questão norteadora, analisei também a intervenção estatal e demais atores interessados para a consecução das reformulações do Fies, procurando, assim, atingir outros objetivos específicos:

a. Contextualizar a educação superior brasileira em relação a políticas internacionais de expansão dessa etapa;

b. Identificar possíveis modelos de financiamento estudantil praticados em outros países; c. Situar a assistência financeira da União à educação superior no marco das políticas

públicas de financiamento a esta etapa;

d. Caracterizar o Fies em seus diferentes períodos;

e. Apresentar as mudanças mais importantes que as reformulações do Fies provocaram aos envolvidos;

f. Examinar a gestão do Fies em diferentes contextos de influência; g. Correlacionar o Fies a outras políticas públicas;

h. Identificar a influência do Fies na constituição do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024;

i. Compreender o papel do Estado atual frente à gestão da educação superior;

j. Identificar e analisar se o Fies se configura em uma política social alinhada a uma nova compreensão de Estado, neoliberal, que financia a educação privada com recursos públicos;

k. Examinar possíveis correlações entre o público atendido pelo Fies, como mecanismo de redução da desigualdade educacional e social brasileira.

Expostas a questão de pesquisa e os objetivos, registro que o estudo em tela procura contribuir para a qualificação das investigações em políticas públicas educacionais, ciente dos enfrentamentos necessários, quer seja, fazer uma análise exigente e científica da educação superior brasileira, frente às permanentes limitações de financiamento, descontinuidades políticas, accountability inadequada e o inconsciente coletivo de custar muito.

Em um país com problemas crônicos de universalização da educação básica, políticas públicas de acesso e permanência na educação superior ainda são vistas como menos importantes, ou devem aguardar que todos e todas sejam plenamente escolarizados para que haja real preocupação pelo ente público com esta rubrica, o que termina por legitimar, muitas vezes, que um país pobre deve creditar a educação superior à iniciativa privada. Nesse desiderato, persigo a educação terciária keynesiana, e não schumpeteriana, pois essa etapa não servirá apenas para formar pessoas, mas contribuir efetivamente para a sociedade.

A pesquisa em tela foi estruturada em seis capítulos. Neste, foram apresentados os pressupostos da pesquisa. No segundo, estabeleci os percursos teóricos que utilizei para o entendimento da análise de políticas públicas, e o método empreendido para a análise dos dados colhidos e respectivos arranjos e técnicas para a apresentação longitudinal do Fies, bem como os recursos bibliográficos e bancos de dados necessários. Aqui, também apresentei o desenho e as etapas de pesquisa seguintes.

O terceiro capítulo percorreu a educação superior brasileira, desde a colônia até os dias atuais, fazendo sempre a triangulação da história, da política e do financiamento da educação superior. Isso posto, caracterizei a estrutura da educação superior no país e as políticas de avaliação dessa etapa, desde a origem até hoje.

No quarto capítulo apresentei o Fies em profundidade, partindo da educação superior mundial, e respectivos sistemas de ensino e financiamento. Na sequência, discuti o programa desde 1975, até os desdobramentos contemporâneos, atravessando as diversas alterações, correções, reformulações e impacto do Fies na educação superior. Ainda aqui, discuti os impasses em torno das tensões do campo público-privado na educação superior, com especial atenção ao contexto histórico e econômico mundial e local.

No quinto capítulo analisei o Fies sob quatro aspectos: fiscal, econômico, estudantil e social, em diferentes tempos, utilizando uma série de ferramentas e bancos de dados adiantados no capítulo teórico-metodológico. Aqui, procurei descortinar o que é o Fies por dentro, mas, sobretudo quem é o estudante do Fies, e como a política impactou a educação superior no período em análise.

No sexto capítulo dirigi as conclusões do estudo, retomando cada etapa percorrida, na intenção de costurar os achados e discussões realizadas. Nesse momento, convidei o leitor a uma reflexão sobre a importância da manutenção do Fies para a expansão da educação superior, e como podemos defendê-la, em um momento histórico de incertezas.

Aqui, procurei trazer um aspecto que considero fundamental para o entendimento das reformulações empreendidas no Fies entre 2010 e 2016, em que pessoas e instituições de ensino superior privadas se utilizaram de brechas legais para desvirtuar os objetivos centrais da política social, quer seja, a expansão do acesso à educação superior: precisamos enfrentar a cultura intrínseca ao Brasil, de transformar até mesmo projetos de inclusão social em projetos privados, ou como exposto por Ribeiro (2018, p. 201), projetos de inclusão que terminam sendo apropriados não pelo Estado, “mas por seus beneficiários, sendo sequestrados de sua finalidade social para trazer status e dinheiro a indivíduos”.