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MOVIMENTOS GRAVITACIONAIS DE MASSA 219 9 CONCLUSÃO

1.3 OBJETIVOS 1 Objetivo Geral

1.3.2 Objetivos Específicos

1 Mapear e analisar os fatores condicionantes dos processos de instabilidade das encostas, geradores dos movimentos gravitacionais de massa.

2 Investigar (para as áreas de maior representatividade) o padrão de ocupação urbana: o modo (a forma) e o modelo (o desenho urbanístico) que contribuem para os fatores de instabilidade das encostas, geradores dos movimentos gravitacionais de massa.

3 Mapear e analisar a evolução espacial e temporal de ocupação das encostas e as alterações e intervenções no sítio de ocupação.

4 Analisar, de forma integrada, o padrão de ocupação com indicadores socioeconômicos da população.

1.4 JUSTIFICATIVA

O inventário da área analisada apontou a ausência de estudos científicos e específicos dos movimentos gravitacionais de massa referentes às encostas, na área urbana do município de Biguaçu. Os trabalhos técnicos realizados por iniciativa da prefeitura municipal, através da Secretaria do Planejamento e Defesa Civil, identificaram os locais com risco de deslizamentos, incluindo os locais onde já ocorreu a movimentação do material da encosta.

Isso resultou, por parte da Secretaria do Planejamento, em mapas que delimitam cinco áreas de risco de deslizamentos na área urbana. A Defesa Civil do município elaborou relatórios e outros documentos referentes às condições das residências e do entorno das áreas urbanas com riscos iminentes de deslizamentos, que são: relatório de vistoria em local de deslizamento no bairro Prado, em 2009; documento respondendo solicitação da administração municipal sobre as áreas sujeitas a deslizamentos e inundações, em 2010; ofício à Defesa Civil Estadual, em 2010, solicitando apoio técnico para análises e elaboração de pareceres; ofício encaminhado ao Secretário de Estado da Defesa Civil, em 2012, solicitando apoio técnico para o mapeamento das áreas de risco do Município de Biguaçu.

Integrando a Mesoregião da Grande Florianópolis, o município de Biguaçu está em segundo lugar entre os cinco municípios que mais sofreram adversidades climáticas, somando todos os desastres naturais.

Florianópolis foi o município mais impactado (HERRMANN; ALVES, 2014).

A ocupação das encostas localizadas na área urbana abrange áreas ocupadas de forma irregular e sem ordenamento, que estão sujeitas a novas ocupações. As ocupações estendem-se até aproximadamente a meia encosta, mas em alguns locais já avançam em direção às partes mais elevadas dos morros. As áreas da alta encosta estão cobertas com vegetação secundária em diferentes estágios de regeneração, transpostas por poucas estradas, sem pavimentação nem drenagem.

Associado a fatores urbanos locais, é relevante destacar a localização geográfica da cidade de Biguaçu, que faz parte da região metropolitana da Grande Florianópolis. Integrando a área conurbada de Florianópolis, recebe o fluxo de migrantes que têm a capital como destino, mas, devido ao alto custo de vida na capital do Estado, residem nas cidades vizinhas, geralmente ocupando as áreas de expansão urbana nos municípios do entorno. Assim, além da carência local por habitação, acrescenta-se o atendimento da demanda social das famílias que chegam à cidade com a possibilidade de ocupar as áreas de encostas.

As tabelas 01 02 apresentam o crescimento da população dos municípios da área conurbada de Florianópolis, no período de 1960 a 2010. Observa-se o acréscimo da população da região conurbada no período, com significativo aumento a partir da década de 1980. Os municípios com maior aumento populacional no início do século XXI foram, na sequência, Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu. Entre esses municípios, Biguaçu foi o que apresentou o menor percentual de crescimento, porém apresenta aumento significativo da população a partir da década de 1980.

As informações mostram o crescimento da população do município de Biguaçu na área urbana, já que a população rural apresentou significativo decréscimo a partir da década de 1970, mantendo a tendência de redução, porém menor para a última década.

Tabela 01: Evolução da população rural e urbana e densidade demográfica dos municípios da região conurbada de Florianópolis conforme Censo do IBGE 1960, 1970, 1980, 1991 e 2000.

Fonte: Mendonça, 2002.

Observação: em 1994 houve a redução da área do município de São José, devido ao desmembramento do município de São Pedro de Alcântara.

Tabela 02: Evolução da população rural e urbana e densidade demográfica dos municípios da região conurbada de Florianópolis, conforme Censo do IBGE 2010.

Fonte: IBGE, 2010a, b.

Na análise da ocupação das encostas urbanas, as condições socioeconômicas estão presentes no padrão de construção das habitações. A tendência é que as famílias de menor poder aquisitivo se estabeleçam em áreas impróprias para ocupação, em edificações precárias. No entanto, áreas de risco em encostas são ocupadas também por edificações de melhor padrão construtivo e famílias com renda mais elevada.

Esse contexto é encontrado nos bairros Prado e Saudade e áreas adjacentes à BR 101, que mostram a ocupação em setores impróprios das encostas, que apresentam risco aos movimentos de massa. Por outro lado, isso indica a carência de políticas públicas e de planejamento territorial municipal em disciplinar o uso da terra ao longo da evolução da ocupação das encostas urbanas. Ou seja, pode-se falar de uma vulnerabilidade institucional do agente público na gestão integral do risco (CHARDON, 2008a; RIOS, 2004).

Assim sendo, esta pesquisa visa agregar conhecimentos aos demais estudos sobre a ocupação das encostas urbanas. O mapeamento e a análise

integrada, além de instrumentos da pesquisa científica, são ferramentas do planejamento e da gestão urbana referente ao controle da ocupação das encostas. A aplicação desses instrumentos possibilitará uma leitura dos processos naturais e antrópicos relativos aos movimentos de massa. Poderá contribuir, ainda, com o planejamento municipal e com as ações da Defesa Civil local nas atividades de prevenção e mitigação dos riscos referentes à ocupação das encostas.

Os estudos das áreas de risco aos movimentos de massa exigem, continuamente, a produção do conhecimento técnico e científico, devido às diferenças regionais e locais a serem consideradas e à dinâmica da evolução da paisagem. Neste projeto, a abordagem geomorfológica tem o foco nos processos condicionantes do meio natural, e também nas intervenções de uso e ocupação do solo urbano que alteram significativamente a resistência à ruptura do material superficial, o solo, que recobre as encostas. O padrão de ocupação das encostas reflete os fatores socioeconômicos e culturais que implicam na organização socioespacial local.

A urbanização e o surgimento das áreas urbanas conurbadas — e das metrópoles, de forma mais específica — bem como a expansão dos centros urbanos e a ocupação das áreas de morros alteram o relevo para o estabelecimento das edificações e das estruturas urbanas. Os movimentos de massa nas encostas são fenômenos naturais e sucessivamente registrados ao longo do século XX (OLIVEIRA, BRITO, 1998), principalmente nas últimas décadas. São objetos de estudos dos pesquisadores que buscam o entendimento dos processos condicionantes e deflagradores dos eventos, e a intensidade dos processos hidrológicos e geomorfológicos envolvidos. Da mesma forma, tornou expressiva a necessidade do reconhecimento do risco de movimentos de massa nas encostas urbanas, sob diferentes formas e modelos de ocupação.