Os objetivos deste trabalho são:
Verificar o modelo de Saúde privilegiado por alunos do último ano de Fisioterapia.
a. Identificar a compreensão dos alunos do último ano do curso de
b. Identificar a compreensão que alunos de Fisioterapia tem sobre a
profissão.
c. Identificar a compreensão dos alunos sobre a relação fisioterapeuta-
paciente
d. Verificar se a compreensão da profissão condiz com as atitudes que os
alunos dizem ter em relação aos pacientes.
.
Capítulo V
MÉTODO
O caminho escolhido para a coleta de dados teve por base a pesquisa
qualitativa, considerando que esta se preocupa em estudar o fenômeno a partir da
experiência vivida pela pessoa (MARTINS, BICUDO, 1989). O estudo em questão,
partiu do pressuposto de que as compreensões dos alunos sobre as questões abordadas
são construídas de uma maneira individual e grupal e ligam-se ao contexto em que cada
pessoa vive. A técnica utilizada nesta pesquisa foi a Análise de Conteúdo, descrita por
Bardin (1979, p.42), como:
Conjunto de técnicas de análise das comunicações
visando obter, por procedimentos, sistêmicos e objetivos de
descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos
ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às
condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas
mensagens.
4.1 PARTICIPANTES
Participaram desta pesquisa 10 alunos do último ano do curso de Fisioterapia de
uma Universidade de grande porte da cidade de São Paulo, sendo três do sexo
masculino e sete do sexo feminino. O número de participantes, de acordo com Minayo
(1992) e Neto (2001), se justifica pela repetição dos dados, o que determinou a
quantidade material para a análise.
A seleção da amostra se deu por sorteio, todos os alunos matriculados e cursando
o último semestre foram listados e o sorteio feito aleatoriamente. Uma vez que o intuito
desta pesquisa foi entender como os conceitos abordados são assimilados no momento
dos primeiros contatos com os pacientes, logo após terem passado pelos três anos de
formação teórica, foram excluídos os alunos que já possuíam uma outra formação
superior na área da Saúde. Esta exclusão se deu pelo fato de considerar que seus
depoimentos não seriam tão desprovidos da influência do exercício profissional fora da
Fisioterapia, podendo sofrer algum tipo de contaminação em função de contatos
profissionais prévios. Vale ressaltar que os estágios curriculares têm duração de dois
meses e meio cada e que os alunos haviam cursado dois estágios, não necessariamente
iguais entre todos os participantes.
As entrevistas 1, 2, 7, 8, 9 e 10 foram realizadas na sala dos professores da
Clínica de Fisioterapia da Universidade, durante o período das férias escolares. As
entrevistas 3 e 5 foram realizadas na biblioteca de um outro campus da Universidade,
em uma das salas de estudo, e a entrevista 4 foi realizada na biblioteca do campus da
Clínica de Fisioterapia. As entrevistas foram realizadas no período de junho a agosto de
2005.
4.3 INSTRUMENTO
O instrumento utilizado nesta pesquisa foi uma entrevista semi-dirigida, que
segundo Asti Vera (1973), a favorece uma melhor compreensão pelos entrevistados das
questões propostas, além de possibilitar não só a obtenção pura das respostas, mas
também observar a forma como o entrevistado responde às perguntas. Para tanto é
necessária a boa preparação e condução da entrevista pelo entrevistador. Corresponde
ao entrevistador criar um clima favorável à entrevista para que o entrevistado responda
às perguntas com honestidade. O entrevistador deve ser imparcial ao realizar as
perguntas e não influenciar o entrevistado nas suas respostas.
Da mesma forma, Bleger (1980) diz que a entrevista tem um papel importante
na investigação de dados. A entrevista semi-dirigida permite uma maior flexibilidade do
entrevistador.
A escolha pela entrevista semi-dirigida seguiu-se a uma primeira tentativa
feita por meio de um piloto. Para o piloto foi desenvolvido um questionário com
perguntas abertas sobre Saúde, doença e paciente e uma segunda parte com perguntas
fechadas relacionadas aos aspectos biológico, psicológico, social e cultural
separadamente. Nesta segunda parte os alunos só respondiam sim ou não às perguntas.
Analisando as respostas obtidas percebeu-se que o questionário sugestionava as
respostas dos alunos e, por isso, foi escolhido como instrumento da pesquisa a entrevista
semi-dirigida, na qual as respostas dos entrevistados seguem a sua própria linha de
pensamento, através de suas experiências tanto pessoais como profissionais, sempre
dentro do foco colocado pelo entrevistador (TRIVIÑOS, 1990).
Assim sendo, visando atender os objetivos propostos, o instrumento utilizado
para a coleta de dados foi a entrevista semi-dirigida, cujo roteiro foi o seguinte:
Dados de identificação:
Idade:
Sexo:
Já foi paciente de Fisioterapia:
Trabalho paralelo ao estudo:
Estágios extracurriculares:
Saúde – Doença
O que é saúde?
O que é doença?
Existe alguma relação entre saúde e doença?
A Fisioterapia
O que é Fisioterapia?
Qual o campo de atuação do fisioterapeuta?
A formação em Fisioterapia
Quais as disciplinas que você considera essenciais para ser um fisioterapeuta? Qual
você sentiu falta? O que você agregaria?
Exercício da Fisioterapia
Que fatores são importantes na execução do trabalho do fisioterapeuta?
Quais dificuldades você percebeu na execução do seu trabalho como fisioterapeuta?
Que objetivos você tem ao exercer a sua função de fisioterapeuta na clínica?
Que fatores você acredita que contribuem para que o atendimento alcance os seus
objetivos?
Nós fisioterapeutas somos responsáveis pela cura do paciente?
O paciente
Na sua opinião, Quem é paciente em Fisioterapia?
O paciente tem algum papel no processo de tratamento fisioterapêutico?
Saber sobre a vida pessoal do paciente faz parte do nosso trabalho como fisioterapeutas?
Você acha que o paciente pode preferir permanecer doente à cura?
O relacionamento terapeuta-paciente
Como deve ser o relacionamento entre fisioterapeuta e paciente?
Nós fisioterapeutas somos responsáveis pela cura do paciente?
Equipe multidisciplinar
Como você entende o tratamento multidisciplinar?
4.4 PROCEDIMENTO
O projeto desta pesquisa passou pela apreciação do Comitê de Ética e foi
aprovado em junho de 2005. Com a finalidade de acatar, incondicionalmente, às normas
elaboradas pelo Conselho Nacional de Saúde, pertinentes à Resolução 196/96, no que
tange às pesquisas científicas que envolvam a colaboração de seres humanos, utilizou-se
o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
A coleta de dados foi realizada após os alunos terem concluído a primeira e a segunda
bateria de estágios do último ano. Todos os alunos percorreram quatro baterias de
estágio, em diferentes áreas, sendo estas: ortopedia, neurologia, geriatria e Fisioterapia
hospitalar.
Foram escolhidos para este estudo os alunos que estavam para iniciar a terceira bateria
de estágio, já que eles haviam tido contato com pacientes nas duas baterias anteriores
tendo desta maneira alguma experiência no contato com pacientes. As entrevistas foram
realizadas individualmente. Foi feita a leitura do termo de consentimento livre e
esclarecido (Anexo B), e após esclarecimento das dúvidas do entrevistado e assinatura
do termo a entrevista foi gravada em áudio, sempre com o consentimento do
entrevistado.
Depois de realizado contato por e-mail com os possíveis entrevistados, foi combinado
um encontro, no qual a data e hora eram escolhidas pelo entrevistado, no período das
férias escolares. Apenas um aluno sorteado não pode comparecer para realização da
entrevista e por isso foi feito um novo sorteio para escolha do último aluno. Todos os
alunos apresentaram-se dispostos em responder às perguntas. No início os entrevistados
ficaram tímidos com a presença do gravador, mas após alguns minutos ele era
esquecido. As entrevistas duraram em média 40 minutos, sendo que a mais longa durou
1 hora e 20 minutos e a mais curta 30 minutos. As entrevistas eram encerradas após a
conclusão do roteiro e quando o entrevistado não tinha nada mais a acrescentar.
Vale ressaltar que a primeira entrevista realizada não foi analisada já que foram
realizados alguns ajustes na forma como as questões eram colocadas e foram
acrescentadas algumas questões, para então chegar no roteiro definitivo que foi aplicado
nos outros dez entrevistados.
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(páginas 38-44)