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CAPÍTULO II. CONTEXTO E METODOLOGIA DO ESTUDO

2.2. Objetivos, questões e hipóteses do estudo

Como pudemos perceber, a literatura (e.g., Mourão, 2009; Mourato, 2012; Pestana, 2015; Veiga et al., 2012; Veiga, 2013; Villas-Boas, 1998) considera o TPC uma ferramenta que contribui para um maior envolvimento dos alunos, professores e pais no processo de ensino-aprendizagem. Esta investigação pretende trazer um contributo para o estudo da temática do TPC no contexto de moçambicano, compreendendo as suas especificidades, controvérsias, potencialidades e constrangimentos.

2.2.1. Objetivos

Este estudo teve como objetivo analisar as perspetivas de alunos e professores da 12ª classe sobre o TPC, relacionando entre si variáveis referentes às três etapas do TPC e examinando a relação entre estas três etapas e o rendimento escolar. Para uma melhor operacionalização destes objetivos, foram formulados os seguintes objetivos específicos: Obj. 1. Explorar possíveis orientações relativas ao TPC em documentos considerados oficiais de trabalho do professor e do aluno produzidos pelo Ministério que tutela a Educação em Moçambique, nomeadamente no Plano Curricular do Ensino Secundário Geral, no programa de ensino de Português da 12ª classe e no Regulamento de Avaliação do Ensino Secundário Geral.

Obj. 2. Analisar as perceções dos alunos sobre as suas práticas e experiências relativamente aos trabalhos de casa na disciplina de Português.

Obj. 3. Analisar a relação entre variáveis pessoais dos alunos (género e escolaridade do encarregado de educação) e as variáveis de TPC referentes às três etapas (marcação, realização e correção).

Obj. 4. Analisar a relação entre as variáveis de TPC referentes às três etapas (marcação, realização e correção) entre si.

62 Obj. 5. Analisar a relação entre as variáveis de TPC referentes às três etapas (marcação, realização e correção) e o rendimento escolar.

Obj. 6. Analisar as perceções dos professores sobre as suas práticas e experiências relativamente aos trabalhos de casa na disciplina de Português.

2.2.2. Questões e hipóteses

Para dar resposta aos objetivos do estudo, foram formuladas as seguintes questões de investigação:

Q1. Qual o conteúdo referente ao TPC, nomeadamente conceito, função, finalidade, prescrição e orientação metodológica, presente nos documentos do Ministério que tutela a Educação em Moçambique, concretamente no Plano Curricular do Ensino Secundário Geral (PCESG), no Programa de Ensino de Português (PEP) e no Regulamento de Avaliação (RA)?

Em relação a esta questão, os estudos referem que o TPC é parte integrante da aprendizagem curricular (Cooper, 1989; Epstein, 1988; Mourato, 2012). Assim, será pertinente saber se o professor, ao marcar, controlar e exigir que os alunos façam o TPC, age em função dos documentos elaborados pelo Ministério que tutela a Educação em Moçambique, Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano. Portanto, a Questão 1 assume um caráter qualitativo exploratório, que cria condições para fases posteriores de investigação, possibilitando elaborar um novo plano de investigação para mais aprofundamento (Richardson, 1999).

Q2. Quais as perceções dos alunos sobre as suas práticas e experiências relativamente aos trabalhos de casa na disciplina de Português, nas três fases do TPC (marcação, realização e correção)?

Em Moçambique, não foram encontrados estudos especificamente sobre a temática do TPC, pelo que não temos dados disponíveis, o que reforça a pertinência da resposta a esta questão de investigação, que assume um caráter descritivo.

63 Q3. Qual a relação entre variáveis pessoais dos alunos (género e escolaridade do encarregado de educação) e as variáveis de TPC referentes às três etapas (marcação, realização e correção)?

Esta questão assume um caráter quantitativo como a que constatamos no estudo de Mourato (2012), onde as diferenças nas variáveis referentes ao TPC em relação ao género e escolaridade do encarregado de educação foram significativas.

Q4. Qual a relação entre as variáveis de TPC referentes às três etapas (marcação, realização e correção) entre si?

Esta questão assume um caráter quantitativo. São esperadas associações significativas as entre as variáveis gosto pelo TPC e a importância do TPC; gosto pelo TPC e a utilidade do TPC; a realização do TPC e a participação na correção.

Na revisão de literatura constata-se que o TPC é uma ferramenta que permite explorar as matérias aprendidas na sala e as outras previstas (Villas-Boas, 1998). Com o TPC o aluno aprende a gerir o tempo de estudo, a usar recursos de aprendizagem e a construir o seu sentido de responsabilidade sobre as suas crenças, a autorregular-se e a superar dificuldades académicas (Epstein & Van Voorhis, 2001), tendo também o aluno a possibilidade de obter apoio. Portanto, diferentes autores (e.g., Bempechat, 2004; Cooper & Valentim, 2001; Flavell, 1989; Miranda, 2011; Silva & Sá, 1997; Rosário et al., 2008) descrevem variadíssimas vantagens do TPC, como o aumento da aprendizagem, de estudo autónomo, de motivação e avaliação de autoeficácia, de envolvimento, de rendimento académico. Mas, também, a literatura refere que o TPC, quando prescrito de forma excessiva, pode interferir no direito ao descanso, ao lazer e pode também afetar negativamente a disposição física e psicológica do aluno (Silva, 1997). Acrescenta-se ainda, o TPC quando mal orientado e sem feedback pode trazer prejuízos académicos (Rosário et al., 2005). Os estudos mostram que a prescrição e o feedback constituem fases cruciais para promoção do envolvimento do aluno (Mourato, 2012; Rola, 2012; Rosário et al., 2001). Cabe ao professor, no processo de prescrição e feedback, definir as caraterísticas e a forma como as tarefas devem ser realizadas e corrigidas/discutidas, definir o prazo, criar condições de trabalho, recursos e ambiente na sala (Cooper, 2001; Mourão, 2004, 2009).

64 Q5. Qual a relação entre as variáveis de TPC referentes às três etapas (marcação, realização e correção) e o rendimento escolar?

Esta questão assume um caráter quantitativo. Conforme referido anteriormente, são frequentes os discursos dos professores queixando-se de alunos que não realizam o TPC e, como consequência, não atingem as competências da língua portuguesa (e.g., leitura, escrita e de comunicação) e revelam baixo rendimento escolar. Sabe-se, no entanto, através dos discursos orais, que o número de alunos com este tipo de dificuldades é preocupante no seio das escolas e das famílias moçambicanas. A revisão da literatura estrangeira refere que muitos casos que são apontados como de baixo desempenho académico resultam da ausência da prática e participação nos trabalhos de casa (Cia & Williams, 2008; Rodrigues, 1998; Rosário et al., 2008). À luz da literatura consultada, são esperadas associações significativas entre a realização do TPC e o rendimento escolar. Q6. Quais as perceções dos professores sobre as suas práticas e experiências relativamente aos trabalhos de casa na disciplina de Português?

Conforme mencionado, em Moçambique, não foram encontrados estudos especificamente sobre a temática do TPC, pelo que não temos dados disponíveis, o que reforça a pertinência da resposta a esta questão de investigação, que assume um caráter quantitativo descritivo.

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