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4.14 DÉCIMO PRIMEIRO ENCONTRO

4.14.1 Objetivos, Expectativa e Planejamento

Nosso plano para esse encontro é que os alunos utilizem uma planilha eletrônica para a construção de gráficos.

A BNCC (2016) traz como uma competência específica para o ensino fundamental: Utilizar processos e ferramentas matemáticas, inclusive tecnologias digitais disponíveis, para modelar e resolver problemas cotidianos, sociais e de outras áreas de conhecimento, validando estratégias e resultados. (BRASIL, 2016, p. 223). Como primeira atividade, eles receberão as tabelas do boletim epidemiológico, disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, sobre as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti com objetivo de construir o gráfico de cada uma delas.

Nossa expectativa é de que eles não apenas consigam construí-los, mas consigam perceber qual gráfico é mais adequado à informação que queiram passar.

A segunda atividade será construir um gráfico que compare os casos de dengue em 2015 e 2016 do boletim até a semana epidemiológica 32.

Questões para discussão em conjunto:

- Quais os elementos que não podem faltar num gráfico?

A metodologia utilizada será a construção de gráficos, em grupo, utilizando o recurso eletrônico e os recursos materiais para esse encontro são: computadores, calculadora, material impresso, lápis e caderno para anotações.

4.14.2 Descrição e Análise do Encontro

O presente encontro ocorreu no dia 20 de outubro e teve duração de 2 períodos de 50 minutos.

Antes de iniciar a atividade, distribuí um material impresso explicando como fazer um gráfico utilizando planilhas eletrônicas, como vemos na figura 53.

Figura 53 – Material explicando como fazer um gráfico utilizando planilhas eletrônicas

Para realizar as atividades os alunos foram levados ao laboratório de informática da escola. Fizeram o gráfico, por região, dos casos confirmados de Dengue e febre pelo vírus Zika até a semana epidemiológica 32 e dos casos prováveis de febre de Chikungunya nesse mesmo período. Após, fizeram um gráfico, por região, dos casos confirmados de dengue em 2015 e 2016 até a semana epidemiológica 32 com o objetivo de perceber o crescimento de casos em 1 ano.

As atividades foram feitas em grupo, sendo que, em média, cada dois alunos utilizaram um computador. Nas imagens a seguir, vemos a resolução de alguns grupos.

Figura 54 – Resolução dos alunos C4 e C3

Fonte: Arquivo da autora

Figura 55 – Resolução dos alunos A2 e A3

Figura 56 – Resolução dos alunos B2 e B4

Fonte: Arquivo da autora

Figura 57 – Resolução dos alunos D4 e D1

Figura 58 – Resolução dos alunos C1 e C2

Fonte: Arquivo da autora

Na resolução exibida na figura 54, os alunos mostram domínio da ferramenta digital. No entanto, não foi de imediato. Assim como eles, os colegas não estavam habituados a trabalhar com uma planilha eletrônica. Muitos deles, acredito que 90% da turma, nunca tinham usado essa ferramenta.

O gráfico mostra os casos confirmados de febre pelo vírus Zika no Brasil em 2016 até a semana epidemiológica 32.

Alguns erros em escrever como: casos confirmados “da Zika”, regiões atingidas “pela Zika” etc. foram observados. Outro ponto importante observado foi a falta do local onde ocorreram os casos, Brasil. Mesmo aparecendo as regiões, acreditamos ser importante essa informação. Acreditamos que o gráfico é de fácil entendimento.

No esboço apresentado na figura 55 foram apresentados os casos de Dengue no Brasil em 2016 até a semana epidemiológica 32. O gráfico de barras foi construído em 3D e também não foi mencionado que os casos eram no Brasil. O que mostra que estavam mais preocupados em colocar os dados em um gráfico. Não se deram conta de conferir se a informação passada ficaria clara para o leitor. Acharam que o título, por exemplo, era uma informação quase irrelevante. Alguns alunos mostraram ter dificuldade em escrever o título, mesmo estando escrito no Boletim Epidemiológico. Contudo, o gráfico nos pareceu claro.

Na imagem apresentada na figura 56 os alunos fizeram uma exposição gráfica dos casos prováveis de febre Chikungunya em 2016.

Não pediram auxílio para colocar letra maiúscula ou til, escreveram e pronto. Assim como os demais, tinha título nos eixos e ausência de identificação do país, em que ocorreram

os casos, no título. Contudo, acreditamos que o gráfico estava compreensível. Ele também foi feito em 3D.

Na resolução exibida na figura 57, foram apresentados os casos graves, com sinais de alarme e óbitos por Dengue confirmados até a Semana Epidemiológica 32, em 2015 e 2016, por região, Unidade da Federação e Brasil. Sei disso porque acompanhei a resolução do grupo. Caso contrário, não teria como saber, pois o grupo não identificou no título o tema da pesquisa, o que impossibilita a compreensão do gráfico.

Deixando esse ponto de lado, o que o grupo quis mostrar foi a evolução dos casos de Dengue de 2015 a 2016. Eles escolheram corretamente o tipo de gráfico a ser utilizado nessa situação, a saber, o de linhas. Também usaram corretamente a legenda deixando, assim, o gráfico compreensível.

O gráfico ilustrado na figura 58 tem o mesmo objetivo do apresentado na figura 57: mostrar a evolução dos casos confirmados de Dengue, graves e que levaram a óbito, do ano de 2015 a 2016. Porém, nesse, o título identificou o que queriam mostrar e, também, utilizaram um tipo de gráfico diferente do anterior: o gráfico de barras (ou de colunas) múltiplas. Esse tipo de gráfico é usado [...] para representar mais de uma distribuição de frequências, ou distribuições de frequências conjuntas de duas variáveis qualitativas [...]” (BARBETTA, 2012, p. 71), no entanto está sem legenda. O que prejudica o entendimento de qual barra corresponde ao ano de 2015 ou 2016. Assim como o anterior alguns erros ortográficos como a falta de acento e til foi observado, porém, o que mais me chamou atenção foi a primeira coluna do eixo horizontal ser regiões. Isso deixou o eixo com seis colunas ao invés de cinco, como deveria, pois o Brasil está dividido em cinco regiões. Acreditamos que os alunos tinham a intenção de colocar essa informação, regiões, como título do eixo.

De um modo geral, esse encontro alcançou nossas expectativas. Os alunos estavam bem envolvidos nas atividades e curiosos em aprender a manipular a “nova” ferramenta. Esse encontro se caracterizou como um cenário de investigação, pois a cada click no mouse os alunos criavam novas possibilidades.

Fiquei satisfeita com a mobilização dos alunos nesse encontro. Foi gratificante os ver curiosos e brincando com os diversos recursos do programa. Alguns alunos não sabiam coisas básicas como escrever em letra maiúscula, selecionar célula, colocar til, dar espaço etc. Senti a necessidade de levá-los mais vezes ao laboratório. Acreditamos que nos dias de hoje todos têm acesso às ferramentas digitais, ou que todos, nessa faixa etária, têm um celular e participam de uma rede social, na qual digitar é uma prática corriqueira, mas a realidade é diferente. Percebi isso ao observá-los diante do teclado.

A seguir, algumas imagens dos alunos trabalhando em grupo no laboratório.

Figura 59 – Alunos trabalhando em grupo

Fonte: Arquivo da autora

Figura 60 – Alunos trabalhando em grupo

Figura 61 – Alunos trabalhando em grupo

Fonte: Arquivo da autora

Figura 62 – Aluno construindo o gráfico solicitado