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SUMÁRIO

1.3 OBJETIVOS .1 Objetivo Geral

Desenvolver um método de avaliação ergonômica com base na integração quali- quantitativa da EMG, dinamometria isométrica, análise da qualidade de vida, atividade física e sintomas musculoesqueléticos, de forma correlacionada. Visando a quantificação dos aspectos fisiológicos e biomecânicos e sua relação com os dados subjetivos referentes aos trabalhadores.

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1.3.2 Objetivos Específicos

(i) Formular um delineamento metodológico para o desenvolvimento de uma avaliação ergonômica integrada (quali-quantitativa) correlacional, demonstrando as abordagens iniciais, entrada de informações, momentos de realização dos testes e saídas de informações diagnósticas;

(ii) Descrever os aspectos biomecânicos, fisiológicos e relacionados aos aspectos subjetivos do grupo que será avaliado;

(iii) Gerar uma proposta de adaptação ergonômica para o setor que será avaliado, com base na integração dos dados coletados;

(iv) Criar um banco de dados, para que se possa comparar e compreender o impacto das adaptações ergonômicas que poderão ser executadas.

1.4 PRESSUPOSTO

O desenvolvimento dessa pesquisa pressupõe que a integração dos dados quantitativos e qualitativos por meio de estudos correlacionais, na ergonomia, poderá trazer dados mais precisos e confiáveis, bem como uma abordagem mais completa, com um número maior de variáveis ampliando o entendimento relacionado aos fatores que influenciam no adoecimento musculoesquelético laboral, possibilitando uma intervenção ergonômica mais precisa. Ainda de forma isolada, a EMG possibilitará o acesso aos dados fisiológicos (fadiga) e biomecânicos inerentes à atividade que está sendo avaliada. A dinamometria isométrica confirmará o estado funcional dos membros superiores e/ou coluna lombar, reduzindo as chances de uma interpretação equivocada em relação ao desgaste musculoesquelético, caso a capacidade funcional esteja abaixo do previsto na literatura. Os dados subjetivos poderão trazer informações a respeito da qualidade de vida, dor e prática de atividade física do grupo avaliado.

1.5 JUSTIFICATIVA

A última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) (BRASIL, 2014), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2013, aponta um número superior a 3,5 milhões de brasileiros diagnosticados com DORT. O mesmo instituto revelou que 18,5%, aproximadamente 27 milhões de brasileiros, sofrem com dores crônicas da coluna vertebral.

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Esta PNS revela ainda alguns grupos que apresentaram maior prevalência de dores crônicas na coluna vertebral, tais como: indivíduos da região Sul do país (23,3%), mulheres (21,1%), pessoas com menor nível de formação ou ensino fundamental incompleto (24,6%), indivíduos brancos (19,3%) e residentes em áreas rurais do país (21,3%). Além disso, quanto maior a idade dos indivíduos acima de 18 anos, maior a prevalência de dores na coluna vertebral. Contudo, o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) considera que os dados notificados de doença relacionadas ao trabalho corresponde a apenas 15% da realidade nacional (SILVA et al., 2017).

O afastamento das atividades de trabalho por DORT é a principal causa de desligamento da atividade primária de trabalhador adoecido no Brasil. Os números de auxílios financeiros têm aumentado substancialmente. Em 1995 foram expedidos 584.401 auxílios, elevando para 1.725.781 em 2004 e 2.328.151 em 2014 (SILVA et al, 2017).

Com números tão elevados, há forte repercussão econômica, ainda pouco contabilizada no Brasil. Nos Estados Unidos porém, a dor lombar é a causa mais comum de limitação de atividades entre pessoas com menos de 45 anos, sendo o segundo motivo mais frequente de consultas médicas, a quinta causa de admissão hospitalar e a terceira causa de procedimentos cirúrgicos gerando gastos públicos de mais de 100 bilhões de dólares por ano, calculado em 1995 (HART, 1995), porém no ano de 2013 este valor ultrapassou o valor de 200 bilhões de dólares (MA et al., 2014). Relacionada ainda aos gastos com saúde pública, um estudo realizado na Áustria, demonstrou o alto custo anual no tratamento de um paciente com dor lombar inespecífica, chegando a uma média de 2166 euros, onde o principal gasto foi em reabilitação (WAGNER, 2012).

Para Fundacentro (2016), o tempo de trabalho, que antes era considerado uma virtude, por se relacionar à experiência, pode ser considerado atualmente como um tempo de desgaste físico e psíquico, no caso de trabalhadores de atividades de risco no desenvolvimento de DORT.

Observa-se um crescimento demasiado nos casos de DORT, normalmente associado a distúrbios cognitivos, ligados a sobrecarga física e emocional gerada no ambiente laboral.

Porém, existe carência de métodos diagnósticos que abordem e acompanhem quantitativamente o curso destas doenças (SILVA et al., 2017).

Essa dificuldade diagnóstica pode interferir na interpretação dos empregadores a respeito do estado de saúde real do trabalhador, correndo o risco de gerar assédio moral e deflagrar ações trabalhistas (LIMA et al., 2014). Além disso, há um sofrimento do trabalhador, que não consegue provar a veracidade do seu estado de saúde devido a invisibilidade da doença (ALENCAR e OTA, 2011).

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Em síntese, a dificuldade de interpretação dos DORT gera problemas que interferem governos, empregadores e trabalhadores. Dentre estes problemas, destacam-se os elevados custos financeiros de tratamento e auxílios dispendidos a trabalhadores adoecidos, a perda de mão de obra qualificada e principalmente o adoecimento do trabalhador, não apenas de forma musculoesquelética, mas também com repercussões cognitivas, devido à má compreensão dos fatores de risco e à invisibilidade de seus problemas.

Esta restrição diagnóstica e de acompanhamento do trabalhador com carência na quantificação do problema, no âmbito funcional e relacionado à sua qualidade de vida, caracteriza-se como uma lacuna de conhecimento, uma vez que a literatura aponta para a correlação entre os DORT e distúrbios psíquicos, mas as pesquisas e serviços prestados nessa área tendem a analisar separadamente5 estes dados. Desta forma, esta pesquisa justifica-se por propor uma forma integrada de abordagem dos fatores fisiológicos, biomecânicos e relacionados à qualidade de vida dos trabalhadores correlacionados entre si, com intuito de ampliar a visão diagnóstica dos profissionais ligados à saúde laboral, melhorando assim o acompanhamento do trabalhador e das características ergonômicas inerentes a ele.

1.6 DELIMITAÇÃO

Com relação à ergonomia, o presente estudo delimita-se à compreensão da resposta eletromiográfica, dinamométrica e inerente às respostas subjetivas relacionadas à qualidade de vida, queixas osteomusculares e prática de atividade física dos indivíduos avaliados, bem como a correlação destes dados, com intuito de se fazer uma leitura quantitativa da situação ergonômica e elaborar requisitos, pautados em dados replicáveis, que auxiliem a intervenção do ergonomista.

Quanto à delimitação espacial, os artigos dessa coletânea foram escritos com base nas coletas de dados realizadas no centro de convenções da UFSC, na cidade de Florianópolis/SC (Artigo 2), em uma cooperativa de processamento de cachos de banana, na cidade de Corupá/SC (Artigo 3) e em um centro de entrega de encomendas dos correios, localizado em Florianópolis/SC (Artigos 4 e 5).

5 Esta forma de análise vai de encontro ao que foi recomendado pelo professor Jacques Duraffourg: “Se uma atividade tiver um componente físico predominante, procure seu componente mental. Por outro lado, se tiver um componente mental predominante, procure seu componente físico. E tente integrar os dois” (DURAFFOURG et al.,1977).

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Temporalmente, a aplicação e análise dos dados foi realizada nos anos de 2018/2019 (Artigo 1), 2018 (Artigo 2), 2017/2018 (Artigo 3) e 2019/2020 (Artigo 4 e 5). A descrição dos dados, obtida por meio do método estudado, relaciou-se ao momento em que foram coletados os dados. No caso dos artigos 4 e 5, as coletas de dados foram realizadas em 2019, antes da pandemia COVID – 19, porém a análise dos dados foi realizada em 2020.