4.2 O Conselho de Defesa Sul-Americano da UNASUL
4.2.2 Objetivos do Conselho de Defesa Sul-Americano
O Estatuto do Conselho de Defesa Sul-Americano definiu alguns objetivos gerais e um conjunto de objetivos específicos, visando delimitar suas ações.
Enquanto objetivos gerais foram definidos:
a) Consolidar a América do Sul como uma Zona de Paz, base para a estabilidade democrática e o desenvolvimento integral de nossos povos e como contribuição à paz mundial.
b) Construir uma identidade sul-americana em matéria de defesa, que considere as características sub-regionais e nacionais e que contribua para o fortalecimento da unidade da América Latina e Caribe.
c) Gerar consensos para fortalecer a cooperação regional em matéria de defesa (UNASUL, 2008e. Tradução própria).
Observe-se que os objetivos gerais do Conselho indicam questões importantes declaração da América do Sul como uma “Zona de Paz” (ANEXO 3), em 2012, nos termos assim colocados:
DECLARAÇÃO SOBRE A AMÉRICA DO SUL COMO ZONA DE PAZ O Conselho de Chefas e Chefes de Estado e de Governo da União das Nações Sul-Americanas – UNASUL, reunido em ocasião de sua VI Reunião Ordinária;
Verificando com satisfação a primazia da democracia na América do Sul e o compromisso de seus Países com o Direito Internacional, e consciente de
Reafirmando que a integração fortalece a visão de uma ordem internacional justa, afirmada no direito e numa cultura de paz que exclua o uso da força e dos meios não-legítimos de defesa, entre eles as armas de destruição massiva e, em particular, as armas nucleares;
Reafirmando a Declaração dos Presidentes da América do Sul, aprovada em sua segunda reunião, em Guayaquil, Equador, em 27 de julho de 2002, na qual se declara a América do Sul como Zona de Paz e Cooperação;
Recordando a decisão das Chefas e Chefes de Estado da UNASUL, reunidos em San Carlos de Bariloche, República Argentina, em 28 de agosto de 2009, de “fortalecer a América do Sul como Zona de Paz, comprometendo-nos a estabelecer um mecanismo de confiança mútua em matéria de defesa e segurança”;
Tendo presente as negociações realizadas visando a elaboração de um Protocolo de Paz, Segurança e Cooperação no Grupo de Trabalho do Conselho de Defesa Sul-Americano;
DECLARA:
1. O firme propósito dos Estados Membros da UNASUL de preservar a América do Sul como Zona de Paz e de impulsionar a plena realização dos seus fins, por meio da cooperação regional e bilateral.
2. Que o propósito da UNASUL para preservar a Zona de Paz Sul-Americana implica o respeito aos princípios e normas do direito internacional, incluindo os tratados internacionais dos quais os Estados membros são parte, as cartas das Nações Unidas e, em particular, o compromisso dos Estados de utilizar os meios de solução pacífica de controvérsias e de abster-se de recorrer à ameaça ou ao uso da força contra a integridade territorial de outro Estado.
3. O propósito de fortalecer as Medidas de Fomento da Confiança e Seguridade e seus procedimentos de aplicação, mediante ações tangíveis de transparência nos gastos militares adotados no marco da UNASUL, em especial o registro de gastos em defesa.
4. A promoção na região de uma cultura de paz baseada, entre outros, nos propósitos do Tratado Constitutivo da UNASUL e nos princípios da Declaração e Programa de Ação sobre Cultura de Paz das Nações Unidas.
5. O impulso de ações relacionadas ao estabelecimento da América do Sul como uma Zona Livre de Minas Antipessoais, no marco das obrigações contraídas pelos Estados parte nas convenções internacionais pertinentes.
6. O chamado a continuar no marco do Conselho de Defesa de Segurança Sul-Americano a negociação de um Protocolo de Paz, Segurança e Cooperação.
Lima, 30 de novembro de 2012 (UNASUL, 2012c. Tradução própria).
O segundo objetivo geral atribuído ao Conselho de Defesa Sul-Americano ganha muita importância se considerado que remete às preocupações com a questão regional, ou seja, com a construção de um projeto de defesa e de segurança que atenda às particularidades e singularidades da América do Sul, considerando-se a realidade de seus diferentes Países. Nesse sentido, é expressão de uma compreensão dos líderes sul-americanos quanto à importância de uma discussão que esteja vinculada às instâncias internacionais (como é o caso, por exemplo, do Conselho de Segurança da ONU), mas que, também, possa contemplar as preocupações, os problemas, as controvérsias, as potencialidades que se constituem a partir da experiência histórica e concreta dos Países sul-americanos.
E o terceiro objetivo, então, indica o interesse e a expectativa de que o Conselho pudesse impulsionar ações de cooperação entre os Estados membros da UNASUL na área de defesa e segurança, como, aliás, é detalhado nos objetivos específicos do Conselho:
a) Avançar gradualmente na análise e discussão dos elementos comuns de uma visão conjunta em matéria de defesa.
b) Promover o intercâmbio de informação e análises sobre a situação regional e internacional, com o propósito de identificar os fatores de riscos e ameaças que possam afetar a paz regional e mundial.
c) Contribuir para a articulação de posições conjuntas da região nos fóruns multilaterais sobre defesa, dentro do marco do artigo 14 do Tratado Constitutivo da UNASUL.
d) Avançar na construção de uma visão compartilhada a respeito das tarefas de defesa e promover o diálogo e a cooperação, preferencialmente com outros Países da América Latina e o Caribe.
e) Fortalecer a adoção de medidas de fomento à confiança e difundir as lições aprendidas.
f) Promover o intercâmbio e a cooperação no âmbito da indústria da defesa.
g) Fomentar o intercâmbio em matéria de formação e capacitação militar, facilitar processos de treinamento entre as Forças Armadas e promover a cooperação acadêmica dos centros de estudos de defesa.
h) Compartilhar experiências e apoiar ações humanitárias, tais como desminagem, prevenção, mitigação e assistência às vítimas de desastres naturais.
i) Compartilhar experiências em operações de manutenção da paz das Nações Unidas.
j) Intercambiar experiências sobre os processos de modernização dos Ministérios de Defesa e das Forças Armadas.
k) Promover a incorporação da perspectiva de gênero no âmbito da defesa (UNASUL, 2008e. Tradução própria).
O detalhamento desses onze objetivos específicos permite considerar pelo menos três planos de ações: a importância atribuída naquele momento à produção e
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planos de formação (construção e socialização de conhecimentos) sobre defesa e
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defesa (incluindo- ' / 0 ,. 1 + , )
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de gênero, como uma questão a ser incorporada na discussão sobre defesa e segurança.
Sobre essa última questão (a integração da perspectiva de gênero no âmbito da segurança e defesa), cabe notar que, em 2012, em consequência dessa preocupação manifestada nos próprios objetivos do Conselho de Defesa Sul-Americano, foi realizado o I Seminário Sul-Americano de “Avaliação da Incorporação da Mulher na Defesa”, promoção da UNASUL na Ilha de Margarita, Venezuela (CEED, 2012a). Contam no Repositório Virtual da UNASUL três documentos que registram o trabalho realizado em três mesas naquele seminário, que aqui são apresentados para enfatizar a relevância que o tema ganhou no âmbito do Conselho de Defesa Sul-Americano (ainda que não seja uma questão norteadora da análise apresentada nesta dissertação).
A Mesa 01 discutiu a “incorporação das mulheres em instituições governamentais e organizações de defesa” e os delegados e delegadas presentes concordaram com os seguintes pontos: 1. Promover o intercâmbio de conhecimentos e de experiências relacionados com a integração das mulheres em
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Recomendar ao Centro de Estudos Estratégicos da Defesa da UNASUL a construção de um instrumento de diagnóstico sobre a situação das mulheres na área da defesa, capaz de permitir aos Estados membros a elaboração de informes quantitativos e qualitativos sobre a integração das mulheres em instituições e
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Defesa da UNASUL desenvolva cursos de capacitação, incorporando a perspectiva de gênero (UNASUL, 2012d).
A Mesa 02 discutiu o “marco legal dos Países que apoiam a incorporação e a participação das mulheres na defesa”, elencando as seguintes propostas: 1.
Compartilhar entre os Estados membros da UNASUL informações no campo normativo para dar a conhecer aspectos formais que permitam fortalecer a
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da Defesa da UNASUL que busque o compêndio normativo existentes (quando existentes) nos Países em matéria relacionada à participação das mulheres nas
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perspectiva de gênero em sua agenda de trabalhos, destacando a importância da ,. 4 $citar à Secretaria Geral da UNASUL que cobre dos Países membros a disponibilização de toda a normativa relacionada à perspectiva de gênero na área da defesa (UNASUL, 2012e).
Por fim, a Mesa 03 discutiu a “participação e o emprego da mulher como pessoal militar nas forças armadas dos Países sul-americanos”, tirando como proposta final das discussões: 1. O apoio, por parte do pessoal militar feminino venezuelano, aos Países membros da UNASUL interessados, assistência em processos de planificação e execução de programas de formação e capacitação de
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Sul-Americano a conformação de espaços no âmbito dos Ministérios de Defesa (criação de Conselhos, Comitês, Observatórios), a partir dos quais análises sobre a situação das mulheres nas Forças Armadas sejam realizadas, assim como estudos sobre a integração das mulheres na área da defesa. A mesa 03, em seu relatório, apresenta, ainda, uma análise de diferentes aspectos relacionados à situação das mulheres na área da defesa, destacando a necessidade de normativas específicas, garantias de maior equidade, controle de práticas de discriminação e assédio sexual, necessidade de avançar na criação de melhores condições de integração do trabalho com a vida familiar (UNASUL, 2012f).
Registre-se que nem todos os Países membros da UNASUL participaram do Seminário. Constam nas três mesas de trabalho assinaturas somente das seguintes delegações: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Suriname e Venezuela (UNASUL 2012d, e, f).