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2. Enquadramento contextual

2.3 Objetivos e finalidades do estágio

O tema da cooperação e do desenvolvimento internacional que decidi desenvolver ao longo meu estágio foi proposto pela associação. Desta forma, no primeiro contato que fiz foi-me apresentada a candidatura do “ Projeto das Escolas Comunitárias” sendo grandes as expetativas, por parte da associação na sua aprovação. Para a ADLML a aprovação da candidatura seria o reflexo do empenho e do trabalho dedicado a ela e seria também a ponte de partida para a intervenção a nível internacional, nomeadamente na guiné bissau.

O projeto das escolas comunitárias é todo ele baseado no papel da educação e da formação, enquanto potenciadoras de desenvolvimento humano e de crescimento económico. Acreditando que é sobretudo através da educação, que os cidadãos se tornam pessoas informadas e consequentemente, conscientes e críticas em relação ao contexto em que se inserem, tornando-se autónomas para concordar ou não com a sua sociedade e sendo capazes de se mobilizar caso estejam insatisfeitos.

Assim, foram encontrados bons motivos para acompanhar durante estes meses a associação neste seu trajeto de iniciação à área da cooperação e do desenvolvimento internacional. A nível de intervenção foi solicitado pela associação a elaboração e a pesquisa de candidaturas a financiamentos no âmbito da cooperação e do desenvolvimento internacional. No âmbito da investigação, inicialmente foi-me dito que eu teria a oportunidade de deslocação à república da guiné bissau, para dessa forma aferir in loco as necessidades educativas sentidas no pais e assim esboçar a minha proposta de formação para as escolas. Contudo essa oportunidade não surgiu. Assim, contornando essa limitação, a nível de investigação o trabalho centrou-se em acompanhar o trabalho que outras entidades desenvolviam na área da cooperação e desenvolvimento, de forma a aprender com a experiência e assim transpor algumas ideias para o “Projeto das Escolas Comunitárias”. A investigação passou por aprofundar conhecimentos sobre a área da cooperação e do desenvolvimento internacional, sobre a guiné bissau e passou por um estudo mais concreto do papel da formação e dos recursos humanos, enquanto potenciadores de sucesso dos projetos de cooperação e desenvolvimento.

Os conceitos “ formação” e “ recursos humanos” tornaram-se alvo de inúmeros discursos e associaram-se a várias dimensões da vida humana, nomeadamente para fazer referência a políticas e a práticas que apelam a sociedades mais produtivas, eficazes e competitivas. Esse apelo é facilmente associado ao desenvolvimento progressivo das tecnologias da informação e

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da comunicação e às conceções capitalistas de desenvolvimento. Embora para muitos o sistema capitalista esteja em crise, a sua permanência e influência contínua indiscutível, nomeadamente através da sua mutação para políticas neoliberais resultantes da crescente globalização. Esta influência é igualmente visível no campo educativo onde encontramos facilmente palavras romantizadas, que apenas são camuflagens e ocultações de princípios económicos pouco interessados num desenvolvimento humano holístico.

A missão estratégica da educação tem sido alvo de inúmeras “lutas” e reflexões: por um lado, apela-se a uma educação descentralizada, territorial, focada no público-alvo e nas suas necessidades pessoais, socioeconómicas e culturais; por outro lado, encontramos uma missão educativa meramente estratega e utilitária no tratamento do público-alvo, sendo estes idealizados como a principal via para o desenvolvimento do seu país, permitindo a entrada e permanência nos mercados internacionais. Mas será que o crescimento económico e a competitividade no mercado internacional traduzem-se consequentemente em desenvolvimento social das suas populações? Como já ficou testemunhado, crescimento económico não é sinónimo de desenvolvimento social. Sendo que os países economicamente estabilizados ainda não conseguiram suprir lacunas graves em relação aos países subdesenvolvidos, contribuindo em algumas situações para o acentuar do seu empobrecimento.

A cooperação e desenvolvimento internacional constitui uma das vias dos países desenvolvidos ajudarem os países subdesenvolvidos. Esta área é gerida a nível estatal por organismos tutelados pelo ministério dos negócios estrangeiros, que ajudam maioritariamente através de subvenções, do financiamento de projetos de instituições, sendo muitas dessas instituições ONGD.

Os recursos humanos são encarados como tendo um papel estratégico e central no alcance dos objetivos de qualquer projeto, seja este de dimensão micro ou macro. Caso não exista um supervisionamento e a adequação das características do perfil humano às características contextuais, o projeto pode não ter sucesso, no alcance dos seus objetivos.

Para além do papel dos recursos humanos, a formação inicial para os futuros agentes de cooperação pode também ser analisada e problematizada, interessando questionar qual é o papel da formação no âmbito de um projeto com características tão peculiares e sobretudo que como ela é visionada por uma ONGD: Prevalência de valores humanistas ou económicos?

Desta forma, designamos esta intervenção e investigação da seguinte forma: O papel da

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desenvolvimento internacional: Um estudo de caso numa Associação de Desenvolvimento Local.

Objetivos Gerais

 Compreender as dinâmicas diretamente relacionadas com a cooperação e desenvolvimento Internacional;

 Identificar a importância da formação, enquanto instrumento de oportunidade ou de ameaça, nos projetos de intervenção internacional;

 Contribuir para a construção de um dispositivo de formação;

 Identificar/conceber a política de seleção de recursos humanos mais adequada ao projeto de intervenção;

Objetivos Específicos:

 Decompor os vários elementos base ligados à cooperação internacional (principais projetos, países e entidades responsáveis envolvidas);

 Aprofundar conhecimentos sobre a guiné bissau;

 Reconhecer os aspetos em que a formação adequada é importante no sucesso dos projetos;

 Elaborar uma proposta de formação que possa posteriormente ser utilizados pela associação;

 Definir os perfis formativos e as competências a privilegiar nos técnicos de intervenção. No sentido de alcançar esses objetivos foram propostas a realização das seguintes atividades:

Atividades de cariz interventivo

 Apoio à associação na elaboração de candidaturas a financiamentos;  Estabelecer parcerias;

Apoio noutras atividades solicitadas pela instituição;

Atividades de cariz de investigação

 Levantamento de bibliografia existente sobre a problemática (teses, livros, revistas);  Estudo de entidades ligadas à área da cooperação e desenvolvimento internacional e dos

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Realização de entrevistas e conversas informais com atores da área;

Frequentar e analisar criticamente formações dadas a técnicos de intervenção;

 Realização de inquéritos a atores e pessoas interessadas/envolvidos na área da cooperação e do desenvolvimento internacional;

 Leitura e análise de textos importantes para a problemática no âmbito das teorias da educação e da formação;

 Leitura e análise de outros documentos como orientações de estâncias nacionais e internacionais.

Simulação de entrevistas no âmbito da seleção dos recursos humanos.

Todas as atividades foram realizadas com a exceção da simulação de entrevistas da seleção de recursos humanos, visto que o desenrolar do estágio não permitiu esta atividade, pois a associação não chegou sequer a receber currículos destinados a futuros agentes de cooperação. Relativamente às restantes atividades, de uma forma geral, todas foram conseguidas, tendo contribuído para o alcance de informações e conhecimentos pertinentes no âmbito do processo de intervenção e investigação.

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