• Proteger o solo contra a erosão superficial;
• Criar condições para germinação de sementes;
• Reduzir a erodibilidade e incorporar matéria orgânica no solo;
• Reduzir a insolação direta sobre o solo;
• Reduzir o escoamento superficial da água;
• Possibilitar a infiltração de água no solo;
• Reduzir o carregamento de sedimentos para os cursos d’água;
• Incorporar e manter os nutrientes no solo;
• Melhorar o aspecto visual da área;
• Proporcionar rapidez no processo de revegetação;
• Proteger margens de cursos d’ água reservatórios e áreas alagadiças.
7 REQUISITOS LEGAIS
O respaldo da recuperação de áreas degradadas fundamenta-se através do mecanismo legal encontrado na Constituição Federal do Brasil de 1988, que dispõe em seu Artigo 225, parágrafo 1º, inciso I, e parágrafos 2º e 3º a garantia do direito universal de um meio ambiente preservado e em equilíbrio, e estabelece como dever dos cidadãos e do Poder Público a responsabilidade de protegê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
Por meio do Artigo 23, inciso VI e VII, estabelece a Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente, em seu Artigo 2º, no inciso VIII a criação da Política Nacional de Meio Ambiente objetiva a garantia da integridade, da melhoria e da recuperação da qualidade do meio
ambiente, preservando as condições de desenvolvimento, proteção da vida humana, e a recuperação de áreas degradadas.
Lei Federal nº 9.433/1997 – Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989.
Resolução CONAMA nº 001/1986 – Dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental.
No Decreto nº 97.632, de 10 de abril de 1989 – regulamenta-se o Art. 2º, Inciso VIII, da Lei nº 6.938/81 através dos Artigos 1º, 2º e 3º: definindo que os empreendimentos minerais são obrigados a apresentar um estudo e um relatório de impactos ambientais anexados a um plano de recuperação ambiental, que deverá ser aprovado pelo órgão ambiental responsável, sendo que os empreendimentos já existentes têm um prazo determinado para se adequar a legislação. Este decreto define degradação como o processo originado pelos danos causados ao meio ambiente, que tem potencial em exterminar ou reduzir as propriedades de qualidade e capacidade produtiva dos recursos ambientais. Sendo que este mesmo processo objetiva retornar o ambiente degradado a um estágio de estabilidade ambiental, ou seja, equilíbrio.
A Lei 12.651, de 25 de maio de 2012, dispõe sobre a vegetação nativa e aborda a temática de recuperação ambiental em Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal em seu Artigo 1ª, incisos V e VI que resolvem sobre as normas gerais de proteção ambiental, das áreas de proteção permanente e de reserva legal.
Referindo-se às sanções penais de ações que gerem degradação ambiental, em que a Lei de Crimes Ambientais 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, em seu Capítulo V, Seção II, Artigos 38, 38-A e 39, estabelece a degradação e a exploração de forma negativa ou de modo contrário a lei, do meio ambiente em estágio natural de equilíbrio ou de regeneração como crime, e define como pena detenção, que varia de um a três anos, multa, ou ambas as penalidades. Crimes culposos terão pena reduzida pela metade.
A Resolução CONAMA nº 369, de 28 de março de 2006 dispõe sobre os casos em que é possível a intervenção ou supressão de vegetação na região de uma Área de Preservação Permanente conforme Artigo 1º, parágrafos 1º, 2º, 3º e 4º
e Artigo 2º, inciso I, II e III que estabelece em alguns casos, mediante a autorização do órgão ambiental responsável, para a outorga e interferência de utilização da vegetação em áreas de preservação permanente por motivos de obras, planos, atividades ou projetos de interesse público-social mediante ao seu fator de nocividade ambiental, veta a intervenção ou supressão dos ecossistemas localizados em ambientes de nascentes e ambientes brejosos, porém em casos excepcionais a outorga de direito de uso de recurso hídrico é concedida, que fica dependente da responsabilidade do empreendedor em cumprir com as obrigações estabelecidas, integralmente. Além da caracterização da utilização e do procedimento administrativo que inclui o atendimento aos requisitos previstos na resolução em questão, e em outros mecanismos legais aplicáveis das esferas federais, estaduais e municipais.
A Resolução nº 303, de 20 de março de 2002 dispõe sobre parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente e define terminologias pertinentes a recuperação de nascentes. Primeiramente define nascente ou olho dágua como local que aflore naturalmente, de forma intermitente ou não, água subterrânea. Define vereda como espaço brejoso ou encharcado, com nascentes, cabeceiras de curso d’água, com solos hidromórficos. Em seu Artigo 3º define a constituição da área de preservação permanente nos casos de nascentes e cursos d'águas nos incisos I, alíneas a, b, c, d, e além dos incisos II,III, alíneas a, b e incisos IV, XIII, XIV.
Na esfera Estadual o Governo do Paraná cria a Resolução 041/2010 – SEMA resolve sobre a intervenção ou supressão de vegetação em Área de Preservação Permanente-APP conforme seus Artigos 1º, 2º, 3º estabelece ações de recuperação e preservação das condições ambientais das áreas de preservação permanente no entorno de nascentes no Estado do Paraná de forma a assegurar a melhoria da qualidade de vida e de água.
Resolução CEMA nº 065/2008 – Dispõe sobre o licenciamento ambiental, estabelece critérios e procedimentos a serem adotados para as atividades poluidoras, degradadoras e/ou modificadoras do meio ambiente e adota outras providências.
8 CARACTERIZAÇÃO GERAL DA ÁREA DE ESTUDO
A área de estudo encontra-se localizada entre os municípios de Anahy e Iguatu– PR, região Oeste do estado do Paraná, microrregião de Cascavel, nas coordenadas UTM 22J 287119.75m E e 7273202,26m S (Figura 1). A Altitude da área de estudo é aproximadamente 500 m em relação ao nível do mar, distando de aproximadamente 500 km da capital Curitiba. A área em questão encontra-se anexa ao Rio Sapucaia, Subbacia do Rio Piquiri, Bacia do Rio Paraná.
Figura 1: Localização dos municípios de Anahy e Iguatu - PR e mapa das regiões fitogeográficas do Paraná.
O município de Anahy apresenta altitude média de 651 metros em relação ao nível do mar, sendo a tipologia florestal Floresta Estacional Semidecidual. De acordo com a classificação Climática de Köppen, o clima é do tipo Cfb, Subtropical Mesotérmico Úmido, apresentando verões quentes com tendência de concentração das chuvas (temperatura média superior a 22 °C), invernos com geadas pouco frequentes (temperatura média inferior a 18 °C), sem estação seca definida com temperatura média em torno dos 20 ºC, com pluviosidade média anual de 1800 mm (IAPAR, 2000). Os solos da região são provenientes de rochas basálticas da Formação Serra Geral. Essa rocha deu origem a Latossolos, Argissolos e Cambissolos (EMBRAPA, 2013).
O município de Iguatu, também afetado diretamente pelo empreendimento hidrelétrico apresenta extensão territorial de aproximadamente 107 mil km², também inserido na microrregião de Cascavel, Oeste do Paraná. A altitude média do município é de 530 m, estando também inserido na micro bacia do Rio Sapucaia. As características climatológicas e econômicas se assemelham ao município de Anahy, do qual dista de aproximadamente 12 Km, via rodovia BR 474.
Os municípios apresentam altitude média de 651 metros em relação ao nível do mar, sendo a tipologia florestal Floresta Estacional Semidecidual. De acordo com a classificação Climática de Köppen, o clima é do tipo Cfb, Subtropical Mesotérmico Úmido, apresentando verões quentes com tendência de concentração das chuvas (temperatura média superior a 22 °C), invernos com geadas pouco frequentes (temperatura média inferior a 18 °C), sem estação seca definida com temperatura média em torno dos 20 ºC, com pluviosidade média anual de 1800 mm (IAPAR, 2000). Os solos da região são provenientes de rochas basálticas da Formação Serra Geral. Essa rocha deu origem a Latossolos, Argissolos e Cambissolos (EMBRAPA, 2013).
A área em questão está inserida na formação Floresta Estacional Semidecidual (IBGE, 2012), a qual está condicionada à dupla estacionalidade, com seca fisiológica de 20 % a 50 % dos indivíduos. A altitude local é de 500 m, que a caracteriza como uma formação submontana. A área em questão possui relevo acidentado, com declividade da margem leste do Rio Sapucai acima 35º, chegando a 45º em alguns pontos. A face Oeste do Manancial apresenta relevo suave, o qual permitiu a produção de arroz, milho e feijão nas ultimas décadas, alterando drasticamente a tipologia vegetal da área em questão.
Conforme Roderjan et al. (2002), a Floresta Estacional Semidecidual tem como espécies típicas do dossel a Aspidosperma polyneuron Müll. Arg. (peroba) que é a espécie mais evidente, sendo comuns também Tabebuia heptaphylla (Vell.), Peltophorum dubium (Spreng.) Taub. (canafistula), Balfourodendron riedelianum (Engl.) Engl. (pau marfim), Ficus luschnathiana (figueira), Gallesia gorazema (Vell.) Moq. (pau d’alho), Holocalyx balansae Micheli (pau alecrim), Astronium graveolens Jack. (guarita), Pterogyne nitens Tul. (amendoim bravo), Diatenopteryx sorbifolia Radlk. (Maria preta) e Chorisia speciosa A. St.-Hil. (paineira).
A região apresenta como principais atividades econômicas a agricultura e a pecuária, destacando-se como tipicamente rural. Na agricultura destacam-se o
cultivo de soja, milho, mandioca e fumo no verão, e trigo e milho safrinha no inverno, propiciando evidenciando a ocupação dos solos durante a maior parte do ano. Na pecuária destacam-se a avicultura intensiva, a piscicultura e a bovinocultura de corte e leite, produtos em sua maioria destinados a agroindustrialização, como laticínios, frigoríficos e indústria de óleos vegetais, comumente encontrados na região Oeste do Paraná. Os municípios de maior expressão agroindustrial da região Oeste são Cascavel e Toledo, devido principalmente a localização geográfica, que permite a coleta de matéria prima dos municípios circundante, além da facilidade no escoamento de produtos acabados para outras regiões do Paraná, ou para outros Estados da Federação.
9 DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
Segundo a Resolução CONAMA nº01/86, a delimitação das áreas de influência do empreendimento é um dos requisitos legais para a avaliação de impactos, sendo um dos fatores importantes na coleta de dados, dentro de um diagnóstico ambiental. As áreas de influência são aquelas afetadas diretamente ou indiretamente pelo empreendimento ou atividade, considerando as bacias e sub-bacias hidrográficas e a área atendida, podendo ter pontos positivos e negativos.
Segundo a Resolução CONAMA nº 305, de 12 de julho de 2002, a área de influência pode ser dividida em três partes de acordo com as principais interferências do empreendimento na região, e sua repercussão nos vários elementos ambientais:
• Área Diretamente Afetada (ADA) – Local onde o empreendimento ou atividade está instalado, sofrendo diretamente as intervenções de implantação, considerando alterações físicas, biológicas, socioeconômicas e das particularidades da atividade.
• Área de Influência Direta (AID) – É a área sujeita ao impacto direto da implantação e operação das atividades. A sua delimitação deverá ser em função das características sociais, econômicas, físicas, biológicas dos sistemas a serem executados e das características das atividades.
• Área de Influência Indireta (AII) – Área real ou potencialmente ameaçada pelos impactos indiretos da implantação e operação de atividades, abrangendo ecossistemas e sistemas socioeconômicos que podem ser impactados por alterações ocorridas na área de influência da atividade.
A equipe técnica definiu as áreas de influência da implantação da PCH Fazenda do Salto em termos dos meios físicos bióticos e sócioeconômomico. Locais como a área delimitada para a execução da obra e supressão da vegetação, barramento, casa de força, canteiros de obras, estradas de acesso, alojamento e áreas circunvizinha delimitadas são consideradas áreas diretamente afetadas pelas ações geradas pela construção do empreendimento. A área de influência indireta foi considerada como os municípios de Anahy, Iguatu, Nova Aurora e Ubiratã – PR, uma vez que o empreendimento influencia indiretamente os municípios positivamente com o aumento na geração de empregos e maior arrecadação de impostos (Figura 2).
Figura 2: Delimitação das áreas influenciadas diretamente (em vermelho) e indiretamente (em laranja) pela implantação da PCH Fazenda do Salto, localizada entre os município de Anahy e Iguatu – PR.