1.3 PROBLEMA DA PESQUISA
1.4.2 Objetivos específicos
Para auxiliar na obtenção do objetivo geral, definem-se os seguintes objetivos específicos:
– Apresentar um breve histórico da trajetória da Educação Profissional no Brasil, apontando sua importância no contexto da educação brasileira;
– Identificar as características do Ensino Médio Integrado, bem como do Curso Técnico em Eletrotécnica Integrado ao Ensino Médio e das disciplinas de Matemática, Eletrotécnica I e II do curso;
– Investigar uma possível integração da disciplina de Matemática com as disciplinas de Eletrotécnica I e Eletrotécnica II
– Identificar as possibilidades de integração entre conteúdos ou de ações interdisciplinares entre a Matemática e as disciplinas das áreas técnicas do curso;
– Conhecer o perfil dos alunos, identificando suas características socioeconômicas e preferências ou justificativas pessoais em relação a assuntos pertinentes à pesquisa, como por
exemplo, sobre os motivos que determinaram a opção pelo curso, bem como verificar as percepções dos estudantes e professores sobre a formação que vivenciam no colégio e experiências interdisciplinares desenvolvidas no curso;
– Investigar como ocorre a interdisciplinaridade no curso e as ações que são desenvolvidas nesse sentido;
– Propor e aplicar ações metodológicas para uma turma de 1o ano do curso mediante a adoção de uma atitude interdisciplinar, buscando a integração com a disciplina de Eletrotécnica I para desenvolver conceitos da Matemática por meio de situações contextualizadas com vistas à aprendizagem significativa;
– Verificar as percepções dos alunos em relação às metodologias adotadas, à atitude interdisciplinar, à integração e às ações desenvolvidas no colégio;
– Identificar os desafios enfrentados pelos professores e propor sugestões em busca da superação dos obstáculos, bem como as possibilidades no processo de adoção de ações interdisciplinares no curso.
1.5 JUSTIFICATIVA
Minha relação com o CTISM começou desde menina: minha irmã e eu corríamos e brincávamos pelos laboratórios do colégio durante alguns anos da década de 80. Nunca imaginei que, no futuro, a brincadeira de rabiscar nas lousas das salas de aula que sobravam vazias, sem aula, se tornaria algo bem mais sério. Hoje sou parte integrante do quadro de servidores dessa instituição. Minha mãe foi professora de português do CTISM, e as brincadeiras, minhas e de minha irmã, ocorriam normalmente no período da noite quando minha mãe precisava trabalhar, e nós, sem termos com quem ficar, algumas vezes fazíamos do CTISM nosso pátio de casa.
Durante minha jornada como professora, sempre foquei o CTISM como meta profissional. E em janeiro de 2012 conquistei-a. Faço dessa conquista minha motivação: melhorar minha prática profissional para contribuir com o melhor aprendizado de meu aluno, com a excelência acadêmica que o CTISM possui e, quem sabe, com a melhoria do ensino de outras escolas técnicas, ou a quem o meu trabalho venha a contribuir.
Com a crônica a seguir, conquistei o prêmio de melhor crônica no Concurso Literário do Cinquentenário do CTISM que, de forma breve e introspectiva, descreve minha relação com a instituição:
Encontre a sua música
Quem acredita sempre alcança”, assim diz a música, e eu também.
Quando iniciei minha jornada profissional não tinha ideia aonde iria chegar. A única certeza que tinha era aonde eu queria chegar.
Minha jornada profissional começou quando não queria começar. Formei-me professora, mas fui trabalhar atrás de um balcão. Estava cansada dos livros. Com o tempo, percebi que não podia ficar longe deles. Foi aí que as portas para iniciar na profissão que escolhi abriram-se e, então, nunca mais se fecharam.
Desde pequena os corredores do CTISM eram a extensão do pátio de casa. Sem nunca imaginar que um dia me tornaria professora, muito escrevia nos quadros- negros do colégio, corria pelos corredores, brincava de “se esconder” nos laboratórios. Tenho lembranças, em especial, do Laboratório de Mecânica, que me fascinava. O cheiro ardido de metal misturado com os óleos das máquinas, nas quais não podia mexer, mostravam-me um mundo estranho e gigante.
Os professores, colegas de minha mãe, que pela década de 80 era professora de Português, acolhiam-me com carinho e atenção. Sentia-me bem aqui nessa escola desde muito cedo.
Alguns dos professores de hoje passaram pelas mãos carinhosas da Narinha. ‘Acorda Narinha bonita, levanta vem fazer o café’ era a música que nos acordava em algumas serenatas pela madrugada, cantadas pelos alunos durante as festas de formatura. Às vezes a porta não podia ser aberta... não porque ela não quisesse receber seus alunos, que há tanto tempo se dedicava em horas e horas preparando textos e trabalhos que me atraíam pela disposição diferenciada com a qual os elaborava. Mas sim, porque um casamento doentio e machista a impedia de realizar suas próprias vontades. Naquele dia, um girassol foi colocado na porta para dizer que eles estiveram ali e que a admiravam e a respeitavam pela pessoa que ela era.
O girassol ficou na lembrança, assim como todos os momentos que vivi no CTISM e o estágio que por dois anos consecutivos tive a oportunidade de realizar e que hoje a vida me apresenta ex-alunos como colegas.
Sim, quem acredita sempre alcança. Eu não tinha pressa. Sabia que um dia estaria aqui. Nem que fosse no fim de minha jornada profissional. Aconteceu antes. Muito antes do que eu imaginava. E hoje posso dizer que cheguei onde sempre quis chegar. Onde sempre quis estar. É no CTISM que quero permanecer e dar o melhor de mim.
O CTISM, personificado em ex-professores, colegas, alunos e ex-alunos, amigos que conquistei, fazem parte da minha história, assim como a fé, a dedicação, a persistência e a paciência.
A música deu certo para mim... E a sua?
Suziane Bopp Antonello, Novembro de 2016.
O CTISM é um colégio que presa pela qualidade de ensino, o que é visível em relação ao nível de exigência aplicado pelos professores a seus alunos. Em seus cinquenta e um anos de história, possui grande visibilidade e reconhecimento como estabelecimento de ensino de excelência. Possui também um ambiente de trabalho tranquilo e de boas condições físicas para que seus servidores desenvolvam seus trabalhos com efetividade.
Os professores possuem total autonomia em sala de aula e são poucas as solicitações ou orientações gerais que necessitam seguir, indicadas pela gestão, como a que o professor deve contemplar os conteúdos estipulados para cada ano, contido no Projeto Pedagógico do Curso; que realize no mínimo duas avaliações por bimestre; que procure aproveitar ao máximo o tempo
dedicado ao período de aula; que observe os horários dos alunos no início das aulas para evitar atrasos e que apresente aos alunos, no início do ano letivo, o Plano de Ensino que irá seguir.
No entanto, apesar da liberdade e das boas condições físicas para o desenvolvimento dos trabalhos dos professores, (todos possuem sala de trabalho própria, compartilhada com professores de diversas áreas) percebe-se certa individualidade e isolamento no desenvolvimento das atividades de sala de aula. Há um distanciamento entre as realidades vivenciadas pelos professores. As trocas de experiências, se ocorrem, não são institucionalizadas, acontecem em casos isolados, as quais a equipe de professores do curso não toma o devido conhecimento. O ensino ocorre, na maioria das vezes, de forma individualizada, dentro da sala de aula de cada professor.
São vários os projetos desenvolvidos no CTISM que envolvem equipes multidisciplinares com alunos e professores de diferentes cursos e áreas, mas esses projetos geralmente ocorrem com professores das áreas pedagógicas, ou somente com professores das áreas técnicas, sem que haja a integração ente essas áreas.
Não se pretende nesta pesquisa avaliar ou questionar o grau de excelência do ensino dessa instituição, mas levantar questões sobre uma possível integração entre a Matemática e duas disciplinas das áreas técnicas do curso. Os conteúdos matemáticos normalmente são desenvolvidos no domínio da própria ciência, salvo poucas aplicações, de forma compartimentada, sem o diálogo com outras disciplinas.
Manfredo (2004, p. 42) salienta a importância da Matemática para a formação geral dos alunos, afirmando que:
A apropriação de conhecimentos científicos e matemáticos3 é fundamental para que o indivíduo exerça adequadamente sua cidadania e conviva de modo satisfatório em meio às mudanças vividas no contexto societário, local e planetário. Nos diversos espaços da vida física e social, a Matemática está presente, sendo necessária para a utilização de códigos, notações, relações e esquemas explicativos, demonstrações teóricas, etc.
Mas para que ocorra a apropriação do conhecimento, é necessário que ele seja construído com o aluno e não lhe seja apresentado de forma imposta, por meio de fórmulas ou técnicas abstratas e mecânicas, ou proposto sob uma visão homogênea e fragmentada dos fenômenos sociais e naturais.
Mesmo que a Educação Matemática e outras áreas como Psicologia ou Educação venham desenvolvendo muitos estudos para elevar a qualidade da educação no sentido de propor experiências mais significativas para que o conhecimento seja construído pelo aluno e
não ocorra de forma imposta, conforme mencionada acima, os avanços desejados ocorrem a passos lentos.
A Matemática, muitas vezes, é desenvolvida sem vínculo, integração ou aplicação dos conceitos matemáticos nas teorias das áreas técnicas do curso, e as disciplinas das áreas técnicas, por sua vez, não aprofundam os conhecimentos matemáticos, ou eles são abordados de uma forma muito superficial somente para a finalidade que é aplicada, para instrumentalizar ou embasar os estudantes a fim de resolverem problemas específicos das áreas técnicas.
Pode decorrer disso que alguns alunos se mostrem desinteressados, que outros apenas utilizem-se da memorização para mecanizar as técnicas e obter a necessária aprovação, ou que aqueles que possuem grande dificuldade para interiorizarem os conteúdos matemáticos abordados na disciplina simplesmente desistam de aprendê-la.
Trabalhar as disciplinas de forma agregada, com o diálogo entre os professores, aceitando-se o que uma disciplina tem a oferecer à outra, desenvolvendo conteúdos vinculados ou que interajam entre si, com as situações ou as ideias que estão sendo construídas ou discutidas e compreender de uma forma globalizada o mundo à sua volta e todas as transformações que ocorrem nele é uma demanda essencial na busca de auxiliar o indivíduo a se articular com todos os seus conhecimentos e poder agir de modo cada vez mais crítico.
Para confiar aporte teórico a esta pesquisa, no próximo capítulo será apresentado o Referencial Teórico.